quarta-feira, 21 de março de 2012

Oficina de Encenação divulga lista de atores e diretores aprovados

O Núcleo de Dramaturgia SESI PR e o Teatro Guaira, divulgaram a lista dos selecionados para vagas na Oficina de Encenação - diretores e atores.

Foram inscritos 46 interessados para as 15 vagas da oficina de direção e 109 inscritos para as 20 vagas da oficina de atores.

Os organizadores informam que em caso de algum selecionado desistir de participar da oficina, será chamado outro candidato melhor avaliado. Os critérios de avaliação consideraram experiência na área comprovada.

Os selecionados para as vagas na Oficina de Encenação - Diretores são:


1- Gerson de Andrade
2- Jean Carlos de Godói
3- Otávio Linhares
4- Anidria Stadler
5- Franklin Albuquerque
6- Guto Paskos
7- Nika Braun
8- Pedro Henrique
9- Luiz Barotto
10- Nathan Gualda
11- Vivian Schmitz
12- Eliane Karas
13- Pretto
14- Nehru Moreira
15- Hyago de Lion

Os selecionados para as vagas na Oficina de Encenação - Atores são:


1- Marcel Gritten
2- Murilo Lazarin
3- Bruno Mancuso
4- Luiz S. Malheiros
5- Paulo Marques
6- Thadeu Peroni
7- Kenni Rogers
8- Patrícia Kamis
9- Pagu Leal
10- Viviane Gazotto
11- Raquel Schendler
12- Janja
13- Sheila Foltran
14- Jaqueline Lira
15- Daphne Garcez
16- Débora Vecchi
17- Guenia Lemos
18- Claudia Souza
19- Rúbia Romani
20- Hortência Labia


Os selecionados deverão realizar, agora, suas matrículas e até o dia 30 de março próximo. As informações para matrícula e outros procedimentos serão enviadas por e-mails aos selecionados até amanhã, dia 22 de março. Em caso de não recebimento do e-mail, os interessados deverão ligar para o número 3271 9843.

As informações foram fornecidas por Janaína Coelho Adão, responsável pelo Núcleo de Dramaturgia SESI PR - Teatro Guaira e por Diego Marchioro, produtor do Núcleo e por Roberto Alvim, coordenador de conteúdo do Núcleo.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Antropofagia em "1o. Movimento", no Coletivo Pequenos Conteúdos - TUC


A Companhia CafécomLeite participa  participa do Coletivo de Pequenos Conteúdos, no TUC, de 29 de março a 2 de abril com o texto "1o. Movimento", que integra a peça “A refeição”, de Newton Moreno. “1º Movimento” apresenta a tormenta de um casal cúmplice, antropofágico, que se submete a desejos incalculáveis.

Em situação de tédio, riso, desespero, melisma, amor, agressividade, “1º Movimento” apresenta este casal sedutor que tomados pela entrega e confiança no outro se deparam em delicada situação: depois de uma imersão em uma brincadeira sem limites ela acaba com o dedo arrancado por ele.

O texto "1o. Movimento" - primeiro quadro da peça "A refeição" de Newton Moreno, apresenta a descrição do cenário, personagens e ações: Sala de hospital. Moça sozinha. Parece nervosa. Tem a mão esquerda enfaixada até a altura do pulso. Olha tudo com espanto e surpresa. Entra um rapaz, a moça afasta-se dele, querendo evitar contato. Senta-se mais distante.

Dias: 29/03 - 16h; 30/03 - 22h; 31/03 - 13h; 01/04 - 19h e 02/04 - 16h.

R$20,00 / R$10,00

Ficha técnica

1º Movimento
Figurino, iluminação, cenário: Companhia CafécomLeite
Atuação: Gizáh Ferreira e Kenni Rogers 

Coletivo de Pequenos Conteúdos 
TUC - Galeria Julio Moreira, Largo da Ordem, Curitiba

Companhia CafécomLeite
Ailén Roberto, Giuliano Bilek, Gizáh Ferreira, Kenni Rogers e Paulo Rosa

Mais sobre "1o. Movimento" e o Festival de Curitiba, clique aqui.

Monólogo “Ana” revela faces de uma rainha, amante, mulher


Márcia Mendonça em "Ana"
"Ana" é a história ficcional da rainha Ana Bolena

A história ficcional dos “momentos de morte” de Ana Bolena, rainha da Inglaterra executada, em 1536, por ordem de seu marido, Henrique VIII, será contada no monólogo “Ana”, adaptada, produzida, dirigida e interpretada por Márcia Mendonça que será apresentado na Sala Londrina, dias 6, 7 e 8 de abril, na programação do Fringe, no Festival de Curitiba. 

Acusada de adultério, incesto e bruxaria, Ana empreende uma viagem por sua pequena vida mergulhando nas profundezas de sua alma, imersa no medo do desconhecido que a espera. O último suspiro. A última palavra. O último pensamento. Não há tempo para frente. Não há mudanças para trás. Ser o “SER” que se constata a cada instante, que se desvenda que se quer, ou não, “SER”. Na eminência, no medo da morte, a resistência à inércia, a luta pelo pensar contra o instinto de desistir. A Bruxa? A Santa? Quem você poderá encontrar? 

“Ana” foi adaptada por Márcia Mendonça a partir do original “Ann”, de David Turner. A atriz e produtora dirigiu, entre 1997 e 2002, em São Paulo, a Cia. CincoINCena e retoma a cena, a pesquisa e, sobretudo, o estudo da integração entre as ciências humanas e todas as dimensões do Teatro. “Ana” é um relato humano sobre a morte, a vida e o feminino. 


Questões do “ser” e de ser mulher 


Ancestralidade, astros, arquétipos, complexos, educação, ambiente, cartadas da vida? Tudo isso junto? 

“Pode ser, porém, o fato é que muitas de nós temos facilmente nos deixado “coroar pelo animus”. Então nos figuramos das mais diversas formas para não enfrentar a difícil missão de não nos deixarmos dominar por ele. Vestimo-nos de mães, de amantes, de executivas, de militantes, de ecologistas, de naturalistas, de intelectuais, e tudo isso parece ser mais interessante e indiscutivelmente mais fácil de ser, do que ser Mulher. Estamos sempre insatisfeitas, pela metade, sempre está faltando uma parte de nós, ou em nós”, revela Márcia Mendonça. 

A produtora, que dirige e interpreta fala sobre o “ser” e ser mulher. Diz ela: “Talvez porque não haja ciência, nem tão pouca direção para isso. Somos multifacetadas, confusas, sentimentais, guerreiras, frágeis, resistentes, somos dialéticas, mesmo em momentos de aparente equilíbrio. Um vale a ser preenchido, um espaço oco que ressoa em nossa alma em forma de ilusão, mágoa e ansiedade, enquanto esperamos que nossa Mulher seja desvendada pelo outro”. 


Um presente na forma de descoberta 


A diretora conta que o desafio de produzir e interpretar Ana Bolena no monólogo “Ana” surgiu no ano passado quando ela completou 40 anos. E diz: 

“Este trabalho é um dos meus presentes de aniversário. Voltar a estudar é outro. Coisas que tem a ver com a metade da vida e a revisão que muitos de nós costumamos fazer neste momento. Afinal, para que jogar uma vida toda na mão de um só se somos muitos, e podemos vivê-los em ascensão, até minimamente nos aproximarmos de um rascunho de totalidade ou individuação?” 

Márcia Mendonça comenta que aceitou para si o desafio de buscar entender “esta misteriosa coisa que é a vida” e tentar descobrir no mistério “onde estaria a minha Mulher”? Para ela, de repente, o que antes era um orgulho, dizer que “eu era quase um homem passou-me causar angústia, vergonha e aprisionamento”. 

Foi assim que buscou o desafio de entender-se um pouco mais e viu na personagem histórica de Ana Bolena, a oportunidade de pesquisar a psique da rainha que foi decapitada, e transformar toda esta matéria prima em obra teatral. Isso, segundo comentou, a fez promover a descoberta de sua “própria Mulher, mais do que com o meu retorno ao Teatro, que é apenas um tentáculo de tudo isso”. 

Segundo Márcia Mendonça, “Ana Bolena, foi uma contraditória, pois bem, foi essencialmente Mulher. Viveu suas contradições plenamente. Uma mulher poderosa, num mundo de Homens. Ela teve sede como qualquer uma de nós e se perdeu. Mas, se há algo em comum entre todas nós, é que sede. E tomando a liberdade do plágio: - Você! Tem sede de que?” 

A história ficcional de Ana Bolena se dá, no palco, em três planos: Tomada de Consciência (Inconsciente), jornada ao self; Presente (véspera de sua morte na Torre de Londres) e o Passado (as lembranças). “Ana”, como conta a diretora e atriz, é o resultado de uma experiência de 18 anos de teatro, no palco, na direção, em pesquisas e estudos diversos. 

Ficha técnica

Texto Original: David Turner
Tradução: Lhoyane Oliveira
Outras Traduções: Silvia M. Bellintani.
Adaptação Dramaturgia: Márcia Mendonça
Direção e Interpretação: Márcia Mendonça
Iluminação: Eduardo Albergaria
Designer Gráfico: David Galasse
Designer de som: Paulo Marquezini
Figurino: Márcia Mendonça e Maria Célia Matt
Cenografia: Márcia Mendonça
Apoio na produção local e assessoria de imprensa: Rogério Viana


Sala Londrina – Memorial de Curitiba

Dia 6 de abril, às 16h00; 7 de abril, às 19h00 e 8 de abril, às 16h00.



Mais sobre a montagem de "ANA", o FRINGE e o Festival de Curitiba, clique aqui.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Vem aí o Festival de Curitiba em sua 21a. edição


Serão 13 dias de cultura à flor da pele vivenciados na cidade, a partir de 27 de março. O Festival de Curitiba chega a sua 21ª edição com um extenso leque de manifestações artísticas, encabeçadas, como de costume, pelo teatro.
Para a abertura da programação do evento, a montagem espanhola “Los Pájaros Muertos” será encenada de forma gratuita e aberta ao público no Largo da Ordem. Como de costume, a Mostra que terá 29 espetáculos, serve de palco para oito estréias nacionais. Nessa lista estrão “Eclipse”, baseado na obra de Anton Tchékov e realizado pelo Grupo Galpão, “A Peça do Casamento”, com direção de Pedro Brício; "De Verdade", dirigida por Márcio Abreu, da Companhia Brasileira; "Ah, A Humanidade! e outras exclamações", da Pausa Companhia; e "Caravana - Memórias de um picadeiro", do Circo Roda, com direção de Chico Pelúcio. O núcleo paulista da Cia de Ópera Seca estréia também apresentando a aguardada peça “Licht + Licht”.
O democrático Fringe alcança a 15ª edição com nada menos que 368 espetáculos, de dezoito estados nacionais e o Distrito Federal, além de espetáculos de Moçambique, Itália e EUA. Entre as mostras especiais dessa edição está “Grupos de BH: Teatro para ver de Perto”, que tem a curadoria do Cine Horto Galpão, braço da companhia mineira. Além disso, o Fringe apresenta a segunda edição dos projetos "Mostra Seu Nariz", da Cia dos Palhaços; e "na companhia de...", da Cia Brasileira. Além da realização da "Mostra de Teatro Para Crianças de Todas as Idades", "Coletivo de Pequenos Conteúdos" e "Mostra Novos Repertórios". 
O Festival de Curitiba conta ainda com o Risorama, o Gastronomix, o Mish Mash, a Mostra de Cinema Palco e Platéia, o DeRepente e o Guritiba – vertentes paralelas de cultura que adicionam programações de humor, stand up, gastronomia, cinema e mágica à totalidade do evento. Uma novidade fica por conta da Mostra XXX, de temática adulta e, que traz aos maiores de 18 anos três montagens sobre o universo da sexualidade. De 27 de março a 8 de abril, cultura é tudo o que você vê.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Se você diz: Esta peça, nem me pagando...! Cuidado você pode, sem querer, ganhar R$ 4,00 ou R$ 2,00.

Tem coisas que acontecem na vida da gente que chegamos a dizer: Isto eu não faço, nem morta! Outras vezes, como se fosse rejeitar de uma vez por todas uma possibilidade de assistir a um show de um artista que não gosta, afirma solenemente: Eu não vou assistir, nem de graça!
Pois é, tem, também, uma frase bem repetida, muitas vezes com desdém, mas que retrata, quase sempre, um jeito que as pessoas tem - eu inclusive - para fazer gozação sobre gostos ou preferências de outras pessoas.

Então se diz:
- Esta peça eu não assisto nem que me paguem!

Então... chegou sua oportunidade de ser pago para assistir a uma peça em Curitiba, no Teatro Novelas Curitibanas, a partir de hoje. Se você nunca foi ao teatro, é uma oportunidade. Se já assistiu e acha que já havia visto de tudo - de entrada de graça e teatro vazio, de filas enormes em peças badaladas e caras, de peças com gente pelada, entrada de graça e fila quase virando a esquina - prepara-se para esta promoção inusitada. Pelo que me consta, não há grupos de teatro em Curitiba que estejam "rasgando dinheiro" e que tenham muita grana para brincar de promoção inteligente.

Quer for assistir a peça vai receber R$ 4,00 pela inteira ou R$ 2,00 pela meia entrada. As peças apresentadas no Teatro Novelas Curitibanas normalmente são de graça. Não se paga nada. Mas esta montagem de "Para o vampiro - variações no. 1", vai romper com a regra e pegar pelo rabo - ou belo bolso - quem um dia disse com desprezo: Peça desse autor, nem que ele me pagasse.

Se você acha que isso é gozação - e não é mesmo - vá ao Teatro Novelas Curitibanas (veja a matéria publicada pela Prefeitura de Curitiba, ao qual o teatro é vinculado). E saia de lá com dois ou quatro reais. Aplaudindo ou xingando, ainda mais, o autor e diretor que você possa detestar.

Mas para fazer uma conta rápida do volume de dinheiro que o produtor da peça "Para o vampiro - variações no. 1", vai desperdiçar, vai uma continha rápida.

Número de lugares no Teatro Novelas Curitibanas - em média 40 lugares.

São 20 lugares para estudantes e mais 20 lugares para público normal.

Para 20 estudantes x R$ 2,00 = R$ 40,00 + 20 espectadores x R$ 4,00 = R$ 80,00, o que totaliza R$ 120,00 por apresentação. Sendo quatro apresentações por semana, são R$ 480,00 por semana. Serão cinco semanas = 5 x R$ 480,00 = R$ 2.400,00.

O dinheiro vai sair de onde? Do cachê do produtor? Ou do cachê do autor-diretor? Ou o valor será repartido entre as duas atrizes e o ator mais o diretor?

Bem, da forma como for, o dinheiro oferecido vai sair da verba que o projeto do Teatro Novelas Curitibanas, pois é de lá que todos vão receber seus cachês e vão poder cobrir as verbas gastas com cenário, figurino, trilha sonora, divulgação (cartazes, folhetos, flyers etc).

Quem não quiser o dinheiro que será "doado" aos presentes, poderá, então, fazer uma doação para alguma instituição de caridade que precisa demais de dinheiro. Ou será que a contrapartida social que o projeto apresentou previa este tipo de atividade? Se não for, devemos dizer que "brincadeira tem hora, não é?".

Mas não se engane. Você está pagando muito mais que isso. Com seus impostos, as taxas, o IPTU, a tarifa de ônibus que você vai pagar mais nos próximos dias.

Público é pago para assistir a peça de teatro



O público que for assistir à peça de abertura da temporada 2012 do Teatro Novelas Curitibanas, nesta quinta-feira (16), terá uma surpresa logo na entrada. Além de não pagar o ingresso, ainda vai receber em espécie para conferir “Para o Vampiro – Variações nº 1.”

Em todas as apresentações, a Marcos Damaceno Companhia de Teatro pagará R$ 2 para os estudantes. Quem não tiver carteirinha ganhará R$ 4. “Colocaremos pessoas para distribuir o programa, entregar o bilhete de entrada e fazer o pagamento do dinheiro, integralmente desembolsado por nós”, comenta o diretor e dramaturgo Marcos Damaceno, que teve a peça aprovada por edital para receber recursos do Programa de Apoio e Incentivo à Cultura (PAIC) da Fundação Cultural de Curitiba.

Para a diretora de Incentivo à Cultura da Fundação Cultural, Ana Maria Hladczuk, a atitude é inovadora. “É uma quebra de paradigma. E a companhia está despendendo recursos próprios, já que os destinados ao projeto aprovado pelo Fundo Municipal de Cultura são para o custeio da produção do espetáculo, para pagar, por exemplo, cenografia, trilha sonora, figurino, alimentação e outras atividades.”

A peça é pontuada por questionamentos sobre o mercado teatral e o pagamento da obra artística. O ator Samir El Halab faz o papel de um dramaturgo que tem dificuldade em desenvolver uma obra para ser ensaiada em sete semanas.

Ele considera pouco tempo, mas se vê obrigado a aceitar por questões financeiras. A concessão ao seu método de trabalho prejudica o processo. “É como se o escritor fosse um vampiro que se alimenta do texto de outros atores e não consegue avançar na criação de uma peça original”, descreve Damaceno.

Poesia - Algumas das características marcantes da peça são pautadas no tom poético, com repetições e variações, além do cuidado minucioso com a musicalidade e ritmo das frases.

O personagem, um escritor recluso e famoso na cidade de Curitiba, atua em um estado próximo ao delírio ou devaneio, quando seus pensamentos, lembranças e imaginação fluem de forma lírica em certos momentos e, em outros, apresentam-se macabros e pesarosos.

Em alguns trechos, tais pensamentos são imaginativos e medianos, para logo em seguida flertarem com a filosofia e o sublime, tornando-se expansivos, contraditórios e com confusões e associações próprias da consciência de qualquer pessoa.
Cada apresentação no Novelas Curitibanas será diferente e  servirá para aprimorar o trabalho. É o que se chama no meio teatral de working in progress.  Participam da peça as atrizes Rosana Stavis e Maia Piva.

“Gosto de sacudir, provocar. Essa inversão de valores com o pagamento na entrada deve provocar vários questionamentos. É uma liberdade para o artista não estar amarrado à necessidade de fazer a bilheteria”, reflete Damaceno, que aponta o espaço Novelas Curitibanas como perfeito para esse tipo de experimentação, para desenvolver pesquisas.
Serviço:Espetáculo teatral “Para o Vampiro – Variações nº 1”Data e horário: temporada de apresentações de 16 de fevereiro a 18 de março de 2012, às 20h (de quinta a domingo)
Local: Teatro Novelas Curitibanas (Rua Carlos Cavalcanti, 1.222 – São Francisco)
Ingresso: a Marcos Damaceno Companhia de Teatro pagará R$ 2 para os estudantes. Quem não tiver carteirinha receberá R$4.




As dramáticas do deus polissêmico

Com rubor na face, face a face com sua estupefata plateia, ele subiu numa das cadeiras. Depois, num pulo, ficou em pé sobre a mesa. Balançava os braços freneticamente. Apontava com o dedo o que estava escrito em um amontoado de papéis. Batia, depois, com a palma da mão sobre os escritos. O que acabara de ler. Parecia estar em transe. Um transe enfurecido. Louco. Tomado por sentimentos jamais expressos diante deles.
- Discípulos, estou falando com vocês. Se não se orientarem com meus ensinamentos e não resolverem me honrar com sua cega obediência, então eu farei cair sobre vocês uma maldição – hão de maldizer, hão de dizer com má dicção, hão de sofrer todos os infortúnios de uma língua que não será nem entendida, nem aceita, nem reconhecível. E amaldiçoarei tudo o que vocês recebem pelo esforço que fazem. Aliás, já os amaldiçoei porque vocês não acataram minhas ordens nem meus preceitos. Castigarei os seus escritos, os seus textos, as suas ideias e esfregarei na cara de vocês toda essa merda de vocês que foram oferecidas como sacrifício, como resultado do trabalho de conclusão de nosso curso. E, além disso, vocês serão levados para o único lugar onde essa merda toda deve ser jogada: a latrina da história da dramaturgia mundial.
Não se ouvia nada. Apenas o resfolegar do peito arfante dele.
- Eu sou um tipo de Malaquias. Não! Não sou Malaquias falando como se de deus fosse representante. Eu sou o próprio deus! Calem-se as vozes contrárias. Não ousem enfrentar-me! Esfregarei em suas caras toda essa merda de vocês que foram oferecidas como sacrifício!
Numa posição menos propícia a ser vista, ela, timidamente levantou seu dedo.
Ninguém percebera o sutil movimento do dedo daquela menina com aparência frágil, escondida.
Ouviu-se, então, um trovão:
- O que você imagina querer? Não se atreva a me interromper! Você é, como todos aqui, insignificante merda! Merda da merda da merda da merda!
O dedo encolheu.
Mas ledo engano se imaginar que se recolhera por medo. 
Diante do insucesso que a desiludira, machucara, aniquilara, nada mais fazia medo. O que poderia vir não seria inesperado. Ela vencera o medo. E sua ação ela faria com altivez. Não oferecendo o outro lado da face para uma nova porrada. Sabia que face a face, diante da estupefata plateia de cordeirinhos silentes diante do altar do sacrifício, ela poderia, finalmente, dizer o que pensava. Sem temores servis. Com a coragem que pudesse, naquele instante, resgatar. Resgatando não se sabe de onde. Mas dizendo com sua voz de soprano, afinadíssima:
- Não gosto do modo como algumas pessoas gostam de tirar a gente do eixo impondo suas formas diferentes de agir e de pensar!
A voz de trovão ecoou mais forte ainda:
- Não ouse desafiar-me desafinada menina!
Ela, subindo em sua cadeira, ousou por os pés na cadeira do seu assustado colega, e continuou:
- ... todos têm direito a reagir a estímulos positivos e negativos da forma mais conveniente. Quem me conhece sabe que tenho estopim curto. Que não deixo barato. Que não levo desaforo para casa. Nem dou o outro lado da face para bater. Bateu levou. Porrada respondo com porrada! Sempre falo o que sinto, que não abandono uma discussão se meus argumentos são sustentáveis. Agora quem argumenta sou eu. E você, infeliz e pretenso deus polissêmico, feche a sua latrina e ouça. Ouça por todos os orifícios do seu corpo, desse seu corpo informe, desse seu corpo sem órgãos. O que me tira a paz é quando sinto cerceadas as minhas ações, reações. Ouça com atenção. A você eu não dou o direito de apontar, em mim, o que seja direito ou o que não seja direito. Não lhe dou esse direito, pois direito você não tem. Não gosto, não quero, não deixo. Não gosto do que disse. Não quero aceitar o que disse. E não deixo o que disse ser transformado em minha verdade! Pois nem verdade ela é.
O dedo que fora recolhido começou a surgir, lentamente, entre os demais. Um dedo médio. Um dedo agora constituído de uma arrogância. Um dedo delicado, mas firme. Um dedo exibido, fálico. Um dedo potente.
Ela disse:
- Chupe!
Saltou da cadeira. Cuspiu no espaço entre as cadeiras e o altar daquele afrontado e pretenso deus. 
Ao sair, apagou a luz da sala.
Silêncio.
Em seguida, esparsos aplausos.
Depois, alguém exclamou: Bravo! Bravíssimo.


(o texto foi construído, a título de exercício, com um capítulo da Biblia - Malaquias 2: 1-3, e com um comentário feitos pela cantora e professora Cris Lemos em seu mural no Facebook. O texto, no entanto, foi inspirado em um professor de dramaturgia e numa aluna que reluta em seguir suas orientações teóricas, mas teima em assistir suas aulas. Ela não tem coragem de chutar o balde e abandonar as aulas que detesta, mas que, ao mesmo tempo, provocam nela tantos sentimentos contraditórios)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

SESI Paraná vai divulgar em seu site todos os textos de integrantes do seu Núcleo de Dramaturgia de 2009, 2010 e 2011


A pedido da Anna Zétola, da Gerência de Cultura do SESI Paraná, estou publicando, aqui, a lista de nomes de integrantes da Oficina do Núcleo de Dramaturgia SESI Paraná, que participaram nas turmas da tarde e da noite no ano de 2009. Não é uma lista completa, mas é a lista das pessoas com as quais tive contato e que sei que participaram das atividades da Oficina naquele ano.

O pedido da Anna Zétola tem uma razão. Segundo ela informou, o SESI Paraná "vai colocar no site um espaço com textos produzidos por todos os alunos do núcleo para divulgar as obras".  

O SESI Paraná também vai elaborar um contrato de cessão de direitos autorais para que possa divulgar em seu site os textos produzidos pelos integrantes de sua Oficina de Dramaturgia nos anos de 2009, 2010 e 2011. 

Em e-mail que enviei para a Anna Zétola, ontem, informei a ela que em 2009 todos os integrantes da Oficina de Dramaturgia que escreveram textos - alguns não escreveram textos e alguns que escreveram foram selecionados e publicados em livros em 2010 - assinaram um contrato de cessão de direitos autorais que foram entregues, à época, para Marcos Damaceno, então coordenador da Oficina de Dramaturgia. 

A Anna Zétola também quer que eu forneça a lista de integrantes das turmas seguintes - de 2010 e 2011 - mas, infelizmente não tenho os nomes dessas pessoas, embora saiba nomes de algumas pessoas que participaram ou se inscreveram nas tais turmas - iniciantes ou avançados - no ano de 2010 ou 2011.

São esses os nomes que pude resgatar no meu cadastro - turmas de 2009.

Forneci para a Anna Zétola nomes e e-mails.

Alessandra Flores
Cláudia Brito
Cléber Braga
Cynthia Becker
Douglas Daronco
Eliane Karas
Humberto Gomes
J.D. Baggio
Ligia Oliveira
Lucas Komechen
Marcelo Bourscheid
Nana Rodrigues
Otávio Linhares
Pagu Leal
Sabrina Lopes
Sueli Araújo

Outros nomes, que não tenho registrado e-mails, são estes:

Alexandre França
Patrícia Kamis
Preto
Bárbara Lia