"É...", peça de Millôr Fernandes.
Segundo o autor: "Baseado num fato verídico que apenas ainda não aconteceu".
Aimar Labaki, na apresentação do texto de Millôr Fernandes, diz: "Um dos maiores autores da língua portuguesa, ele é também dramaturgo de primeira. Apesar de não ser ainda reconhecido como tal. Isso se explica pelo exíguo espaço para a reflexão, quer na imprensa, quer na academia. (Não confundir resenha com crítica, nem carreira universitária com atividade intelectual. As exceções só fazem sublinha a regra.) Para Labaki, "É..." foi o maior sucesso de público das peças de Millôr, e é "o texto que talvez melhor traduza sua visão de mundo".
Para quem ainda não leu um texto teatral do grande Millôr Fernandes, vai aqui, um pequeno trecho da Cena 1 - Prendas do Lar - da comédia "É..." de 1977, com Fernanda Montenegro e Fernando Torres.
A personagem é VERA TOLEDO (vivida por Fernanda Montenegro) descrita assim pelo autor: Casada com Mário (vivido por Fernando Torres). Quarenta e cinco anos. Elegante. Refinada. Parece mais jovem. Ainda bonita. Formada num antigo curso de secretariado. Cultura atualizada sobretudo através dos contatos universitários do marido. Prendas do lar. Com pequena economia própria, venda da família.
(...)
VERA - (sem interrupção) Você sabe que de vez em quando eu tenho a sensação de que sou um escravo a quem tentam impor uma liberdade? Estão querendo que eu assine uma carta de alforria que não pedi, não procurei, nem sei pra que serve. Estou bem na minha senzala, ela é ampla, limpa. Meu patrão não me espanca, de vez em quando fica inexplicavelmente de mau humor, passa dois ou três dias sem falar comigo, é tudo. Em troca eu não penso na minha subsistência, ele pensa por mim, paga minhas contas, mata o javali. Que é que estão querendo? Me dar liberdade pra morrer de fome? Trocar uma escravidão apenas nominal por uma escravidão real? Concessão todos fazem, todos fizeram, todos farão, sempre. Um dia eu vi uma fotografia de Onassis, rico e poderoso, ajoelhado humildemente aos pés de Paul Getty, mais rico e mais poderoso. Era de brincadeira, eu sei, mas ele estava ajoelhado. Quando eu tenho que me ajoelhar faço como se fosse brincadeira. Não dói nada.
(...)
(extraído do livro OS GRANDES DRAMATURGOS - Millôr Fernandes - Editora Peixoto Neto - São Paulo - 2008)
quinta-feira, 29 de março de 2012
quarta-feira, 28 de março de 2012
Meu (s) contato(s) com o Millôr Fernandes
![]() |
| Caricatura de Millôr Fernandes feita em 1975 pelo cartunista e artista plástico Douglas Mayer. |
Eu, com minha máquina fotográfica, registrando um pouco de cada coisa. As fotos que fiz do pessoal do Pasquim jogando bocha, depois, no dia seguinte, num almoço no restaurante Brasserie, foram publicadas numa edição histórica sobre os 30 anos do Salão de Humor. Os negativos dessas fotos se perderam no tempo, mas algumas cópias das fotos ficaram registradas naquela edição, embora não apareçam com crédito a mim.
No ano seguinte, meus colegas de trabalho não se entenderam mais direito com o Fagundinho, coordenador de Turismo da Prefeitura de Piracicaba e desistiram de organizar o que viria a ser o II Salão de Humor, desta vez, já com um apelo internacional, pois traria a Piracicaba - como trouxe - o editor de quadrinhos Claude Moliterni. Como eu trabalhava parte do meu dia no Banco do Brasil e parte no jornal O DIÁRIO (que já não existe mais) e como o BB era ao lado do prédio onde funcionava a Coordenadoria de Turismo, vez ou outra eu passava por lá. Um dia o Fagundinho pediu a mim: Você pode me ajudar a organizar o II Salão de Humor? Respondi que sim. E uma das primeiras coisas que fiz foi elaborar o REGULAMENTO DO SALÃO. Um dos detalhes do regulamento, que pesquisei junto a regulamentos de concursos de fotografias da Kodak, foi a definição de um tamanho padrão para os cartuns, as charges, as caricaturas. O tamanho seria 30 x 40 cm (o que se chama de A3), pois a referência era o tamanho de folhas de papel fotográfico.
Como eu estava para ser transferido para LONDRINA (PR), onde iria trabalhar no Banco do Brasil (meio período) e à tarde e à noite, na redação do jornal PANORAMA, organizei os primeiros passos e sugeri que o Fagundinho convidasse o Ermelindo Nardin (professor de arte da Unicamp e artista plástico piracicabano), o Fausto Longo, vindo depois, o Djalma de Lima (jornalista). Com eles participei de reuniões importantes em São Paulo, na Secretaria de Cultura de São Paulo com o então secretário José Mindlin que decidiu apoiar a realização do II Salão de Humor de Piracicaba, mesmo participando de um governo indicado pelo regime militar vigente. Foi um ato de muita coragem e de uma visão a longo prazo do grande José Mindlin ao apoiar o incipiente salão, agora reconhecido internacionalmente.
Pouco tempo depois fui transferido para o BB de Londrina e iniciei meu trabalho no jornal PANORAMA (este dá uma longa história também pelo que de importante foi no jornalista paranaense). Lá, na redação do jornal PANORAMA conheci o Douglas Mayer, cartunista e ilustrador.
Dias antes do II Salão de Humor ser inaugurado, eu e o Douglas Mayer propusemos ao diretor e chefe de redação do PANORAMA a fazer uma cobertura sobre aquele importante salão. Não foi preciso argumentar muito e a direção do jornal nos autorizou a cobrir o evento em Piracicaba. Fomos a Piracicaba, num Fuscão branco 1973 que eu tinha. Comigo o Douglas Mayer, o Ariovaldo Gambarão (Camarão) que era diagramador e havia trabalhado comigo em Piracicaba, e o Juarez, repórter.
Na manhã de sábado, fizemos contato com a organização do Salão, da qual eu fizera parte, meses antes, e o Fagundinho pediu-me que fizesse um favor a ele. Eu teria que ir a São Paulo, com um motorista de táxi (o Penteado), buscar no Aeroporto de Congonhas, o Millôr Fernandes que viria pela famosa Ponte Aérea Rio-São Paulo. Fomos, então, para Congonhas, num Opala novinho, o motorista, eu e o Douglas Mayer. Tivemos que esperar muito tempo pois o vôo do Millôr Fernandes demorou muito para chegar. Mas assim que ele saiu da sala de desembarque, eu e o Douglas nos apresentamos (ele, claro, já me conhecia do ano anterior) e fomos para o Opala. Millôr quis ir no banco da frente do carro, enquanto eu e o Douglas ficamos felizes em poder realizar aquela viagem de São Paulo a Piracicaba - à época, umas três horas e pouco de vagem.
A viagem foi super agradável e o Millôr Fernandes veio conversando comigo e com o Douglas, num bate-papo inesquecível, ele debruçado no banco do carro e virado para trás, falando, falando, respondendo a minhas perguntas, comentando de tudo um pouco sobre sua vida, sobre o seu nome (ele seria Milton... mas o cartorário teria lido Millôr, confundindo o corte da letra T como se fosse um L e um circunflexo). Falou que nunca quis fazer nenhum tipo de propaganda, mas que fora convidado a fazer propaganda de uísque. E a conversa foi deliciosa, exclusiva. E nós dois, embevecidos com a inteligência deste grande gênio da cultura, literatura, teatro, jornalismo, humor, haikai, ilustrações, traduções, política.
O Salão de Humor, a segunda edição, já internacional, foi aberta no sábado a noite e, coincidentemente, num prédio que também havia sido uma agência bancária (como foi o primeiro). Tiramos várias fotos - eu e minha câmera fotográfica. Na tarde do domingo, quando o Salão ia ser aberto, lembro-me muito bem de estar conversando com o jornalista Roberto Godói (do Estadão, sucursal de Campinas) quando o Millôr Fernandes chegou. Ele me cumprimentou como se eu fosse um grande amigo dele, o que deixou o Godói bem surpreso. Então contei a aventura do dia anterior, da viagem, do ano anterior, das fotos que eu fizera etc. Logo em seguida, acompanhando o Millôr, lembro-me muito bem de ter apresentado a ele o ANGELI, sim o da Folha de São Paulo, criador, anos depois da Rebordosa.
A aventura terminou naquela noite, retornamos a Londrina e, dois dias depois, publiquei uma página, que considero histórica, sobre os resultados e os premiados do II Salão de Humor de Piracicaba, no jornal PANORAMA, que, meses depois teve que ser fechado (isto é outra história a ser contada um dia).
Lembro-me do Millôr Fernandes, quando eu era criança e via sua página de humor na antiga revista O CRUZEIRO. Ele criara a página PIF-PAF... e lá, publicava seus hai-kais...
Ter tido a oportunidade de conviver com o Millôr Fernandes - mesmo por pouco tempo - com esse lendário escritor, pensador, criador de grandes textos e tradutor de teatro, foi um privilégio enorme para mim e sua morte, deixou-me muito triste.
O Brasil perdeu um grande artista.
Agora, do Millôr Fernandes, apenas as minhas lembranças e as fotos que eu fiz dele e que estão em livros que já são história.
segunda-feira, 26 de março de 2012
"Nós" estreia quarta feira (dia 28) no Teatro Marina Machado
| Simone Nercolini e Regina Razzolini em "Nós" |
| "Nós" é de autoria de Douglas Daronco |
| Regina Razzolini e Simone Nercolini em "Nós" |
Sobre "Nós"
“Nós” tem uma carga psicológica muito grande em seu
subtexto, por que trata de relações familiares extremas, o que faz com que o
público se identifique em vários padrões de comportamento e tire suas próprias
conclusões quanto ao que é real ou não. Estas relações são demonstradas por
meio do drama de uma mulher que perdeu a filha no parto e passa a viver de
forma obcecada pela culpa e conseqüente autopunição, projetando a sua vida,
caso a filha existisse, nas duas primeiras cenas. Na terceira cena, depara-se com a realidade,
percebendo que deixou de viver. Mas o processo de aceitação dessa realidade
será longo e doloroso, pois na tentativa de um recomeço, fica claro que ela
ainda vai carregar os seus “NÓS”.
Dias: 28.03 e de 02 a 04/04/2012
Gênero: DRAMA
Horário: 20H
Local: Teatro Marina Machado - Sala Marininha
R. Aminthas de Barros, 549
Curitiba - PR
Ingressos: R$ 20,00 E R$ 10,00
http://teatronos.wordpress.com
Ficha técnica
Direção: Renato Schmidt
Texto: Douglas Daronco
Elenco:
Elenco:
REGINA RAZZOLINI
SIMONE NERCOLINI
CLEVERSON VIECINSKI
MARCO ENRICO CHIOCCA
Assistente de direção, de produção, e de cenografia: Regina Razzolini
SIMONE NERCOLINI
CLEVERSON VIECINSKI
MARCO ENRICO CHIOCCA
Assistente de direção, de produção, e de cenografia: Regina Razzolini
Assistente de produção: Cleverson Viecinski
Sonoplastia (criação e operação): Jackson Totsk
Figurino e maquiagem: Simone Nercolini
Iluminação (criação e operação): Ike Rocha
Cenografia: Renato Schmidt
Sonoplastia (criação e operação): Jackson Totsk
Figurino e maquiagem: Simone Nercolini
Iluminação (criação e operação): Ike Rocha
Cenografia: Renato Schmidt
CLASSIFICAÇÃO: RECOMENDADO PARA MAIORES DE 14 ANOS
sexta-feira, 23 de março de 2012
Um Brasil muito triste com a morte do Chico Anysio
Faleceu hoje, no Rio de Janeiro, o humorista Chico Anysio. O Brasil, hoje, vai ficar mais triste com seu desaparecimento.
Chico Anysio, para mim, foi um gênio do humor. E eu tive a sorte de assistir a um de seus espetáculos de teatro.
Chico Anysio, para mim, foi um gênio do humor. E eu tive a sorte de assistir a um de seus espetáculos de teatro.
quarta-feira, 21 de março de 2012
Oficina de Encenação divulga lista de atores e diretores aprovados
O Núcleo de Dramaturgia SESI PR e o Teatro Guaira, divulgaram a lista dos selecionados para vagas na Oficina de Encenação - diretores e atores.
Foram inscritos 46 interessados para as 15 vagas da oficina de direção e 109 inscritos para as 20 vagas da oficina de atores.
Os organizadores informam que em caso de algum selecionado desistir de participar da oficina, será chamado outro candidato melhor avaliado. Os critérios de avaliação consideraram experiência na área comprovada.
Os selecionados para as vagas na Oficina de Encenação - Diretores são:
1- Gerson de Andrade
2- Jean Carlos de Godói
3- Otávio Linhares
4- Anidria Stadler
5- Franklin Albuquerque
6- Guto Paskos
7- Nika Braun
8- Pedro Henrique
9- Luiz Barotto
10- Nathan Gualda
11- Vivian Schmitz
12- Eliane Karas
13- Pretto
14- Nehru Moreira
15- Hyago de Lion
Os selecionados para as vagas na Oficina de Encenação - Atores são:
1- Marcel Gritten
2- Murilo Lazarin
3- Bruno Mancuso
4- Luiz S. Malheiros
5- Paulo Marques
6- Thadeu Peroni
7- Kenni Rogers
8- Patrícia Kamis
9- Pagu Leal
10- Viviane Gazotto
11- Raquel Schendler
12- Janja
13- Sheila Foltran
14- Jaqueline Lira
15- Daphne Garcez
16- Débora Vecchi
17- Guenia Lemos
18- Claudia Souza
19- Rúbia Romani
20- Hortência Labia
Os selecionados deverão realizar, agora, suas matrículas e até o dia 30 de março próximo. As informações para matrícula e outros procedimentos serão enviadas por e-mails aos selecionados até amanhã, dia 22 de março. Em caso de não recebimento do e-mail, os interessados deverão ligar para o número 3271 9843.
As informações foram fornecidas por Janaína Coelho Adão, responsável pelo Núcleo de Dramaturgia SESI PR - Teatro Guaira e por Diego Marchioro, produtor do Núcleo e por Roberto Alvim, coordenador de conteúdo do Núcleo.
Foram inscritos 46 interessados para as 15 vagas da oficina de direção e 109 inscritos para as 20 vagas da oficina de atores.
Os organizadores informam que em caso de algum selecionado desistir de participar da oficina, será chamado outro candidato melhor avaliado. Os critérios de avaliação consideraram experiência na área comprovada.
Os selecionados para as vagas na Oficina de Encenação - Diretores são:
1- Gerson de Andrade
2- Jean Carlos de Godói
3- Otávio Linhares
4- Anidria Stadler
5- Franklin Albuquerque
6- Guto Paskos
7- Nika Braun
8- Pedro Henrique
9- Luiz Barotto
10- Nathan Gualda
11- Vivian Schmitz
12- Eliane Karas
13- Pretto
14- Nehru Moreira
15- Hyago de Lion
Os selecionados para as vagas na Oficina de Encenação - Atores são:
1- Marcel Gritten
2- Murilo Lazarin
3- Bruno Mancuso
4- Luiz S. Malheiros
5- Paulo Marques
6- Thadeu Peroni
7- Kenni Rogers
8- Patrícia Kamis
9- Pagu Leal
10- Viviane Gazotto
11- Raquel Schendler
12- Janja
13- Sheila Foltran
14- Jaqueline Lira
15- Daphne Garcez
16- Débora Vecchi
17- Guenia Lemos
18- Claudia Souza
19- Rúbia Romani
20- Hortência Labia
Os selecionados deverão realizar, agora, suas matrículas e até o dia 30 de março próximo. As informações para matrícula e outros procedimentos serão enviadas por e-mails aos selecionados até amanhã, dia 22 de março. Em caso de não recebimento do e-mail, os interessados deverão ligar para o número 3271 9843.
As informações foram fornecidas por Janaína Coelho Adão, responsável pelo Núcleo de Dramaturgia SESI PR - Teatro Guaira e por Diego Marchioro, produtor do Núcleo e por Roberto Alvim, coordenador de conteúdo do Núcleo.
segunda-feira, 19 de março de 2012
Antropofagia em "1o. Movimento", no Coletivo Pequenos Conteúdos - TUC
Em situação de tédio, riso, desespero, melisma, amor, agressividade, “1º Movimento” apresenta este casal sedutor que tomados pela entrega e confiança no outro se deparam em delicada situação: depois de uma imersão em uma brincadeira sem limites ela acaba com o dedo arrancado por ele.
O texto "1o. Movimento" - primeiro quadro da peça "A refeição" de Newton Moreno, apresenta a descrição do cenário, personagens e ações: Sala de hospital. Moça sozinha. Parece nervosa. Tem a mão esquerda enfaixada até a altura do pulso. Olha tudo com espanto e surpresa. Entra um rapaz, a moça afasta-se dele, querendo evitar contato. Senta-se mais distante.
Dias: 29/03 - 16h; 30/03 - 22h; 31/03 - 13h; 01/04 - 19h e 02/04 - 16h.
R$20,00 / R$10,00
Ficha técnica
O texto "1o. Movimento" - primeiro quadro da peça "A refeição" de Newton Moreno, apresenta a descrição do cenário, personagens e ações: Sala de hospital. Moça sozinha. Parece nervosa. Tem a mão esquerda enfaixada até a altura do pulso. Olha tudo com espanto e surpresa. Entra um rapaz, a moça afasta-se dele, querendo evitar contato. Senta-se mais distante.
Dias: 29/03 - 16h; 30/03 - 22h; 31/03 - 13h; 01/04 - 19h e 02/04 - 16h.
R$20,00 / R$10,00
Ficha técnica
1º Movimento
Figurino, iluminação, cenário: Companhia CafécomLeite
Atuação: Gizáh Ferreira e Kenni Rogers
Figurino, iluminação, cenário: Companhia CafécomLeite
Atuação: Gizáh Ferreira e Kenni Rogers
Coletivo de Pequenos Conteúdos
TUC - Galeria Julio Moreira, Largo da Ordem, Curitiba
Companhia CafécomLeite
Ailén Roberto, Giuliano Bilek, Gizáh Ferreira, Kenni Rogers e Paulo Rosa
Mais sobre "1o. Movimento" e o Festival de Curitiba, clique aqui.
Ailén Roberto, Giuliano Bilek, Gizáh Ferreira, Kenni Rogers e Paulo Rosa
Mais sobre "1o. Movimento" e o Festival de Curitiba, clique aqui.
Monólogo “Ana” revela faces de uma rainha, amante, mulher
| Márcia Mendonça em "Ana" |
| "Ana" é a história ficcional da rainha Ana Bolena |
A história ficcional dos “momentos de morte” de Ana Bolena, rainha da Inglaterra executada, em 1536, por ordem de seu marido, Henrique VIII, será contada no monólogo “Ana”, adaptada, produzida, dirigida e interpretada por Márcia Mendonça que será apresentado na Sala Londrina, dias 6, 7 e 8 de abril, na programação do Fringe, no Festival de Curitiba.
Acusada de adultério, incesto e bruxaria, Ana empreende uma viagem por sua pequena vida mergulhando nas profundezas de sua alma, imersa no medo do desconhecido que a espera. O último suspiro. A última palavra. O último pensamento. Não há tempo para frente. Não há mudanças para trás. Ser o “SER” que se constata a cada instante, que se desvenda que se quer, ou não, “SER”. Na eminência, no medo da morte, a resistência à inércia, a luta pelo pensar contra o instinto de desistir. A Bruxa? A Santa? Quem você poderá encontrar?
“Ana” foi adaptada por Márcia Mendonça a partir do original “Ann”, de David Turner. A atriz e produtora dirigiu, entre 1997 e 2002, em São Paulo, a Cia. CincoINCena e retoma a cena, a pesquisa e, sobretudo, o estudo da integração entre as ciências humanas e todas as dimensões do Teatro. “Ana” é um relato humano sobre a morte, a vida e o feminino.
Questões do “ser” e de ser mulher
Ancestralidade, astros, arquétipos, complexos, educação, ambiente, cartadas da vida? Tudo isso junto?
“Pode ser, porém, o fato é que muitas de nós temos facilmente nos deixado “coroar pelo animus”. Então nos figuramos das mais diversas formas para não enfrentar a difícil missão de não nos deixarmos dominar por ele. Vestimo-nos de mães, de amantes, de executivas, de militantes, de ecologistas, de naturalistas, de intelectuais, e tudo isso parece ser mais interessante e indiscutivelmente mais fácil de ser, do que ser Mulher. Estamos sempre insatisfeitas, pela metade, sempre está faltando uma parte de nós, ou em nós”, revela Márcia Mendonça.
A produtora, que dirige e interpreta fala sobre o “ser” e ser mulher. Diz ela: “Talvez porque não haja ciência, nem tão pouca direção para isso. Somos multifacetadas, confusas, sentimentais, guerreiras, frágeis, resistentes, somos dialéticas, mesmo em momentos de aparente equilíbrio. Um vale a ser preenchido, um espaço oco que ressoa em nossa alma em forma de ilusão, mágoa e ansiedade, enquanto esperamos que nossa Mulher seja desvendada pelo outro”.
Um presente na forma de descoberta
A diretora conta que o desafio de produzir e interpretar Ana Bolena no monólogo “Ana” surgiu no ano passado quando ela completou 40 anos. E diz:
“Este trabalho é um dos meus presentes de aniversário. Voltar a estudar é outro. Coisas que tem a ver com a metade da vida e a revisão que muitos de nós costumamos fazer neste momento. Afinal, para que jogar uma vida toda na mão de um só se somos muitos, e podemos vivê-los em ascensão, até minimamente nos aproximarmos de um rascunho de totalidade ou individuação?”
Márcia Mendonça comenta que aceitou para si o desafio de buscar entender “esta misteriosa coisa que é a vida” e tentar descobrir no mistério “onde estaria a minha Mulher”? Para ela, de repente, o que antes era um orgulho, dizer que “eu era quase um homem passou-me causar angústia, vergonha e aprisionamento”.
Foi assim que buscou o desafio de entender-se um pouco mais e viu na personagem histórica de Ana Bolena, a oportunidade de pesquisar a psique da rainha que foi decapitada, e transformar toda esta matéria prima em obra teatral. Isso, segundo comentou, a fez promover a descoberta de sua “própria Mulher, mais do que com o meu retorno ao Teatro, que é apenas um tentáculo de tudo isso”.
Segundo Márcia Mendonça, “Ana Bolena, foi uma contraditória, pois bem, foi essencialmente Mulher. Viveu suas contradições plenamente. Uma mulher poderosa, num mundo de Homens. Ela teve sede como qualquer uma de nós e se perdeu. Mas, se há algo em comum entre todas nós, é que sede. E tomando a liberdade do plágio: - Você! Tem sede de que?”
A história ficcional de Ana Bolena se dá, no palco, em três planos: Tomada de Consciência (Inconsciente), jornada ao self; Presente (véspera de sua morte na Torre de Londres) e o Passado (as lembranças). “Ana”, como conta a diretora e atriz, é o resultado de uma experiência de 18 anos de teatro, no palco, na direção, em pesquisas e estudos diversos.
Ficha técnica
Texto Original: David Turner
Tradução: Lhoyane Oliveira
Outras Traduções: Silvia M. Bellintani.
Adaptação Dramaturgia: Márcia Mendonça
Direção e Interpretação: Márcia Mendonça
Iluminação: Eduardo Albergaria
Designer Gráfico: David Galasse
Designer de som: Paulo Marquezini
Figurino: Márcia Mendonça e Maria Célia Matt
Cenografia: Márcia Mendonça
Apoio na produção local e assessoria de imprensa: Rogério Viana
Sala Londrina – Memorial de Curitiba
Dia 6 de abril, às 16h00; 7 de abril, às 19h00 e 8 de abril, às 16h00.
Mais sobre a montagem de "ANA", o FRINGE e o Festival de Curitiba, clique aqui.
Assinar:
Postagens (Atom)

