quinta-feira, 30 de junho de 2011

Mijando depois de ler Leminski

Tomado por uma febre, talvez um calor provocativo, fui conferir letra a letra o tal controverso "Catatau". Muitos falaram ser o livro ilegível. Não é, apresso-me a dizer. Dá para ler, sim. Afinal está escrito em português e em outras línguas, também. O latim, por exemplo. Este, claro, não consigo entender, mas há algumas frases que parecem soar conhecidas. Há outras frases em batavo antigo (o holandês de antigamente). Há frases em francês. Outras em "leminskês". Aí a gente tem que aceitar o jogo e seguir em frente. Se é para entrar no jogo, com o livro aberto, tem que ter a mente aberta para pelejar com Leminski e o desafio que ele nos impõe. É a regra não ter regra. E seguir em frente é ganhar, mesmo sentindo-se perdido entre aquela florafauna de seres que se materializam como vocábulos, as tais palavras. Junção de letras, com ou sem sentido.

Um dia destes vi, num vídeo, um programa da OTV onde o jornalista Fernando Parracho falava sobre Leminski e sua obra com Sandra Novaes, professora da UFPR, com Paulo Teixeira, músico dos grupos A Chave e Blindagem e com o livreiro Aramis Chain. A professora Sandra, que escreveu uma tese de doutorado sobre a obra de Leminski , ao começar a falar teve um branco e perdeu-se na resposta. Ela riu, ficou sem jeito. Coisas, claro, que só Leminski mesmo poderia provocar em tão douta professora. O músico, um velho roqueiro das antigas, um rólingstones curitibano, contou alguns lances do Leminski quando este fez letras para músicas para os roqueiros de sua época e para outros cantores também. Amigo do Leminski, Chain disse que conheceu o poeta num dia de grande tristeza: Miguel, filho de Leminski com Alice Ruiz estava muito doente, de câncer, aos 10 anos, no Hospital das Clínicas da UFPR. Sobre a obra "Catatau", Sandra Novaes sintetizou dizendo que era um livro de "ditados, de provérbios" onde Leminski promoveu uma releitura deles e contou qual teria sido a visão de Descartes ao visitar o país que todos conhecemos.


Sandra Novaes também disse que Leminski é um autor "ignorado pela academia" e que conhece, em 30 anos na UFPR, poucos professores que estudam ou promovem leituras de textos do autor de "Catatau". Para ela a obra de Leminski precisa ser muito mais conhecida, lida, do que falada. Fala-se mais de Leminski, do personagem que ele foi, do que das obras que efetivamente foram produzidas e publicadas, boa parte somente viraram livros depois de sua morte, prematuramente, em 7 de junho de 1989.

E mesmo sendo um livro de "frases, de ditados e provérbios", temeria dizer que  "Catatau" é um livro onde Leminski brincou com a linguagem, juntando "frases", modificando-as, criando outras em cima, invertendo, traindo versões originais, traduzindo para seu jeito frases feitas, outras não feitas como poderia ser, mas, ao final (ah, ainda estou na página 63) e até onde estou ele não narra uma fábula, mas sim, explode em mil ideias, ou reflexões, ou rumina o que poderia ter ruminado, filosoficamente, o Descartes. Tudo até onde li é desconexo, até sem nexo. Mas a sequência de frases nos faz seguir adiante - estou indo. Há, claro, quem não conseguiu ler mais que 41 linhas de uma página, todas escritas num fluxo só, sem os tradicionais parágrafos. Há muitos trocadilhos. Lemas que viram temas. Leminski adora brincar com o som das palavras e se diverte com assonâncias e aliterações. Brinca e goza com o som das palavras e se afunda na descoberta, na citação ou na invenção de termos. Daí ser muito rica sua prosa que é pura poesia, demência lúcida, e uma tresloucada aventura hipotética onde a hipotenusa nada tem a ver com o cateto, a não ser com a anta, a preguiça (o bicho), o tatu e o tamanduá, todos eles presentes no que vai desbravando da floresta tropical invadida pelos batavos em sua aventura tropicalíssima em terras pernambucanas.

Recortei algumas frases - claro, frases soltas, sem o nexo que o polaco quis dar a elas - e fui assinalando as que julguei ter algum interesse para reflexões posteriores, claro. Vai uma:

"Eu me chamo Procurado, muitos me têm procurado, poucos me têm achado. Eu estarei à sua direita, fazendo sinal. Sou o facho que atrai todos os olhares na escuridão das frases. Eu crio seres".

Não vou inferir nada sobre o que estou colando aqui. Depois, talvez eu faça um resumo do que colei (no caso, colar, de copiar, de citar). Deverá servir para alguma coisa. Ou não.

Vai outra, mas vou pegar um pouco mais, na viagem que Leminski faz:

"Letras me nutriram desde a infância, mamei nos compêndios e me abeberei das noções das nações. Consultei índices e consultei episódios. Desatei o nó das atas, manuseei manuais e vasculhei tomos. Olho no turno e diurno, palmilhei as letras em estradas: tropecei nas vírgulas, caí no abismo das reticências, jazi nos cárceres dos parênteses, rolei a mó das maiúsculas, emagreci o nó górdio das interrogações, o florete das exclamações me transpassou, enchi de calos a mão fidalga torcendo páginas. Em decifrar enigmas, fui Édipo; em rolar cogitações, Sísito (*), em multiplicar folhas pelo ar, outono. Frequentei guerras e arraiais; assíduo no adro das basílicas, cruzei mares, pisei o pau dos navios, o mármore dos paços e a cabeça das cobras. Estou com Parmênides, fluo com Heráclito, transcendo com Platão, gozo com Epicuro, privo-me estoicamente, duvido com Pirro e creio em Tertuliano, porque é mais absurdo. Lanterna à mão, bati à porta dos volumes mendigando-lhes o senso. E na noite escura das bibliotecas iluminava-me o céu a luz dos asteriscos." (...)
(página 30 da edição da Iluminuras de 2010)

Lá na página 51, perto do meio dessa, ele escreve:

"Eis o que é isso: cada eu tem jeito particular de se arranjar para não dizer nada."

Na página 60, vem Leminski com:

"Eu cometo hipóteses. Trabalho com hipóteses. Fabrico hipóteses. Façamos uma hipótese, por exemplo, este livro. Eu não estou ouvindo música, é outra coisa que está acontecendo. Signos evidentes por si mesmos, por incrível que cresça e apareça, multiplicai-vos! Creio em um sinal. Ei-lo. Não me lembro bem. Distraio-me. Perco os sentidos, ganhos os dados. Deus não já passou. Perdeu-se no fim. Aqui. Voltei. Disse que voltava pronto. Cá estou. O resto, salário do silêncio, o mistério, - um segredo óbvio. Eu, contemporâneo do meu fantasma, olho-me no espelho e vejo nada. Submeto-me a isso. A percepção. Não voltarei aqui. Me percebo. Triunfam. Tudo é claro, estou compreendendo.. Atenção. Quero a liberdade de minha linguagem. Vire-se. Independência ou silêncio. As Núpcias da Essência e da existência. Vir a ser é assim. Oração para chamar o minotauro, silogismo para pegar no sono. Que tal a fala, que tal você falando? Dizendo o que não sei, ouvindo o que estou cansado de saber? Quer ser eu? Para quê? O que é que vai fazer comigo? Ficar assim? Comunico. Vou embora. Tudo vai embora comigo. Tudo vai ficar sozinho. Mudar de rumo no meio. Alteração permitida. De novo, o espelho. A lei da atração dos espelhos me fixa aqui. Regra dos sólidos". (...)

E para finalizar, até onde estou, colo o que aparece quase no quarto final da página 61:

"Incenso nas ideias! Virtude é questão de fraqueza, forma é questão de fraqueza, a forma é a arte dos fracos."

Estou podendo perceber que entre frases, algumas soltas, aparentemente sem sentido, nexo ou consistência, Leminski provoca ao inserir na aparente balbúrdia, no palavrório aparentado da insanidade, algo com muita lucidez. Precisão. Cartesiano, como dizem alguns. Faz um corte. Cirúrgico. A homeopatia da brincadeira e gozação ele faz entre as frases, antes ou depois das vírgulas. E em tudo ele relata, cita, mostra, evidencia uma eterna preocupação: a linguagem, é a que vale. É a que ele preza e dá valor. E, na frase final, acima que citei, ele sentencia algo forte contra a forma: "a forma é a arte dos fracos". Assim, inventa um "Catatau" que ganha o apelido ou o reforço de uma explicação prévia de que se trata de um "romance-ideia". Não é romance e não é ideia, claro. E é romance e é ideia, sendo o que mesmo? Linguagem. Linguagem.

E é no campo da linguagem que, felizmente, creio eu, quis brincar e provocar com meu texto "O dia em que morreu Leminski". Sim, o dia em que morreu aquele "polaco loco paca" que deixou de ser poeta (e outras tantas coisas) para virar poesia. E dar nó (ele adorava a figura do Nó Górdio) em nossas cabeças. Na minha fez tóin... e na de vocês?

Na benevolente repugância de Leminski, ele diz e eu reforço, a seguir:

"Me nego a ministrar clareiras para a inteligência deste catatau que, por oito anos, agora, passou muito bem sem mapas. Virem-se"

O que escrevi, está escrito. Agora é com vocês. Afinal, como Leminski nos ensina, "mapa não é território" (ele escreveu isto de outro jeito) e cada um segue seu destino pelo caminho que desejar. Afinal, todos nós queremos chegar no mesmo lugar. E só a linguagem nos permitirá atingir este objetivo tão impreciso quanto necessário. A minha linguagem se completou. E vai ser mais evidente com a linguagem de cada um de vocês: o diretor Léo, os atores Felipe e Val, a atriz Nai, o cenógrafo Varlei, o iluminador Raul, o músico Gabriel. E o bando de loucos que tiver coragem de por dinheiro nesta aventura de fazer reviver, não o Leminski, mas uma ínfima parte de seu delicioso espírito.

Enquanto fazia o que vai aparecer óbvio demais nesta manhã, ocorreu-me esta frase.

Estou inchado de ideias, fedendo a novidades. O que eu faço? Mijo!


(*) Seria Sísifo? Ou foi outra brincadeira de Leminski, ou erro na digitação que também passou pelo erro da revisão. Mas como saber?

terça-feira, 28 de junho de 2011

Edifício Amor, uma comédia quase romântica

Edifício Amor, uma comédia escrita e dirigida por Pagu Leal

Danilo Avelleda apresenta “Edifício Amor”, uma comédia “quase romântica” e escrita e dirigida por Pagu Leal. Esta peça foi montada pela primeira vez em 2004 e agora conta com o incentivo do Edital de Mecenato Subsidiado de 2010. O texto tem como pano de fundo uma pesquisa realizada pela autora, Pagu Leal, sobre o amor e sua construção no Ocidente: como ele foi contado, analisado e inventado pela tradição amorosa. Um inventario que vem desde o “Banquete” de Platão, que passa pelas elegias romanas, pelas novelas de cavalaria, pelo romantismo alemão e chega aos dias de hoje, com o amor que é cantado pela nossa MPB. O amor que se construiu como um sentimento de incompletude. Este amor que vem, ao longo da história, acompanhado de dor. O amor paradoxal que nos faz feliz, e também, nos faz sofrer. Como nos explica Diotima no Banquete de Platão “O amor é filho da miséria e da fartura, está sempre com fome, mas sempre arruma o que comer.”
Essa nova montagem conta com a participação de Danilo Avelleda, que interpreta o grande arquiteto Longevo e marca o retorno de Silvia Monteiro como atriz, depois de 6 anos atuando como dramaturga e diretora. O elenco ainda conta com a interpretação de Luiz Carlos Pazello, Mevelyn Gonçalves e Juscelino Zílio.

A história da peça Edifício Amor” começa na noite da mudança de Cândida para o Amor. Nefelibata, um velho compositor aposentado, apossou-se do terraço e de lá observa atentamente os outros moradores por suas janelas íntimas, bebe whisky e fala de sua antiga paixão, Amália. Esta, uma escritora que há mais de vinte anos, pôs fim a sua vida em um dos apartamentos deste prédio. Eventualmente, o gênio da mecatrônica Gentil vai visitá-lo neste terraço e com ele, tabula conversas sobre sua platônica paixão por Solicitude, a enfermeira e esposa de Longevo, o idealizador do Amor. Nesta noite Solicitude sobe ao terraço a procura de Gentil. Está muito assustada, pois viu luz no apartamento da suicida Amália.  Solicitude ama Gentil, mas não pode abandonar seu marido Longevo, ancião doente que não fala há mais de dez anos. Enquanto isso, Pitosga, a sindica cega do prédio, procura seu cão Petit que foge do apartamento sempre que pode, com a intenção de fazer Pitosga passear.  Petit, em suas fugas, sempre acaba na lixeira do prédio, onde mora uma gata cruel, que desenvolveu com ele, ao longo de muitos anos, uma relação de amor e ódio.  A luz misteriosa no apartamento de Amália é a vela de Cândida, a nova e misteriosa moradora do Amor.  Mal sabem eles que depois desta noite, este Edifício e seus moradores, jamais serão os mesmos.


Ficha Técnica
Dramaturgia e Direção: Pagu Leal
Direção de Produção: Mevelyn Gonçalves e Juscelino Zílio
Elenco: Danilo Avelleda, Silvia Monteiro. Luiz Carlos Pazello, Mevelyn Gonçalves e Juscelino Zílio
Cenário: Cleverson Oliveira
Figurinos: Ricardo Garanhani
Iluminação: Nadja Naira
Maquiagem e caracterização: Marcelino de Miranda
Sonoplastia e trilha sonora: Cleber Hidalgo e JR Pereira

Serviço
Local: Teatro Barracão EnCena – Rua Treze de Maio, 160 – Centro (próximo ao Teatro Guaíra)
Temporada: de 01 a 31 de julho / quarta a sábado, às 21 horas e domingos, às 19 horas
Ingressos: R$ 20,00 inteira / R$ 10,00 meia entrada / R$ 5,00 preço especial para estudantes da rede pública de ensino.
Gênero: Comédia
Classificação: 14 anos
Duração: 70 minutos

Danilo Avelleda, Juscelino Zilio, Mevelyn Gonçalves, Sílvia Monteiro e
 Luiz Carlos Pazello do elenco de "Edifício Amor", de Pagu Leal

Sinopse

“Edifício Amor” é uma comédia que conta a história de um pequeno e antigo edifício chamado Amor. O Amor fica situado no coração de uma grande cidade. Foi planejado pelo grande arquiteto Longevo e teve seus áureos dias, quando tudo em volta, pessoas e cidade eram outros. Hoje, a localização é perigosa. Pressionado por prédios e arranha céus mais altos e modernos, o Amor resiste. Neste prédio habitam nove moradores que amam de maneiras específicas objetos distintos: o amor a alguém que não está, aos animais, às máquinas, a alguém impossível. Os moradores do Amor são: Nefelibata, Pitosga, Gentil, Solicitude, Longevo, Petit, Gata e Amália. Trazem em seus nomes suas qualidades e, também, o contrário destas qualidades.  Aquilo que é virtude vira defeito e vice e versa. A história se passa na noite em que Cândida muda-se para o Edifício Amor e essa nova moradora, vai mudar a vida de todos para sempre.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

O direito de me sentir campeão

Em 9 de março de 2011, em frente ao estádio "Urbano Caldeira"
vestindo, pela primeira vez, uma camisa do Santos comprada de um camelô.
Ontem a noite uma alegria imensa me fez lembrar sentimentos vividos na minha infância, adolescência, quando, pelas ondas do rádio, ouvia no interior do Paraná, na cidade de Paranavaí, as vitórias e conquistas da equipe do Santos Futebol Clube e o surgimento de um ídolo imortal, um certo Edson Arantes do Nascimento, aquele que sempre foi Pelé. Ontem, vestido com a camisa do Santos, vi-me no direito de me sentir campeão. 
Ontem, com a vitória de 2 a 1 sobre o Peñarol, do Uruguai, no Pacaembu, o Santos conquistou seu terceiro título da Copa Libertadores da América. Novos ídolos estavam em campo e, distante, diante da tela de um televisor, eu vivia emoções bem maduras e tão gostosas quanto as vividas ao longo dos meus mais de 50 anos como efetivo torcedor do Santos Futebol Clube.
Minha história com o Santos
Nasci em Santos, só nasci. No ano de 1948, no dia 17 de outubro. Estive lá em Santos, na praia do Embaré, na infância e adolescência, poucas vezes, em visitas a meus avós, tias, tios e muitas primas e primos. Quando eu ia a Santos, nos idos dos anos 50 e 60, nunca consegui assistir a um jogo de futebol do Santos na famosa Vila Belmiro. Sempre era época de férias e não havia jogos de futebol. 
Só fui ver o Santos, o grande time de Pelé, quando já era adulto - no começo dos anos 70 - quando fui morar em Piracicaba. E a primeira vez que vi o Santos - em 25 de julho de 1970 - foi numa memorável partida no Pacaembu, quando a equipe santista derrotou, de virada, a equipe da Portuguesa, com um gol de Pelé, o gol de número 1034 e que está entre os mais bonitos feitos pelo nosso imortal "Rei do Futebol". Vi, já adulto, como jornalista, o Santos jogar outras vezes. E sempre foi contra a Portuguesa e sempre em São Paulo. Em Piracicaba, vi vários jogos do Santos, mas era contra o time do XV de Piracicaba, o que, este ano, conseguiu ser campeão da Série B do Campeonato Paulista e, em 2012, voltará para a chamada elite do futebol de São Paulo.
Trabalhando como jornalista e dentro do estádio do Morumbi, em 26 de agosto de 1973 (domingo), assisti ao famoso jogo da decisão do Campeonato Paulista, contra quem? Contra o Portuguesa, lógico! Foi aquele jogo que terminou empatado e que levou a decisão para os pênaltis. O Santos vencia nos pênaltis e, ao marcar o seu último gol, o árbitro Armando Marques, não contou direito os pênaltis batidos e encerrou a cobrança. Faltava mais um pênalti para a Portuguesa, mas o Santos, pela decisão do árbitro, comemorou a conquista do título. Eu estava lá, como jornalista e, óbvio, como torcedor correndo com minha máquina fotográfica para pegar os melhores ângulos da comemoração santista. Saí do estádio e, já a caminho de Piracicaba, ouvi no rádio do carro que a Federação Paulista de Futebol havia decidido declarar campeões o Santos e a Portuguesa pelo erro do árbitro Armando Rosa da Castanheira Marques. Coisas do futebol
Pela primeira vez na Vila Belmiro vendo o Santos
Atrás do gol, na Vila Belmiro, vendo dois golaços do Neymar contra a Lusa
Este ano, dia 9 de março, às 21 horas, na "quarta feira de Cinzas", estava em Santos, visitando amigos e fui, pela primeira vez, ao estádio "Urbano Caldeira",o famoso estádio da Vila Belmiro, para assistir um jogo do Santos. E, a coincidência se repetiu: de novo eu vi o Santos enfrentar, pelo campeonato paulista, o time da Portuguesa de Desportes. Claro, foi vitória do Santos por 3 a 0 e um show do Neymar com dois golaços e outro do lateral Léo. E, pela primeira vez, eu entrava, também, num estádio, para ver meu time jogar em Santos - minha cidade natal - e vestindo a camisa santista.
História do Hino:
Em toda a sua história, O Santos Futebol Clube contou com duas músicas que simbolizam o clube: a marchinha Leão do Mar (Agora quem dá a bola…) e o Hino Oficial do Clube (Sou alvinegro da Vila Belmiro,…).
A marchinha Leão do Mar foi composta por Mangeri Neto e Mangeri Sobrinho e foi cantada a primeira vez após a vitória do Campeonato Paulista de 1955, quando foi quebrado o jejum de 20 anos sem títulos do Santos FC. 
O hino do clube é de autoria de Carlos Henrique Paganeto Roma (ex-conselheiro do clube e filho do ex-presidente Modesto Roma) e foi escrito em 1957. Porém, o Conselho Deliberativo do clube só homologou o hino oficial em 11 de julho de 1996, através de propositura do conselheiro Júlio Teixeira Nunes.

Hino Popular:

Agora quem dá bola é o Santos
O Santos é o novo campeão
Glorioso alvinegro praiano
Campeão absoluto desse ano
Santos, Santos sempre Santos
Dentro ou fora do alçapão
Jogue o que jogar
És o leão do mar
Salve o nosso campeão

Hino Oficial:

Sou alvinegro da Vila Belmiro
O Santos vive no meu coração
É o motivo de todo o meu riso
De minhas lágrimas e emoção
Sua bandeira no mastro é a história
De um passado e um presente só de glórias
Nascer, viver e no Santos morrer
É um orgulho que nem todos podem ter
No Santos pratica-se o esporte
Com dignidade e com fervor
Seja qual for a sua sorte
De vencido ou vencedor
Com técnica e disciplina
Dando o sangue com amor
Pela bandeira que ensina
Lutar com fé e com ardor

O Clube:

Santos Futebol Clube
Santos – SP – Brasil
http://www.santosfc.com.br/

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Descartes com lentes, sábado no Teatro José Maria Santos

 
No texto Descartes com Lentes, Paulo Leminski imagina uma hipotética vinda do filósofo francês René Descartes ao Brasil, a convite do conde Maurício de Nassau.

Junto com sua comitiva, repleta de cientistas, naturalistas, desenhistas e pintores, Descartes tenta desvendar e descrever as excentricidades e belezas do país tropical, ou seja, procura filosofar sobre o Brasil e o modo de vida do seu povo.

Escrito em meados da década de 60, o texto é considerado o embrião gerador de Catatau, a obra mítica do poeta curitibano.

O exercício cênico é interpretado pela atriz Nadja Naira e com a direção de Marcio Abreu. 
 
Este exercício cênico faz parte dos estudos realizados acerca da obra do poeta curitibano Paulo Leminski, e que fazem parte do projeto VIDA.
  
DESCARTES COM LENTES – percurso
 
Outubro 2010 – FIAC Festival Internacional de Artes Cênicas – Salvador-BA

Outubro 2010 – ACTO2 Intercâmbio realizado pelo Grupo Espanca! + companhia brasileira de teatro e Grupo XIX – Belo Horizonte-BH 

Setembro 2010 – 2o Movimento de Teatro de Grupo, Curitiba-PR

Abril de 2010 – Festival de Teatro Alternativo, Bogotá

Março de 2010 – Mostra de Dramaturgia do Sesi dentro do Festival e Curitiba

Fevereiro de 2010 – Université Sorbonne Nouvelle, Paris

Dezembro de 2009 – Projeto Corrente Cultural – a convite do Espaço Cênico – Curitiba/Pr.

Novembro de 2009 – Abertura da SP Escola de Teatro - SP

Agosto de 2009 – Sede companhia brasileira de teatro – em comemoração aos 65 anos do cachorro louco – Curitiba/PR

www.companhiabrasileira.art.br


domingo, 12 de junho de 2011

Um continente que serve como metáfora

Cartaz da peça "África... um continente" em cartaz em Buenos Aires
O jornal "Página 12", de Buenos Aires, publicou hoje - edição de domingo, 12 de junho - uma entrevista com a autora Patricia Zangaro sobre sua peça "África... um continente" que está em cartaz no Teatro del Pueblo, na capital argentina.

Antes da peça estrear no mês passado, Patricia Zangaro enviou-me vários de seus textos de teatro e um deles era "África... un continente" que traduzi e que posso enviar aos interessados através do meu e-mail rogeriobviana@yahoo.com.br. Vai ser enviado no formato PDF. Traduzi seis peças de Patricia e estou traduzindo outros dois textos curtos que ela me enviou. Todos estão disponíveis aos interessados.

A entrevista foi feita por Cecilia Hopkins. E pode ser lida aqui na versão original em espanhol.

A entrevista de Patricia Zangaro, aqui, na tradução que fiz:


Um continente que serve como metáfora

Entrevista com Patricia Zangaro
“O teatro não pode transformar a realidade, mas sim nosso olhar”, disse a dramaturga, que nesta peça joga com a idéia de que “em África está a origem da raça humana, mas é a população mais segregada do mundo, mais excluída e rechaçada”.


Por Cecília Hopkins

(jornal Página 12 – Buenos Aires)

Patrícia Zangaro estreou seus primeiros textos no final dos 80. Claro que, anos depois, seria autora de “Auto de Fé... entre bambalinas” e continuava a escrever quando estudava para ser atriz numa época muito difícil em geral, mas complexa em particular, para as expressões artísticas: “Estudava atuação durante a ditadura, um momento muito difícil para manifestar-se em qualquer contexto”, conta a autora a Página 12. E continua: “Comecei a escrever em forma autobiográfica: creio que enquanto o Estado terrorista aniquilava ao país, cada um em segredo reconstruía sua própria história”. Precisamente, aquele texto que começava a escrever e no qual falava de seu pai e do riacho Maldonado, com os anos se foi transformando em “Pascua Rea”, uma das primeiras obras que se fez conhecer Zangaro. A qual, por sua vez, lhe permitiu encontrar um lugar de reconhecimento nas fileiras da nova dramaturgia. Uma vez que soube que a atuação não era a sua (entre outras obras, participou de montagens do Teatro Aberto) integrou o primeiro curso de dramaturgia coordenado por Maurício Kartun, junto a Marta Degracia, Luis Sáez e Susana Poujol. “Gosto de estar no processo de ensaio, mas sempre por trás”, justifica sua decisão a autora. Da mesma maneira participou da montagem de sua obra “África... um continente}”, que sob a direção de Alejandro Ullúa acaba de ser levada à cena no Teatro del Pueblo (avenida Roque Sáenz Peña 943, domingos às 20h00) com atuação de Alejo Ortiz, Stella Matute, Verónica Hassan e Matias De Padova.

Escrita em 2008, “África... um continente” foi concebida, segundo conta Zangaro, “na solidão, sem nenhum estímulo de fora. Às vezes minhas obras surgem de uma imagem inicial ou da necessidade de experimentar com algum procedimento técnico. É depois da estreia quando posso ter uma leitura mais intelectual do material que escrevi”, analisa. A peça se desenvolve no terraço de um prédio de apartamentos. E neste espaço se encontram, sem intenção, um pintor que acaba de cometer um ato de desespero, um jovem que tenta concretizar uma ação violenta e uma mulher desencantada com a relação que mantém com sua filha, personagem que também aparece junto a sua problemática amorosa.

Chama a atenção o espaço escolhido para o encontro dos personagens...

PZ - Está certo, um terraço é um espaço paradoxal, porque é aberto e restrito. O terraço conecta os personagens com o exterior mas eles não podem deixar de estar ali. É um espaço comum com outros, mas estes outros são desconhecidos. Ao escrever a obra tinha a imagem de um terraço visto de cima, com pessoas que pareciam animais de laboratório.

Qual foi o procedimento que investigou durante a escritura de “África...”?

PZ - Queria experimentar com a linguagem como um instrumento que não permite a comunicação. No texto há variações de uma mesma frase assim como também há uma grande austeridade na linguagem. Com os anos, vai-se escrevendo cada vez em uma forma mais despojada. Isto se vê claramente em Griselda Gambaro.

Foi sua referência?

PZ - Foi e continua sendo. É um farol ético e literário para mim. Ela significa risco, experimentação e busca constante. Ter coerência e não conceder nada nem ao êxito nem às modas e não ter mais compromisso com a própria identidade como escritora.

Sempre os personagens dizem não querer envolver-se com histórias alheias.

PZ - Um dos eixos da obra é a tolerância e a dificuldade de ver o outro. A dificuldade de pôr-se no lugar do outro e a compaixão, são questões que tem que ver com a sociedade contemporânea, em geral. Hoje os países centrais têm o poder econômico e armamentista e fazem de seu país um “bunker”. Mas a massa de excluídos é cada vez maior e seu avanço não será contido. Em um país como o nosso, isto de não querer envolver-se com o outro faz lembrar também ao “não se meta”.

Que reflexões sugerem a personagem da mãe?

PZ - Seguimos atravessando por discursos que a realidade superou. Pensemos na psicoanálise, que atribuía a culpa de tudo à família e especialmente à mãe. Hoje existem problemáticas que ultrapassam toda possibilidade de contenção familiar. É impossível não por em dúvida a capacidade de contenção de uma mãe frente aos efeitos da violência urbana, tal como a estamos vivendo.

África... também coloca para se manifestar a enorme brecha que existe entre as gerações.

PZ - A mãe não pode compreender aos jovens. Mas esta impossibilidade de vínculo a afeta profundamente, produz um grande desconforto, perplexidade e desolação. De sua parte, os personagens jovens são muito diferentes entre si. A filha está atravessada pela violência e a necessidade de consumo, mas o amor lhe abree uma perspectiva porque tem um projeto. Mesmo sua escolha (de amar a outra mulher) a faz diferente e isto a problematiza. O rapaz, ao contrário, constrói sua relação de ódio com os negros o motivo da relação que tem com sua mãe.

Ali é quando a palavra “Àfrica” não serve para referir-se a um lugar concreto senão para falar de racismo e intolerância.

PZ - Escolhi falar de África porque ali está a origem da raça humana. E, sem dúvida, é a população mais segregada do mundo, mais excluída e rechaçada. África é a metáfora da assimetria profunda que se vive no mundo. Com seus recursos saqueados, sua população escravizada, África podia desaparecer frente a total indiferença do resto do mundo.

Seu teatro sempre bebe em temas da realidade...

PZ - É o teatro que sai de mim. O teatro não pode transformar a realidade mas sim transformar nosso olhar. Pode fazer visível algo que pode estar oculto pela saturação dos estímulos midiáticos. A mim me parece que a realidade mundial que vivemos é horrorosa e eu não posso me permitir naturalizar esta sensação. Claro que há muitas outras formas de fazer teatro, um feito vivo que não pode ser recolocado por outras tecnologias: o pacto que se estabelece entre ator e o espectador é único.

Como se inscreve sua obra neste panorama?

PZ - A arte é refratária a todo “dever ser”, é um lugar de liberdade. Satisfaz diferentes necessidades. Há um tipo de teatro para divertir que é legítimo, especialmente em tempos sombrios como esses. E outro que fala de outras questões. Eu prefiro o que me alarga minha visão do universo e me dá outros sentidos para a realidade.

Concerto para Rameirinhas, no Novelas Curitibanas

Sexo é o tema central do mais novo trabalho da CiaSenhas de Teatro. Por que não é lícito vender prazer? Por que é tão embaraçoso falar sobre prazer em uma sociedade que o propaga o tempo todo? Por que não sexo sem amor?  


Concerto para Rameirinhas que estreia dia 09 de junho, quinta-feira, às 20h, no Teatro Novelas Curitibanas, em Curitiba, sugere a reflexão de questões polêmicas como estas. Dois contos da escritora curitibana Luci Collin, Cotação do Dia e Fotinha, foram fontes de inspiração para o projeto que tem como proposta olhar para o prazer sexual a partir de um foco feminino. 

O trabalho foi viabilizado com o apoio da Prefeitura Municipal de Curitiba, Fundação Cultural de Curitiba, por meio do Fundo Municipal da Cultura – Programa de Apoio e Incentivo à Cultura.
 
FICHA TÉCNICA:
Direção e Dramaturgia: Sueli Araujo
Contos “Fotinha” e “Cotação do dia”: Luci Collin
Atores: Anne Celli, Greice Barros e Luiz Bertazzo
Composição e Execução Musical: Ary Giordani e Luis Otávio
Direção de Movimento e Preparação Corporal: Cinthia Kunifas
Cenário: Paulo Vinícius
Figurino: Amábilis de Jesus
Iluminação: Wagner Corrêa
Maquiagem: Marcia Moraes
Design Gráfico: Adriana Alegria
Fotos: Elenize Dezgeniski
Direção de Produção: Marcia Moraes
Assistência de Produção: Lígia Oliveira
 
SERVIÇO:
 
CONCERTO PARA RAMEIRINHAS
De 09 de junho a 10 de julho - De quinta a domingo, sempre às 20h - Teatro Novelas Curitibanas, Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1222 – São Francisco
Telefone:             41 3321 3358      
Entrada Franca
Realização: CiaSenhas de Teatro
 
Outras informações:
http://teatrofigurinoecena.blogspot.com/
tel:             (041) 3024-0919      
                  (041) 9665-3643      
Curitiba/PR