sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A preparação psicossomática de atores e construção corporal de personagens



Tonio Luna e a preparação de atores

A preparação psicossomática de atores e construção corporal de personagens, trabalho desenvolvido pelo psicólogo Tonio Luna, em Curitiba, parte da leitura técnica da relação entre corpo e mente apresentada por Wilhelm Reich, Alexander Lowen, David Boadella, Federico Navarro, Stanley Kelleman e outros. 
A personalidade em cena tem um corpo específico e este impressiona a platéia. O ator carrega em seu corpo sua história (segundo a teoria das couraças de Reich) e esta afeta o corpo de seu personagem. Quanto mais o corpo do ator se aproxima do corpo do personagem mais próximo da arte a apresentação se torna.  Assim cabe ao ator conhecer seu corpo e modificá-lo para entrar em cena.  Conhecer seu corpo significa se conhecer profundamente, tornar-se inteiro.  Este inteiro produz arte que transforma.  
O trabalho parte de conhecimentos de neurofisiologia, vegetoterapia, psicologia e arte.  Dirige-se a todos que querem entrar em cena, tais como atores, contadores de história e bailarinos.  E a quem quiser se desafiar a atingir o desconhecido, a arte.
Sobre o trabalho de Tonio Luna, o ator Richard Rebelo disse: "Sou ator e sei que o teatro é um momento único na vida de quem assiste e de quem o faz. O teatro é aquilo que acontece naquele momento. Preparar o ator para que ele faça sua arte acontecer é um trabalho muito nobre. O Tonio é um desses profissionais raros na minha profissão. Ele não está no palco, mas seu trabalho pode ser visto nos movimentos dos atores por ele preparados. Se você sair de um casulo preparado por Tonio Luna, com certeza vai borboletear mais alto, mais longe e com um bater de asas tão forte que será capaz de ser ouvido em outros lugares, situações, mundos e personagens diferentes".

Tonio Luna por ele mesmo

Nasci no Rio de Janeiro em setembro de 1961. Filho de ator conhecido na época, e de uma mãe que perguntava: "cadê o meu marido?". Atores são como borboletas, mãe! Ela não me ouviu e três meses depois que eu nasci veio para Curitiba. Borboleta pai veio atrás e borboleteou no teatro, rádio e televisão aqui também. Eu, como criança adorava os borboleteios!!
Quando adolescente me tornei marinheiro, para deixar meus olhos livres e imaginar. Já tinha aprendido a ouvir as pessoas e, sei lá de onde veio isto (minha avó alemã, talvez), observava o corpo delas. Nos navios eu conversava e ouvia histórias. Nas férias fiz curso de massagem e a bordo desentortava os corpos. Depois não quis mais ficar no mar por tanto tempo e mudei de profissão. Aprendi mais massagem, acupuntura, fiz terapia, psicologia corporal e me formei psicólogo. Tive atores pacientes que me convidaram para levar a psicologia do corpo para o teatro. Fiz bioenergética, gritos, berros e tudo mais. Depois coordenei uma comissão de arteterapia no Conselho Regional de Psicologia e conheci mais do que é a arte. Estudei neurofisiologia, neuroanatomia, mais Reich, vegetoterapia e formei um conceito do corpo em cena. 
Deu certo! Quem fez trabalho comigo ganhou prêmio, a peça também, e eu achei divertido fazer isso. Tão divertido que virou trabalho e hoje converso com muita liberdade com os atores sobre o trapézio , o gastrocnêmico e outros músculos. Quero chegar a um corpo em cena que faz arte e provoca nas pessoas da platéia algo transcendental, que as modifica e cura. Escrevi teatro, fiz monólogo, dirijo a peça "A LUTA" e preparo atores. Nasci no teatro e trouxe a psicologia para ele. 

Tonio Luna no Teatro e em publicações sobre Psicologia

Autor e ator da peça “Psicólogo da Silva”
Preparação Corporal da peça  “ Lisístrata – Distraídas Venceremos”
Preparação Corporal da peça  “Morgue Story” – Troféu Gralha Azul 2004
Preparação Corporal da peça “Garotas Vampiras Nunca Bebem Vinho”
Direção do espetáculo “Mr Richard in Comedy”
Direção do espetáculo “O Catarina”
Preparação de elenco da peça “Diga Aonde Dói”
Direção do espetáculo “O Causo é o Seguinte”, de contação de causo e moda de viola
Direção e preparação corporal do espetáculo “A LUTA”
Coaching de atores desde 1994

Escritor do editorial “Psicólogo da Silva” – Revista Contato – CRP 08
Ex-membro do Conselho Editorial da revista “ Diálogos” do CFP – Brasília

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Vitamina, risada sem efeito colateral

Vitamina no Teatro José Maria Santos

Depois do SUCESSO de temporada em 2010 e de uma indicação ao
 Prëmio Troféu Gralha Azul - premiação aos melhores do Teatro Paranaense em 2010,
 volta em cartaz o espetáculo VITAMINA.

VITAMINA - É uma comédia que reúne cenas do cotidiano, corriqueiras, mas todas sob a ótica e dentro do universo do palhaço. De maneira leve e descontraída, o jogo de improvisação feito nos hospitais é levado para o palco do teatro. E o riso, para outros públicos. Sempre garantido que a
"Risada é sem efeito colateral".
QUANDO? QUE HORÁRIO
de 18 a 27 de fevereiro de 2011 - sextas e sábados as 20 hrs e domingos as 19 hrs
ONDE?
no Teatro José Maria Santos (Rua Treze de Maio, 655 - São Francisco)
QUANTO?
R$ 20,00 (inteira)R$ 10,00 (estudantes, idosos, cartão Teatro Guaíra, Funcionários da Saúde com o crachá e Antecipados com os Doutores-palhaços)
Informações
            (41) 3023-2008      
INGRESSOS ANTECIPADOS
Não marque bobeira, garanta seu ingresso antecipamente no valor de R$ 10,00.  Entre em contato comigo - Edran - 9955-9172

FICHA TÉCNICA

Direção Artística:
Trupe da Saúde

Elenco:
Edran Mariano Elisário (Dr. Zë)
Camila Jorge (Dra. Carmela)
Karina Pereira da Silva (Dra. Risoleta)
Francisco das Chagas Sousa (Dr. Caramelo)
Isabela Sundin do Lago (Dra. Girassol)
Tarcísio Alencar Meira (Dr. Trufa)
Henrique Veiga (Dr. Ipisis Literis)
Calu Monteiro ( Dr. Uai)

Sonoplastia:
Trupe da Saúde
Pedro Coelho
Ary Giordani 

Criação de iluminação:
Frank Sousa

Figurinos:
Eduardo Giacomini

Assessoria de imprensa e produção executiva:
Trento Edições Culturais Ltda

Apoio:
UniCultura - Universidade Livre da Cultura 

Acompanhe a Trupe da Saúde no site



quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

"Puck eu sou, honesto e bravo" - Homenagem a um diretor que morreu há 20 anos


A dança de Oberon, Titania e Puck com as fadas, c. 1786
William Blake (Inglaterra, 1757-1827)
Aquarela sobre papel grafite, 47,5cm x 67,5cm
Tate Gallery, Londres


Algumas e principais falas de Puck, em “Sonho de Uma Noite de Verão”, de Shakespeare.


PUCK — Olá, espírito! Para onde vais?

...

PUCK — Para este ponto o rei já se encaminha. Cuidado! Não se encontre com a rainha, pois Oberon se mostra estomagado deveras por lhe haver ela roubado o gracioso menino da Índia oriundo. Na opinião dela é o pajem sem segundo. O ciumento Oberon de­se­ja­ria em seu séqüito vê-lo noite e dia, para, juntos, passearem na floresta. Ela, porém, de nada se molesta; retém o lindo pajem, venturosa, e grinaldas lhe tece cor-de-rosa. Nos olhos dele encontra a luz mais pura. Assim, quan­do nas fontes, porventura, os dois se vêem, num vergel umbroso, à luz do luar, num bosque nemoroso, a tal ponto discutem, que, de medo, nas bolotas os elfos ficam quedos.

... 

PUCK — Fada, acertaste. Eu sou, re­al­men­te, o ledo va­ga­bun­do noturno que brinquedo faço de tudo, porque a todo instante alegre de Oberon deixe o semblante. Como ele ri gostoso, ao ver o efeito, sobre um cavalo gordo, do meu jeito de relinchar qual égua calorosa. Às vezes ponho tudo em pol­vo­ro­sa, quan­do me escondo, qual maçã cozida, no jarro de uma velha delambida: tropeço-lhe nos beiços, sem que o veja, e no regaço entorno-lhe a cerveja. A sábia tia, às vezes, numa história de enredo triste e perenal memória, pensa me ter, qual um ban­qui­nho, à mão; então me afasto e, bum! vai ela ao chão, e en­xer­tan­do na história um disparate reclama em altas vozes o alfaiate, sem parar de tossir. Em gargalhadas as comadres rebentam, de malvadas, saltam de gozo e juram, da janela, não terem visto uma hora como aquela. Retira-te; Oberon vem com o seu bando.

...

PUCK — Quem são os cascas-grossas que assim gritam tão perto do lugar em que repousa nossa rainha excelsa? Oh, novidade! Um ensaio teatral! Ótimo. Ouvinte vou ser da peça, e ator, conforme o caso.

...

PUCK — Vou perseguir-vos sem vos dar sossego, por vales, montes, pela mata espessa; ora como corcel, ora morcego, ou sapo, ou chama, ou urso sem cabeça; como cavalo, ou leão, macaco, ou burro, relincho forte e rujo, guincho e zurro. 

...

PUCK — A rainha se encontra lou­ca­men­te de um mons­tro apaixonada. Quase em frente do sagrado lugar em que ela a sono mui tranqüilo se achava em a­ban­do­no, unia tropa de artífices de Atenas, capazes de trabalho rude, apenas, para ganhar o pão com o suor do rosto, ensaiava uma peça de mau gosto, para o dia solene do himeneu da Amazona garbosa e o grão Teseu. O casca-grossa de mais rude engenho de todos eles, que, com muito empenho, de Píramo fazia, a cena deixa por um mo­men­to, à espera de sua deixa. Eu, então, da ocasião me a­pro­vei­tan­do para em um monstro o transformar, in­fan­do, sobre os ombros lhe pus, sem mais demora, de burro uma cabeça. Eis chegada a hora da resposta de Tisbe, o instante azado para na peça eu por o meu bocado. Ao vê-lo, os outros, tal como bulhento bando de patos bravos, no mo­men­to em que percebem caçador matreiro que para eles se arrasta sor­ra­tei­ro, ou como gralhas de pés rubros, quando a um tiro súbito, a gritar, voando, se espalham pelo céu – cheios de medo também se afundam logo no arvoredo. Para mais assustá-los, sapateio sem parar, deles todos pelo meio: uns sobre os outros caem, por socorro gri­tan­do, em desespero: Atenas! Morro! Min­guan­do-lhes o senso na medida que aumenta o medo, quanto não tem vida lhes causa dano, que, pelos caminhos vão dei­xan­do nas pontas dos espinhos aqueles membros do teatro imbele parte das roupas, dos chapéus, da pele. Dominados, assim, todos do medo, deixei-os ir. Só fica no brinquedo nosso Píramo, em burro transformado. Nesse instante, porém, tendo acordado. Titânia, apaixonou-se lou­ca­men­te do belo monstro que lhe estava em frente.

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PUCK — Capitão do nosso bando de duendes, já vem an­dan­do para cá Helena bela e o jovem da tal querela por mim causada, também. Ora dizei se convém prosseguir na brincadeira, porque a tenhamos inteira. Oh mestre! Como são loucos os mortais! De senso há poucos.

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PUCK — Ó rei das sombras, podeis crer-me: houve erro. Não disseste que fácil me seria reconhecer o moço, pelas vestes de modelo ateniense? Não mereço censura desta vez, pois encantado deixei de Atenas jovem namorado. Mas alegra-me ver tudo assim torto, que para mim não há melhor desporto.

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PUCK — Meu rei dos duendes, isso vai ser, feito com toda a pressa, como o pede o pleito, que os velozes dragões da noite escura não cessam de apartar com a viatura aquelas nuvens negras. Não demora, vai nos surgir o anunciar da aurora, ante o qual os espíritos ne­fan­dos procuram logo o cemitério, aos bandos; os espectros de quantos pelas ondas, ou nas encruzilhadas, as hediondas sepulturas tiveram, para os leitos de vermes já se foram, com trejeitos; de medo de mostrar suas vergonhas, escondem da luz clara as ca­ran­to­nhas, o­cul­tan­do de grado o aspecto impuro na negra noite de sobrolho escuro.

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PUCK — Ruge o leão a cada passo, uiva o lobo para a lua, ressona o campônio lasso, des­lem­bra­do da char­rua. Con­so­mem-se na la­rei­ra as úl­ti­mas a­cen­da­lhas; o pio da ave agoureira fala ao doente em mortalhas. Nesta hora da noite escura as pobres almas andejas se esgueiram da se­pul­tu­ra ru­man­do para as igrejas. Nós, os elfos, que a parelha de Hécate sempre seguimos, e da luz do sol, vermelha, como num sonho, fugimos, de guarda estamos agora. Nenhum rato, em qualquer hora, a paz deixe per­tur­ba­da desta casa aben­çoa­da. Com vassoura eu vim na frente para limpar o batente e jogar nesta hora morta todo o pó atrás da porta.

...

PUCK — Se vos causamos enfado por sermos sombras, azado plano sugiro: é pensar que es­ti­ves­tes a sonhar; foi tudo mera visão no correr desta sessão. Senhoras e cavalheiros, não vos mostreis zombeteiros; se me quiserdes perdoar, melhor coisa hei de vos dar. Puck eu sou, honesto e bravo; se eu puder fugir do agravo da língua má da serpente, vereis que Puck não mente. Liberto, assim, dos apodos, eu digo boa-noite a todos. Se a mão me derdes, agora, vai Robim, alegre, embora. 


Texto completo de “Sonho de Uma Noite de Verão”, aqui, no link.

Teatro Municipal de Piracicaba. Sua sala principal é uma homenagem ao
autor e diretor piracicabano José Maria de Carvalho Ferreira, falecido há 20 anos.

As falas acima, de Puck, personagem símbolo de Shakespeare, são minha homenagem a um querido amigo, jornalista, autor e diretor teatral José Maria de Carvalho Ferreira, falecido há 20 anos na cidade de Piracicaba. Zé Maria foi amigo de adolescência do diretor Antonio Carlos Kraide (de tradicional família de origem árabe em Piracicaba), que atuou mais de 10 anos em Curitiba onde veio estudar Arte Dramática e teve uma brilhante carreira. Kraide faleceu em 19 de janeiro de 1983, em Curitiba, num brutal assassinato não completamente esclarecido até hoje.

José Maria de Carvalho Ferreira dá nome, hoje, à principal sala do Teatro Municipal "Losso Neto" de Piracicaba, interior de São Paulo.


Sobre os 20 anos de seu desaparecimento, seu irmão, Francisco Ferreira, escreveu no site "A Província" o texto que pode ser lido no link.