terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Ursos polares abatidos na praia de Mar Del Plata

Está lá, no noticiário: O tom de otimismo dominou a abertura da 15ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-15), em Copenhague, e não houve grandes atritos entre os países no primeiro dia da conferência.

Está lá, claro, mas o que realmente não está claro, ainda, é se os líderes mundiais vão mesmo olhar com mais atenção para as catástrofes que estão ocorrendo (hoje choveu demais em São Paulo e inundou tudo de novo) e se podemos acreditar que eles tomem decisões que não venham a virar o equilíbrio da natureza de ponta cabeça.

A propósito dos desastres naturais, no meu texto "Eu Avec Você", a personagem Susana conta um sonho que teve:

Susana – Esta noite sonhei que tinha aparecido
um iceberg na minha praia. Não um pedaço de
gelo de alguns metros, mas uma montanha de
gelo. Azul. De sua imensa parede frontal
desprendiam imensos blocos. Alguns já
chegavam até a areia da praia. Dois ou três
ursos polares tiveram que ser abatidos pela
polícia. Quem ia conseguir segurar aqueles
animais enfurecidos pelo calor e pela falta de
comida? Será que saiu na televisão? Nem
sempre notícias reais são mostradas pelas TVs.
Talvez eles não queiram alarmar a população.
Alguém com juízo deveria se posicionar. Falar a
verdade, não é Catharina?
(...)
Os sonhos, quase sempre, são uma projeção da verdade que
vai ou está acontecendo sem que a gente
perceba. Quando menos se espera. É só ler a
manchete: Ursos polares abatidos em Mar Del
Plata. Você sonhou mesmo ou está inventando?

Yazbek faz palestra hoje. Amanhã começa workshop de dramaturgia

Cena final da peça "O Fingidor" de Samir Yazbek

O autor e diretor de teatro Samir Yazbek participa, de hoje a sexta-feira, em Curitiba, de palestra e workshop sobre dramaturgia, em eventos promovidos pelo Núcleo de Dramaturgia patrocinado pelo SESI Paraná.

Hoje, a partir das 20 horas, no Teatro José Maria Santos, Yazbek vai proferir a palestra “A Importância da Dramaturgia Hoje”, e deve focalizar a importância da dramaturgia num mundo em que os meios de comunicação de massa se expandem a cada dia. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas diretamente no site do Núcleo de Dramaturgia.

“Dramaturgia em Movimento” é o tema do workshop exclusivo aos integrantes da Oficina Permanente do Núcleo de Dramaturgia do SESI Paraná que Yazbek vai coordenar a partir de amanhã e onde vai apresentar o estudo de conceitos e as mais variadas correntes estéticas e ideológicas que culminam nas possibilidades de uma dramaturgia contemporânea. O workshop será apresentado no Teatro José Maria Santos, das 19 às 23 horas, de amanhã a sexta-feira.

Conheça alguns diálogos em peças do Samir Yazbek

O FINGIDOR (Prêmio Shell de 1999)

Cena 2

(...)

Henriqueta (irmã de Fernando Pessoa) lê o jornal (onde saiu um anúncio de emprego) e fica indignada. Pessoa tenta disfarçar o incômodo. (Ele se candidatou para a vaga de datilógrafo de um crítico literário)

Henriqueta – Datilógrafo de um crítico literário?! Você precisa disso, Fernando?

Pessoa – Do dinheiro, preciso.

Henriqueta – Juro que não estou te entendendo.(um silêncio) Fernando, você é um poeta. Seus poemas foram publicados em inúmeras revistas. Será que você não arrumaria emprego em nenhuma delas?

Pessoa – Ainda não procurei.

Henriqueta – Orgulho?

Pessoa – Se você pensa assim.

Henriqueta – Você traduziu Shakespeare. Será que não existe mais nenhuma peça dele para você traduzir?

Itálico
Pessoa – Ainda não pensei nisso.

Henriqueta – E o prêmio que você ganhou com o seu livro? É pouca coisa, por acaso?

Pessoa – Um reles segundo lugar.

Henriqueta – Aliás, o dinheiro do prêmio não é o suficiente para você passar o ano?

Pessoa – Já acabou.

Henriqueta – (saindo) Muito bem.

Pessoa – Espere. Se quer me ajudar, fique.

(...)


A TERRA PROMETIDA (Em 2002 foi selecionado com um dos dez melhores espetáculos teatrais pelo Jornal O GLOBO)

(Moisés conversa com seu sobrinho Itamar, filho de Aarão, seu irmão)

Ato único

(…)

Itamar – Meu pai sabia que não foi aquele bezerro que nos tirou do Egito.

Moisés – Então por que permitiu que desafiassem assim a palavra de Deus?

Itamar – Não desafiaram a palavra de Deus, mas a do senhor. Perante o povo, o bezerro substituía o senhor, não Deus!

Moisés – Blasfêmia!

Itamar – E quando o senhor sumiu por tanto tempo, nós pensamos que não voltaria mais.

Moisés – Aarão sabia da verdade. Desde quando Deus nos chamou para comunicar a missão de libertar o povo de Israel do cativeiro egípcio. Aquele encontro foi importante demais para ser esquecido.

Itamar – Quer dizer que meu pai foi o culpado de sua própria morte?

Moisés – Não acredita?

Itamar – Não creio que Deus se importe com esse tipo de coisa.

Moisés – Desde quando você o conhece?

Itamar – Castigo? É isso que seu Deus sabe fazer?

Moisés – Nosso Deus!

Itamar – Quem sabe?

Moisés – O que quer dizer?

Itamar – A partir de hoje talvez ele não seja mais meu.

(…)

Os trechos dos diálogos foram retirados aleatoriamente do livro Aplauso Teatro Brasil (com as peças O FINGIDOR, A TERRA PROMETIDA e A ENTREVISTA) publicado pela Imprensa Oficial de São Paulo em 2006.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Yazbek participa de palestra na terça-feira, dia 8

A vida imita a arte.Precisava tanto?

Mário Bortolotto e seu blog "Atire no Dramaturgo": a vida imitando a arte.

O dramaturgo paranaense nascido em Londrina, Mário Bortolotto, permanece internado em estado grave na UTI do Hospital da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo para onde foi levado na madrugada de sábado (ontem, 5-12-2009), depois de ter atingido por quatro tiros durante um assalto no bar dos Parlapatões, na praça Roosevelt, centro de São Paulo.

Bortolotto passou por uma delicada cirurgia e seu estado tem inspirado atenção especial conforme nota divulgada pela assessoria do hospital.

Mário Bortolotto nasceu em Londrina em 1962. É diretor e ator e vive na capital paulista desde os anos 90. Escreveu e dirigiu várias peças de teatro e é fundador do Grupo Cemitério de Automóveis. Em 2001 foi vencedor do prêmio Shell de melhor autor de peça teatral com "Nossa Vida Não Vale um Chevrolet".

A vida imita a arte

Bortolotto, ao sofrer tamanha violência dentro de um espaço vinculado a um teatro, não poderia imaginar que seus textos pudessem ter sido levados ao pé da letra. Além de participar da Banda Saco de Ratos que já gravou um disco ele publicou um livro com o título "Atire no Dramaturgo", com textos que publica no seu blog de mesmo nome. A vida imitou mesmo a arte, mas não precisava tanto. A violência ganha tamanha banalização que a gente até fica anestesiado e sem saber como reagir, pois ela tem caminhado por onde a gente menos espera. No seu último post, uma estranha premonição. Ou todos poderão dizer que foi mera coincidência?

Atentem para o último parágrafo do post:

"...E eu voltei pro bar. Quando ninguém mais acreditava que eu pudesse voltar. Eu tinha tudo pra não voltar, né? Mas eu sempre volto. Hoje recebo mensagens de outros amigos. Mas não quero levantar. Já ouviram "This love of mine" do Van Morrison?".

Veja o link:


O post mais recente do Mário Bortolotto, no seu blog foi esse, na véspera do trágico acontecimento (dia 4 de dezembro de 2009):

A DIFICULDADE DE IR ATÉ A ESQUINA E ESSE GOSTO DE PASSPORT PRO INFERNO

Entendam que é difícil pra mim. O telefone toca, mas eu não quero levantar. Deixei "Stranded" doVan Morrison no repeat. Tem uma igreja medieval em cima da minha barriga e algumas orações que aprendi com meus avós na minha cabeça, mas parece que elas não me valem nada. Ainda sinto o gosto do Passport pro inferno. Preciso parar de ir pro Estrela da Roosevelt (o último refúgio que nem sempre nos recebe muito bem). Vou jantar com o Lobo e com a Mariana. Bons presságios. Acho que vou ganhar um Jameson hoje. Um Green Label na minha casa e eu bebendo Passport pro inferno. Eu voltei pro bar hoje. Eu sempre volto pro bar. Os amigos não acreditam quando me vêem entrando pela porta, de novo. Noite boa a de ontem. Grande show. Divertido pra caralho. Emocionante quando tinha que ser e divertido na hora certa. Os amigos se divertindo na platéia. E eu voltei pro bar. Quando ninguém mais acreditava que eu pudesse voltar. Eu tinha tudo pra não voltar, né? Mas eu sempre volto. Hoje recebo mensagens de outros amigos. Mas não quero levantar. Já ouviram "This love of mine" do Van Morrison?

Sobre a banda "Saco de Ratos", veja o MySpace dela:




sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Últimas atividades da Oficina de Dramaturgia em 2009

Oficina de Dramaturgia tem dois encontros com Roberto Alvim


Os dois últimos encontros de 2009 dentro da Oficina de Dramaturgia sob o comando de Roberto Alvim vão acontecer nos próximos dias 15 e 16 de dezembro. No dia 15, terça-feira, será dada continuidade na leitura e comentários sobre os exercícios que os participantes desenvolveram sob a temática da "transmigração de consciência" e "transmutação do sujeito". O encontro será no Teatro José Maria Santos. Já no dia 16, na sala de ensaios do Marcos Damaceno, serão apresentados os novos projetos que serão desenvolvidos a partir de 2010, no segundo ano de funcionamento da Oficina de Dramaturgia que é patrocinada pelo SESI PR dentro do seu Núcleo de Dramaturgia. Após a apresentação dos novos projetos vai acontecer uma confraternização, com "amigo secreto" - os presentes deverão ser livros sobre dramaturgia e teatro.

Inscritos para o Workshop com o Samir Yazbek

O autor e diretor de teatro Samir Yazbek participa, de 8 a 11 de dezembro, em Curitiba, de palestra e workshop sobre dramaturgia, em eventos promovidos pelo Núcleo de Dramaturgia patrocinado pelo SESI Paraná.

No dia 8 de dezembro, a partir das 20 horas, no Teatro José Maria Santos, Yazbek vai proferir a palestra “A Importância da Dramaturgia Hoje”, e deve focalizar a importância da dramaturgia num mundo em que os meios de comunicação de massa se expandem a cada dia. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas diretamente no site do Núcleo de Dramaturgia.

“Dramaturgia em Movimento” é o tema do workshop exclusivo aos integrantes da Oficina Permanente do Núcleo de Dramaturgia do SESI Paraná que Yazbek vai coordenar e onde vai apresentar o estudo de conceitos e as mais variadas correntes estéticas e ideológicas que culminam nas possibilidades de uma dramaturgia contemporânea. O workshop será apresentado no Teatro José Maria Santos, das 19 às 23 horas.

OS INSCRITOS

Relação dos inscritos para o Workshop com Samir Yazbek dias 9 a 11 de dezembro de 2009 no Teatro José Maria Santos:

1 - Alexandre França
2 - Angélica Rodrigues
3 - Bárbara Lia
4 - Cláudia Brito
5 - Cléber Braga
6 - Cynthia Becker
7 - Douglas Daronco
8 - Éberson Galiotto (Preto)
9 - J. D. Baggio
10 - Lígia Oliveira
11- Marcelo Bourscheid
12 - Max Reinert
13 - Otávio Linhares
14 - Patrícia Kamis
15 - Paulo Renato
16 - Paulo Zwolinski
17 - Rogério Viana

Os inscritos deverão efetivar a matrícula no Workshop e emitirem e imprimirem o boleto para pagamento da taxa de inscrição de R$ 12,00 através do link:


Haverá necessidade de ser preenchida, também, a matrícula para a palestra do dia 8 de dezembro, com o Samir Yazbek, e pode ser feita através do link (clicar sobre a notícia do evento, onde tem a foto do Yazbek)

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Pequeno trecho de "Parent(es)is - Fábula para seis ou mais vozes"

Vai um pequeno trecho de "Parent(es)is - Fábula para seis ou mais vozes".

Vós – Nunca, isso nunca. Nunca eu sentei no
colo de ninguém para ganhar doce. Ou para
ganhar qualquer coisa difícil de se conseguir. O
que veio, veio por outro tipo de esforço.
Esforço-me muito para aprender. Dou a cara
para bater. Se caio, levanto. Caio de novo.
Sempre caio. Mas é tão bom quando a gente dá
a outra face. Mas eu imediatamente uso de força
desmedida e revido. Dou uma porrada! Que
coisa mais besta é essa de dar a cara para bater
dos dois lados! Bateu, levou! É meu lema. Se o
senhor der mais desconto eu levo quatro. Pode
embrulhar.

Eu – Naquela casa de praia. Não sei, mas foi
num destes feriados prolongados onde toda a
cidade vai para a praia. Todos foram. Começou
a aparecer gente, gente. Ele tocou a campainha.
Jamais eu imaginei que ele fosse aparecer, tanto
tempo depois. Mas apareceu. Tocou a
campainha. Trazia uma caixa. Claro, tinha mais
cerveja que roupa. Tinha mais vodca, que
comida. Mas tinha, também, mais cara de pau,
que vergonha. Ele não se envergonhava de
nenhuma das aprontadas que tinha feito comigo.
Mas, fazer o quê? Eu adorava o filho da puta!

Ele – Ah, não me venha com essa conversa
mole. Esta lenga-lenga! Eu sei doutora, eu sei
que a senhora está acostumada a tratar de
crianças remelentas. Mas não fale assim
comigo. Não sou criança e estou pagando o
valor da consulta integral. Não tem desconto?
Se não tem desconto, quero tratamento integral
de gente grande. Diga logo o que tenho e não
fique com frescuras, eufemismos. Mentiras.