terça-feira, 10 de novembro de 2009

Dramaturgia em movimento

Samir Yazbek é autor de "O Fingidor"


Workshop com Samir Yazbek - Dramaturgia em Movimento


Serão abertas, em breve, pelo Núcleo de Dramaturgia SESI Paraná as inscrições para o Workshop Dramaturgia em Movimento com o autor e diretor Samir Yazbek. O workshop acontece nos dias 9, 10 e 11 de dezembro de 2009 e nele será apresentado um estudo de conceitos, abarcando as mais variadas correntes estéticas e ideológicas, culminando nas possibilidades da dramaturgia contemporânea. No dia 8 de dezembro (terça-feira) Yazbek dará palestra , aberta ao público em geral e com inscrições antecipadas também a serem feitas diretamente no site do Núcleo de Dramaturgia do SESI Paraná.


As inscrições para o workshop - restrito aos participantes da oficina regular de dramaturgia do SESI Paraná - serão feitas no próprio site do Núcleo de Dramaturgia, onde, também, poderá ser gerado o boleto para o pagamento da taxa de inscrição.


Dias 8 - palestra às 20 horas;

Dias 9, 10 e 11/12 - workshop das 19 às 23 horas.

Teatro José Maria Santos


Quem é Samir Yazbek


Samir Yazbek é dramaturgo e diretor teatral. Consolidou sua formação com o diretor Antunes Filho. Escreveu "O Fingidor" (Prêmio Shell/99 de melhor autor; distribuída pelo Ministério da Educação para 475.000 alunos da rede pública de ensino); "A Terra Prometida" (entre os dez melhores espetáculos de 2002, segundo o jornal O Globo); "A Entrevista", "O Invisível" e "A Noite do Barqueiro", entre outras. É organizador de "Uma Cena Brasileira", da Editora Hucitec, coletânea de depoimentos de Eva Wilma, Laura Cardoso, Paulo Autran e Raul Cortez, entre outros atores e atrizes. Também é autor de "O Teatro de Samir Yazbek", lançado pela Coleção Aplauso, da IMESP, com a edição de suas peças "O Fingidor", "A Terra Prometida" e "A Entrevista". Escreve artigos para jornais e revistas de circulação nacional, como Folha de S. Paulo, O Estado de São Paulo e Revista Bravo!. Ministra oficinas de dramaturgia em instituições como SESC e outras. Em 2009 publicou a peça inédita "Os Gerentes", pela Editora Unicamp, fruto do Programa Artista Residente, da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), para o qual foi convidado. Recentemente foi ao ar pela TV Cultura, em parceria com a Rede SESC TV, o teleteatro "Vestígios", que escreveu e dirigiu, e uma adaptação de sua peça "O Fingidor", que também dirigiu. Prepara, para 2010, com a Cia. Arnesto nos Convidou, o espetáculo “Canto para um Pai Ausente”, inspirado na imigração libanesa.


Leia entrevista de Samir Yazbek ao JORNAL DA UNICAMP:


http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/outubro2007/ju374pag11.html


Leia entrevista para o site DRAMATURGIA CONTEMPORÂNEA


http://www.dramaturgiacontemporanea.com.br/artigos.php?autor_id=25&art=2&texto=38

sábado, 7 de novembro de 2009

Encontro de estudos

Estudos sobre a obra de Michel Vinaver

Na próxima terça-feira, dia 10 de novembro, das 14 às 18 horas, vamos promover um encontro de estudos entre participantes da Oficina de Dramaturgia SESI - PR. Os temas a serem estudados são: o teatro de possibilidades e as muitas instâncias de tempo e de espaço nas obras de Armand Gatti, Michel Vinaver, Sarah Kane e Heiner Muller. Serão discutidos os textos A PROCURA DE EMPREGO (Michel Vinaver), QUARTETO (Heiner Muller).

Os participantes interessados poderão confirmar presença através do e-mail

rogeriobviana@yahoo.com.br


sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Teatro das possibilidades – Simultaneidade e fragmentação

(extraído de LER O TEATRO CONTEMPORÂNEO de Jean-Pierre Ryngaert – Martins Fontes – São Paulo – 1998 – pág. 127 – 133)

6 – O teatro das possibilidades

Armand Gatti denomina “teatro das possibilidades” uma dramaturgia em que o espaço-tempo gera simultaneamente várias dimensões e épocas para dar conta do homem que se cria de maneira perpétua. Ele foi um dos que fragmentaram muito cedo a percepção tradicional do tempo e do espaço no teatro. Confrontado com um grupo de garis na cidade de Paris convidados para assistir a uma representação de LA VIE IMAGINAIRE DE LÉ ÉBOUER AUGUSTO G. (A vida imaginária do gari Augusto G.) (Seuil, 1962), ele conta, em uma entrevista publicada no periódico La Nef em 1967:

Como eu lhe perguntasse se as diferentes formas de temporalidade não os tinha incomodado (a mistura dos tempos era, na verdade, o que mais se criticara), eles conversaram e me deram esta resposta, que acho excelente (…): não sabemos se entendemos direito mas é isso: alguns de nós têm televisão, no noticiário nos mostram coisas que aconteceram ontem, outras que aconteceram hoje, em Paris, Moscou, Londres, e tudo isso em sequência: é isso sua temporalidade? - É isso.

Gatti escreve teatro “fragmentado” quando toma consciência de que o teatro burguês não está em condições de dar conta “dos dramas que o homem contemporâneo estava vivendo”, e ele coloca sua tomada de consciência na experiência nos campos de concentração que a linguagem teatral tradicional é incapaz de restitui. Chama o tempo “normal” do teatro de “tempo-duração”, “tempo de relógio”, “tempo-continuidade” e “tempo-fatalidade” na análise que dele fazem Gérard Gozlan e Jean-Louis Pays (Gatti aujourd´hui, Seuil, 1970). A experiência da deportação o leva a refletir sobre a História e inventar para ela um outro tempo teatral:

Se no mesmo instante eItálico ao mesmo tempo podemos dar uma injeção de passado em um presente e partir para o futuro, damos conta de um procedimento muito mais verdadeiro. A sucessão das imagens, dos pensamentos, é a linguagem do homem que é perpetuamente criada.

(entrevista para o periódico Les Lettres Françaises, agosto de 19654, citada por Gozlan e Pays)

Gatti parte, pois, de uma experiência política e humana e não de um capricho formal, para forjar uma ferramenta adaptada a “estas possibilidades que se encontram no homem”, e que ele utilizará na maioria de suas peças, fazendo a mesma análise para o espaço e para o tempo, denunciando a cena única que engendra um teatro “senil” e propondo substituí-la por um espaço que dê conta de um mundo que vive simultaneamente em várias dimensões e épocas:

O fato de criar um tempo-possibilidade levou quase obrigatoriamente a um espaço-possibilidade, isto quer dizer que há um espaço dado que cria todos os espaços possíveis.

Em Auguste G., o personagem central do gari brilha; cinco atores diferentes, com idades de 9 a 46 anos, são responsáveis por ele. A cena se divide em sete lugares que situam momentos do passado, do futuro sonhado por Auguste G. E diferentes momentos do presente. Em Chant public devant deux chaises électriques (Canto público diante de duas cadeiras elétricas – Seuil, 1964), existem cinco espaços-possibilidade representando salas de espetáculo em Lyon, Hamburgo, Turim, Los Angeles e Boston, em que espectadores assistem simultaneamente à representação de uma peça sobre o caso Sacco-Vanzetti, o que dá à execução e suas consequências uma dimensão mundial. Em La passion du général Franco (A Paixão do General Franco – Seuil, 1968), ele inventa trajetos geográficos que estruturam a peça e ilustram a situação do espanhol errante, exilado político ou econômico.

Gatti é um autor pouco encenado hoje, talvez devido ao engajamento político de seu teatro. No entanto, sua dramaturgia teve uma influência duradoura e quase subterrânea na percepção do tempo e do espaço no teatro.

Sobre Armand Gatti, leia mais em http://www.eca.usp.br/salapreta/PDF02/SP02_040_bezerra.pdf

7 – Aqui e alhures: simultaneidade e fragmentação

O espaço-tempo fragmentado nem sempre tem tais pressupostos ideológicos. Em várias de suas obras, Michel Vinaver imbrica diferentes conversas que prosseguem ao longo de toda uma sequência. Desse modo, ele entrelaça discursos que poderiam advir de espaços-tempo diferentes e faz com que sejam ouvidos simultaneamente. Em La demand d´emploi (A procura de emprego – 1972), “peça em trinta partes”, quatro personagens – Wallace, diretor de recrutamento de executivos, CIVA; Fage; Louise, sua mulher: Nathalie, filha deles – são captados entre uma conversa familiar e a continuação de um questionário de admissão. “Eles estão em cena sem interrupção”, define Vinaver, que, por outro lado, não fornece nenhuma indicação cênica e, principalmente, nenhum indicação espacial. Este é o início da primeira parte, intitulada UM:

(Utilizei aqui o texto na tradução que foi publicada em 2008 em São Paulo e que remeti a todos da Oficina de dramaturgia do SESI Paraná por e-mail)

UM

Wallace – O senhor nasceu no dia 14 de junho de 1927 em Madagascar

Louise – Meu bem

Fage – Sou fisicamente

Wallace – É óbvio

Louise – Que horas são?

Nathalie – Pai não faça isso comigo

Fage – É um ideal que a gente constrói junto quer dizer que não se trabalha só pelo holerite

Louise – Você deveria ter me acordado

Fage – É o que eu ia fazer mas você dormia tão relaxada

Wallace – O que faziam seus pais em Madagascar em 1927?

Fage – Com teu braço dobrado ficava um belo quadro

Nathalie – Se você fizer isso comigo pai

Louise – Não engraxei teus sapatos

Fage – Meu pai era médico militar

Louise – Você saiu com lama nos sapatos

Nathalie – Pai me responde

Fage – Na época estava servindo num quartel em Tananarive

Wallace – Na nossa empresa

Fage – Mas não guardei nenhuma lembrança

Wallace – Nós damos muita importância ao homem

Nessa forma de conversa múltipla, dispomos de poucas indícios espaciais. Podemos imaginar um local privado, íntimo, o da família, e um local externo, social, o do escritório de uma empresa. Nesse caso, Louise e Nathalie estão ligadas ao primeiro, Wallace ao segundo, e Fage garante a conexão, já que é ele que fala nesses dois locais ao mesmo tempo. Nada torna esses lugares realmente indispensáveis à representação. Talvez se trata de um local único, o de Fage ou de sua consciência, atravessado pelos dois discursos. Mas podemos imaginar outras soluções, inclusive uma “instalação” da família na empresa ou uma incrustação do diretor de recrutamento no local privado. Do ponto de vista temporal, podemos imaginar um retorno ao lar após a entrevista (uma parte das réplicas concernem ao período da manhã, antes de Fage sair), mas ainda assim nada é evidente e nada data, por exemplo, as intervenções de Nathalie. Lógica demais na separação dos espaços levaria a um reexame do diálogo entrelaçado. Mas o interesse do texto reside precisamente nos entrechoques das falas, na confrontação entre o discurso profissional que se tornará impiedoso e o enfraquecimento progressivo do discurso familiar.

Em Oeuvres complètes (Obras completas), Vinaver apresenta a peça:

Desempregado há três meses, um diretor de vendas procura um novo emprego. Ao mesmo tempo que se submete a questionários aplicados como máquinas infernais, ele encara sua filha, esquerdista, e sua mulher, que não lida bem com a perda de um modo de vida seguro. Esta trama simples serve de suporte a uma escrita dramática fora de esquadro: ausência de lugar, ruptura de cronologia, encavalamento de motivos e ritmos. Nos espaços misturados, os personagens entrecruzam seus tempos e se fala. Não sem realismo: como sempre, cada um aqui está sozinho com todos e em todos os lugares.

Mesmo que a chave esteja dada (o encavalamento), nada está resolvido do ponto de vista da representação, mas uma coisa é certa: a escolha da forma está, aqui, totalmente ligada ao modo de narrar e àquilo que poderíamos chamar de ideologia da narrativa. A complexidade é inerente à obra e não deve absolutamente ser analisada como uma preocupação voluntária de parecer “moderno”.

O caráter musical da construção do diálogo, observável em Vinaver, é acentuado por Daniel Lemahieu em Viols (Violações – 1978), em que toda relação com um espaço e um tempo identificáveis desaparece em benefício único dos fragmentos do diálogo para duas vozes de mulheres. Nesse caso, a simultaneidade é mais formal, menos ancorada ainda no espaço e no tempo, e o texto se assemelha a um oratório.

Nesses dois exemplos o diálogo prevalece sobre todas as marcas espaço-temporais; o texto em fragmentos atinge limites em que a enunciação é privilegiado, o que torna o trabalho do leitor particularmente delicado por falta de apoios concretos concernentes à situação. É preciso, então, que ele aceite abandonar seu sistema habitual de observação, que desconsidere o que seria da ordem de uma situação tradicional e que se entregue aos fragmentos do diálogo. Esse é o preço para se encontrar a unidade profunda de textos em que as variações do espaço e do tempo são tantas e tão repentinas que é preferível ficar na superfície da fala, no ponto em que o choque das réplicas fragmentárias produz sentido quando se aproximam umas das outras e podem ser compreendidas em sua continuidade.

A grande liberdade dramatúrgica que se instaurou nas relações com o tempo e o espaço é marcada por uma observação pelo presente, qualquer que seja a forma que assumam esses diferentes “presentes”, e por uma desconstrução que embaralha as pistas da narrativa tradicional fundada na unidade e na continuidade. O “aqui e agora” do teatro se torna o cadinho em que o dramaturgo conjuga em todos os tempos os fragmentos de uma realidade complexa, em que os personagens, invadidos pela ubiquidade, viajam no espaço, por intermédio do sonho ou então, mais ainda, pelo trabalho da memória.

Tudo se passa como se um teatro atual voltasse obstinadamente a hoje e como se todos os acontecimentos convocados fossem revividos e julgados novamente à luz do presente. Pode-se ver nisso o indício de uma espécie de imperialismo da consciência contemporânea que ainda se alimenta de acontecimentos passados sob condição de aproveitá-los sem demora, da impaciência de uma época em que a percepção do instante teria primazia sobre o longo trabalho de reconstituição precisa da História. Talvez também se deva buscar na influência da psicanálise esta relação com um presente revisitado pelo passado ou assombrado por ele. De qualquer forma, os acontecimentos colocados no teatro são incansavelmente questionados, confrontados, ligados entre si e como que movidos por uma agitação que transcende as incertezas. Na falta de um ponto de vista ideológico seguro, a narrativa se entrega à dúvida. A consciência é admitida como inteiramente subjetiva quando a busca individual é submetida às vacilações da memória. Ela recorre aos pontos de vista múltiplos e à refração prismática para compreender um mundo instável, considerado entre a ordem e a desordem. A fragmentação não é uma palavra de ordem de cunho modernista, mas na maioria das vezes é a expressão de um questionamento, até mesmo de uma angústia, sobre a verdade dos fatos e seus desdobramentos. Ao passo que Gatti mostrava otimismo ao falar das “possibilidades” dessa ubiquidade narrativa, a desconstrução agiu jogando a responsabilidade para o campo do leitor e submetendo-o, por sua vez, às incertezas da decifração.

Textos citados podem ser acessados no GRUPOS, no link abaixo:

http://groups.google.com.br/group/dramaturgiasesi_tarde/files?upload=1

VOCABULÁRIO

Imbrica = sobrepõe

Ubiquidade = onipresença - onipresente

sábado, 31 de outubro de 2009

Uma novela de rádio

Neville orienta Lucas Komechen, o ascensorista João

Patrícia Kamis e Lucas Komechen ensaian sua cena

O diretor prepara a gravação no elevador

Komechen, Cláudia Brito e Eberson Galiotto ensaiam

Neville grava o ensaio da cena de Eliane Karas e Lucas Komechen

Últimas orientações aos atores antes de gravar

A gravação da última cena da novela no elevador

O diretor David Ian Neville fez, hoje, um exercício com os participantes do Workshop de Dramaturgia e onde foi criada uma novela para rádio a partir dos personagens criados no exercício proposto por ele ontem.

Os personagens escolhidos foram: João, ascensorista; Branca, funcionária de um escritório; Keli, estagiária de um escritório; Rafael, office-boy de um escritório; Arlete, faxineira do edifício.

Local da ação: um dos elevadores do edifício.

O dia em que o ascensorista
desceu do elevador para subir na vida

O enredo: João fica sabendo naquele dia que havia ganho 25 milhões na Mega Sena. Resolve que vai abandonar o emprego e, antes, começa a "cantar" algumas das passageiras do seu elevador. Tenta, primeiro, com Branca e é rechaçado imediatamente, mesmo quando diz que ganhou a "bolada". Branca deixa João sozinho no elevador. Dentro do elevador, João assiste aos insistentes pedidos de Rafael para que Keli o namore. Keli esnoba Rafael e não aceita namorá-lo. Mesmo pedindo a ajuda de João, Rafael não é aceito por Keli. João, então, decide insinuar-se para Keli. Ela não leva nada a sério e despacha João com um sonoro "não". Decidido abandonar seu posto de trabalho antes do final do dia, uma sexta-feira, véspera de feriado, apressados funcionários das empresas do edifício pedem para que João os transporte rapidamente para baixo. Dentre os passageiros está Arlete, a faxineira do prédio. João nega-se a atender os pedidos e revela que não vai mais trabalhar como ascensorista pois acabara de ganhar uma bolada de 25 milhões na Mega Sena. Nenhum dos passageiros acredita. A sonhadora Arlete, que quer ser cantora de música "gospel" diz que acredita em João e que ele é o homem que ela tanto esperou. João deixa todos no elevador e, Arlete corre atrás dele. No corredor do edifício, João se vinga das recusas de todas as mulheres em cima da sonhadora Arlete. Ele a destrata, a chama de "baranga" e diz que com 25 milhões na conta vai poder escolher melhor as mulheres que quiser.

O autor e diretor escocês orientou os improvisos dos atores que participaram das cenas e gravou, dentro de um elevador, os diálogos entre os personagens. Tudo foi feito com toques de humor.

Elenco: João - Lucas Komechen; Branca - Patrícia Kamis; Keli - Cláudia Brito; Rafael - Eberson Galiotto (Pretto); Arlete - Eliane Karas. Passageiros - Douglas Daronco, Paulo Renato Oliveira e Cynthia Becker.

Fotos e versão do enredo aqui apresentados: Rogério Viana

Exercício "A vida num dia"

O diretor e autor David Ian Neville pediu, ontem, dia 30 de outubro, que os participantes do Workshop de Dramaturgia do SESI Paraná escrevessem um texto com 500 palavras contando A VIDA NUM DIA tendo como personagem alguém que trabalhasse no prédio do SESI onde o evento acontecia.

Ele se inspirou para a formulação do exercício na publicação inglesa THE SUNDAY TIMES, de Londres, que publica uma coluna com o título "A Life in the Day", onde focaliza um dia na vida de personalidades, artistas, atores, políticos. Na edição do dia 4 de outubro, o focalizado foi o ator Dominic West. O texto, escrito por Ria Higgins tem 986 palavras e 5036 caracteres.

Acessar o texto em:



O exercício que fiz é o que apresento abaixo: (o personagem é fictício, claro)

A vida num dia

Personagem:

Lúcia dos Anjos Moreira, 25 anos, morena, de cabelos à altura dos ombros e bem cacheados é alta e discretamente fora do peso. Trabalha como recepcionista da entidade, solteira, faz o último semestre da faculdade de Letras (com Inglês), mora com a mãe (aposentada) e com o irmão que é viciado em crack. Não conviveu com o pai que abandonou a mãe assim que soube que ela estava grávida pela segunda vez. Seu irmão é mais velho dois anos. Ela corresponde-se pela internet com um homem mais velho (de 45 anos) que mora em Portugal e que diz ser engenheiro de uma construtora na cidade do Porto. Só teve um namorado na adolescência, com quem viveu sua única experiência sexual. Prefere mais livros a sair na balada. Prefere mais vídeos em casa a teatro. Prefere mais jazz, blues a baladas sertanejas e músicas que ela chama de “brega”.

Depoimento ao jornalista Rogério Viana

O despertador do celular nem precisou disparar seu irritante som. Automaticamente o desligo segundos antes dele assinalar que são 6h15. Hoje eu acordei com os primeiros raios de sol invadindo meu quarto. Manhã incomum em Curitiba. Nos últimos dias desta primavera chuvosa e com dias nublados e frios, o despertador até disparou algumas vezes. Hoje, não. Foi diferente. Fez calor durante a noite e eu acabei dormindo só com o short do meu pijama. A blusa eu retirei, ainda na madrugada, e ficou em baixo do meu travesseiro.

Pés no tapete. Sentada na cama faço um alongamento. É sábado e tenho que trabalhar. É meu plantão. Uma vez por mês trabalho num sábado, até o meio dia só, felizmente. Ligo a TV. Está num canal de notícias. Em toda a região sul vai fazer calor hoje, mas é possível, que no final do domingo o tempo mude e o feriado tenha chuva. Quem foi para a praia poderá voltar frustrado. O sol pode não dar as caras e a primavera ficará mais com aparência de outono. Mas isso não é de espantar quem mora aqui.

Como dormi bem e já estava na cama mais cedo, não amanheci com os olhos inchados. O óculos escuro hoje será necessário. Também, com um sol desse tão forte! Já sinto que minha mãe está fumando. Ainda bem que o cheiro desagradável do cigarro dela seja agora substituído pelo aroma daquele café que está sendo feito. Café forte, como gostamos de tomar.

O aquecedor ficou ligado a noite toda e a água morna escorre por meu corpo. Vou aproveitar e lavar meu cabelo. O sol da manhã e o calor que vai fazer hoje vai ajudá-lo a secar mais rapidamente e não vou precisar ligar o secador. Gosto de sentir o cabelo molhado. Estão dizendo que os cabelos cacheados estão novamente na moda. Sempre gostei dos meus cabelos.

O António diz que meus cabelos são maravilhosos. Sim, ele se chama António, com um improvável acento agudo que aqui não adotamos. Ele é mesmo António. Meu português do Porto.

Minha mãe não estava com aquela cara entristecida. Sorriu e disse: Ele dormiu em casa, voltou cedo. Meu irmão é nosso grande problema. Não há o que façamos que o deixe bem. Se tentamos ajudar, ele nos agride. Se fingimos não dar importância, ele nos cobra atenção. Perdeu o emprego, agrediu seu chefe. Brigou com dois vizinhos, amigos de infância. Foi fichado na polícia, como usuário de crack. Não quer ser internado numa clínica de reabilitação. Não quer. Nem conversar. Não mais procura sua namorada. Parece que já a esqueceu. Hoje, sua grande paixão é um vício maldito que nos tira o pouco dinheiro que temos e a alegria que nos restava.

Hoje conheci dois homens diferentes. Informaram que são autores, diretores escoceses que vieram ministrar um workshop sobre dramaturgia. Um deles, de olhos azuis, sorriu para mim. O outro, que tem mesmo cara de escocês, falava com alguém daqui com um sotaque que lembrava meu António.

(500 palavras – 2830 caracteres)

Escoceses ministram Workshop de Dramaturgia

Os participantes do Workshop de Dramaturgia

David Neville, professora Margie Rauen e Chris Dolan

David Ian Neville

Chris Dolan e Fernando Bonassi


Com as presenças dos premiados diretores britânicos Chris Dolan e David Ian Neville, e do brasileiro Fernando Bonassi, teve início, ontem em Curitiba, o Workshop sobre Dramaturgia, evento organizado pelo Núcleo de Dramaturgia Sesi Paraná, em parceria com British Council.

No período da tarde, com a presença de 13 participantes, Dolan e Neville realizaram vários exercícios, falaram sobre suas experiências com dramaturgia na Escócia, comentaram sobre as dificuldades que lá também vivenciam e contaram como escrevem, produzem e dirigem textos dramatúrgicos para rádio. No período da noite, os escoceses participam com o autor brasileiro Fernando Bonassi da mesa-redonda "Autores Múltiplos: do teatro ao cinema, rádio e televisão". Os eventos aconteceram no auditório do Sesi Paraná em Curitiba.

Chris Dolan e David Ian Neville vão ministrar, hoje, do segundo encontro do Workshop de Dramaturgia, promovido com exclusividade para os participantes da Oficina Regular do Núcleo de Dramaturgia que é mantido pelo SESI Paraná com apoio do Teatro Guaira e do Britishi Council. A oficina de dramaturgia tem encontros quinzenais e é coordenada pelo premiado autor e diretor Roberto Alvim que nesta semana ganhou, em São Paulo, o prêmio BRAVO! Prime, como melhor montagem teatral com o espetáculo O QUARTO, de Harold Pinter, apresentado no final do ano passado na capital paulista. A coordenação do Núcleo de Dramaturgia é do autor e diretor Marcos Damaceno.


quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Raduan Nassar e Maria Esther Maciel no Projeto Brasis Leituras Plurais

Leitura no Teatro da Caixa, dia 4 de novembro (quarta-feira)

A CAIXA Cultural Curitiba apresenta, na próxima quarta (dia 4), leituras dos textos de Raduan Nassar e Maria Esther Maciel, na edição de novembro do projeto Brasis Leituras Plurais. O músico Fabio Mazzon e os atores Eduardo Giacomini Martins, Fernando Eugênio de Proença e Elenize Meiry Dezgeniski atuam sob a mediação de Paulo Soethe e a direção de Olga Everan Carvalho Nenevê.


O projeto Brasis Leituras Plurais é um ciclo de leituras cujo foco é a palavra, a vocalização do texto à época em que foi escrito, inclusive com sotaques regionais, melodias e ritmos próprios. Para valorizar ainda mais a função auditiva todas as noites serão acompanhadas por um músico, um diretor teatral como maestro e um mediador para amealhar informações.


Raduan Nassar – O filósofo nasceu em Pindorama/SP, em 1935. “Menina a Caminho” (1960) foi sua estreia na literatura. Lançou o romance “Lavoura Arcaica” (1975). A novela “Um Copo de Cólera” (1970) só apareceria em 1978, quando o escritor já havia abandonado a literatura. Em 1984, depois de ter exercido diversas atividades, Raduan comprou a fazenda Lagoa do Sino e passou a se dedicar integralmente à produção rural, atividade que exerce até hoje.


Maria Esther Maciel Poeta, ensaísta e ficcionista vive em Belo Horizonte. Compõe o corpo docente da UFMG e ocupou o cargo de pesquisador visitante na Universidade de Londres. Dentre suas obras estão: “Dos haveres do corpo” (1985), “As vertigens da lucidez: poesia e crítica em Octavio Paz ” (1995), “A dupla chama: amor e erotismo em Octavio Paz ” (1998), “Triz (1999), “Vôo Transverso: poesia, modernidade e fim do século XX” (1999), “A memória das coisas” (2004) e “O livro de Zenóbia” (2004).


Serviço:


Projeto Brasis Leituras Plurais: Textos de Raduan Nassar e Maria Esther Maciel


Local: Teatro da CAIXA

Endereço: Rua Conselheiro Laurindo, 280, Centro – Curitiba

Data: 04 de novembro de 2009

Horários: quarta 20h

Ingressos: 01 (um) livro não didático

Bilheteria: (41) 2118-5111 (de terça a sexta, das 12 às 19h, sábado e domingo, das 16 às 19h)

Classificação etária: Não recomendado para menores de 14 anos

Lotação máxima do teatro: 125 lugares (02 para cadeirantes)


www.caixa.gov.br/caixacultural