terça-feira, 12 de abril de 2011

Dando a cara a tapas na "arena das vaidades extremas"


Thadeu Peronne e Mazé Portugal em "Amores (re) Partidos"
O triângulo entre Mazé, Peronne e Ana Paula Taques
Encaminhei para Douglas Daronco o seguinte e-mail. Nele, algumas considerações acerca do que é ter a chance de participar do jogo na "arena das vaidades extremas".


Foi assim, enviado a ele.


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Douglas,

Uma expressão, um dito popular, veio à minha cabeça quando terminei de ler a severa crítica do Valmir Santos sobre a montagem de "Amores (re) partidos".

Fiquei ruminando algumas ideias e fui buscar a tal expressão - super conhecida - para comentar com você.

Apareceu então:

Dar cara a tapas
dar a ca.ra a ta.pas
1.     enfrentar (algo), por-se à prova.


Quando empreendemos alguma coisa, em qualquer campo de atividade, corremos riscos. Podemos agradar, podemos ter sucesso, podemos não agradar e podemos fracassar. O pior, no entanto, é não arriscarmos, é nos omitirmos, é fugir da raia, é não tentar, é "não dar a cara a tapas".

Quem entra num jogo sabe que pode marcar um gol, fazer uma cesta, marcar o ponto na disputa da final de basquete da Olimpíada. Pode - e como pode - jogar mal, marcar um gol contra, chutar o pênalti para fora, errar o último lance livre. Além disso tudo, pode ter câimbras antes de tocar a borda da piscina, pode levar um forte chute na canela, pode levar um empurrão. Pode tudo isso e um pouco mais.

Quem tem coragem pode ganhar uma medalha de ouro, mas pode - e como pode - ficar em último lugar, mas, mesmo assim, completar a prova duas horas e meia depois que o último colocado foi aplaudido arrastando-se no estádio na final de uma Maratona olímpica.

Quem entra em qualquer jogo dá, simbolicamente, "a cara a tapas". É assim e sempre será assim.

Antes da estreia de seus textos, os dois que deram o título de "Amores (re) partidos", você entrou no jogo. Literalmente assumiu o risco de chegar ao primeiro lugar ou de ser vaiado por ter sido expulso da partida final por um simples equívoco do juiz. É o jogo. E para jogar é preciso coragem para entrar em campo. Tem que ter, também, esta oportunidade de ser convocado para integrar uma equipe, para treinar, para se esforçar, para, só então, se preparar para entrar em campo, para ser aceito no jogo e para jogar. O jogo é jogado, assim. Tem que se cumprir determinadas etapas. Sem elas, corre-se o risco de não se preparar adequadamente e de entrar em campo e, nos minutos iniciais do jogo, sentir uma antiga lesão e ter que ser substituído quase nos primeiros lances da decisiva partida. É o jogo, e o jogo é assim mesmo.

Então, desejando e com muita vontade de entrar no jogo - e como esse jogo é ardiloso, meu caro Douglas - você se esforçou, se preparou, reuniu forças, abriu mão de tantas coisas, não é? Pois você queria participar oficialmente de um jogo de gente grande. De gente grande que não tem o mínimo escrúpulo de chutar sua canela, de entrar de carrinho por trás, de empurrá-lo para fora do gramado, de afogá-lo nas braçadas finais dos 400 metros golfinho, de enfiar o dedo no seu olho na disputa daquele lance - de vários jogos - onde o juiz não vê a falta e, se vê, finge que não viu. É o jogo, e o jogo é assim mesmo.

Você se preparou, teve seu texto escolhido para integrar uma coletânea de peças de teatro ao lado de tantos outros eleitos para participarem da seleção de dramaturgos iniciantes do Paraná. Depois viu aquele mesmo texto ter uma leitura dramática no palco. As personagens ganhando vida, nas vozes de duas atrizes e de um ator. Todos eles orientados por um experiente, renomado e premiado diretor. E o resultado disso tudo você sabe qual foi. Você estava lá e sua voz dramatúrgica ganhava, finalmente, o campo do jogo, fazia-se presente, "dava a cara para bater".

Comentários a parte, mesmo com tudo o que aconteceu com seu texto, você, ainda, timidamente, estava participando de um jogo de amadores, de iniciantes. De um jogo onde se aceita as regras, não se impõe nada e, por sorte, sai do jogo sem nenhum arranhão ou chute na canela. Mas um primeiro estágio você cumpriu. Credenciou-se para tentar um passo mais adiante, para subir um degrau mais alto, para ser aceito num jogo com mais pessoas capacitadas a jogar com você e, outras, para impedir que você tivesse êxito no seu intento, ou, mesmo tendo, que seu êxito não fosse considerado válido. Até que pudessem - e como podem - anular sua força, sua vontade, sua dedicação. Pior, anular o seu sonho. O sonho amador do menino que pela primeira vez veste uma camisa oficial e participa de um jogo oficial de um esporte qualquer pela primeira e definitiva vez.

Então chegou a oportunidade de entrar em campo num grande cenário, num campo maior, no estádio das vaidades e onde, nele e por ele, vale tudo, de xingarem sua mãe, de poder xingar a mãe dos outros, de ser ético ou de receber, no meio da multidão, um chute bem forte, não na canela - que dói, como dói - mas no meio da cara.

Uma companhia escolheu seu texto, aquele mesmo que você abriu mão de qualquer remuneração, apenas para ter a oportunidade de ver o seu trabalho encenado - entrar no jogo oficial, mesmo na programação da beirada, do tal Fringe - num renomado festival de teatro brasileiro.

Então, no jogo, agora, você ganhou a companhia de outros tantos jogadores. De muita gente bem mais experiente na arte de jogar com a palavra e a emoção. Você, enfim, foi aceito para integrar um time e seu time, com muitos outros participantes, iria estrear sua peça que foi "saudada" com uma bela matéria (matéria de sonho, se quer saber) no mais importante jornal do Paraná.

Antes de o jogo começar todos os demais participantes do mesmo festival invejaram sua "sorte de principiante" - a sua, não a do Thadeu ou da Mazé, experientes e tarimbados atores e produtores teatrais. E você, meu caro Douglas, ganhou as páginas da mídia e sua atuação, no limite do que você deveria chegar ao ser o autor de um texto teatral, agora iria enfrentar, definitivamente, o olhar e a crítica de um estádio lotado, com a maior parte de um público que ia torcer contra você e seus companheiros. É o jogo, e o jogo é assim mesmo.

Literalmente "dando a cara para bater", expondo-se, iluminado por todos os refletores possíveis, aos olhos atentos e desejosos de sangue na "arena das vaidades extremas", seu texto ganhou destaque e foi um dos escolhidos para ser objeto de uma análise crítica de um dos mais consagrados críticos teatrais brasileiro dos últimos tempos.

E o crítico, como um simples espectador foi ver o seu "Amores (re) partidos". Entrou e sentou-se como todos os demais espectadores que prestigiaram a montagem. Foi lá, viu, anotou.

E você, meu caro Douglas, mesmo não esperando isso acontecer assim tão rápido, foi novamente premiado, foi escolhido, ganhou a atenção de gente de peso.

Mas nós sabemos que assim como "não há almoço de graça", não há "crítica de graça" também. Se o chamado para que mais pessoas fossem ver e testar sua coragem de se expor com seu texto na tal "arena das vaidades extremas", estava quase que combinado - e combinado está mesmo - que um olhar mais atento e impiedoso estaria lá, naquele dia, pronto para enxergar o que ninguém enxergou e para apontar o que ninguém apontou antes do jogo efetivamente ser iniciado. É o jogo, e o jogo é assim mesmo.

Findo o jogo, computados os tentos a favor e os gols contra, num empate, numa vitória ou numa derrota, uma resenha deveria mesmo ser feita, uma crítica deveria ser publicada, os comentários - bons ou ruins - teriam que ser divulgados. E a voz potente decretou o que decretou. Disse o que ela tem o direito de dizer. Colocou as coisas como devem ser colocadas. Às claras, sem disfarces, ali, na lata! É o jogo, e o jogo é assim mesmo.

E o que aconteceu, e o que vai acontecer depois da "sentença" do Valmir Santos?

Foi um primeiro jogo - claro, um jogo importante - mas só um jogo, o primeiro de uma série infinita de novos jogos e de novas possibilidades de acertos e de erros, neste campeonato onde se joga como nunca na tal "arena das vaidades extremas" e onde se deve aceitar, várias vezes, mudanças de regras em pleno jogo, mas onde, nas regras, a mais clara delas é que não é permitido, nunca, nunca mesmo, abandonar o campo de batalha em pleno jogo, nem se deve deixar o campeonato, apenas porque o juiz, rigoroso, decidiu mostrar-lhe um "cartão amarelo", aquele de advertência.

Você, meu caro Douglas, teve a coragem de "dar a cara a tapas". Infelizmente e isso tem que ficar bem claro, você não sabia se seria um leve tapa, um tapa um pouco mais forte ou um murro. E não sabia, nem poderia saber, claro, se o murro era um murro um pouco mais forte ou um potente golpe desferido por um "peso pesado". Se doeu - sempre dói, mesmo - a dor passa. Se ficou com um olho roxo - o tempo retira todas as marcas visíveis. Se muitos da platéia vaidosa no extremo de seu prazer estão rindo às suas costas e à custa de um trabalho executado com coragem e amor pelo jogo, lembre-se que a batalha pela conquista do campeonato apenas está começando. Coisas ruins, muito piores ainda virão, tenha certeza absoluta. Mas, também, aos poucos, devagar, sem pressa virão, não os aplausos frágeis, mas a certeza de que para estar no jogo e ser reconhecido como um real participante dele, é preciso sem medo e com muita coragem aprender um pouco mais de como se entra no jogo e como se aprende a enfrentar e aceitar vitórias, empates ou derrotas. Em resumo, como se aprende a viver no mundo do teatro, nesta "arena das vaidades extremas", para então, definitivamente aprender uma lição real, válida. Como se dá a cara a tapas.

Um forte abraço

Rogério Viana

domingo, 10 de abril de 2011

"Um Lugar Estratégico", tradução de texto de Gracia Morales, autora espanhola

A ponte é um lugar estratégico que faz voar fora da realidade.
Conclui, na tarde de sábado, dia 9 de abril, a tradução do segundo texto - Um Lugar Estratégico - que me foi enviado pela professora, atriz e autora espanhola (de Granada) Gracia Morales. O texto ganhou, na Espanha, o prêmio Miguel Romero Esteo, em 2003.

Um Lugar Estratégico

O texto trata do encontro, numa ponte que se divide por uma linha fronteiriça e que separa duas comunidades inimigas, de um casal pertencente a estas duas comunidades e que chegam a esse lugar proibido e símbolo do rompimento da guerra e que estabelece um diálogo cheio de desconfiança, receio e rancor sobre o outro, fruto do isolamento e do desconhecimento mútuos.

O leito do rio está seco e o desejo de que volte a levar água, representa a esperança de mudar a situação. Se enfrentam otimismo e ceticismo nas posturas de ambos personagens, também a agressividade, representada pela mulher, frente ao desejo conciliador do homem. Estes sentimentos se intercambiam ao longo do texto.

A ponte é apresentada como "um lugar estratégico" que faz voar (sonhar) fora da realidade ou, pelo menos, fora de uma série de regras estritas e preestabelecidas; um lugar simbólico (o simbolismo joga um papel primordial na linguagem dramática do texto) onde o tempo passa de outro jeito, numa espécie de torvelinho que comunica passado, presente e futuro, testemunha de todas as guerras e sobrevivente delas. As feridas de guerras passadas, que ameaçam constantemente com a possibilidade de voltarem, são difíceis de cicatrizar, porém falar sobre elas é um primeiro passo, cheio de esperança.

O casal protagonista mostra as intervenções de outros casais no mesmo espaço, porém em tempos diferentes: no passado, um casal de soldados inimigos com a missão de explodir a ponte; no futuro, um casal de adolescentes apaixonados simboliza a possibilidade de que algo está mudando. Toda a história aparece atravessada pela rítmica intervenção de uma personagem, a Andarilha, que não pertence a nenhum lugar, não conhece fronteiras e transita como quer pela ponte, cruzando fronteiras espaciais e temporais. À margem de regras, tenta pescar, porém só consegue pescar no rio botas de números e cores distintas, que não formam nunca um par, até que... o vento começa a mudar.

O texto

As pessoas interessadas em lerem "Um Lugar Estratégico" poderão solicitar o texto pelo e-mail:
rogeriobviana@yahoo.com.br

Ele será enviado no formato PDF.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Repartindo "Amores (re) partidos" - pedaços de um ensaio teatral

Ensaio de "Amores (re) partidos" :
Mazé Portugal, Thadeu Peronne e Ana Paula Taques
O texto "Teia" de Douglas Daronco, ganhou, no ano passado, durante o Festival de Curitiba, uma leitura dramática dirigida por Edson Bueno. Foi a estreia oficial, nos palcos, do primeiro texto de Daronco produzido na Oficina de Dramaturgia SESI Paraná.

Em julho, nos "Saraus Tardes de Dionísio", Douglas Daronco convidou Thadeu Peronne e Mazé Portugal para participarem da leitura de outro texto teatral seu - "Nós" que foi apresentado no dia 2 de agosto passado. Nasceu, então, uma vinculação dos textos de Daronco com o trabalho do diretor e ator Thadeu Peronne e da atriz Mazé Portugal e que, no Festival de Curitiba deste ano apresenta seu segundo fruto: "Amores (re) partidos".

Com uma linguagem realista, a peça "Amores (re) partidos"  trata do universo feminino com dois textos - "Lapso", um monólogo e "Teia", o mesmo texto que em 2010 foi apresentado no Teatro José Maria Santos.

A estreia de "Amores (re) partidos" será na próxima quarta-feira, dia 6 de abril, às 12 horas, no Mini Guaira, dentro da programação do "Festival de Curitiba". No elenco, Thadeu Peronne, Mazé Portugal e Ana Paula Taques, direção de Thadeu Peronne.


"Amores (re) partidos" será apresentado também nos dias:  07/04 as 23:00, 08/04 as 19:00, 09/04 as 19:00, 10/04 as16:00 no Mini Guaira


Veja aqui uns pedaços e entrevistas com diretor, ator e atrizes de "Amores (re) partidos":



quinta-feira, 31 de março de 2011

"Mostra Seu Nariz" - Palhaços como você nunca viu



Vai Começar a MOSTRA SEU NARIZ - PALHAÇOS COMO VOCÊ NUNCA VIU

A Cia dos Palhaços promove no Festival de Teatro de Curitiba a "MOSTRA SEU NARIZ" - são mais de 20 apresentações em dois espaços: Espetáculos adultos e infantis no Espaço Cultural Cia dos Palhaços e Espetáculos de Rua no Pátio da Reitoria da UFPR. 

Confira a programação desta semana:


Programação Espaço Cultural Cia dos Palhaços - rua Amintas de Barros nº307
ingressos: R$20,00 e R$10,00 (meia) p/ peça

  • dia 31/03 (quinta feira) às 21h - CABARÉ DOS PALHAÇOS (Cia dos Palhaços);
  • dia 01/04 (sexta feira) às  21h - CONCERTO EM RI MAIOR (Cia dos Palhaços) - IngressosESGOTADOS;
  • dia 01/04 (sexta feira) às  19h - Sessão EXTRA de CONCERTO EM RI MAIOR (Cia dos Palhaços);
  • dia 02/04 (sábado)  às  16h    - PALHAÇAS SEM LONA (Palhaças Sem Lona - Florianópolis);
  • dia 02/04 (sábado)  às  21h    - A REGRA É CÔMICA - IMPROVISAÇÃO DE PALHAÇOS (Cia dos Palhaços)
  • dia 03/04 (domingo)  às  16h  - O MISTERIOSO SUMIÇO DO BOI DE MAMÃO (Clã dos Nobres Arteiros - Florianópolis);
  • dia 03/04 (domingo)  às  21h  - LA PERSEGUIDA (Teatro Vagamundo - Porto Alegre)

Programação de Rua - Pátio da Reitoria de UFPR 
Entrada Franca - (em caso de chuva as peças de rua serão apresentadas no Espaço Cultural Cia dos Palhaços) 

  • dia 31/03 (quinta feira) às 18h - FIRULIN, O VIAJANTE (Palhaço Firu - Argentina);
  • dia 01/04 (sexta feira) às 18h  - PALHAÇA CEBOLA (Instituto Picadeiro de Teatro);
  • dia 02/04 (sábado)  às  18h    - O LOUCO MAGNÉTICO (Clã dos Nobres Arteiros - Florianópolis);
  • dia 03/04 (domingo)  às  18h  - CIRCO S/A (Cia dos Palhaços);
  • dia 04/04 (segunda)  às  18h  - ATIRA SARRO - 1º Stand-up na Rua (Fábio Lins - São Paulo)

para maiores informações e compra de ingressos: 
3077-5009  /  9206-8504  /  9131-0310  /  9124-6105

Confira a programação completa: www.ciadospalhacos.com.br 


... E ATENÇÃO: Restam poucas vagas para o Curso "Manual e Guia do Palhaço de Rua" com o palhaço argentino CHACOVACHI (mundialmente conhecido por seu trabalho de rua, com mais de 20 anos de trabalho dedicadas à esse Espaço de Atuação) informações no site: www.ciadospalhacos.com.br   

quarta-feira, 30 de março de 2011

A Primeira Campainha está no Festival de Curitiba

Recebi da assessoria de imprensa da Primeira Campainha, companhia de teatro de Belo Horizonte, o seguinte material divulgando a presença do grupo no Festival de Curitiba.

Veio assim, assinada por Ana Alyce Ly e João Santos:

Sem patrocínio e sem vergonha na cara. A Primeira Campainha um dos coletivos teatrais mais respeitados da cena alternativa mineira faz, em 2011, sua estreia no Festival de Curitiba. “Elisabeth está atrasada...” e “Sobre Dinossauros, Galinhas e Dragões – Trilogia Completa” serão apresentados como parte da programação do Fringe, no Teatro Mini-Guaíra.

We are the World

Sempre custeando suas montagens, sem qualquer tipo de patrocínio, a Primeira Campainha se depara com um novo desafio. Para levar seus espetáculos à Curitiba mais uma vez não receberam nenhum apoio financeiro. A solução encontrada pelo coletivo foi apelar para o financiamento coletivo (crowdfunding). A campanha Leve8 convocou a classe artística, parceiros, amigos e o público em geral a colaborar da forma que puder, com a quantia que puder. Para isso foi disponibilizada uma conta bancária para receber doações, que também puderam ser feitas online. Os colaboradores puderam ainda telefonar e conversar diretamente com as atrizes. Uma planilha com os gastos previstos também foi disponibilizada para download no blog da Primeira Campainha.
Outra maneira de ajudar a campanha foi pela divulgação. Além da propagação do flyer e do logo da campanha, artistas mineiros começaram a gravar vídeos apoiando a idéia. Os primeiros foram Assis Benevenuto (ator, dramaturgo e diretor do Quatroloscinco) e Fafá Rennó (ex-Luna Lunera, atriz, dramaturga, diretora e jornalista) que gravaram, à capela, o clássico “We are de World”, hit da campanha humanitária promovida nos anos 80 por Michael Jackson e Lionel Ritchie. Depois foi a vez de Guilherme Morais (ator, diretor, coreógrafo e performer) fazer sua interpretação da mesma música, atravessada por uma performance aos moldes trans-revolucionários de sua personagem Trash Diva, já tradicional no “buteco171”. A partir de então os vídeos não pararam de chegar: entre os que já colaboraram estão os amigos Samira Avila, Dayse Bélico, Rodrigo Veloso (atores), Angélica Santana, (artista plástica e professora) e Leo Mendonza (músico e professor) que cantam, dançam e improvisam, tudo para ajudar as amigas. Um jantar beneficente marcou o ápice da campanha. Parceiros, amigos, familiares e importantes nomes da classe artística mineira compareceram ao evento


Minas é presença marcante no Festival de Curitiba

O teatro mineiro sempre teve destaque no Festival de Curitiba. Com o Fringe, além dos grupos já consagrados, novos nomes passaram a realizar apresentações notáveis. Em 2005 o Espanca! se destacou com seu espetáculo de estréia, “Por Elise” (direção Grace Passô). Um ano depois foi a vez do Luna Lunera participar da mostra, com “Não desperdice sua vida” (dirigido por Cida Falabella). Ano passado foi o Quatroloscinco que representou potência da cena mineira com “É só uma formalidade” (direção coletiva).
Em 2011, Minas volta a marcar presença no festival paranaense. Entre os vários coletivos mineiros que participam do Fringe, a Primeira Campainha é certamente um dos maiores destaques.

“Elisabeth está atrasada...”

Originalmente concebido como Trabalho de Conclusão de Curso (UFMG) da atriz Angie Mendonça, o espetáculo "Elisabeth está atrasada..." já foi assistido por cerca de 2.000 espectadores. Com mais de 20 apresentações no estado de Minas Gerais, a montagem já passou pelo "Festival da Loucura 2009" (Barbacena - MG) e foi um dos grandes destaques de público e crítica do IV Verão Arte Contemporânea em 2010.

Com direção de Marina Arthuzzi, que também está no elenco, "Elisabeth" marca a estréia da Companhia Primeira Campainha em um espetáculo de longa duração. Ainda compõem a "Campainha": Mariana Blanco, Marina Viana e Patrícia Diniz que, juntas, realizaram um espetáculo que leva ao extremo o conceito de criação coletiva.

"Elisabeth..." cumpriu diversas temporadas em Belo Horizonte, participando do 12º Peça BIS no Teatro Alterosa (festival que reapresenta destaques do teatro mineiro) e em uma série de apresentações no Teatro João Ceschiatti (Palácio das Artes) no fim do mês de Julho de 2010.

O espetáculo voltou à cena em 2011 levando renovação à 37ª Campanha de Popularização do Teatro e da Dança de Belo Horizonte. Embarca para Curitiba no fim de Março para integrar a programação do FRINGE 2011 (parte do Festival de Teatro de Curitiba)

Sinopse
Chá a las cinco de la tarde. Édipo já tinha cometido sua falha e a bruxa seduzido com uma maçã a inocente princesa branca como a neve e de lábios vermelhos como a rosa...
Quatro personagens contextualizadas em um universo ultrafeminino, sarcástico e melodramático reunidas em um chá para realizarem seu tradicional clube de leitura.
 "Elisabeth está atrasada..."  é uma tragicomédia que ironiza concepções acerca da mulher.
De Almodóvar a Gloria Gaynor, sem perder o ritmo.

Pesquisa

No intuito de se criar uma proposta teatral que esteja em sintonia tanto com a realidade econômica das produções independentes quanto com os rituais de criação da cibercultura, surgiu o "Teatro Fanzine". Estética Marginal e aficcionada, se assemelha ao teatro de revista mas traz consigo o excesso de informação no mínimo de tempo e espeço (Fanatic Magazine). O "Teatro Fanzine" tem sido a base das pesquisas da Primeira Campainha.

"Elisabeth está atrasada..." é um processo embasado em personagens lorquianos, arquétipo jungianos e conceitos freudianos relacionados `amitologia grega. Os perfis forneceram subsídio para a criação de fichas de jogo (descrição de habilidades) e avatares (representação visual de um utilizafor em realidade virtual) das personagens/jogadoras.

O Roleplaying Game (RPG) foi utilizado como estratégia de criação das personagens sob a orientação de um mestre (João Marcos dadico), definindo, através das fichas, todos os atributos das personagens, sempre colocadas em situações de cooperação e disputa. A partir de um "Chá das cinco/Clube do livro", e diversas situações e conflitos, desenvolveu-se o fio condutor da história. Cada personagem, ainda, possuía como referência outras celebridade que vão do mundo televisivo, como desenhos de Walt Disney, as personalidades públicas como Eva Perón e Marilyn Monroe.

Ficha Técnica

ELENCO/PERSONAGENS
Luiz Felipe D’Ávila (Mestre Fredo)
Mariana Blanco (Gigita)
Marina Arthuzzi (Tereza)
Marina Viana (Norma Juno Reagan)
Paolo Mandatti (Elisabeth)
Patrícia Diniz (Rita Sue)

EQUIPE TÉCNICA  
     
Concepção: Angie Mendonça, Mariana Blanco, Marina Arthuzzi, Marina Viana e Patrícia Diniz
Direção: Marina Arthuzzi
Mestre de RPG: João Marcos Dadico
Locução: Luis Humberto Garcia
Iluminação: Marina Arthuzzi
Cenotécnica: Daniel Herthel
Operação de Som: Henrique Limadre
Operação de Luz: Guilherme Morais
Vídeo: Giovanna Lanna e Luiz Felipe D’Ávila
Produção: Companhia Primeira Campainha
Design de projeto: Patrícia Diniz
Assessoria de Comunicação: Ana Alyce Ly e João Santos

“Sobre Dinossauros, Galinhas e Dragões” (TRILOGIA COMPLETA)

Espetáculo que se completa em três partes distintas, duas dedicada aos animais – dinossauros e galinhas - e outra à figura mitológica do dragão. A cena II de III marcou a estreia da Primeira Campainha no “9° Festival de Cenas Curtas do Galpão Cine Horto” quando, em 2008, esta ficou entre as cinco vencedoras do Festival. Dedicada às Galinhas, a cena faz diferentes conexões com o universo da ave, criando um estranho show de variedades que aborda reflexões filosóficas, usando canções e buscando referencias que vão desde fragmentos de autores renomados e piadas da Internet, a celebridades do mundo do entretenimento. Uma brincadeira cênica que fala do excesso, da dúvida e da graça de viver no século XXI.

Ao final de 2010, o grupo estreiou a trilogia completa do espetáculo. Após breve temporada de estréia, “Sobre Dinossauros, Galinhas e Dragões” faz agora a primeira viagem de sua carreira para Curitiba, onde será apresentado no maior festival do país.

A partir do tema central de cada bloco, fala-se sobre tudo. Com música, dança, manobras de skate, fragmentos de textos de autores como Clarisse Lispector, Caio Fernando Abreu e Augusto Montessoro, solos de guitarra invisível, rebolados de Elvis Presley e lutas de monstros Japoneses. A trilogia se completa como uma edição comemorativa, um grande almanaque parecido com os que se comprava nas férias, no qual, continha todas as histórias da Turma da Mônica do semestre.

Sinopse

Os dinossauros foram extintos há mais de 65 milhões de anos, pelo impacto de um asteróide. Sabemos que eles eram ovíparos. E que a galinha é a parenta mais próxima do temido tiranossauro rex, o maior predador da era jurássica. Dada a ironia do “rei dos répteis tiranos” ter se tornado o franguinho nosso de cada dia, a franzina ave modificada geneticamente pelas grandes empresas alimentícias, o cristo dos vegetarianos, vegans e radicais em geral do ramo. As galinhas que – coitadas – não tem para onde ir.
Pós a aurora do homem do filme de Kubrick, ao som de “Also Sprach Zarathustra” de Strauss, a música que abria os shows de Elvis Presley (maravilhoso dinossauro de belíssimo rebolado) a galinha vive seus tempos inglórios de fama. Antes de confabularmos sobre quem veio antes, o ovo, ou a galinha. Antes do ovo de Colombo e do Mc Chicken Jr. a R$ 3,00.

Os dinossauros povoam o mundo das crianças, dos nerds e dos programas da Discovery Channel. Os antigos do Rock ‘n roll são dinossauros, os atores da velha guarda são dinossauros, a academia é quase sempre um dinossauro. Roberto Marinho se não tivesse sido um ciclope em vida, teria sido um “cidadão dinossauro Kane”. A economia e a hegemonia estadunidense estão se metamorfoseando em dinossauro...e em seguida, saudamos os dragões, da robótica ou da mitologia, em nosso festejo regurgitofágico .

O dragão é a figura mitológica mais popular entre as civilizações, um réptil mágico que vive cerca de 50.000 anos e precisa morder o rabo para morrer. Já os dragões da nossa geração estão transvestidos de mitos, Michael Jackson, Dercy Gonçalves e Liz Taylor. John Lennon, Mark Chapman e Ernesto Che Guevara. Marlyn Monroe e Ana Maria Braga. A revolução comunista, o amor livre e a AIDS. A Caverna do Dragão, que não tem capítulo final.

Pesquisa: Teatro + Fanzine

Uma revista revê acontecimentos, elabora críticas, parâmetros e crônicas de um universo específico. Um fanzine faz o mesmo, porém, num caráter amador, de fã, do “não especialista”, de um aficionado (Fanatic Magazine).

O Teatro de revista é um gênero de teatro musical do começo do século XX, que se caracteriza por uma crítica de costumes, popular, tida como vulgar pela intelectualidade vigente e adorada pelo grande publico.

A revista (papel), no aspecto jornalístico, é tecnicamente “não tendenciosa”. Já o fanzine age tendenciosamente e marginalmente em prol de um estilo de música, de poesia, uma vertente política, uma corrente literária, e, geralmente (no que concerne às técnicas usadas ou ao material usado para a confecção do mesmo) de maneira precária.

O “Teatro Fanzine” é assim como o fanzine, marginal e aficionado. Marginal por querer fazer da precariedade um musical e, aficcionado porque adoramos o que fazemos. “Sobre dinossauros, galinhas e dragões” é um Teatro Fanzine, um teatro que se assemelha ao de revista mas traz consigo o caótico século XXI, o excesso de informação no mínimo de tempo e espaço. O comprometimento de um aficionado e a marginalidade utópica de quem brinca nas bordas, mas tem algo a dizer.

Esse gênero tem sido a base de nossas pesquisas, no intuito de se criar uma vertente teatral que se aplique a nossa realidade econômica e aos nossos rituais de criação próprios da cibercultura. Este é um teatro manifesto, que aplica a estética punk do faça você mesmo. Por querer transmitir informação e idéias mesmo que o espaço seja pequeno, o tempo curto e o dinheiro pouco. Uma proposta estética e ética sobre o fazer teatral em tempos de google, crise financeira, carteirinha de estudante, ônibus caro e cachê barato.

Dramaturgia e Videogame

Nossa estratégia dramatúrgica é a plagicombinação, que significa, para nós, reorganizar e ressignificar discursos, apropriando antropofágicamente de conceitos e idéias para transformá-las à nossa maneira (pesquisa multireferencial/livre associação).

O recurso utilizado para impulsionar as improvisações foi o videogame, através do jogo “Guitar Hero” - que consiste em tocar clássicos do rock apertando botões. O laboratório com o jogo forneceu material para experimentações sonoras, criação de partituras físicas e para elaboração de discursos e teorias/pastiches sobre os recortes dos temas.

Ficha Técnica

Concepção, dramaturgia e direção: Primeira Campainha
Atrizes: Mariana Blanco, Marina Arthuzzi e Marina Viana
Cenário: Daniel Herthel, Mariana Blanco, Marina Viana e Marina Arthuzzi
Figurino: Mariana Blanco, Marina Arthuzzi e Paolo Mandatti
Iluminação: Marina Arthuzzi
Playback: Ernani Maletta
Locução: Raul Neto
Programação Visual: Ana Alyce Ly, João Santos e Tomás Arthuzzi
Fotos: Tomás Arthuzzi
Videos: Joacélio Batista e Luiz Felipe D’Avilla
Consultoria Musical: Alex Queiroz, Humberto Augusto e Kiko Ferreira
Consultoria Tecnológica e Circuit Bending: Daniel Herthel
Assessoria coreográfica e suporte operacional: Guilherme Morais
Assessoria de Comunicação: Ana Alyce Ly e João Santos



 PRIMEIRA CAMPAINHA APRESENTA
“Elisabeth está atrasada...”
Direção: Marina Arthuzzi
Dia 30 de março - Duas apresentações - 16h e 23h
Dias 02 e 03 de abril - 23h


Mini-Guaíra (Aud. Glauco Flores Sá de Britto)
Rua Aminthas de Barros, s/nº
Ingressos: R$10 (inteira) - R$5 (meia)

Parte da programação do
FRINGE/ Festival de Curitiba

“Sobre Dinossauros, Galinhas e Dragões” 
(TRILOGIA COMPLETA)

Direção: Primeira Campainha

05 de abril, às 12h e às 23h
06 de abril, às 16h


MINI-GUAÍRA (Auditório Glauco Flores Sá de Britto)
Rua Aminthas de Barros, s/nº
Ingressos: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia)

INFORMAÇÕES

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