quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Comemoração da Oficina de Dramaturgia - fotos

Rogério Viana, Otávio Linhares, Marcos Damaceno e Lígia Oliveira

Pagu Leal, Marcos Damaceno e Otávio Linhares

Anna Zétola, Rosana Stávis e Marcos Damaceno

Marcelo Bourscheid, J. D. Baggio e Paulo Renato

Luciana Narciso (ao fundo), Angélica Rodrigues e Max Reinert

Fotos da comemoração da Oficina de Dramaturgia

Tuiuti, Roberto Alvim e Rogério Viana

Sabrina Santos, Cléber Braga e Max Reinert

Rogério Viana e Roberto Alvim

Cléber Braga, Roberto Alvim, Andrew Knoll e Sabrina Lopes

J.D. Baggio e Nana Rodrigues

Fotos da comemoração da Oficina de Dramaturgia

Cynthia Becker, Bárbara Lia, Roberto Alvim, Douglas Daronco, Cláudia Brito e Nana Rodrigues

Lígia Oliveira e Andrew Knoll

Cynthia Becker, Roberto Alvim, Eliane Karas e Cláudia Brito

Roberto Alvim, Anna Zétola, Marcos Damaceno e Tuiuti

Cláudia Brito, Rosana Stávis e Eliane Karas

Comemoração da Oficina de Dramaturgia - fotos


Cynthia Becker, Anna Zétola, Rogério Viana e Eliane Karas

Júlia Stávis Damaceno e Otávio Linhares

Sabrina Lopes e Cléber Braga

O SESI Paraná ofereceu um coquetel

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Otavio Linhares: o núcleo é feito de complementaridades

No intervalo de um encontro, Lígia Oliveira lê um texto para Otávio Linhares



Depoimento sobre o Workshop com o Samir Yazbek:

- de uma certa forma, samir conseguiu estruturar um ano de trabalho. como se deus escrevesse certo em linhas tortas, começamos o ano com a marici salomão que teve a missão de despertar em nós o sentido da dramaturgia enquanto estudo e técnica e paixão. seguido dela, apareceu em nossas vidas o tal do alvim, provocador, irrequieto, instigando em nós a necessidade de escrever dramaturgias. o abreu veio depois e provou por mais A + B (parodiando suas fórmulas dramatúrgicas) que dramaturgo no brasil pode sim ganhar dinheiro e ser feliz. e no fim da história, nos aparece o tal do samir. uma pessoa já consagrada no meio, com prêmios e traduções para várias línguas, que mostra a independência da técnica em detrimento da idéia, ou seja, o cara nos mostrou que dá pra fazer dramaturgia "de qualquer jeito" sem perder a estrutura de mente. isso me motivou bastante a escrever, pelo motivo de que realmente ainda me faltava um estalo e ele foi dado pelo samir. essa história de estrutura dramatúrgica com elementos que se encaixam numa ordem que reside dentro de cada um, mas que tem um fim comum que é a contação de história, pode ser algo banal e batido, mas na minha cabeça ainda não tinha batido. nesse sentido, acredito que o samir foi importante para todos nós, pois enquanto falava durante os três dias ele nos permitia momentos de reflexão sobre o que estava sendo dito, o que de certa forma racionalizava a teoria alí, enquanto ainda estávamos no debate.
sem mais delongas, a importância do samir no núcleo reside exatamente na importância do alvim, da marici e do abreu. o núcleo é feito de complementaridades e isso o torna tão forte e indispensável, hoje, no cenário dramatúrgico paranaense, quiçá, brasileiro, em breve.

abraços,

otavio linhares.


As ambiguidades de um certo homem ambíguo em torno do seu próprio umbigo

Pois é, nem eu bem acabara de atualizar meu inventário de textos escritos este ano dentro do que pode-se chamar de dramaturgia, havia me esquecido que um certo texto, iniciado em setembro, estava esperando uma revisão e as duas últimas páginas. Terminei o inventário e peguei as páginas para reler e revisar. Na sequência, completei as páginas restantes, agora pela manhã. Talvez inspirado pelo lindo sol que já batia na janela do meu apartamento no décimo terceiro andar perto das 7h10. E assim, hoje, dia 16 de dezembro - nossa, o Natal está aí! - concluí o texto "Homem ambíguo em torno do próprio umbigo". É bem interessante quando a gente passa a refletir em torno do próprio umbigo e olhando, porém, com outros olhos. Tudo fica ainda mais interessante quando percebemos que nosso olhar pode ser um outro olhar, se enxergamos num outro gênero, como se fôssemos mulher. Esta, por sua vez, enxergando também sobre a perspectiva do seu próprio umbigo. Assim, a visão do homem, da mulher, do umbigo dela e do umbigo dele é que nos dá uma visão muito ambígua, porém particular, do que podemos enxergar e refletir. Um auto reflexo, está bem claro, mas ele, um reflexo que volta com um sinal trocado, trocando de gênero, pode ser mais, pode ser menos, pode ser positivo, negativo também.

Então, vai lá uma fala de "Homem ambíguo em torno do próprio umbigo", com o personagem "Um Homem":

(...)

Bem... o que virá depois vocês já sabem...
Acho que sabem, não é? O que estou
fazendo aqui, afinal de contas? Pra que
serve essa coisa que me deixa preso aqui.
Parece confortável o ambiente, mas estou
preso, tenho pressa, mas estou preso,
preciso acostumar com esse balé, essa
dança que vou fazer aqui nessa coisa
aquosa onde sou obrigado a nadar. A
engolir, a respirar como peixe. Mas não
sou peixe, não tenho guelras, mas respiro
esse líquido aquoso que entra pela minha
boca, invade meus pulmões. Ainda não
tenho pulmões? Nem coração? Então, nem
cérebro? Ué, mas como estou pensando?
Que porra é essa? Que porra é essa,
afinal?

Mais adiante, uma fala de "Uma Mulher":

(...)

Na verdade, agora, aqui, você está
crescendo na minha barriga, colado na
parede do meu útero, se alimentando do
meu sangue. Você que é meio sangue meu
e meio sangue dele. Você, se alimentando
do meu sangue. Crescendo a cada
segundo, milionésimos de milímetros por
segundo. Um sanguinho aqui, um
pedacinho de uma célula que se
transforma em osso, em cérebro, em
coração, em um estômago, num pedaço de
bunda, num punhado de cabelo, num olho.
Será azul, como o meu? Ou o cabelo será
crespinho como o dele... Nem deu para eu
ver se o pentelho dele é enroladinho como
seu cabelo. Ah, o meu, loirinho, é bem
escasso e liso. Não é enroladinho, não é
mesmo. É ralo e lisinho. Delicadamente
loirinho.
Como será que vai ser o rosto do bebê que
está agora crescendo em minha barriga?
Como será que ele vai se chamar? Será
menino, ou menina? Lúcia, Lúcio, Dirce ou
Dirceu, Mário ou Marina, Luiz ou Luiza,
Rudney ou Rudnéia, Natálio ou Natália...
Natálio? Logo... bem, acho que vai nascer
próximo do Natal... pode ser mesmo
Natália ou Natálio...! Mas que nome mais
estranho! Bem, o que vier, virá! O médico
disse que em poucas semanas o bebê vai
nascer. Mas não quero saber, antes se
será menino ou menina. Não quero saber.
Só quero é que tenha saúde.

(...)

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Vocês que habitam o tempo

Para vocês que habitam o tempo, o espaço, os palcos, as coxias, os ensaios, a preparação dos figurinos, dos cenários, a escolha do elenco, a direção, a sonoplastia, a trilha sonora, a iluminação, a produção, os textos, meus cumprimentos e minha admiração pelo que fazem. A todos vocês e aos integrantes do Núcleo de Dramaturgia SESI Paraná, coordenado pelo Marcos Damaceno, ao Roberto Alvim, orientador da oficina permanente de dramaturgia, e a Ana Zetolla, que coordena atividades culturais do SESI Paraná, meus agradecimentos pela paciência e pela oportunidade que me propiciaram de integrar e participar das atividades desenvolvidas pelo Núcleo de Dramaturgia a partir de abril deste ano no Teatro José Maria Santos.

Ao conseguir minha participação na turma da tarde da oficina coordenada pelo Roberto Alvim, realizei parte de um acalantado sonho e assumi um compromisso de estudar muito, dedicar-me exclusivamente a todas as atividades que seriam desenvolvidas e, também, retribuir a oportunidade com meu esforço e com a possibilidade de escrever muito, muito mesmo, de exercícios a textos teóricos, e, também, textos, novas peças. E foi o que fiz e que, neste momento em que as atividades do Núcleo de Dramaturgia patrocinado pelo SESI Paraná encerra seu primeiro ano de muito trabalho, presto contas do que fiz e até como forma de provar que as "minhocas" plantadas em minha cabeça pelo Roberto Alvim e por todos os outros profissionais, brasileiros ou da Inglaterra e da Escócia, que aqui vieram transmitir seus conhecimentos em palestras e workshops, foram eficazes e que acabaram revolvendo um certo lado do meu cérebro que passou a responder com personagens, situações, funções dramáticas e cinco peças que consegui escrever em nove meses de trabalho. Foram elas: Manhas, Mutretas e o Escambau; Cinco Cafés e Algumas Gotas de Afeto; Daysi; Parent(es)is e Eu avec Você. No mesmo período consegui traduzir um texto teórico do espanhol José Sanchis Sinisterra (Narraturgia) e da autora argentina Susana Lastreto, que mora em Paris, traduzi a peça "Parejas", que é "Casais" em português. Também reescrevi uma peça que havia escrito em 2003 (Das Razões do Nosso Medo), quando trabalhava numa editora universitária na cidade de Salvador, na Bahia.

A todos os meus colegas da oficina de dramaturgia - em especial à Eliane Karas, ao Douglas Daronco, a Cláudia Brito e Cynthia Becker - meus sinceros agradecimentos pelas leituras e comentários sobre meus textos e pela paciência com meus trabalhos que inundaram nossos encontros a partir de abril passado.

Hoje, no penúltimo encontro com o Roberto Alvim, achei que uma forma de agradecer era citando alguns trechos de diálogos do autor francês Valère Novarina na peça "Vocês que Habitam o Tempo" e onde a personagem "A Criança das Cinzas" dialoga com "O Vigia":

O Vigia - Nome inscrito nos olhos que você tem nos olhos: João Veto.

A Criança das Cinzas - Por favor, me passe o meu cadáver!

O Vigia - Recue! Avance!... Você fica com dor nos olhos quando fecho os meus? Se sim diga não, se não diga desde qNegritouando você não me vê mais.

A Criança das Cinzas - Diga primeiro se meu nome é realmente João Veto ou se não. Se não for, me afirme. Risque em nulo se não for o caso.

O Vigia - Teu nome verdadeiro deve ser calado.

A Criança das Cinzas - Será que a minha boca cabe bem nessas palavras?

(trecho na página 157 do livro de Valère Novarina, tradução de Angela Leite Lopes e publicada pela Editora 7 Letras, Rio de Janeiro)

As palavras que não cabem em minha boca, que nasceram em minha imaginação, que foram provocadas pelos ensinamentos do Roberto Alvim, que passaram pelo teclado do meu computador, que ganharam uma forma dramatúrgica, que foram encaminhadas à Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro para registro, agora querem ganhar voz na boca de atores e atrizes. E é com essa disposição que invadirei 2010 para buscar a outra parte do meu sonho que em 2009 consegui completar importante pedaço.

Um forte abraço a todos "Vocês que habitam o tempo", o espaço, as coxias, os ensaios...

Rogério Viana