segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Criando personagens - O processo de Enéas Lour

Antes mesmo de começar a escrever uma peça, a primeira coisa que eu faço é criar o título e o cartaz. Aí eu fico imaginando que peça seria aquela, com aquele cartaz. Depois, bem devagar, começam a vir os nomes das personagens. Faço uma lista e ... de repente (nem sempre, mas, quando "dá certo") ... elas aparecem!
Uma a uma numa fila, elas, as personagens, aparecem. Põem a cara na porta ou na vidraça da janela e depois vão entrando na página branca e começam a se mostrar para mim. Às vezes elas tentam me enganar e mentem um monte! Mas, com o tempo aprendi a decifrar essas mentiras. Então eu vou despindo as personagens e vestindo nelas as roupas que me parecem ser delas, as falas, as cores, os cacoetes de cada uma, os olhares, os medos, os orgulhos, os desencontros ... até vê-las vir se sentar e tomar café comigo ou fumar um cigarro e conversar sobre o que elas acham de tudo no mundo, ou então, vê-las só se embalar na cadeira de balanço da varanda sem me dizer mais nada.
É bom!

Enéas Lour - em seu blog http://eneaslour.blogspot.com/

Amanhã tem encontro com o Roberto Alvim

Roberto Alvim participa dos dois últimos encontros em 2009

Amanhã (dia 15) e quarta-feira (dia 16) acontecem os dois últimos encontros de 2009 dentro da Oficina de Dramaturgia sob o comando de Roberto Alvim. Na terça-feira, será dada continuidade na leitura e comentários sobre os exercícios que os participantes desenvolveram sob a temática da "transmigração de consciência" e "transmutação do sujeito". O encontro será no Teatro José Maria Santos.

Já no dia 16, na sala de ensaios do Marcos Damaceno, serão apresentados os novos projetos que serão desenvolvidos a partir de 2010, no segundo ano de funcionamento da Oficina de Dramaturgia que é patrocinada pelo SESI PR dentro do seu Núcleo de Dramaturgia. Após a apresentação dos novos projetos vai acontecer uma confraternização, com "amigo secreto" - os presentes deverão ser livros sobre dramaturgia e teatro.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Personagens e situação dramática

No encontro de ontem com os participantes do Workshop de Dramaturgia, o autor e diretor Samir Yazbek se concentrou, inicialmente, no tema "Personagem" e destacou vários aspectos da construção do personagem a partir da visão do dramaturgo (visão de mundo e idéia central do autor). Com uma rápida passagem sobre os personagens clássicos (gregos, dentro da tradição aristotélica, rígida), Yazbek focalizou que o autor (como um deus) pode criar e dar vida a cada criatura (personagem) com um caráter, uma natureza e uma essência próprias. E dentro de sua integridade, o personagem pensa, fala e age. Pode pensar uma coisa, falar a mesma coisa mas agir de forma completamente diferente. Essa combinação leva a dar características bem diferentes a cada personagem que deve cumprir dentro da obra a função que o autor desejar (dentro de sua visão de mundo e da idéia central ou tema de sua peça). Ao estabelecer a função dramática, o que cada personagem vem fazer, o que faz,como faz, como pensa, como age etc. são criadas as situações dramáticas.

Yazbek citou e sugeriu que se fizessem leituras sobre a obra de Etienne Souriau - As 200 mil situações dramáticas. Ver citações e comentários sobre a obra de Souriau em:

Situação dramática - São vários textos sobre teatro, publicados no site do Grupo Teatral Artebagaço, dentre eles um estudo sobre Situação dramática a partir da obra de Souriau -


Por que Souriau ? (de Daisi Malhadas, da Unesp de Araraquara - SP) . A proposta deste artigo é mostrar o interesse de se estudar As duzentas mil situações dramáticas, de Etienne Souriau. Primeiramente, porque a obra não propõe apenas um modelo actancial formal de situações dramáticas, mas lhes examina as funções dramatúrgicas segundo critérios estéticos. Trata-se, além disso, de uma teoria endereçada a dramaturgos, mas que é também útil à análise crítica e à encenação de peças.


Yazbek discutiu com os participantes questões ligadas ao personagem como conflito e ação, observando que em todos os textos sempre se preserva a questão do tempo e do espaço. Para ele, em Beckett "os personagens procuram matar o tempo".

Se na questão de "causa e efeito", uma coisa acontece por causa de outra, em Brechet, "uma coisa acontece depois da outra".

Yazbek disse que não se pode fazer dramaturgia se não houver um conhecimento das ferramentas utilizadas no passado. Só assim, "pode-se ir para o futuro".



quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Dramaturgia: Diálogo com a tradição e diálogo com as rupturas


Samir Yazbek no encontro de ontem

A busca pelo "espectador ideal"

O autor e diretor Samir Yazbek, no primeiro encontro ontem, no Teatro José Maria Santos, com 15 participantes do Workshop de Dramaturgia promovido pelo Núcleo de Dramaturgia SESI Paraná, iniciou seu trabalho com um bate papo entre os presentes para conhecer a trajetória de cada um e seus planos dentro do universo da dramaturgia.

Yazbek afirmou que "o workshop vai promover um diálogo com a tradição e a ruptura dentro da dramaturgia" e que "nenhum autor escreve para que seu texto fique guardado e sim para que seja montado", daí a necessidade de se descobrir "sua voz própria" - a voz autoral - e através dela buscar atingir "o espectador ideal". Para ele, a descoberta da "voz própria" nasce da necessidade que o autor tem de se expressar dramaturgicamente. "Quando o autor fala de si, fala de todos. Quando ele fala de si, o que disse deve reverberar nos outros", disse. A busca pelo "espectador ideal" deve ser incessante para que, finalmente se chegue até o "espectador real", aquele que vai até o teatro conhecer uma história, seus personagens e com eles estabelecer um diálogo, um entendimento do que foi encenado.

No encontro, Yazbek falou sobre noções de tempo e espaço, citou a tradição dos clássicos gregos, como o tempo e o espaço eram tratados e também como se deu, aos poucos, a ruptura do modelo aristotélico com a chegada de autores como Shakespeare, Tchecov, Beckett, Brechet e outros. Ao traçar um modelo de dramaturgia com: espaço, tempo, personagens, conflito, ação, diálogo, enredo e ideia central (do autor), ele falou sobre o "Personagem", dizendo que o este "tem que trazer a ideia central e a visão de mundo do autor". Em seguida, e antes de encerrar o primeiro encontro, Yazbek mostrou um diagrama para ilustrar aspectos do "Personagem". Hoje e amanhã o workshop terá prosseguimento.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Iceberg não vai para a Argentina. Preferiu a Austrália

As coisas da natureza vão acontecendo e lá em Copenhague, decisão séria mesmo que é bom, nada. E falando em nada, em nadar, vejam só a notícia que saiu hoje:


Está na foto do satélite:


Um iceberg gigante no oceano e a caminho da Austrália. Até parece coisa que minha personagem diz na peça "Eu Avec Você" e que publiquei num post ontem, aqui.


O imenso bloco de gelo não foi para o leste da Argentina, como sugeriu meu texto, mas foi mesmo para a Austrália, a oeste. Mas que tem iceberg andando por aí sem avisar, tem. Tem mesmo.

Workshop com Samir Yazbek

Marcos Damaceno e Samir Yazbek na palestra sobre dramaturgia


Ontem, no Teatro José Maria Santos, Samir Yazbek proferiu a palestra “A Importância da Dramaturgia Hoje”, onde focalizou aspectos de sua carreira e falou sobre a importância da dramaturgia num mundo em que os meios de comunicação de massa se expandem a cada dia. A palestra,como um bate papo, transcorreu num clima bem informal e Yazbek respondeu várias perguntas dos presentes e do moderador Marcos Damaceno, que é o coordenador do Núcleo de Dramaturgia do SESI Paraná.

Hoje tem início, a partir das 19 horas, também no Teatro José Maria Santos, o workshop “Dramaturgia em Movimento” restrito aos integrantes da Oficina Permanente do Núcleo de Dramaturgia do SESI Paraná onde Samir Yazbek vai coordenar as atividades e apresentar o estudo de conceitos sobre as mais variadas correntes estéticas e ideológicas que culminam nas possibilidades de uma dramaturgia contemporânea.

Fábio Kinas reencontra amigos em Curitiba

Fábio Kinas e Andrew Knoll


De passagem ontem por Curitiba, onde estudou teatro na FAP, o diretor e autor Fábio Kinas, que há 8 anos mora e estuda em Paris. Ele fez seu mestrado em Teatro e, agora, está em fase de conclusão de seu doutorado na Universidade Paris-8. Fábio se encontrou com seu amigo Andrew Knoll e com outros ex-colegas dos tempos da FAP e do teatro em Curitiba.

Sobre o Fábio Kinas, em Paris, acessem: