sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Uma entrevista sobre dois textos teatrais

Entrevista publicada no Cénico - Blog de Teatro (Maringá - PR)
O jornalista e editor Gustavo Lemos, de Maringá, publicou no Cénico - Blog de Teatro uma entrevista comigo. Entre os temas, minha trajetória no jornalismo e na escrita dramatúrgica, um passeio sobre personagens dos dois mais recentes textos teatrais - "Entrevista com o devorador de ratos" e "Triste inventário de perdas", e algumas considerações acerca do fazer teatral e da cena atual.

A entrevista neste link.

Vejam o link com a entrevista, aqui.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Cénico - Blog de Teatro - Maringá

O blog é editado pelo jornalista Gustavo Lemos, de Maringá


O jornalista Gustavo Lemos, de Maringá, está divulgando em "Cénico - Blog de Teatro" o que tem rolado por lá no campo do teatro, da dramaturgia. 


Abaixo, o e-mail que ele me enviou:


Maringá está (re)nascendo para o teatro. Em março começa a primeira turma de graduação em Artes Cênicas na Universidade Estadual de Maringá, várias Cias estão com trabalhos em oficinas e ainda vamos partir para o segundo ano do Núcleo de Dramaturgia do Sesi. Nesse clima eu estou arquitetando o blog, que provavelmente fará parte do meu trabalho de conclusão do curso de jornalismo. Acredito que uma mídia especializada deve acompanhar o desenvolvimento da cena artística de uma cidade. Espero estar certo, rsrs.

E como dramaturgia é um diálogo constante, faço uso do blog para "apresentar" - ou registrar - tanto a história e obra de grandes autores (em janeiro falei de Harold Pinter, esse mês será Sarah Kane), quanto quem faz a cena aqui na cidade e na capital. Talvez um jornalismo mais autoral, voltado para um público interessado. Essa inquietação, como você disse entender.

Sobre o blog, ele escreveu:


Entre a o compromisso da análise crítica especializada e o dinamismo da editoria de cultura, o blog Cénico surge para registrar um pouco da atmosfera dos palcos maringaenses; servir como espaço comum para quem gosta de teatro encontrar e dividir informações; e apresentar ao público os personagens que compõem o cenário artístico da região.


Garimpando notícias de diferentes meios e reunindo informações relevantes para quem busca conhecer um pouco mais sobre dramaturgia, Cénico é um laboratório diário de crítica, informação e divulgação, que oscila entre o local e o universal sem um compromisso maior que o da experimentação. Uma importante ferramenta de diálogo que se provará a cada post, enquanto estiver em cena.

Contatos com o Gustavo Lemos:

44 9813 4263 - 3221 6032



sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Um cardápio só com ratos

Um cardápio que só tem rato


Na fala de Dionelia, o cardápio só com ratos é revelado:

(...)

Mas se a dor é tanta, se tanto seu coração se sente apertado, ele fica engasgado com o prato predileto de suas refeições diárias: ratos, sim ratos. Ratos fritos, ratos ensopados. Ratos na salada. Ratos em escabeche. Souflê de ratos. Ratos gratinados, ratos esfolados, à milaneza. Ratos empanados. Ratos em sushis, ratos em sashimis, ratos rotos, ratos em risotos, ratos em pizzas, ratos salpicados sobre folhas apodrecidas que a muito deixaram de ser verdes. Ah, há mais ratos preparados de forma especial. Ratos em quibes, misturados com quibebes, não apenas em comes e bebes, em salgadinhos de festas baratas, em croquetes ou em esquetes de um insensato palhaço despudoradamente sem graça. Sem verve. Sem alma, sem chama.

(...)

Um trecho da "Entrevista com o devorador de ratos"

Escorre no meio fio uma lama intensa, vermelha. Vermelha da sujeira e do desespero de quem foi arrastado pelas tsunamis do oriente, pelas encostas dos morros que rolaram sem cerimônia para a cerimônia de adeus de tantos inocentes desprotegidos. 
Publico aqui um pequeno trecho da peça "Entrevista com o devorador de ratos". O autor Lourenço Machado  é entrevistado pela jornalista e pesquisadora Dionelia Mutarelli. Ele autor, ela entrevistadora. Ela autora, ele entrevistador. Ele maduro, ela uma jovem que tenta desvendar os mistérios de um autor.

 (...)



Lourenço – Não sei o que deu em minha cabeça aceitar conceder uma entrevista. Eu tinha absoluta certeza que ia dar merda esse nosso encontro. Tinha absoluta certeza. Veja só no que deu!

Dionelia – Ainda tem tempo de desconsiderar sua posição inicial. Mas vai me fazer esta descortesia de cancelar a entrevista?

Lourenço – Se você continuar a estimular pensamentos idiotas e sem sentido, pode ter certeza que cancelarei a entrevista imediatamente. Eu disse: imediatamente.

Dionelia – Você não me parece um homem movido pela coragem. Não me parece mesmo!

Lourenço – Ah, como você gosta de me provocar, não é, menina? Como aprecia levar-me a questionar isso, aquilo outro, não é? Está perdendo seu tempo. Domino a situação. Tenho pleno domínio sobre a situação.

Dionelia – Ah, pensa... pensa só... Tem consciência de que tudo está sobre seu comando, não é? Não comanda nada. Sua consciência não tem valor nenhum, pois não sabe nada sobre nada. Apenas joga com a intuição. E a intuição não existe. Ela é fruto de uma série de coincidências e não leva nada a bom termo. Não leva. Quando apela para ouvir sua consciência, ela aparece viciada, disforme, inquieta e, sobretudo, veja bem, estou afirmando, sobretudo sua consciência aparece irreal. A consciência não é uma capa que vestimos quando temos necessidade de sair na chuva. Pode-se pensar que ela vai livrar nossa roupa de pingos da chuva. Mas ela não livra nada. A chuva é forte. Um temporal está se aproximando. Além da água que cai em todas as direções, tem o vento que é muito forte. Ele vai rasgar qualquer capa... não há guarda chuva que resista. Seu capuz já voou para longe. Escorre no meio fio uma lama intensa, vermelha. Vermelha da sujeira e do desespero de quem foi arrastado pelas tsunamis do oriente, pelas encostas dos morros que rolaram sem cerimônia para a cerimônia de adeus de tantos inocentes desprotegidos. A lama domina tudo e sua consciência não tem proteção eficaz contra a lama, entendeu?

Lourenço – Você não me pega com seus truques...

(...)

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Entrevista com o devorador de ratos

(...) Mas se a dor é tanta, se tanto seu coração se
sente apertado, ele fica engasgado com o prato predileto de
suas refeições diárias: ratos, sim ratos (...) 
Novo texto que escrevi e que ofereço para o conhecimento dos interessados.

O texto "Entrevista com o devorador de ratos" foi um desafio para mim. Pois o que parecia ser uma mera entrevista, acabou revelando algo mais que o embate de duas personalidades tão diferentes e tão próximas. Diferentes por serem um homem mais velho, autor consagrado, e uma mulher, jovem, pesquisadora em busca de descobertas e de mistérios que sempre a atraíram. O que os aproxima é a linguagem aberta, desenfreada, com um tom para o exagero e a busca da verdade. Um embate que começa como se fosse um jogo de cabra cega, uma disputa de gato e rato, mas que, no final, mostra-se surpreendente pela crueza dos seus diálogos e o desafio de cada monólogo dos personagens com suas provocações e revelações surpreendentes.

Personagens: Um homem com cerca de 60 anos e uma mulher, jovem, na faixa dos 25 anos.

Quem se interessar pelo texto pode acessá-lo aqui neste link.

Oficinas da Escola do Ator Cômico em 2011 - Inscrições abertas

Ensaio de atores na Escola do Ator Cômico em 2010
A Escola do Ator Cômico oferece, para 2011, um conjunto de OFICINAS DE TEATRO que são interligadas, mas podem ser freqüentadas de forma independente. Os interessados podem escolher as oficinas de seu interesse e realizar sua inscrição.

Obs.: Os iniciantes (não atores) só poderão freqüentar os módulos 04, 05 e 06 com participação nos módulos 01, 02 e 03, que trabalham sobre os fundamentos do trabalho do ator.

Para quem: Aberto a atores e não atores interessados em conhecer e desenvolver o teatro tendo como base “técnicas de comédia”. O curso é freqüentado por atores profissionais, iniciantes de teatro, bonequeiros, estudantes de artes cênicas, advogados, músicos, psicólogos, empresários, bailarinos, pedagogos, professores, profissionais de comunicação, administração, engenheiros, entre outros.

Aulas:                  segundas, terças e quartas,
Horário:              19:00 às 22:00.
Lanche:              18:30 (todos os dias é servido um café àqueles que vem direto do trabalho).
Ministrante:         Mauro Zanatta.
Informações:       41 3332-4361 ou escola@atorcomico.com.br
Idade Mínima:    18 anos (menores de 18 somente mediante entrevista).
Vagas limitadas: Ligue para fazer uma pré-reserva.

As oficinas em 2011

Oficina 01
07/Fev. a 02/março/2011

– O Jogo Teatral: Esta oficina resgata a brincadeira, a espontaneidade e a relação entre universo interno e externo. “Tudo pode acontecer quando duas ou mais pessoas querem jogar”. O jogo é a base para a existência do teatro.
Valor: R$ 350,00

Oficina 02
14 a 23/março/2011

– O Macaco no Treinamento do Ator: A prática da postura corporal e atitude do primata desenvolve a intuição do ator, o tempo cênico, o sentido de grupo e coro, o movimento orgânico, a respiração, o vinculo psicológico. O primata promove uma quebra na verticalidade dramática do homem.
Valor: R$ 175,00

Oficina 03
11/abril a 04/maio/2011

- A Improvisação: Uma reflexão sobre o obvio.  A relação entre o ato de improvisar e a luta pela sobrevivência. Tanto no teatro quanto no cotidiano encontramos a mesma necessidade de dar vida a pequenos planos, projetos ou situações, criados artificialmente. Improvisar é encontrar caminhos que vão além da rigidez de nossas mentes.
Valor: R$ 350,00

Oficina 04
09 a 25/Maio/2011

- A Máscara Teatral: Quando veste a máscara inteira - cobrindo rosto e voz - o ator evidencia suas limitações: vícios corporais, tensões musculares, arritmias, excessos de representação e gestos. Este “desconforto físico”, proporcionado pela máscara neutra, põe o ator em contato com diferentes qualidades de movimentos, ações e linguagens.
Valor: R$ 262,50

Oficina 05
05 a 29 de junho/2011

- Commedia dell’arte: A criação dos tipos cômicos a partir de uma atualização da commedia dell’arte. Tendo como fundamento servos, enamorados, capitães e velhos, formaremos a base para a nossa própria exploração do nosso universo cômico.
Valor: R$ 350,00

Oficina 06
01 a 24 de agosto/2011

- O Universo Clown: Voltada à prática de técnicas para composição do universo clown, o “não personagem”, na transição entre o bem e o mal, o poder e a submissão. Um estudo sobre a “função coringa” do clown e sua força criadora.
Valor: R$ 350,00



terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Um personagem e seus monólogos

No texto, seis monólogos tratam da estrutura do que seja um monólogo


No meu texto A Arte do Monólogo, um passeio que segue um mapa indicado por José Sanchis Sinisterra, escrevi seis monólogos que são apresentados após o prólogo, que é teórico e que delineia o que se seguirá na prática, no que os monólogos apresentarão.  O texto é apresentado pelo personagem José, um ator-diretor-professor de teatro.

É esta a sequência, com seus títulos (temas):

1 - Prólogo - De que falamos quando falamos do monólogo?
2 – O locutor se interpela a si mesmo - A carta, o testamento a um Ernesto
3 – Me dá dois real, doutor?
4 - Uma receita insólita, quiçá indigesta
5 - O locutor interpela a outro personagem - Um nome, eu, você, quem sou?
6 - Nem Romeu, nem Julieta...
7 - O locutor interpela ao público - A província dos Senza Culus

É da segunda parte, o primeiro monólogo, onde O locutor se interpela a si mesmo - A carta, o testamento a um Ernesto o personagem José apresenta seu primeiro discurso:

José – Preciso escrever uma carta. Uma mensagem. Ou seria um testamento? Estou com algumas ideias de início. Será que uma delas poderá se transformar na mensagem ideal? Bem... tenho que tentar. Sempre tive muita dificuldade de escrever para mim mesmo. Ou escrever sobre mim, principalmente. A dificuldade maior, muito maior é escrever para alguém de minha família. Alguém próximo.
Alguém que prive de minha intimidade. É sempre muito difícil eu ser eu. Para os outros eu posso ser um escritor, um poeta, um jornalista. Mas para minha família, quem eu sou? Um irresponsável, um homem que vive no mundo da lua? Um homem que nunca teve os pés no chão? Um homem abominável que cultua o estranho e improdutivo gosto pelas palavras. Serei eu mesmo o homem que sempre esteve muito mais próximo das palavras do que de sua família? Não sei... sempre tive sérias dúvidas sobre isso. Sim, sobre quem eu sou, de verdade. Mas hoje eu tenho que escrever para alguém que me é bastante caro, mas que está longe de mim. Hoje fui compelido a escrever para meu primeiro neto. Estou em dúvida sobre qual começo devo adotar no texto que tenho que enviar para ele, para que seus pais – meu filho e minha nora – possam ler para ele. Vou tentar assim...

(...)