quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

VIDA deu cinco prêmios à Companhia Brasileira de Teatro

Rodrigo Ferrarini e Ranieri Gonzales ganharam dois dos cinco prêmios
dados a peça "Vida" que levou também o prêmio de melhor montagem,
melhor direção e melhor texto de Márcio Abreu
(foto de Rogério Viana - ensaio de Vida)

"Sobrevoar" ganhou o prêmio de melhor cenário
(foto de Lauro Borges)

A Companhia Brasileira de Teatro, com o espetáculo VIDA ganhou cinco prêmios, ontem, dia 15 de dezembro de 2010, na entrega dp 31º Troféu Gralha Azul, em cerimônia de premiação que foi realizada no Guairinha, em Curitiba. 
Os premiados foram:
Vida
Melhor espetáculo;
Direção: Marcio Abreu;
Texto original: Marcio Abreu;
Ator: Ranieri Gonzalez;
Ator Coadjuvante: Rodrigo Ferrarini;
Troféu Epidauro, concedido pelo Consulado da Grécia entre os espetáculos do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. 
Lendas Japonesas
Melhor espetáculo para crianças;
Direção de espetáculo para crianças: Preto.
Coração de Congelador
Atriz: Juliana Adur.
Os Invisíveis
Atriz coadjuvante: Maureen Miranda.
Metaformose – Reflexões de Um Herói Que Não Quer Virar Pedra
Iluminação: Beto Bruel.
M.M.M. – A Montanha do Meio do Mundo
Sonoplastia: Edith Camargo.
Mentira
Figurino: Paulo Vinícius.
Sobrevoar
Cenário: Marcelo Scalzo e Blas Torres.
Habituè
Revelação: ao diretor Alexandre França.
Prêmio Especial
Manoel Kobachuk Filho.

Um exercício de dramaturgia e construção de cena


Ontem, na sede da cia brasileira de teatro, em Curitiba, e utilizando o espaço onde está montado o cenário para a apresentação da peça "Oxigênio", Márcio Abreu, diretor e autor, iniciou a oficina de Dramaturgia e Construção de Cena, que integra o projeto do espetáculo que será apresentado até este final de semana.
A cena contemporânea, experiências, trabalhos de linhas distintas, no Brasil e no exterior. O teatro que a cbt realiza, relatos. Um pouco disso tudo e, depois de comentários, reflexões, uma pausa para o café. Após, Márcio Abreu propôs a realização de um exercício. Um exercício com as características e as premissas que se seguem.

Oficina de Dramaturgia e Construção de Cena
Com Márcio Abreu – cia brasileira de teatro – Curitiba - PR

Exercício – dia 16 de dezembro de 2010

Premissas/condições

Conversar com um companheiro e perguntar, basicamente, qual o trajeto feito a partir do ponto onde estava até chegar à sede da CBT.

Escrever um texto – em 10 minutos – observando ter:

a – um fato inventado
b – um diálogo
c – algo que seja fuga da realidade

Autor: Rogério Viana

Café catalão

(...)

Fazia um frio incomum nesta manhã de primavera. Marta queria conhecer um pouco mais desta desconhecida Curitiba e de muitos de seus enigmáticos moradores.

- Você escreveu enigmáticos?
- Sim. Ou você não vê ou percebe que os curitibanos, todos eles são enigmáticos?
- Não os vejo assim...
- Mas os curitibanos são enigmáticos, sim. Pode acreditar...

Marta não acreditou que enquanto seu marido preparava o café ela estivesse pensando numa nova história.

O cheiro do café sempre a fascinara. Fascinara, sim... E o que ela mais gosta, além do seu sabor, é seu aroma. O café brasileiro é bem mais forte que seu café espanhol. Seu café de Barcelona. Seu café catalão...

- Mas preparam aqui com muito açúcar. Não quero muito açúcar, mi amor...

- Usted...

- Por favor... Menos, Sérgio!

Sérgio atendeu ao pedido e, desta vez, não colocou as três colheres de açúcar que normalmente colocava no pequeno bule de café. Marta ficou observando a dança da fumaça saindo do bule e que perfumava toda a casa. Ela começou a dançar ao ritmo da fumaça do café quentinho. Preparado do modo brasileiro.

Beijou Sérgio.

Seguindo a orientação de seu amigo Rodolfo, foi para a avenida esperar o ônibus amarelo da Barreirinha. Todos os ônibus amarelos passavam pelo parque São Lourenço e iam direto parar na praça Tiradentes. Sim, perto da Catedral. Bem próximo, muito próximo mesmo onde fica a sede da Companhia Brasileira de Teatro para onde ela ia.

Fazia um frio incomum e nesta manhã de primavera Marta, segurando-se como podia dentro do ônibus amarelo da Barreirinha observava as pessoas que, ainda sonolentas, iam para o trabalho. Homens e mulheres com caras entristecidas estavam ao seu redor. Fazia um frio incomum e algumas gotas de chuva começavam a aparecer no vidro lateral do ônibus onde Marta apoiava sua cabeça e olhava, pensativa, para fora.

O ônibus parou num semáforo. Marta olhou para fora e viu que no carro ao lado um homem sorria. O homem sorria e ela pode ler – sem dificuldades – o que os lábios daquele homem dizia:

- Querida, a médica me disse que pode não ser câncer... que o tumor pode ser benigno. Sim, querida... pode ser benigno, sim, benigno...

O sinal ficou verde. O carro avançou rapidamente. Enquanto o ônibus movimentava-se lentamente, Marta sentiu que, ali, naquele instante, ela tinha um motivo para escrever outra de suas histórias. Uma história de esperança. De superação. De vida!

- Quem estava vivo naquela manhã?

- Ela, ou seu personagem?

Marta apenas sorriu naquela incomum e fria manhã de primavera.

- Sérgio, por favor, quero mais café...

(Exercício de Rogério Viana depois de ouvir algumas respostas dadas por Marta López Garcia, jovem professora de Letras, catalã de Barcelona, que está em Curitiba há dois meses e que mora com seu marido, o brasileiro Sérgio Ricardo, e com dois amigos, atores, no Parque São Lourenço. Marta adora café. E toma sem açúcar. Quando muito, um pouquinho só de açúcar. Depois do café, quando é permitido, ela prepara um cigarro com um fino tabaco. Ontem ela não podia fumar na sede da cbt. Em Curitiba não se permite fumar em ambientes fechados. É lei.)

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O plano de patrocínio do musical caipira "Arco, Tarco ou Verva?"

Cornélio Pires (de terno escuro) patrocinou os cinco primeiros discos
de música caipira no Brasil em 1929 e inaugurou a indústria da
música caipira, regional, sertaneja, de raiz.
Está em fase de captação de recursos pela Lei Rouanet (Pronac 102549) o projeto do musical-caipira "Arco, Tarco ou Verva? Paixão e Alegria de Um Barbeiro Caipira que foi proposto e será produzido pela UniCultura - Universidade Livre de Cultura, de Curitiba. A atividade de captação está a cargo da Trento Comunicação Integrada.

As empresas interessadas em conhecerem o projeto para futuro apoio pela Lei Rouanet poderão manter contato com Ricardo Trento e sua equipe na Trento:


Trento Comunicação Integrada 
41.3023.2008
trento@trento.com.br 
R. Alferes Ângelo Sampaio, 1794, conj. 02
www.trento.com.br


A inspiração: o circo-teatro-caipira

"Circo-teatro", "teatro musical", personagens, causos e música caipira são temas que inspiraram o jornalista, poeta e autor teatral Rogério Viana a escrever a peça de teatro musical "Arco, Tarco ou Verva? Paixão e Alegria de  Um Barbeiro Caipira", cuja montagem é o objetivo que ensejou este projeto. Nascido em Santos, este caiçara logo virou caipira ao mudar-se, nos idos dos anos 50, para uma pequena cidade do interior do Paraná - Paranavaí. Ainda menino, pôde assistir a vários espetáculos de teatro e de música, nestes circos que, anos mais tarde, ele teria outro tipo de contato, quando atuando como jornalista teve oportunidade de retratar em matérias para jornais da cidade de Piracicaba, onde morou durante mais de 32 anos, a vida destes personagens reais do "circo-teatro". 

Amigo do jornalista e escritor piracicabano Cecílio Elias Neto, autor do "Dicionário do Dialeto Caipiracicabano", que nasceu, em 1988, com o nome de "Arco, Tarco, Verva - As delícias do refinado dialeto caipiracicabano", Rogério Viana, em 2005, iniciou uma pesquisa sobre "musicais caipiras" e a importância  da música caipira nos "circosteatro" que conheceu. Apropriou-se, então, da piada do barbeiro caipira que perguntava aos seus fregueses se estes queriam "arco, tarco ou verva" após a barba (álcool, talco ou Acqua Velva) e, homenageando seu  amigo jornalista, criou o personagem do barbeiro Elias, amante da música e da poesia, para o musical caipira "Arco, Tarco ou Verva? Paixão e Alegria de Um Barbeiro Caipira", texto a ser encenado dentro deste projeto. 

O espetáculo que está sendo proposto vai prestar homenagens a vários personagens que promoveram a "música caipira" à sua real condição cultural de relevância. Assim, o autor colocou na sua peça, o musical-caipira, a figura do grande Cornélio Pires, como também do Palhaço Veneno e sua esposa Dalila (na peça esta faz o papel de Zurmira, a fofoqueira do vilarejo). Presta uma homenagem, também, a Inezita Barroso na personagem Inezinha, esta, amiga de Mocinha, outra donzela do vilarejo e o grande amor do barbeiro Elias. Outro personagem é o dono do serviço de "artofalante", o Dorfinho. O rival de Elias, o barbeiro, é o dono da vendinha, e este é o comerciante e agiota Cróvis. Aparecem como personagens o sanfoneiro Zé do Fole, o violeiro Curió e o violonista Passarinho. A música do espetáculo será apresentada ao vivo por um grupo formado por seis instrumentistas e cantores e mais três vozes femininas no coral. 

Todos os personagens cantam os grandes clássicos da música caipira dentro do espetáculo que vai mostrar a história da paixão do barbeiro Elias pela Mocinha, as fofocas e a inveja de Zurmira e Cróvis e o apoio que os enamorados recebem do Palhaço Veneno, de Dorfinho, Inezinha e de Cornélio Pires, na peça  aparecendo como padrinho de Elias, o barbeiro caipira. Este musical vai resgatar os principais clássicos do cancioneiro caipira e de raiz do Brasil, bem como pretende mostrar uma singela trama em que os personagens ganham corpo, voz e graça num certo vilarejo perdido por esta terra de tantos causos e cantares. 


Acesse o plano de patrocínio abaixo:
Plano de Patrocínio do musical caipira "Arco, Tarco ou Verva? Paixão e Alegria de um Barbeiro Caipira"

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

De mãos dadas é melhor para todos

Ninguém faz nada melhor sozinho. E de mãos dadas podemos fazer muitas coisas boas e importantes.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Projeto Oxigênio oferece oficina gratuita de dramaturgia com Márcio Abreu

Estão abertas e até o dia 13 de dezembro de 2010, na seda da CBT - companhia brasileira de teatro, em Curitiba, as inscrições gratuitas para a Oficina de Dramaturgia e Construção da Cena, com Márcio Abreu, dentro do projeto Oxigênio. O número de vagas é limitado e os interessados deverão encaminhar para a produção da CBT um currículo resumido: contato@companhiabrasileira.art.br a/c de Cássia Damasceno.

Quem é Márcio Abreu

Márcio Abreu é ator, diretor e dramaturgo, integrou a EITALC – Escola Internacional de Teatro da América Latina e Caribe e o Lusco-Fusco Teatro Laboratório. Fundou o Grupo Resistência de Teatro e a Companhia Brasileira de Teatro. Principais trabalhos como ator: Woyzeck, O Tempo e o Lugar, A Vida é Cheia de Som e Fúria, A melhor parte do homem. Principais trabalhos como diretor: Paredes de Vento, Adeus, Robinson!, Volta ao dia… , Projeto Ópera Ilustrata, O Empresário, Suíte 1, Daqui a duzentos anos, Apenas o fim do mundo, O que eu gostaria de dizer.  Coordenou o Grupo de Estudos sobre Tchekhov, ao lado de Luis Melo, no ACT – Ateliê de Criação Teatral em 2004. Em 2009 coordenou o Projeto de Pesquisa VIDA a partir da vida e obra de Paulo Leminski pesquisa que resultou na premiada montagem teatral VIDA. Atualmente trabalha com o projeto Oxigênio, do qual a Oficina de Dramaturgia e Construção da Cena está integrada.

Inscrições abertas até 13 de dezembro de 2010 na CBT

sábado, 4 de dezembro de 2010

Feliz Natal

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A aguda contemporaneidade de Márcio Abreu

Márcio Abreu mostra outra vez sua aguda
contemporaneidade em uma Curitiba e suas idiossincrasias.
(foto Rogério Viana)
Envei ao Márcio Abreu o seguinte texto e sobre a estreia, ontem, de "Oxigênio", da Companhia Brasileira de Teatro.

Querido Márcio, 

Parabéns por mais um inspirado e belíssimo trabalho.

O samba não atrapalhou a estreia. Gostei muito da montagem. Atores, figurinos, cenário (surpreendente aquela rampa CWB-Fashion-Uik, surpreendente aquele jardim de flores e vegetação ressequidas de falta de água e de oxigênio que o Fernando Marés criou e que tem até o cheiro de coisas sem vida), da música do sempre competente Gabriel, da iluminação precisa e sem truques/artificialismos da Nadja Naira e da sua direção segura e com sua indelével marca de aguda contemporaneidade. 

Fiquei feliz e honrado de ter recebido seu convite e de ter assistido a estreia. A decisão de se criar uma atmosfera intimista, espaço pequeno, pouca gente, traz o texto muito mais perto da plateia e surpreende pelo modo direto, cara a cara mesmo, como os Sachas se revelam pelos atores e como os atores se revelam pelos Sachas. 

O texto de Ivan Viripaev é forte e avança sobre questões não muito comuns - eu diria que até são um tipo de tabu - na dramaturgia que se faz no Brasil e que você e seus colaboradores dão a ele aquele caráter universal - que o texto tem, claro - e que é universal por poder se situar/contextualizar também em Curitiba, ela, a cidade e suas idiossincrasias. 

Não conhecia o Bolzan. Ele faz o Sacha com uma certa ironia e isso me agradou muito. A Patrícia - a ex Nationarukida e seu jeito de general japonês que não me agrada(va) nada - me surpreendeu. Mas eu vejo que você soube explorar outros potenciais nela e dela. Talvez os ancestrais toques do "Taiko" que nela estão impregnados pela ascendência nipônica, talvez pela cultura exótica do Japão que se aproxima e se funde pelo lado "dominador" do tom soviético/russo/nipocolonialista, ela tenha sido uma escolha necessária e precisa para você. Rodolfo e Kamis formaram um casal de Sachas harmonioso. Ele, frágil quando necessário. Ela, explorando sua força natural e uma meiguice que sempre vem como provocação, nunca como carinho, afeto, amor.

Parabéns a todos e especialmente a você pela coragem de sempre inovar. E de surpreender a cada nova montagem.

Abraços

Rogério Viana

Rodrigo Bolzan, ao fundo, Gabriel Schwartz
e Patrícia Kamis em "Oxigênio"
(foto de Elenize Dezgeniski)