sexta-feira, 21 de maio de 2010

Autor por Autor - das coisas do inconsciente coletivo

O e-mail que encaminhei à TVE Bahia em junho de 2003

Nos últimos seis anos tive pouca - ou nenhuma - oportunidade de assistir a programas da sempre especial TV Cultura de São Paulo. Uns até que eu tive muita vontade, mas estava impedido, por ser então um assinante da NET, a TV por assinatura que não transmitia para Curitiba a programação da TV paulistana. E também não podia assistir na TV Educativa paranaense, porque o então governador Requião usava e abusava do direito de completar a grade da nossa emissora com seus implacáveis programas de cunho eminentemente político, com um disfarce de aula. Em resumo: passei batido por muitos programas que me interessavam.

Em novembro passado troquei de operadora de TV por assinatura e passei para a Sky, aquela da parabólica. E, graças a Deus, tem na sua programação a TV Cultura de São Paulo. Assim, posso contar uma história interessante.

Autor por autor - uma ideia sobre literatura, teatro, televisão

Foi apresentado ontem, na TV Cultura paulista o segundo programa da série "Autor Por Autor", que é, segundo matéria publicada pelo jornal O Estado de São Paulo - edição de 19 de maio, por Flávia Guerra - "um misto de TV, teatro e literatura aplicada" e que tem a "missão de vencer, não com palmatória, mas, com criatividade, a difícil e recompensadora tarefa de criar no espectador a vontade de ler (mais) sobre a vida e a obra dos grandes escritores contemporâneos brasileiros".

O primeiro programa, em 2009, foi com Lygia Fagundes Telles. O segundo, de ontem, com o imortal João Ubaldo Ribeiro, autor de "Viva o Povo Brasileiro", "Deus é Brasileiro", "Sargento Getúlio", "A Casa dos Budas Ditosos", dentre outros intermináveis "best-sellers". João Ubaldo foi vivido no programa pelo ator baiano Othon Bastos.

O programa foi concebido por Paulo Markun, jornalista que dirigiu a emissora até pouco tempo. A direção geral é de Ricardo Elias e teve a co-produção da SescTV, também de São Paulo. Na matéria publicada pelo "Estadão", o diretor Elias disse que para "este primeiro, passamos muito tempo concebendo a ideia do programa, que é a de contar como um autor se tornou o escritor que é hoje. O que ele viveu e leu que foi decisivo em sua formação". O programa "mistura de tudo um pouco para compor um romance de formação da vida de um autor como o Ubaldo. Mesclamos entrevistas do próprio escritor com dramatização e, por fim, aplicamos o cenário por computação gráfica". O cenário, segundo a reportagem do "Estadão" foi uma biblioteca imensa que fez fundo para as aparições de Othon Bastos como João Ubaldo Ribeiro.

Do inconsciente coletivo e de sua ampliação e melhoria

Em junho de 2003 eu estava passando meus últimos dias dos longos meses que morei e trabalhei na Bahia. Depois de ter trabalhado numa editora universitária ligada a uma universidade particular na cidade de Lauro de Freitas (que é vizinha do aeroporto de Salvador, como aqui é São José dos Pinhais), fiz uns free-lances e andei criando alguns projetos editoriais, dramatúrgicos e propus, para a TV Educativa da Bahia, uma série de programas, sendo que, um deles ensejaria uma série. O tema dessa série se vinculava a literatura, o conto na Bahia, vida e obras dos autores (baianos).

Ao assistir as chamadas do programa "Autor por Autor" notei algumas semelhanças no formato daquele programa com minha idéia do programa que propus à TVE baiana. Semelhanças que atribuo ao inconsciente coletivo e que somente herr Jung poderia dar uma explicação mais abalizada. Mas ele já morreu e, talvez, algum dos seus discípulos possa explicar como é que as idéias aparecem aqui e ali, muitas vezes espalhadas pelo tempo, não no mesmo espaço, mas que trafegam por uma temática semelhante e, vejam só, por um mesmo tipo de autor, no caso da TV Cultura, o baiano João Ubaldo Ribeiro, e no que a mim tem ligação, o autor e crítico literário Hélio Pólvora, que foi amigo de Jorge Amado (ele é de Itabuna, vizinha a Ilhéus) e de Clarice Lispector, dentre outros autores brasileiros de renome.

Reproduzo, aqui, a proposta que encaminhei para a TVE Bahia (na imagem acima tem a cópia da cabeça do e-mail que encaminhei à época para pessoas daquela emissora) com data de 16 de junho de 2003.

PROJETO DE PROGRAMA PARA A TVE-BAHIA

Temática

Literatura - O conto na Bahia – Vida e Obras dos autores

Marco conceitual

O povo e, em particular, o estudante baiano conhecem (bem) a literatura baiana e os autores contemporâneos da Bahia? Conhecem seus principais poetas, romancistas, cronistas e contistas? E as obras desses escritores são difundidas e conhecidas aqui na Bahia, na dimensão de suas importâncias dentro da Literatura Brasileira?

No processo formal do ensino da Língua Portuguesa e da Literatura Brasileira, na Bahia, onde e como são destacados os grandes autores que aqui sempre produziram inesquecíveis obras? Que instrumentos além das classes e da leitura de livros, dos grupos de estudos, das palestras, dos seminários e da discussão acadêmica, são democraticamente acessíveis aos baianos?

Estas indagações suscitam outras abordagens sobre a questão e ensejam a proposição de um programa de televisão para ser veiculado na TVE - Bahia cujo principal objetivo é o de revelar quem são os principais e mais ativos escritores baianos de contos da atualidade, qual é o conjunto de suas obras, suas características principais e o que têm contribuído para a Literatura Brasileira, dando instrumentos para que os telespectadores possam refletir sobre suas próprias vidas e estabelecer as relações pertinentes sobre as obras narradas por autores tão criativos e competentes.

Formato

O programa que está sendo proposto vai adotar, em seu formato, uma apresentação do perfil de um escritor, mostrando sua história, suas origens, a cidade e região onde ele nasceu, suas influências, seus contemporâneos, suas principais obras, seus prêmios. As imagens serão feitas na casa do autor e em outros locais que revelem o ambiente onde ele vive e trabalha. O programa vai mostrar uma análise de algumas de suas obras em depoimentos de críticos, professores de literatura, personalidades e leitores. Na parte final do programa, o autor focalizado inicia a leitura de um de seus contos dentro de um ambiente onde vai se desenvolver a ação de uma de suas histórias, num trabalho de adaptação de teledramaturgia de um de seus contos, ou da passagem de um deles, por um grupo teatral baiano.

Produção, direção e captação de patrocínio

O programa será produzido num sistema de co-produção com a TVE Bahia por uma conceituada produtora de vídeo de Salvador, em padrão digital e com as demais características técnicas que se encaixem dentro da programação daquela emissora educativa.

O programa será dirigido pelo jornalista Rogério Viana, que também será o autor do roteiro.

Obedecendo-se as determinações legais que vigem sobre a matéria, o programa será produzido com o patrocínio de uma ou mais empresas do setor privado, na forma de cotas de patrocínio e de apoio. O trabalho de captação do patrocínio será desenvolvido pelo próprio proponente.

Sinopse do primeiro programa

O baú de Pólvora

O focalizado no primeiro programa será o jornalista, crítico literário, romancista e contista Hélio Pólvora, baiano de Itabuna e que foi contemporâneo e amigo de Clarice Lispector quando trabalhava em grandes jornais no Rio de Janeiro.

O programa vai contar a história de Hélio Pólvora com imagens de antigas fotos, filmes, se houver, e quando é que surgiu o gosto pela literatura, sua entrada no jornalismo e as influências que recebeu para escrever seus primeiros trabalhos como contista, os prêmios que conquistou e sua atuação como crítico literário. A infância, os primeiros contatos com a literatura, os amigos, Jorge Amado, Jorge Medauar (recém-falecido), Clarice Lispector, a vida em Salvador, no Rio de Janeiro, o retorno a Salvador e a Ilhéus, onde ele é o diretor da Fundação Cultural de Ilhéus. Críticos, outros escritores, professores de Literatura de escolas e de universidades baianas, bem como leitores (personalidades ou gente do povo), comentarão sobre a obra de Pólvora.

Um grupo de teatro de Salvador vai adaptar um dos contos de Hélio Pólvora que será apresentado na forma de uma narrativa feita pelo próprio autor, integrando-se como espectador privilegiado da obra a ser mostrada em algumas cenas.

Autor do projeto

Jornalista e redator de publicidade Rogério Viana, autor de contos, do roteiro de cinema “Caculé”, da peça teatral “O medo de te perder” e do livro de poemas e haikais “Trinta toques”.

Salvador, 16 de junho de 2003.

Rogério Viana

71 9995 4XXX (meu telefone de Salvador, na época)

----------------------------------------

Quem assistir - e recomendo que assistam os próximos episódios de "Autor por Autor" - vai notar que há, mesmo, algumas semelhanças no formato do programa da TV Cultura de São Paulo com o que propus em 2003 para a TV Educativa da Bahia.

Está no meu projeto:

O programa que está sendo proposto vai adotar, em seu formato, uma apresentação do perfil de um escritor, mostrando sua história, suas origens, a cidade e região onde ele nasceu, suas influências, seus contemporâneos, suas principais obras, seus prêmios. As imagens serão feitas na casa do autor e em outros locais que revelem o ambiente onde ele vive e trabalha. O programa vai mostrar uma análise de algumas de suas obras em depoimentos de críticos, professores de literatura, personalidades e leitores. Na parte final do programa, o autor focalizado inicia a leitura de um de seus contos dentro de um ambiente onde vai se desenvolver a ação de uma de suas histórias, num trabalho de adaptação de teledramaturgia de um de seus contos, ou da passagem de um deles, por um grupo teatral baiano.

No programa da TV Cultura, o ator Othon Bastos aparece narrando um depoimento de João Ubaldo Ribeiro sobre a relação desse com seu pai. E, aos poucos, vai se formando no fundo, o cenário de uma imensa biblioteca e, entra em cena, no papel do pai de Ribeiro, o ator Milhem Cortaz, que olha para Othon e fala como se ele fosse o menino João Ubaldo. Em seguida, a cena é da visita da avó do autor baiano à casa do pai dele. O programa segue com fatos da vida de João Ubaldo narrados por ele e ilustrados por fotos e imagens de vídeo de sua amizade com o cineasta Glauber Rocha. Tudo muito bem feito, com o uso do recurso da tela azul (antes chamada de cromaqui).

No que eu propus sobre outro baiano, "um grupo de teatro de Salvador vai adaptar um dos contos de Hélio Pólvora que será apresentado na forma de uma narrativa feita pelo próprio autor, integrando-se como espectador privilegiada da obra a ser mostrada em algumas cenas". Mais ou menos o que fez a TV Cultura de São Paulo, no belo trabalho do diretor Ricardo Elias.

Concluindo

As ideias nascem assim. Umas são apresentadas e vingam. Outras são apresentadas e deixadas de lado, não levadas a sério. Algumas até podem servir de inspiração, tempos depois, para uma adaptação. Na verdade as ideias estão aí. Perambulando esse espaço tão cheio de oportunidades. Foi uma pena que a TVE baiana não tenha aceitado minha proposta do tal programa. E foi uma sorte, alguém, sete anos depois, ter tido uma ideia semelhante que pode ser produzida e resultado num excelente programa. As duas ideias, a do Markun e a minha tem algo em comum, felizmente: as duas ideias trabalham com a difusão do hábito da leitura e a valorização dos nossos escritores. O resto, bem, o resto é coisa que só Jung poderia explicar. E para quem não acreditar que isso possa mesmo ter acontecido, junto algumas imagens. Assim ninguém vai achar que, nesse caso, nem Freud explicaria...



terça-feira, 18 de maio de 2010

O comércio do tempo, teatro e personagens

Esta semana li um texto do professor pernambucano Elton Bruno Soares de Siqueira sobre o diálogo no teatro contemporâneo com sua análise sobre a obra "Na solidão dos campos de algodão" de Bernard-Marie Koltès. O texto tem como objetivo analisar "a estrutura complexa do diálogo" na peça de Koltès, com "a finalidade de caracterizar a relação que se estabelece, pelo texto dramático contemporâneo, entre autor-público". O texto integral pode ser lido no link.

Na parte que antecede o final do texto, Siqueira destaca o trecho em que Koltès se refere ao ato de diplomacia. Segundo ele, "a visão que o autor tem das relações humanas é muito existencial. A diplomacia é entendida como o comércio do tempo, uma forma de retardar a violência que está latente nas relações entre homens. A troca de palavras, sintoma da diplomacia, é uma forma de ganhar tempo". Para Koltès, conforme assinala Siqueira, "não existe tolerância entre os homens, não existe comunicação efetiva, não existe nada senão a hostilidade".

Aquele diálogo aparentemente sem sentido que "Na solidão dos campos de algodão" apresenta entre o "Cliente" e o "Negociante", os personagens da peça de Koltès, me fez imaginar o que pode ter acontecido de real no recente "diálogo" entre Lula e o "presidente" Mahmoud Ahmadinejad, na recém e super festejada visita ao Irã pelo presidente brasileiro.

O Irã, que tem feito de tudo para manter seu programa nuclear em atividade, é um dos personagens de um diálogo que parece não ter sentido - e, para mim, não tem mesmo - quando quer dar caráter pacífico para o que, no fundo, tem fins bélicos, puramente hostis. Do outro lado, o restante do mundo, que defende a tese de que seria catastrófico para o mundo - o mundo todo, nós inclusive aqui no Brasil - o Irã dominar a tecnologia para fabricar armas nucleares.

Na representação teatral da semana passada, Ahmadinejad e Lula, com a co-participação do presidente turco, assinaram um pretenso acordo de que a tecnologia nuclear iraniana será apenas para uso pacífico. Lula, aos olhos de espectadores mais centrados na leitura do que de real existe naquele diálogo de entendimento e de paz, interferiu indevidamente no texto dramático que a história está registrando no momento. A diplomacia brasileira talvez não tenha se dado conta de que, como disse Koltès, o Irã assinou um acordo apenas para "ganhar tempo", iludir a audiência, enganar os espectadores e fazer com que o Brasil e o inoxidável presidente Lula faça apenas o único papel que lhe resta nessa trama internacional: o papel do bobo da corte. E esse papel, convenhamos, não cabe nem em tragédia, nem em drama, muito menos numa espetáculo épico.

O tal acordo que o Irã assinou e que, hoje, foi duramente criticado pela ONU que já anunciou o endurecimento nas represálias a serem feitas ao país dos aiatolás, é uma peça de teatro que, em momento nenhum, reservou sequer uma pontinha para o pretenso protagonismo de Lula e sua política externa descabida, infeliz e, por não dizer, absurda, por equivocada e sem sentido.

Para Koltès, para mim, e para o mundo todo, a posição do Irã, com seu jogo de cena, não passa de um mero artifício no seu papel de vilão, pois pregar a paz com o desejo de ter armas nucleares é montar um espetáculo falso já que "não existe tolerância entre os homens, não existe comunicação efetiva, não existe nada senão a hostilidade". E é para ser hostil que o Irã vestiu sua "pele de cordeiro". Sob os aplausos de Lula, o cara!





sexta-feira, 14 de maio de 2010

Olhe para a frente

O tempo é mesmo implacável. Agorinha mesmo eu tinha
duas horas pela frente. Agorinha mesmo elas se foram.
Foi num piscar de olhos. Um só piscar.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Coração de Congelador


A Súbita Companhia de Teatro volta ao cartaz
com o espetáculo CORAÇÃO DE CONGELADOR.

“Por um instante resolveu tirar seu coração do congelador. Tirou.”


O espetáculo Coração de Congelador busca compreender nas relações humanas cotidianas o encontro sutil ou bruto entre a dor e o amor. Trata-se deste lugar do meio, do entre, onde há amor, mas ainda assim dói, ou dói porque o amor é demais, onde falta amor e dói, onde dói e continua amando, enfim, onde dor e amor convivem juntos.



Serviço

Coração de Congelador

De 14 a 23 de Maio | Sextas, sábados e domingos - 20h.
Ingressos R$20,00 e R$10,00 (meia entrada e bônus).

Espaço Cultural Pé no Palco - Rua Conselheiro Dantas n.20, Rebouças
(em frente à Churrascaria Paiol).
Informações: 3029-6860 | 9996-4100

Súbita Companhia de Teatro
http://subitacompanhia. blogspot.com

SOBRE A COMPANHIA

A Súbita Companhia de Teatro é o coletivo por afinidades e interesses de sete artistas curitibanos que tiveram sua formação na Escola de Teatro Pé no Palco, com o objetivo de criar um ambiente próprio para a profusão de idéias e criação de espetáculos.
Composta por Maíra Lour, Janaina Matter, Juliana Adur, Otavio Linhares, Alexandre Zampier, Daniel Kleiber e Ariana Dias, a Súbita Companhia acredita na força do teatro de grupo e pretende, por meio de intensa pesquisa do fazer teatral, criar uma linguagem contemporânea e autoral. É de interesse desses artistas o diálogo com outras expressões artísticas como as artes gráficas e visuais, a música e a dança contemporânea.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Intensa programação no Espaço Cênico

O Espaço Cênico (ex ACT) tem nova parceria na ocupação do seu espaço físico. Nena Inoue e Felipe Hirsch estendem sua parceria nas produções teatrais e unem-se na manutenção deste espaço cultural existente há 13 anos no Bairro São Francisco, em Curitiba, e que desde final de 2009, abriga as sedes da Sutil Companhia de Teatro e do Espaço Cênico.

Com programação alternada entre as duas companhias, em maio, dando continuidade a atividade de formação teatral do Espaço Cênico, acontece a Oficina Intensiva de Teatro para iniciantes, ministrada por Andréa Obrecht, que tem como principal objetivo promover o contato direto e prático do público em geral com o universo do teatro. A programação desta oficina intensiva de teatro, propõe aulas e exercicios dinâmicos que tem como base, o jogo (the play) e as improvisações cênicas, sendo o conteúdo proposto dividido em três partes: Corpo do Ator em Cena (Consciência corporal e vocal), Ator Criador (jogos de improvisação no espaço), Ator e Publico (elaboração de cenas teatrais).

Ainda na programação prevista para o ano, Oficina para Atores, com Carlos Simioni (Grupo Lume,/Campinas); Economia Criativa e Desenvolvimento Sustentável, com Ana Carla Fonseca Reis, da Garimpo de Soluções (SP), especialista em Economia da Cultura; Oficina do Samba, com Babaya (BH), além da retomada do projeto “Faço com Gosto!” , um propositivo encontro de idéias e gastronomia, que em sua primeira edição em 2009, reuniu o arquiteto Jaime Lerner, o diretor teatral Felipe Hirsch e o cozinheiro e agitador cultural Beto Batata.

Situado no bairro do São Francisco, onde no passado funcionava a estufa de bananas da Familia Schnneper, este espaço cultural independente, criado há 13 anos, de comprovada vocação para realização de encontros, mantem desde seu inicio uma programação multiárea direcionada à formação e intercãmbio de artistas e publicos, compartilhando com a comunidade interessada, seus processos de criação.

O que?

Oficina Livre de Teatro - Intensivo de Iniciação

Ministrante: Andrea Obrecht.

Quando?

16 a 20 de maio de 2010 – Módulo 1

22 a 26 de maio de 2010 – Módulo 2

Segunda a Sexta (19h30 as 22h30) e Sáb e Dom (14h30 as 17h30)

R$ 180,00 e R$150,00 para ex-alunos

Onde?

Espaço Cênico

R. Paulo Graeser Sobrinho, 305. São Francisco.

Informações: 41 3338 0450 .

E-mail: espacocenico@espacocenico.art.br

Quem?

Andréa Obrecht é atriz profissional desde 1998. Trabalhou ao lado de importantes diretores e atores da cena teatral brasileira, e integrou vários grupos de teatro de Curitiba. Atualmente é atriz e produtora da Pausa Cia de Teatro voltada à pesquisa em linguagem contemporânea no teatro. É formada pela Faculdade de Artes do Paraná em Educação Artística com habilitação em Artes Cênica. E em 2003 ganhou uma bolsa de estudo na Casa Hoffmann, quando deu inicio a uma pesquisa voltada ao Corpo e Movimento. Ministra oficinas de teatro para crianças, adolescentes e adultos. Trabalhou na Cena Hum Academia de Teatro. E também participou como idealizadora e ministrante de projetos educativos promovidos pelo: SESI/SENAI; SESC Brasil; Canal Futura/Fundação Roberto Marinho; Fundação Cultural de Curitiba; e MR Produções Culturais.

A bola, jogadores, políticos e a grana


Os meninos que não correm mais atrás da bola

Hoje, faltando 30 dias para a abertura da Copa do Mundo da África, o técnico Dunga vai anunciar a lista com os 23 jogadores da Seleção Brasileira. Eu ia escrever a "nossa seleção", mas a Seleção deixou de ser nossa, pois não tem mais jogadores brasileiros. Tem, sim, jogadores expatriados que nem sabem cantar "nosso" hino e que vivem como reis ou príncipes em vários países espalhados pelo lado rico do mundo.

Hoje eu faço uma reflexão - vou tentar fazer. Ao refletir sobre a bola, o mundo do futebol, jogadores, tenho que incluir no que escrevo a questão da política e da grana, sim, do dinheiro.

Todo menino, um dia, sonhou em vestir a camisa de um grande time de futebol. Mesmo os mais improváveis um dia sonharam em ser jogador de futebol. Sonharam em, pelo menos, entrar em campo com a camisa do seu time do coração. A suprema glória de vestir, um dia, a camisa da ex-nossa Seleção era motivo de orgulho, de alegria de toda a família e de júbilo de toda a nação. O talento sempre era reconhecido, mesmo pelos torcedores de outros times, o craque da hora, se fosse para a Seleção Canarinho, era reverenciado pelas torcidas de todos os times. E se trouxesse o "caneco", então... Uma loucura.

Há quarenta anos, poucos eram os jogadores brasileiros que iam para o exterior. Muito poucos. Parecia que aqui a reserva de talentos não era exportável. Era para consumo próprio. E os talentos surgiam aos borbotões. Cada craque melhor que o outro. Mas, depois da decepção de 50 e das glórias de 58 e 62, o povo brasileiro - e os craques - somente foram valorizados pela maravilhosa seleção de 70. Aquela de Pelé, Jairzinho, Tostão, Rivelino, Félix, Clodoaldo, Carlos Alberto (o Capita), e tantos outros que vou omitir mas com dor no coração. Em meados dos anos 70, Pelé vai para os Estados Unidos. E o futebol, lá, explode com os investimentos e com a importação de craques como Beckenbauer, por exemplo.

Hoje, times que querem ser campeões, em qualquer lugar do mundo, tem que ter, pelo menos, um brasileiro. E esses brasileiros que surgiram após Pelé, Garrincha, Zico, Sócrates, Júnior, Falcão, Romário... integram, até, seleções de outros países e, sempre são, os jogadores que dão, no toque da bola, um charme especial a elas.

Vai jogador para o exterior e, pouco depois, ele fica milionário. Passa a falar com sotaque, aprende línguas - do holandês, ao ucraniano, do japonês, ao inglês, francês, uzbequis... (o que mesmo?).

Fazendo sucesso na Europa, principalmente, sendo reconhecido, ganhando os troféus internacionais de melhores jogadores, a fama e a fortuna ficam tão evidentes quanto ficam evidentes o desinteresse e a falta de gana de defender a "nossa" Seleção Brasileira. Vestir uma vez mais a camisa amarelinha não vai agregar mais nenhum valor às milionárias carreiras dos meninos que aqui despontaram e que se tornaram estrelas galácticas, midiáticas, celebridades desse esporte que encanta e engana.

Os jogadores mais experientes e que, com certeza, hoje, formarão a base da Seleção que será convocada por Dunga, a eles não interessa se a Copa vai ser na África de Mandela ou num gramado climatizado de um moderno estádio europeu. Tanto faz. Eles, milionários, não se importam com um pouco mais de dinheiro que a participação no maior torneio esportivo do mundo possam lhes trazer. Já ganharam o suficiente para, mais tarde, torrarem com loiras, divórcios, carrões e famílias ávidas por um pouco mais de conforto e de ilusão que somente o mundo da bola oferece.

A ilusão que o mundo da bola oferecia, a bem da verdade. Oferecia.

Nos últimos anos os meninos que queriam ser jogadores e não conseguiram, correram para outros campos. Alguns, até com relativa capacidade para dribles e chutões, viraram cantores, integram duplas sertanejas. Cantando e levando muita alegria, não com gols, mas com canções e emoção, outros meninos também viraram milionários. E, muitos deles, fazem fortuna aqui mesmo, vendendo muito pouco no Exterior. Dinheiro conquistado aqui, com talento e uma certa dose de persistência e de sorte. Que digam Zezé di Camargo, Xitãozinho, Chororó, Daniel, Leonardo...

Se o menino não for jogador, nem cantor, se não consegue estudar, ou arrumar um emprego, talvez ter uma pequena empresa, o que ele poderá fazer em nosso país de flagrantes desigualdades?

Se quer ganhar muita grana mesmo e não correr o risco de ser preso ou levar um tiro no meio da cara, morrendo antes de completar 20 anos, ele pode se infiltrar num partido político. Pode até ser um partido pequeno, desses nanicos que vendem caro seus tempos de rádio e televisão para partidos maiores e melhores estruturados. Pode, com um pouco de esforço e uma relativa habilidade - não precisa falar bem, ou escrever bem - ser candidato a vereador. Se der sorte, pode, aos poucos, fazer um jogo duro como vereador e vender caro a aprovação de projetos importantes para a cidade onde mora. Não vai deixar barato... Se o prefeito quer que tal lei seja aprovada, uma graninha por fora, ou por mês, ou o emprego de uns parentes na máquina pública... E o dinheiro vem fácil. Sem muito esforço.

Depois de ser vereador, o ex-menino que desistiu de correr atrás da bola ou de ser cantor, pode se candidatar a ser deputado estadual. Uns, até, vão logo para a Câmara Federal. E o jogo com o poder Executivo - estadual ou federal - fica mais acirrado. E muito mais lucrativo, claro!

Ao contrário dos meninos que viraram craques, que ganharam milhões, que vestiram a camisa da "nossa" seleção e que não tem tanto interesse mais em irem ou não para outra Copa do Mundo, os meninos que não correram nos campos com camisas de times, mas que vestiram cores partidárias e defenderam discursos insustentáveis em termos de ética e de moral, esses querem, a cada dia mais, vestirem camisas e roupas caras, de grifes famosas. Não querem mais seus velhos "fuscas". Se não tiverem um carro possante de uma marca japonesa ou alemã, pode ser uma marca coreana, até, embora as marcas italianas sejam as mais desejadas - aquela do cavalinho é imbatível - eles não se contentam. Seguem em frente, fazem de tudo, do que a gente imagina e do que a gente sequer tem a mais remota noção. E, gulosamente, querem mais, muito mais, bem mais, sempre mais, mais, mais... um desejo de acumulação sem precedentes.

Os meninos não querem mais dinheiro por estarem na Seleção Brasileira de Futebol. Dinheiro eles tem e o suficiente. Hoje, os meninos, aqueles pouco habilidosos ou de talento para o esporte ou a arte que não deram certo, querem ser políticos. E, como os meninos do futebol e da música, são muito apoiados por suas famílias. E é através de suas famílias - do mesmo ramo familiar ou de agregados - que os meninos de menos talento ficam milionários. Viram donos de negócios, de emissoras de rádio, de jornais, de mandatos intermináveis em Câmaras de Vereadores, Assembléias Legislativas, na Câmara Federal, no Senado... depois, uns melhores aquinhoados por estudos, viram Ministros de Tribunais, os de Contas são os mais interessantes... e não querem nem mais saber se algum torcedor mais fanático vai chamá-lo de "perneta" ou de "ladrão". Não lhes importam. Já fizeram os pés de meia e, milagrosamente, todos se transformam em centopéias... e haja grana - dos outros, a minha, a sua - para eles colocarem nas meias que se multiplicam a milhares, a milhões...

O jogo hoje não é defender a pátria, o país, as cores do Brasil correndo atrás da bola e de velhos sonhos. O jogo hoje é roubar a pátria, o país, vestir as cores da corrupção, do seu partido correndo atrás da "bola", sim, a "bola", aquele suborno que enriquece e que faz velhos sonhos virarem fortuna e poder.

Torça para que meninos de talento joguem apenas futebol. Ou cantem.

Aos políticos, pau neles!

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Espaço Outro...

Uma grande caixa de acrílico em duas praças...

Espaço Outro é uma peça de teatro de estrutura peculiar, realizada pela ACRUEL Companhia em duas praças públicas de grande movimento na cidade de Curitiba. O público é convidado a entrar em uma grande caixa de acrílico transparente onde uma narração em off orienta o olhar. As cenas acontecem fora, espalhadas pela praça. Algumas são pequenas e infiltradas entre as pessoas comuns, outras intervêm no movimento natural do lugar. Assim, enquanto os espectadores da caixa têm uma orientação objetiva e subjetiva sobre as ações, os passantes têm uma percepção espontânea das mesmas. Estes últimos observam, ainda, a grande caixa de acrílico com indivíduos encerrados, que acaba por se transformar em uma obra das artes visuais.


São muitas as possibilidades de se relacionar com a peça, mas Espaço Outro privilegia o público da caixa. A maior característica do trabalho é dar a este o poder de Onisciência. A narração lhe permite saber mais sobre o presente, e até um pouco sobre o passado e futuro, do que as pessoas que observam de fora. Estabelece-se um jogo que permite novas visões sobre o espaço público, mais atentas e sensíveis. Mas, como todo jogo, trata-se de um desafio. O espectador deve ir descobrindo a melhor forma de lidar com a narração.


Ficha técnica: Criação Cênica: Ana Ferreira, Emanuelle Sotoski e Rubia Romani. Interpretação: Ana Ferreira, Emanuelle Sotoski, Rubia Romani, Alessandro Ferreira, Cláudia Souza, Eduardo Walger, Elton Krug, Renato Sbardelotto, Roger Batista, Verônica Rodrigues, Vida Santos, Vivian Schmitz. Texto: Ana Ferreira, Emanuelle Sotoski e Rubia Romani. Narração: Lui Riveglini, Vivian Schmitz, Ana Ferreira, Luiz Bertazzo, Emanuelle Sotoski e Cleydson Nascimento. Produção Sonora: Daniel Starck. Colaboração em dramaturgia: Lígia Oliveira. Equipe de apoio: Jaqueline Lira, Isadora Terra e Pamela Stival. Adereços: Saulo de Almeida. Cenotécnica: Sérgio Richter. Assessoria de Imprensa: Daniel Starck. Design Gráfico: Jean Snege. Produção: Bia Reiner. Realização: ACRUEL Companhia e Bia Reiner.


SERVIÇO:


Praça Santos Andrade: de 4 a 15 de maio. Praça Rui Barbosa: de 18 a 29 de maio. De terça a sábado, às 16h30.


A entrada neste Espaço Outro é franca.

Informações: www.acruel.com.br