sexta-feira, 7 de maio de 2010

Cia. do Abração leva Trenzinho do Caipira ao Rio


A Cia. do Abração apresenta o Trenzinho do Caipira – Espetáculo teatral para crianças de todas as idades, de 22 a 30 de maio na Caixa Cultural.

O espetáculo infantil Trenzinho do Caipira – Projeto Villa-Lobos para crianças de todas as idades, da companhia teatral curitibana Cia. do Abração, chega aos palcos cariocas acompanhado de oficina e palestra, com temporada de 22 a 30 de maio no Teatro Nelson Rodrigues – Caixa Cultural, no Rio de Janeiro.

A peça propõe uma imersão no universo lúdico infantil cuja trajetória é conduzida sob o olhar de Villa-Lobos. A construção do espetáculo baseia-se ainda em reminiscências da tradição folclorista, das cantigas de roda, e sons da natureza presentes no inconsciente de todos nós “O Público irá embarcar em uma viagem com o nosso trem que na verdade começa quando termina o espetáculo. O nosso trem propõe uma viagem sem data para acabar, levando música, arte e sensibilidade, numa trajetória sempre inesperada, e levar o Trenzinho do Caipira ao Rio de Janeiro é ir de encontro com um pedacinho muito alegre do Brasil. Na nossa história, um dos personagens, o Solemar, é carioca, representa o Sol no sentido de iluminação, afeto e também da nota Sol da escala musical.” conta Letícia Guimarães, diretora e co-autora do espetáculo.

Composto de encenação, música, coreografia e animação de objetos do cotidiano, o espetáculo mapeia um Brasil musical, contando a história de seis personagens, de diferentes regiões do país, que simultaneamente recebem uma misteriosa carta de Villa-Lobos convidando-os para uma viagem de trem, provocando um encontro que muda completamente suas vidas.

O projeto apresenta ainda uma programação variada, que atinge a diversos públicos como crianças, adultos, professores, educadores e interessados na temática do teatro infantil.

Na oficina “Ludicidade no teatro para crianças”, o público infantil de 8 a 13 anos poderá praticar as vivências teatrais desenvolvidas pelo Grupo de Pesquisas Cênicas da Cia. do Abração, com técnicas corporais lúdicas de Contação de Histórias e Animação de Objetos, presentes na prática do Teatro para Crianças da companhia. Serão desenvolvidos jogos dramáticos, exercícios de percepção espacial, sonora e corporal; além de improvisação e construção de cena.

A palestra “O teatro para crianças e a arte educação” é destinada ao público adulto, educadores, arte-educadores e interessados em geral “Será uma oportunidade de compartilhar nosso pensamento com o público carioca sobre esta arte tão especial que às vezes é desacreditada, caindo muitas vezes no preconceito de ser uma ‘arte menor’, quando, ao contrário, exige de seus fazedores um refinamento técnico, artístico e intelectual, para superar e surpreender as expectativas de um público exigente e sincero em suas manifestações.” diz Letícia.

Cia. do Abração

A Cia. do Abração é um espaço de arte e cultura, que há 10 anos atua em Curitiba e tem como proposta principal a pesquisa e produção teatrais para todas as idades, com desenvolvimento de dramaturgia própria difundida através de espetáculos de repertório da Cia. Sua proposta estética está alicerçada na fusão de linguagens artísticas de diversas áreas, elaborada em investigações advindas de processos colaborativos. Além da dança e das artes visuais, trabalha e investiga as técnicas de manipulação de objetos, mímica, produção sonora e conhecimentos da antropologia.

Serviço:

O Trenzinho do Caipira – Espetáculo teatral para crianças de todas as idades

Temporada: 22 a 30 de maio.

Horário: Dias 22, 23, 29 de maio, às 15h e dia 30 de maio, às 11h e às 15h.

Dia 22 palestra ‘O Teatro para Crianças e a arte-educação’, às 14h30min.

Dia 29 Oficina ‘Ludicidade no Teatro para crianças’ das 9h30min às 11h30min. Inscrições para oficina abracao@ciadoabracao.com.br

Local: Teatro Nelson Rodrigues – Caixa Cultural – Av. Chile 230, Centro, Rio de Janeiro/RJ

Telefone: (21) 2262-8152

Capacidade: 388 pessoas.

Ingresso para o espetáculo: R$10,00 inteira e R$5,00 meia.

Palestra e oficina com entrada franca

Duração: 50 minutos

Classificação indicativa: Livre, especialmente recomendada para crianças.

Elenco:

Cleo Cavalcantty, Paulo Matos, Moira Albuquerque, Felipe Custódio, Aline da Silva, Simão Cunha.

Ficha Técnica:

Produção: Cia. do Abração

Direção: Letícia Guimarães

Direção Musical: Octávio Camargo

Texto: Criação Coletiva sob supervisão de Letícia Guimarães

Coreografia: Fabiana Ferreira

Cenografia: Cristine Conde

Figurino: Cristine Conde

Sonoplastia: Maurício Vogue

Iluminação: Anry Aider

Fotografia: Elenize Dezgeniski.

Contatos para Imprensa:

Sheila Fonseca Assessoria de Imprensa

Tel.: (21) 3624 0818 – 9741 3031

E-mail: assessoria.sheila@hotmail.com

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Pela alegria do drible. Pela alegria de um gol.

Pela alegria de um menino,
pelo seu talento. Pela nossa alegria.

Daqui a 42 dias os olhos do mundo estarão voltados para os estádios da África do Sul. O coração do povo brasileiro, mais acelerado. Todas as atenções dirigidas para os jogos da Seleção Brasileira. Para os demais jogos da Copa do Mundo. Milhões de meninos, espalhados por todo o território nacional, mas em vários lugares do mundo, também, se ligarão no maior espetáculo esportivo da Terra. Centenas de milhares, quem sabe, milhões de meninos vão sonhar com a possibilidade de, um dia, vestirem o uniforme de um time de futebol, milhares deles vão conseguir vestir mesmo uma camisa de um time de futebol profissional, uns poucos vão conseguir virar grandes astros em seus times e poucos, poucos mesmo, serão escolhidos a integrarem a Seleção Nacional, no nosso caso, a gloriosa Seleção Canarinho.

Daqui a poucos dias alguém, com poder absoluto, vai apontar para um grupo de jogadores e indicará você vai, você vai, você vai... e para outros, você, não, você, não, você, mais tarde, você, quem sabe...

Uma enorme euforia vai se instalar entre os escolhidos. Uma Copa do Mundo é motivo de euforia mesmo, não é? Até para quem só vê e assiste de longe, torcendo, sofrendo, torcendo, sofrendo... Mas será que, para muitos dos 23 escolhidos uma convocação para a Seleção Canarinho não será apenas e tão somente mais um evento internacional? Aqueles meninos que, um dia, foram guindados a um time profissional, depois passaram por seleções intermediárias, foram então, escolhidos para jogos amistosos, competições sul americanas, mais jogos amistosos importantes e em cenários mais importantes ainda e, finalmente, puderam vestir a camisa amarelinha num evento oficial da FIFA, será que hoje, com muito dinheiro ganho em salários, com contratos milionários de grandes patrocinadores, será que eles serão tomados pela mesma euforia, pela contagiante alegria do menino que foi pela primeira vez convidado a ser chamado de estrela e a mostrar em campo o seu talento?

Não sei. Não sei. Creio que uma seleção necessite da competência e da experiência de jogadores mais tarimbados. Mas creio, também, ser fundamental que uma seleção leve, mesmo que seja como contrapeso, um ou dois meninos de demonstrada habilidade e talento inequívoco no trato com a bola. E que esses meninos sonhem, não com a glória e o dinheiro farto que com certeza virá, mas com o prazer de todo menino de poder correr atrás da bola e, mesmo descalço, possa dar aquele seu drible desconcertante, invadir a área, deixar dois ou três zagueiros caídos, passar pelo goleiro com uma humilhante caneta e, chutar com delicadeza e maestria a bola para a rede. E sair feito um maluco, um verdadeiro maluco mesmo, gritando: Eu fiz um gol, eu fiz um gol...

Que os olhos da nação brasileira, nos próximos dias olhem para meninos que querem apenas correr atrás da bola e marcar gols. Pela alegria. Sim, pela alegria. Só pela alegria.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

"Sob a Cadeira do Terceiro Avô" virou um livrinho


O que acontece quando um bebê passa por baixo da cadeira de uma pessoa que está escrevendo uma história? E o que aconteceria se ela passasse pela cadeira enquanto seu avô está escrevendo uma história?

O que seria possível acontecer, transformei numa historinha. Além do bebê, outras duas crianças se transformam, num simples digitar, em personagens dessa história.

Na história que escrevi e que dediquei a meus netos - Ernesto, Marcela e Victor - eles são os principais personagens. E, é claro, são, principalmente, o motivo e a inspiração para eu escrever essa história. E para continuar escrevendo tantas outras.

Montei a história num tipo de livro. Vocês podem conhecê-la acessando aqui "Sob a Cadeira do Terceiro Avó".

O livreto não está de todo acabado, faltam ilustrações, uma revisão mais criteriosa. Falta um prólogo ou um comentário que tem título mas que ainda não foi escrito por sua autora. Mas está tudo lá, na forma de um imenso "blá, blá, blá..."

terça-feira, 20 de abril de 2010

Uma certa manhã de abril

Como nascem as idéias? Victor Machado Faria encontra
uma passagem sob a cadeira do terceiro avô.

Marcela Viana Franzol, Rogério Viana
e Ernesto Piccoli Viana. Como nascem idéias
que estão tão longe? Como não se inspirar
com novos e talentosos atores reais?

Primeiro ato - Uma certa manhã de abril

Alguns dias antes eu recebera um telefonema do amigo e advogado Ricardo Balestra. Venha para Curitiba. Venha e tente participar de uma concorrência para um projeto editorial de comemoração dos 50 anos da (vou omitir a empresa). Na busca por novos caminhos e os inevitáveis desafios, eu vim. Tinha 56 anos. Um homem de 56 anos aceitando novos desafios. Cheguei a Curitiba às 6h30 da manhã de 20 de abril de 2004. Já fazia um friozinho ao qual eu não estava acostumado. Mas me preparara para ele, no outono paranaense. Encontrei-me com meu amigo que passeava com seu cachorro Jabú (de Jabuticaba) pelos lados do Mercado Municipal. Horas depois eu já estava na agência de propaganda do Maurício Betti que havia cedido um espaço lá para que eu pudesse, em dois dias, conhecer o "edital" para a produção editorial comemorativa e apresentar uma proposta de trabalho. Antes, tinha que ir na tal empresa e receber o referido "edital" e as instruções básicas de como proceder. Na agência, comecei a pensar e a montar o projeto na mesma tarde de 20 de abril. Aproveitei o feriado de Tiradentes e, no dia 22, preparei a apresentação e encadernei minha proposta. O projeto ficou, digamos, consistente, objetivo, realístico. Eu arriscara um só tiro, no único tiro disponível na minha arma imaginativa. Era acertar ou acertar. Antes do final da tarde eu estava na tal empresa para entregar meu projeto do referido livro comemorativo dos 50 anos da tal empresa que prefiro não indicar qual seja. Tive que correr para a loja Pernambucanas e Renner para comprar roupas mais pesadas. A temperatura havia caído bastante naqueles dias de abril e foi inevitável pegar um resfriado, complicado pela alergia respiratória provocada pelo ambiente do quarto de hotel onde eu estava hospedado, na região central de Curitiba. O sonho fora lançado e eu tinha que esperar uns dias para ver se o projeto emplacara. Tossi e sonhei muito.

Segundo ato - Nesta manhã de abril, 6 anos depois

Hoje, 20 de abril de 2010, levantei na mesma hora que eu chegara a Curitiba naquela distante manhã de 2004. Não tinha nenhum amigo me esperando na Rodoviária - nem ele nem seu Jabú. Não faz frio neste outono seco. A luz desta manhã está muito bonita vendo daqui do décimo terceiro andar do prédio onde moro no Bigorrilho. Acordei, levantei, beijei minha mulher discretamente para não despertá-la e vim para meu escritório escrever este post para meu blog. Seis anos se passaram. Anos fundamentais para mim. Anos que me fizeram ver Curitiba de outro jeito. Uma cidade com desafios maiores que os imaginados naquela manhã que aqui aportei no outono de 2004. Olho para os anos que se passaram e percebo que todas as dificuldades iniciais aqui encontradas foram tão menores que o apoio e a acolhida que recebi de tantas pessoas. De tantas famílias, de tantos velhos amigos e amigas de infância e de adolescência que aqui pude reencontrar. E das pessoas que aqui conheci. Das que reconheci talentosas. De outras que viram algum potencial em mim, também. O tempo passou por mim e sinto como foi importante certas coisas não terem dado certo, mesmo aquelas que pareciam perfeitas, definitivas. Depois de ter navegado por águas agitadas por sonhos em outras rodoviárias, portos e aeroportos - São Paulo, Brasília, Salvador - Curitiba foi, confesso, um misto de sonhos e pesadelos; de decepções e de grandes descobertas; de um quase amor que se perdeu em quem simplesmente passou, por um amor maduro, gentil, companheiro, inspirador que me fez, ainda mais, acreditar em sonhos e em possibilidades que eu não imaginava estar ainda diante de mim. Esse amor maduro, diria mesmo, quase improvável pela forma como aconteceu e que veio até mim, que me deu uma nova e enorme e alegre e festiva e unida família que somei, aos poucos, passo a passo à minha família de origem, tudo com muito carinho e respeito, somando a elas novos sonhos, novas realizações. Ganhei nos seis longos anos três netos. Dois meus - a Marcela e o Ernesto - ela, filha de Juliana, minha filha. Ele, o herdeiro do meu sobrenome, filho de Rafael Viana, meu filho. Aqui, onde convivo e vivo cercado de uma família italiana que adora cantar - e como cantam bem todos os Favetti - fui contaminado por tamanha italianidade (existe essa palavra?) que por questões do destino fui presenteado lá no interior de São Paulo, em Piracicaba e na vizinha Rio Claro, com dois netos de meu sangue que se misturaram com o sangue italiano do parceiro de minha filha e da mulher do meu filho, aquele um Colleone Franzol (Fábio) e ela uma Piccoli (Cassiana), neta de um avô italiano de olhos azuis. A mesa dos almoços e jantares, agora, nunca mais será a mesma sem uma referência e a presença de algum prato italiano sempre tão alegre, sempre tão acolhedor e nutritivo. Ah, mas não fui abençoado apenas com os netos que meus dois filhos me deram. Tem um terceiro, também importante em minha vida. Também virei um terceiro avô - sim, sou o terceiro avô que ele tem - de um menininho de nome Victor. Ele, o Victor, legítimo neto de minha mulher Vera, a única da cantante família Favetti (pelo lado da mãe) que diz não saber cantar mas que aprendeu e veio para o mundo para aplaudir seus tios que adoram cantar e já gravaram alguns CDs com excelentes composições e bem aceito pelo público. Ele, o Victor, agora com um ano e cinco meses, tem substituído em mim a ausência dos outros dois netos que estão no interior paulista, a Marcela que dia 15 fez 5 anos e o Ernesto, que completou seu primeiro ano no dia 10 de março e que começou a andar recentemente. Um resumo da ópera curitibana que se transformou a minha vida depois que para cá vim atrás do sonho de contar a história de 50 anos de uma empresa. O tal livro da tal empresa não saiu do papel muito embora meu projeto tenha sido escolhido. Mas não saiu nenhum outro projeto de nenhum outro papel, pois parece que foi coisa deliberada para que a história dos 50 anos da tal empresa não saísse mesmo em livro. Não pude escrever nenhuma história real. Mas completei vários contos que se somaram a outros tantos contos que já tinha escrito em São Paulo, Piracicaba, Salvador e que já são um livro de contos prontinho para ser publicado. Também escrevi muitos novos haikais - alguns nem tão haikais quanto possam parecer - e um monte, muitas novas poesias que aqui nasceram e que também podem se transformar no meu segundo livro de poesias (o primeiro é TRINTA TOQUES, publicado em 1999). Aqui nasceram mais textos, em vários formatos: uma peça de teatro musicado e inspirado no universo do circo-teatro-mambembe-caipira, oito peças de teatro (já tinha escrito uma, em 2003, em Salvador), duas outras peças de teatro que traduzi de autora argentina que reside na França, um roteiro de um curta metragem (já tinha escrito um roteiro de longa iniciado em Piracicaba e concluído em Salvador). Algum saiu do papel? Seria uma pergunta de vocês. Não! Nenhum AINDA saiu do papel. Alguns dos meus textos poderão sair do papel para ganharem palcos ou telas este ano. Minha única certeza, porém, é que já estão em estado embrionário novos textos para teatro, para cinema, novas poesias também. O processo criativo continua. Ganha mais incentivos. O pensamento não para e os dedos seguem agitados na procura das letras certas para as incertas palavras que vão surgindo a cada nova manhã. E em cada nova manhã que eu acordo ao lado de quem eu amo e de quem me faz acreditar que sim, é possível, que, sim, eu posso, que sim, eu posso, que, sim, eu posso...

Terceiro ato - Nas próximas manhãs de abril, maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro, novembro, dezembro... janeiro, fevereiro, março...

Que venham os novos desafios. Hoje, com quase 62 anos... Um homem de quase 62 anos que aceita e que enfrenta novos desafios. Que venham os novos desafios. Que venham os novos projetos. Nenhuma dificuldade por maior que seja vai suplantar minha vontade, minha coragem, meu desejo de continuar produtivo, mesmo que tantas pessoas possam considerar que não é produtivo um homem de 62 anos que vive e que escreve contos, haikais, peças de teatro, roteiros de cinema, poesia...

(as fotos acima foram feitas por Vera, avó do Victor e terceira avó da Marcela e do Ernesto, meus netos)

domingo, 18 de abril de 2010

5000 visitantes no blog em 90 dias


5000 visitas
Completou, nesta manhã, o total de 5000 visitas
(5003 às 9h07) a esse blog. São, em média, 56 visitas por dia.
A média tem crescido semanalmente e aos poucos, devagar,
sem pressa,
mas de forma constante. Entre 17 de janeiro
a 16 de março
foram 3000 visitas, média de
50 visitas diárias.
De 16 de março a 17 de abril,
2000 visitas,
média de 67 visitas por dia.
No último mês o
crescimento foi de 37% no
número de visitas por dia.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Abril de Shakespeare


A quinta edição do "ABRIL DE SHAKESPEARE”, organizado pelas professoras Dra. Liana de Camargo Leão (UFPR), Dra. Célia Arns de Miranda (UFPR) e Dra. Anna Stegh Camati (UNIANDRADE), será realizado nos dias 22, 23, 26, 27 e 28 de abril de 2010 em Curitiba. É um evento que já se tornou um marco no calendário cultural da nossa cidade, tradicionalmente realizado na semana de 23 de abril, data do aniversário de nascimento e morte de William Shakespeare. É um empreendimento interinstitucional que conta com o apoio de universidades e instituições culturais, dentre elas: Universidade Federal do Paraná (UFPR), Centro Universitário Campos de Andrade (UNIANDRADE), Cultura Inglesa, Solar do Rosário e Faculdades Integradas do Brasil (UNIBRASIL). Todas as atividades são gratuitas uma vez que o objetivo principal do evento é divulgar e popularizar a obra de Shakespeare e introduzir o público participante no universo multifacetado do autor sob uma ótica contemporânea.

É dirigido não apenas ao meio acadêmico, professores, alunos de graduação e pós-graduação, mas também à comunidade em geral. Neste ano de 2010, além das palestras, minicursos e mesas-redondas, ainda estão programados dois lançamentos de obras que representam um acréscimo importante à bibliografia especializada de Shakespeare: no dia 22 de abril, na UNIANDRADE, será lançada a Revista Scripta Uniandrade nº 7, cujo dossiê temático é “Releituras contemporâneas de Shakespeare” e, no dia 28 de abril, no Solar do Rosário, o livro do Dr. Gustavo Franco, Shakespeare e a economia, será apresentado após a palestra de encerramento do evento.

Entre os palestrantes, contamos com a participação de professores atuantes na graduação e pós-graduação de diversas instituições brasileiras: Dra. Marlene Soares dos Santos (Professora Emérita da UFRJ); Dra Aimara da Cunha Resende (UFMG), Presidente e fundadora do Centro de Estudos Shakespeareanos no Brasil (CESh); Dr. José Roberto O´Shea (UFSC); Dra. Márcia Martins (PUC/ RJ); além dos professores e especialistas residentes em Curitiba, Dra. Anna Stegh Camati (UNIANDRADE), Dra. Célia Arns de Miranda (UFPR); Dra. Liana de Camargo Leão (UFPR); Dra. Cristiane Busato Smith (UNIANDRADE) e Dr. Caetano Galindo (UFPR). V

A quinta edição do "ABRIL DE SHAKESPEARE”, organizado pelas professoras Dra. Liana de Camargo Leão (UFPR), Dra. Célia Arns de Miranda (UFPR) e Dra. Anna Stegh Camati (UNIANDRADE), será realizado nos dias 22, 23, 26, 27 e 28 de abril de 2010 em Curitiba. É um evento que já se tornou um marco no calendário cultural da nossa cidade, tradicionalmente realizado na semana de 23 de abril, data do aniversário de nascimento e morte de William Shakespeare. É um empreendimento interinstitucional que conta com o apoio de universidades e instituições culturais, dentre elas: Universidade Federal do Paraná (UFPR), Centro Universitário Campos de Andrade (UNIANDRADE), Cultura Inglesa, Solar do Rosário e Faculdades Integradas do Brasil (UNIBRASIL). Todas as atividades são gratuitas uma vez que o objetivo principal do evento é divulgar e popularizar a obra de Shakespeare e introduzir o público participante no universo multifacetado do autor sob uma ótica contemporânea.

É dirigido não apenas ao meio acadêmico, professores, alunos de graduação e pós-graduação, mas também à comunidade em geral. Neste ano de 2010, além das palestras, minicursos e mesas-redondas, ainda estão programados dois lançamentos de obras que representam um acréscimo importante à bibliografia especializada de Shakespeare: no dia 22 de abril, na UNIANDRADE, será lançada a Revista Scripta Uniandrade, nº 7, cujo dossiê temático é “Releituras contemporâneas de Shakespeare” e, no dia 28 de abril, no Solar do Rosário, o livro do Dr. Gustavo Franco, Shakespeare e a economia, será apresentado após a palestra de encerramento do evento.

Entre os palestrantes, contamos com a participação de professores atuantes na graduação e pós-graduação de diversas instituições brasileiras: Dra. Marlene Soares dos Santos (Professora Emérita da UFRJ); Dra Aimara da Cunha Resende (UFMG), Presidente e fundadora do Centro de Estudos Shakespeareanos no Brasil (CESh); Dr. José Roberto O´Shea (UFSC); Dra. Márcia Martins (PUC/ RJ); além dos professores e especialistas residentes em Curitiba, Dra. Anna Stegh Camati (UNIANDRADE), Dra. Célia Arns de Miranda (UFPR); Dra. Liana de Camargo Leão (UFPR); Dra. Cristiane Busato Smith (UNIANDRADE) e Dr. Caetano Galindo (UFPR).


Outras informações no site do Solar do Rosário.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

O altruismo e a "teoria do parentesco"


Admitir que a organização social é uma função do ser vivo é reconhecer que ela é, como tudo que vive, regida pelas leis da evolução e produzida pela seleção natural. Para M. Ghiselin, sociobiologista insígne, "a evolução da sociedade corresponde ao paradigma darwiniano na sua forma mais individualista [...] A economia da natureza é concorrencial de parte a parte. Compreender esta economia e o seu funcionamento é por em evidência as razões subjacentes dos fenômenos sociais. São os meios que permitem a um organismo obter vantagem à custa do outro [...] Se melindrar um altruísta, verá a raça de um hipócrita." Todo comportamento animal e, por isso, também todo o comportamento humano, se fundamenta no interesse individual.

Esse individualismo desenfreado, que os naturalistas designam pelo termo de altruísmo, consiste, com efeito, para os representantes de certas espécies, em sacrificar vantagens imediatas, e por vezes até a sua própria vida, a fim de obterem benefícios superiores. O exemplo citado com maior frequencia é o das abelhas obreiras que, ao picarem um intruso, pagam com a sua própria vida a defesa da colmeia. Os fundadores da teoria da evolução viam nesse comportamento a expressão da seleção de grupo, que contribui para o bem da espécie. A descoberta do genoma e do tesouro precioso que encerra, sob a forma de DNA, faz que se considere hoje a seleção individual como o verdadeiro motor da evolução. A frequência de um gene aumenta se ele fizer crescer o valor seletivo (ou seja, o número provável de filhos sobreviventes) daquele que o possui.

Nestas condições, como explicar o valor seletivo de indivíduos estéreis, como as abelhas obreiras? Este paradoxo é resolvido pela "teoria do parentesco", desenvolvida por W. Hamilton. O que conta não é tanto o animal em si mesmo, mas os seus bens, por outras palavras, o seu patrimônio genético, de que se trata de assegurar a perenidade.

[...] Bellum omnium contra omnes, "a guerra de todos contra todos" já dizia Hobbes. Em toda parte, aluta pela vida, a concorrência furiosa pelo proveito máximo e toda essa beligerância que, sem dúvida alguma, alegra o diabo, por uma banal ambição de notário: aumentar o seu patrimônio e transmití-lo aos seus herdeiros mais aptos.

[...] A seleção natural não corre atrás de um objetivo. Nisso, ela é comparável ao diabo, com que erradamente nos obstinamos em pretender que ele persiga um único desígnio: expandir o mal.

[...] O paradoxo é que uma tal ideologia, que exalta o valor individual e a lei do mais forte, acaba por considerar o indivíduo apenas como um acessório a serviço do DNA. Confesso que meu temperamento boêmio me leva a suspeitar do aspecto "pequeno comércio" dos meus cem mil genes e a preferir o risco de vender a minha alma ao diabo, mesmo sendo ele um adversário pouco recomendável da sociobiologia.

(A abelha e o notário - Jean-Didier Vincent in "A Carne e o Diabo" - pgs. 80-83 - Forum da Ciência - Publicações Europa-América - Portugal - 1997)

...

Recentemente eu invadi uma colméia. A princípio, as abelhas não me identificaram como invasor. Talvez me olhassem com um certo desdém. Não vai oferecer perigo a nenhum de nós. Eu invadi a tal colméia para aprender como se faz mel. Sim, mel. Um tipo de néctar que os Deuses do Olimpo deveriam adorar. Sistematicamente, todos os dias, eu trabalhava, trabalhava, trabalhava e via, ao lado das abelhas obreiras, que meu trabalho começava a apresentar resultados. Tira uma sujeirinha de uma flor, espanta um mosquito, carrega, com muito esforço, a seiva de belas e perfumadas flores, atravessa um lodaçal, passa por uma floresta repleta de lobos com capa de chapeuzinho vermelho, desvia daqueles narizes enormes ávidos por inebriantes substâncias. E a rotina, diária, de muito esforço, começava a se transformar em mel mesmo. Mas, confesso, meu mel não era igual ao dos outros. Não que, na aparência, fosse tão diferente assim, mas, não sei precisar, mas era mesmo diferente do que ali se produzia.

A chefe das abelhas obreiras, certa feita, convidou-me para trabalhar para ela. Para fazer o mesmo papel das abelhas obreiras. A abelha-rainha queria produzir um tipo de mel diferente do que estava acostumada a utilizar em sua alimentação. Ela dizia: o mel tem que ser diferente, tem que ser singular. A singularidade é a qualidade que exijo. E lá fui eu, na busca daquele tipo de mel tão ao gosto da abelha-rainha, mas, advertido pela chefe das abelhas obreiras, tive que rever meus métodos de produção de mel, aprendido a custa de muito sacrifício e horas, horas, infindáveis horas de leitura dos manuais, dos livros em várias línguas que ensinavam os truques e os segredos - diria até, o pulo do gato - de como produzir um mel de maior qualidade. O que a chefe das obreiras queria? Que eu, pelo menos, fizesse um "blend" mais próximo do que a colmeia produzia. Mas o "blend" que eu aprendera não tinha, digamos assim, o requinte, a consistência e as singulares qualidades do mel das então, minhas colegas de trabalho.

Aquele zum-zum-zum, no entanto, começava a me incomodar. Como assim? A seiva que eu carrego não é a mesma? Não vem das mesmas flores? Ah, sua flor é uma flor mais simples, não percebe? Sim, eu sei. Mas flor, para mim, é flor. É uma flor matuta, meio caipira mesmo, não tinha nada refinado, não era uma papoula. Ah, as papoulas! Nem era uma rosa azul colombiana, ou uma similar vinda da Bolívia, do Peru, da Venezuela. Lembrei-me da Venezuela. Confesso que tremi. Logo uma flor venezuelana. Lá ainda se produz flor? Será que o comandante Cháves não estatizou a produção de flores por lá?

Colocando alguns questionamentos acerca do modo como se produzia o mel e como ele havia sido planejado para ser distribuído, comecei a notar que já não era mais tão bem aceito pelas abelhas obreiras, pela chefe das obreiras - havia duas chefias, uma sempre presente mas agindo só nos bastidores e outra, digamos, meramente figurativa e que assinava os lotes produzidos e dizia: Esse mel está conforme. Esse outro não. Esse está conforme, esse outro, não! Ah, havia me esquecido da abelha-rainha. Essa, empanturrada de mel, de polém e de uma geléia real especial que de vez em quando levavam a ela, não queria nem saber se havia alguma abelha fora do critério da colmeia. Muito menos se interessava se o mel de alguma era ou não diferente. Mel é mel se for singular. Qualidade é o que menos quero. Quero apenas mel singular, entenderam?

Bem, numa certa tarde começou a pegar fogo na colmeia. Um apicultor experiente foi lá e passou a fumegar aquela fumacinha que atrapalha a vida das colmeias, deixa as abelhas obreiras tontinhas e facilita a colheita do mel. A chefe das obreiras ligou-me. Venha me ajudar a apagar o incêndio, digo, ajude a diminuir o fogo, bem, venha até aqui e faça o papel de bombeiro. Espante, pelo amor de deus, até as 15 horas, esse apicultor que agora está nos atormentando. Sem ter nenhuma formação para atuar como bombeiro, ainda mais de uma colmeia fumegante, declinei do convite e... Bem, negar um favor, ou negar-se a fazer o papel de bombeiro era demais para a tal, eu disse, a tal colmeia, entenderam?

Depois de justificar minha negativa, a chefe das obreiras caiu de pau em mim. Disse que eu estava atravessando, que havia invadido a colmeia e coisa e tal. Como não estava muito contente com o método de trabalho e o sistema de avaliação da minha produção de mel - olha, produzi muito mel, muito mesmo, uns 8 galões com um blend meu, simplório, e dois galões com um blend franco-argentino - não me contive e mandei um beemail desaforado. Afinal, eu já me sentia fora mesmo da tal colmeia. O que eu ia perder? Acredito que nada. Pois eu já tinha os 10 galões de mel - com um blend simplório e com outro ulalá - eu não deixei por menos. Abri o bico e critiquei a colmeia, não as abelhas obreiras. Critiquei a chefe das obreiras e, indiretamente, deixei em suspensão o comportamento da abelha-rainha. Aquela, empanturrada, de novo, de pólem. Muito pólem...

Dias depois, anunciaram na imprensa oficial da colmeia que eu estava excluído das atividades produtivas de mel. Mais que isso, foi transmitido ao exército das abelhas obreiras, agora travestidas de militância armada, coisa e tal, e elas vieram em cima de mim com a conhecida fúria das abelhas. As que foram treinadas não apenas a produzir mel, mas a defender a colmeia com unhas e dentes e, me esqueci do detalhe, com o ferrão que trazem nas suas nádegasdasbundas. Que alvoroço, que suplício, que tragédia, que bafo! Que bafo, mano! Nem te conto!

Alguns dias se passaram e eu, que havia invadido a colmeia daquelas abelhas, fui olhar no espelho e percebi uma coisa que havia passado em branco. Eu bem que devia ter olhado antes para o espelho. Bem que eu devia mesmo. Foi então que notei uma coisa que, somente agora classifico como fundamental: de abelha eu não tenho nada. Nem ferrão nas nádegasdasbundas eu tenho. Nem sou chegado a pólem. Mel e geléia real, sim, são um tipo de alimento que está em minha dieta. Mas, a seiva que eu carregava, diariamente e levava para aquela fábrica de mel, não era transportada por mim como uma abelha. Sim, eu pegava das flores a tal seiva. Mas eu não tinha cara de abelha, nem de pretendente a chefe de obreiras, muito menos de abelha-rainha. Foi só depois dessas considerações tardias que eu vi que eu não era um parente das abelhas, nem de longe. Eu era apenas um beija-flor. Sim, um beija-flor, um cuitelinho que aprendeu a beijar flores e fazer da seiva de cada manhã seu diferente tipo de mel.