quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

"Grupo Galpão: uma história de encontros" será lançado sábado

Eduardo Moreira no ensaio de "As três irmãs"
Eduardo Moreira é o autor do livro

Neste sábado, 4 de dezembro, o projeto Sabadão promoverá, no Galpão Cine Horto, em Belo Horizonte (MG), o lançamento do livro "Grupo Galpão: uma história de encontros", escrito pelo ator, diretor e um dos fundadores do Grupo, Eduardo Moreira. Em suas 295 páginas estão registradas as experiências e os mais expressivos encontros do Grupo, ao longo de quase trinta anos, com atores, autores e diretores, como: Paulo José, Gabriel Villela, Cacá Carvalho, Ulysses Cruz, Eid Ribeiro, Paulinho Polika, Fernando Linares, Carmen Partenostro, Aderbal Freire Filho, Paulo de Moraes, entre tantos outros renomados artistas do Brasil e do exterior.

Segundo o autor, mais do que relatar a trajetória da companhia, seu desejo foi escrever sobre as vivências, as contradições, os dilemas, os sofrimentos, as angústias, as expectativas e as alegrias dessas experiências coletivas, que são “o teatro em sua essência de grupo”.

Os relatos são divididos em três partes: na primeira, estão os primeiros doze encontros do grupo, com análises e descrições de experiências e montagens feitas com diretores convidados; a segunda parte analisa os encontros mais diversos a partir dos elementos da vida do teatro, tais como o público, as viagens, os festivais de teatro, os grupos de teatro, a música, a dramaturgia (incluindo a relação com os textos clássicos), o corpo, o figurino, o cenário, a luz, o som e a produção. Já a terceira parte, contempla encontros ligados ao cinema, como o relato da experiência do documentário “Moscou” dirigido por Eduardo Coutinho e Enrique Diaz e o trabalho com o diretor e preparador de elenco, Sérgio Penna.

Realizada em co-edição pelo CMPT – Centro de Pesquisa e Memória do Teatro do Galpão Cine Horto, através do Selo Edições CPMT, e a Duo Editorial, esta primeira edição será de mil exemplares, que estarão à venda nas livrarias Quixote, no Galpão Cine Horto e na boutique virtual do grupo (www.grupogalpao.com.br), ao valor de R$50,00.

O projeto Sabadão, realizado desde o ano 2000, é o projeto de encontros do Galpão Cine Horto, que convida artistas de destaque na cena teatral brasileira para refletirem sobre o seu fazer e compartilharem sua experiência. As palestras, debates, exibições de vídeos e aulas-espetáculo, todos gratuitos, tem periodicidade mensal e são voltados para estudantes e profissionais de teatro.

*O Grupo Galpão tem patrocínio exclusivo da Petrobrás.

SABADÃO com Eduardo Moreira (Grupo Galpão)
04 dezembro | sábado, 15h
ENTRADA FRANCA

No Galpão Cine Horto
Rua Pitangui, 3613 - Horto
Belo Horizonte - MG
55 31 3481-5580

terça-feira, 30 de novembro de 2010

"Oxigênio" estreia quinta feira, dia 2 de dezembro na CBT

Patrícia Kamis, Gabriel Schwartz e Rodrigo Bolzan
(foto de Elenize Dezgeniski)
    Com a encenação de “Oxigênio”, a companhia brasileira de teatro lança no Brasil a obra de Ivan Viripaev, completamente inédita no país. A peça tem estreia nesta quinta-feira, dia 2 de dezembro e ficará em cartaz até o dia 19 com apresentações de quinta a domingo. O trabalho do dramaturgo, nascido na Sibéria, tem forte identificação com o trabalho da companhia. “A musicalidade da palavra expressa no texto, a forma de se colocar diante do público e a revisão do teatro como forma de contato com a platéia são apenas alguns dos elementos que nos conquistaram”, conta o diretor Márcio Abreu. “O texto trata de assuntos contemporâneos como violência, terrorismo, racionalidade, consumismo. Discute tudo isso investigando sobre o que é essencial na existência”, completa.
     A trama parte de um crime passional. Um homem, acusado pelo assassinato da própria mulher, é condenado, juntamente com sua amante. A partir desta fábula, começa uma discussão, polêmica e poética, sobre dramas de uma geração e o que é o “oxigênio” de cada um de nós.

SOBRE O AUTOR
     Ivan Viripaev é um dramaturgo, diretor e ator de grande destaque na atual paisagem teatral russa.Também diretor de cinema e roteirista, realiza trabalhos provocadores e de grande impacto. Nasceu na Sibéria, em Irkustsk, em 1974. Em 2000 apresenta em Moscou a peça «Sny » (Sonhos) e seu sucesso foi imediato. Em 2001 funda o Centro da Peça Nova e Social, em Moscou. Entre 2001 e 2002, cria « Kislorod » (Oxigênio). Logo na estreia, “Oxigênio” se torna um grande sucesso em Moscou, e em conseqüência realiza turnês internacionais participando de inúmeros festivais, onde recebe vários prêmios.

OXIGÊNIO
De 2 a 19 de dezembro de 2010
4as. e 5as. - 20h00
6as. e Sábados - 20h00 e 00h00 (meia noite)
Domingos - 18h00 e 21h00

Local: sede da cia. brasileira de teatro
Rua José Bonifácio, 135 - sala 1
Largo da Ordem - Curitiba - Paraná

Ingressos: R$ 15,00 e R$ 7,50 (meia)

Ingressos somente com reserva antecipada pelo fone 41 3223 7996

FICHA TÉCNICA

Texto: Ivan Viripaev
Direção: Marcio Abreu
Elenco: Patrícia Kamis e Rodrigo Bolzan
Músicos: Gabriel Schwartz  e Vadeco
Pesquisa Dramatúrgica: Marcio Abreu, Giovana Soar e Nadja Naira
Tradução: Irina Starostina e Giovana Soar
Adaptação: Marcio Abreu, Patricia Kamis e Rodrigo Bolzan
Trilha Sonora Original: Gabriel Schwartz
Iluminação: Nadja Naira
Cenário: Fernando Marés
Figurino: Ranieri Gonzalez
Design Gráfico: Adriana Alegria
Fotografia: Elenize Dezgeniski
Assessoria de Imprensa: F C comunicação
Cenotécnico: Sérgio Richter
Assistente de iluminação: Henrique Linhares
Serviços Gerais: Maria Machado da Silva
Administração: Lica Capovilla
Direção de Produção: Giovana Soar
Produção Executiva: Cássia Damasceno e Lica Capovilla
Criação e Realização: companhia brasileira de teatro

Incentivo: POSITIVO e CAIXA
Através da Lei municipal de Incentivo à Cultural – Curitiba PR

domingo, 21 de novembro de 2010

Leitura de texto de Cláudia Brito encerra a série Saraus "Tardes de Dionísio"

Cláudia Brito terá seu texto lido amanhã na Casa Hoffmann
Amanhã, às 19 horas, encerra-se a série Saraus "Tardes de Dionísio" que é realizada na Casa Hoffmann. A última apresentação terá a leitura do texto "Paraíso 46" da atriz e autora Cláudia Brito, ela que integrou o Núcleo de Dramaturgia SESI Paraná no ano passado. 

Cláudia Brito, integrante do grupo PalavrAção, da UFPR, convidou Paulo Marques para dirigir a leitura de seu texto "Paraíso 46" e a leitura será feita por: 

Gerson Delliano - Dr. Franz, Alfred (pai)
Enrique Gaio - Dr. Franz, Heinrich (primogênito) 
Marcos Trindade - Profº Franz, Wagner (2º filho) 
Paulo Marques  - Dr. Franz, Hubert (primo) 
Letícia da Rosa - Franz, Helga (mãe)
Alaor Carvalho - Dr. Himmler, Joseph

As rubricas serão lidas pela própria autora, Cláudia Brito. 

Cláudia Brito

É atriz e dramaturga da Companhia de Teatro Palavração. Interessou-se pelo teatro ainda na adolescência, trabalhando em espetáculos como "Aquele que diz sim, aquele que diz não", de Bertold Brecht, "Sonho de uma noite de verão", de Shakespeare, "Arlequim, servidor de dois amos" de Carlo Goldoni, "A casa de Bernarda Alba" de Garcia Lorca, entre outros. Como pesquisadora, debruçou-se sobre a obra de Samuel Beckett, trabalho que resultou no texto para teatro "Esperando Dom Sebastião". Em 2009 veio a grande oportunidade: o Núcleo de Dramaturgia do SESI Paraná que possibilitou seus desenvolvimento como dramaturgia, a descoberta de novas linguagens e da dramaturgia contemporânea, além da criação do texto "Paraíso 46" que será lido pela primeira vez em público e que foi publicado no volume 9 da coleção "Novos autores" do Núcleo de Dramaturgia SESI Paraná.


Quem é Paulo Marques

Ator profissional, diretor, produtor, arte-educador, cantor, especialista em Interdisciplinaridade em Artes e Ensino das Artes e Licenciado em Teatro ambos pela Faculdade de Artes do Paraná-FAP. Há cinco anos integrante da Cia de teatro Palavração da UFPR, desempenha as funções de diretor, produtor e ator. Há um ano como integrante da Cia Portátil de Teatro, além de atuar no espetáculo “Prêtà Porque”, também desempenha assistência de produção no grupo. Dentre seus últimos espetáculos estão “O Esquema” uma produção da A Armadilha Cia de Teatro. A peça “Tanguapo”, da obra do escritor Jorge Luis Borges (ainda em cartaz), e a leitura dramática “Judith e Lucrecia”, de Marcelo de La Parra, ambas dirigidas por Hugo Mengareli, produzidas pela Cia Palavração da UFPR. A Leitura Dramática “Marat-Sade”, dirigida por Andrei Moscheto e a peça “Um mundo debaixo do meu chapéu – projeto Chaplin para crianças” dirigida por David Mafra e produzida pela Cia do Abração; Em 2008, pela primeira vez na função de diretor, com a produção da Cia Palavração da UFPR, estreou em Curitiba-PR o espetáculo “Porque o Ogro Vermelho Chorou”, premiado nos Festivais FETEPI de 24 a 31/out/2008 em Pinhais-PR nas categorias de Melhor Espetáculo e Mega Espetáculo; e FETECO de 20 a31/mai/2009 em Colombo-PR, nas categorias de melhores sonoplastia, maquiagem, iluminação, atriz e Melhor Espetáculo. Atuou ainda em 05 filmes, destes 04 curta-metragens e o Longa-metregam “400 Contra 1” em 2009. 05 Videos intitucionais para diversas empresas, 01 Clip musical, além de experiências em publicidade e contratos de 2007 a 2010 como apresentador de programa de TV coorporativa. Destaque para a estréia do programa “Quer Saber?”, diariamente no Canal Futura a partir de Novembro de 2010 à todo o Brasil.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Coleção "Aplauso" lança novos títulos

Lançamento conjunto das obras será nesta quinta-feira (28 de outubro), a partir das 19 horas, no Shopping Frei Caneca, e contará com a presença de artistas biografados e autores. Entre as novas publicações estão “O Teatro de Marici Salomão”, com textos de Marici que é a coordenadora de dramaturgia da SP Escola de Teatro, em São Paulo e que também coordena o Núcleo de Dramaturgia SESI São Paulo.
Uma grande festa da cultura vai agitar o Shopping Frei Caneca nesta quinta-feira, dia 28 de outubro, como parte da programação da 34ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Atores, atrizes, cineastas, dramaturgos e diretores de tevê estão entre os biografados dos novos títulos da Coleção Aplauso, pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. Também integram a seleção roteiros de filmes e peças de teatro e livros sobre dança e televisão. O evento acontecerá a partir das 19 horas, no 4º andar do shopping, em São Paulo – Rua Frei Caneca, 569.


Marici Salomão

Jornalista e dramaturga, é coordenadora de dramaturgia da SP Escola de Teatro, em São Paulo. Aperfeiçoou sua formação em Dramaturgia com Luís Alberto de Abreu (Núcleo dos Dez) e com Antunes Filho, como coordenadora do Círculo de Dramaturgia do CPT (Centro de Pesquisa Teatral – Sesc/SP). Como jornalista, colaborou nas áreas de teatro e literatura do Caderno 2 (O Estado de S. Paulo) e da revista Bravo!. Atualmente, é jurada do prêmio Shell de Teatro e coordenadora do Núcleo de Dramaturgia Sesi-British Council. Teve encenadas as peças "Atos de Violência", "Impostura" (projeto "E se fez a Praça Roosevelt em 7 Dias"), "Bilhete", "O Pelicano", "Maria Quitéria" e "Retiro dos Sonhos" (premiada no Concurso Nacional de Textos Inéditos do Sesi – 1995).
  
Ítalo Rossi, Tonico Pereira, Laura Cardoso, Jece Valadão, Paulo Hesse, Antônio Petrin e Miguel Magno figuram entre os novos biografados da coleção.Também têm sua vida contada em livro os cineastas Ozualdo Candeias, Jeremias Pereira e Ana Carolina. Há, ainda, textos de peças do dramaturgo Rodolfo Garcia Vasquez e críticas de teatro de Jefferson Del Rios; os roteiros dos filmes “Jogo Subterrâneo” e “Feliz Ano Velho” e a história da TV Excelsior.

“A seleção deste ano está bastante interessante. Além da história de artistas consagrados, como Ítalo Rossi – por incrível que pareça, ele nunca teve sua biografia publicada em livro anteriormente –, Tonico Pereira e Jece Valadão, também publicamos biografias de cineastas como Jeremias Moreira e Ana Carolina e a de um ícone da dança, Luis Arrieta. Sem contar as críticas de Jefferson Del Rios e Inácio Araújo. E um livro que faz justiça às grandes vedetes do nosso teatro”, afirma Hubert Alquéres, presidente da Imprensa Oficial.

Confira os lançamentos deste ano

Série Especial

• As Grandes Vedetes do Brasil (Neyde Veneziano)
• Dicionário de Astros e Estrelas do Cinema Brasileiro (Antonio Leão da Silva Neto)
• Italo Rossi – isto é tudo (Antônio Gilberto)
• Marcos Flaksman – universos paralelos (Wagner de Assis)

Série Perfil

• Analy Alvarez – de corpo e alma (Nicolau Radamés Creti)
• Antônio Petrin – ser ator (Orlando Margarido)
• Aurora Duarte – faca de ponta (Aurora Duarte)
• Bivar – o explorador de sensações peregrinas (Maria Lucia Dahl)
• Carmem Verônica – o riso com glamour (Cláudio Fragata)
• Dionísio e Flora – uma vida na arte (Dionísio Jacob)
• Ednei Giovenazzi – dono da sua emoção (Tania Carvalho)
• Haydée Bittencourt – o esplendor do teatro (Gabriel Federicci)
• Jece Valadão – também somos irmãos (Apoenan Rodrigues)
• Laura Cardoso – contadora de histórias (Julia Laks)
• Marlene França – do sertão da Bahia ao clã Matarazzo (Maria Do Rosário Caetano)
• Miguel Magno – o pregador de peças (Andréa Bassitt)
• Muitas Vidas – vida e carreira de Norma Blum (Norma Blum)
• Paulo Hesse – a vida fez de mim um livro e eu não sei ler (Eliana Pace)
• Tania Alves – Tania Maria Bonita Alves (Fernando Cardoso)
• Tonico Pereira – um ator improvável, uma autobiografia não autorizada (Eliana Bueno-Ribeiro)

Série Cinema

• Ana Carolina Teixeira Soares – cineasta brasileira (Evaldo Morcazel)
• Candeias – pedras e sonhos do Cineboca (Moura Reis)
• Cinema de Boca em Boca – escritos sobre cinema (Juliano Tosi)
• Jeremias Moreira – o cinema como ofício (Celso Sabadin)
• Radiografia de Um Filme – São Paulo Sociedade Anônima (Ninho Moraes)
• Roberto Gervitz – Brincando de Deus (Evaldo Mocarzel)

Roteiros:

• Antes que o Mundo Acabe (Ana Luiza Azevedo)
• É proibido fumar (Anna Muylaert)
• Feliz Ano Velho (Roberto Gervitz)
• Jogo Subterrâneo (Roberto Gervitz)
• Leila Diniz (Luiz Carlos Lacerda)

Série Teatro

• A Carroça do Sonho e os Saltimbancos – memória da carroça de ouro (Roberto Nogueira)
• Antônio Bivar – as três primeiras peças
• Em busca de um teatro musical carioca (Eduardo Rieche & Gustavo Gasparani)
• Isto é besteirol – o teatro de Vicente Pereira (Luiz Francisco Wasilewski)
• Jefferson Del Rios – críticas teatrais
O Teatro de Marici Salomão (Marici Salomão)
• Pequeno poema infinito (Antonio Gilberto e José Mauro Brant)
• Rodolfo Garcia Vázquez: quatro textos e um roteiro (Rodolfo Garcia Vázquez)

Série TV

• Gloria in Excelsior (Álvaro de Moya);

Série Dança

• Luis Arrieta – poeta do movimento (Roberto Pereira)

Sobre a Coleção

Criada em 2004, a Coleção Aplauso registra a trajetória dos principais nomes da dramaturgia nacional. Escritores com experiência em jornalismo cultural fazem entrevistas, há pesquisas de documentos e imagens e os resultados geralmente ultrapassam os simples registros biográficos, revelando facetas que caracterizam o artista e seu ofício dentro de um contexto histórico. Há ainda o ineditismo da publicação de roteiros originais de filmes que de alguma forma marcam a nossa história.

Aplauso na Internet

Desde os primeiros lançamentos, em 2004, até os mais recentes, cerca de 200 livros da Coleção Aplauso podem ser acessados gratuitamente pela Internet. Com roteiros, peças, histórias de emissoras de tevê e biografias de artistas, cineastas e dramaturgos, os títulos estão disponíveis para download em pdf e txt. Basta acessar o site www.imprensaoficial.com.br/colecaoaplauso.

Mais informações para a imprensa com: Fabio Bahr (fabiobahr@lufernandes.com.br)

Início da peça "Bilhete" de Marici Salomão


BILHETE

Marici Salomão


Montagem patrocinada pelo Centro Cultural Banco do Brasil (2002). Temporadas no teatro do Banco do Brasil (2002) e no Centro Cultural São Paulo (2003). Direção: Celso Frateschi.

                      ESTAÇÃO FERROVIÁRIA DE UMA PEQUENA CIDADE. VÊ-SE APENAS UM BANCO DE MADEIRA E UM POSTE DE LUZ TREMULANTE. ENTRA MULHER, CERCA DE 30 ANOS, BEM VESTIDA, MAS COM APARÊNCIA CANSADA. À CABEÇA, UM CHAPÉU, COM QUE SE DEFENDE DOS INSETOS. PORTA UM CASACO COMPRIDO E UMA MALETA. DEPOIS DE LIMPAR O BANCO, SENTA-SE PARA AGUARDAR O TREM. CHECA A HORA QUE CONSTA NA PASSAGEM E GUARDA-A NO BOLSO DO CASACO. APESAR DA OSCILAÇÃO DA LUZ,  FOLHEIA SEU LIVRO - CARTAS A THÉO - E TENTA CONCENTRAR-SE NA LEITURA. SUA FIGURA CONTRASTA DE FORMA GRITANTE COM A INOSPITALIDADE LOCAL. ERGUE OS OLHOS, SOBRESSALTADA, QUANDO A LUZ DO POSTE AMEAÇA APAGAR.

MULHER      (LENDO, DIDATICAMENTE. DEPOIS REPETINDO.) “Esquecer-se de si, realizar grandes coisas, atingir a generosidade e ultrapassar a vulgaridade na qual se arrasta a existência de quase todos os indivíduos.”
(SURGE UMA MULHER VELHA, VESTIDA COM ROUPAS PUÍDAS E ESCURAS. APROXIMA-SE DE MULHER, QUE EM PRINCÍPIO NÃO PERCEBE SUA PRESENÇA.)
VELHA         Posso me sentar um pouco? (MULHER OBSERVA-A) Aí, onde a senhora está. (SENTANDO-SE) Os outros estão ocupados, de cachorro ou titica de passarinho. Ai, ai, a velhice é como erva daninha, traiçoeira: primeiro um nozinho aqui, depois outro mais acima e vai subindo, subindo... Mas a senhora não sabe do que estou falando; na sua idade o sangue ainda é quente. (PAUSA) Parte hoje, filha?
MULHER      Sim, hoje mesmo.
VELHA         De volta pra casa?
MULHER      Não, ainda não. Infelizmente.
VELHA         Por que infelizmente?
MULHER      Por nada.
VELHA         Não está a passeio?
MULHER      Não senhora.
VELHA         A trabalho?
MULHER      Também não.
VELHA         Então vou adivinhar. Quer adivinhar alguma coisa sobre mim?
MULHER      Não, obrigada. Meu trem vai chegar daqui a pouquinho.
VELHA         E daqui a pouquinho é quando?
MULHER      Já era para estar aqui.
VELHA         Mas nossos trens não cumprem horário, são independentes. Chegam a hora que querem, vão a hora que querem. E dizem que isso é vida moderna.
                      (MULHER BUSCA OLHAR PARA O RELÓGIO DE PULSO) Não faça isso!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Companhia do Feijão promove Oficina de Criação Teatral

A oficina visa oferecer material prático que indique caminhos para a pesquisa e criação teatral e que possam ser úteis para nortear os processos criativos dos grupos de teatro e artistas.

Conteúdos: treino e consciência corporal, utilização do espaço cênico e suas possibilidades de transformação através da presença física e vocal dos atores, relação com o espectador, criação de dramaturgia de processo; a função do diretor como estimulador da criatividade e organizador cênico dos materiais propostos por atores e colaboradores.
  
OFICINA DE CRIAÇÃO TEATRAL

23 a 26 de outubro / 09 às 13h
Local: Companhia Brasileira de Teatro
R. José Bonifácio, 135 – 1º andar sala 1B - Largo da Ordem
Carga horária: 16h
Valor: 80,00
Inscrições pelo e-mail 


Núcleo Produções - Cultura e Desenvolvimento

Fone: 3222-0355

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O hospício de Enéas Lour em "Como Matei o Presidente"

Raquel Rizzo, Luiz Brambilla, Thadeu Perone, Zeca Cenovicz e Daniel Siwek
Brambilla, Peronne, Siwek, Cenovicz, Lour e Raquel Rizzo: loucura geral
Ontem, na Casa Hoffmann, foi realizado o sexto Sarau "Tardes de Dionísio" com a leitura da comédia "Como Matei o Presidente", de Enéas Lour, que também dirigiu a apresentação que teve as participações de Daniel Siwek, Zeca Cenovicz, Thadeu Peronne, Enéas Lour, Luiz Brambilla e Raquel Rizzo. 

Antes da leitura, na abertura do sarau, Andrius Voigth se apresentou com dança "hip hop" com seus movimentos acrobáticos.

O público presente riu do insólito "hospital psiquiátrico" construído por Enéas Lour e seus emblemáticos personagens que, afora seus estados mentais ou insanidades, sempre buscam dominarem, terem mais poder ou serem reconhecidos no que realizam, quer como profissionais desajustados, quer como contadores de histórias ou de perpetuadores de terríveis mentiras. Conflitos de identidades distorcidas não pela realidade, mas por, talvez, apego ao "mito" e suas imprevisíveis consequências. Mas o limite entre a loucura e a sanidade, no texto de Enéas Lour, trafega com ironia e um certo desprezo pelas convenções do que poderia ser ético numa instituição que acolhe pessoas com doenças mentais. Mas qual poderia ser a ética entre os desajustados? Ou qual o ajuste que poderia revelar, de verdade, o que é mesmo mentira ou realidade? Numa futura montagem, o público poderá buscar as respostas que Enéas Lour deixou no ar. Ou, quem sabe, respondeu no seu monólogo final e nos versos parodiados de uma cantiga de roda. "Meu pai me perguntou / meu filho, qual o caminho? Eu disse: Perdão paizinho / Sou só, porque sou sozinho!"

Antes de rir da situação absurda que os personagens daquele "hospício" mostravam, o público podia rir mesmo é das possibilidades reais que o enredo absurdo sugeria.

“Como Matei o Presidente”
Texto e direção de Enéas Lour

Personagens e atores:
Tobias -  Enéas Lour
Yugoslava - Raquel Rizzo
Cícero - Zeca Cenovicz
João - Daniel Siwek
Garrincha - Thadeu Peronne
Cigano - Luiz Brambilla

Sobre o texto, comentários do autor

”Como Matei O Presidente”, é uma peça burlesca onde a linguagem do humor se mescla ao teatro do absurdo. Um homem – João – sem saber o por quê, acorda num sanatório onde pacientes e enfermeiros o tratam por um que não é o seu (João) e o mantém ali por anos. Todos sabem sobre detalhes de sua vida que correspondem à realidade, porém, ele não é quem as demais personagens (internos e enfermeiros) julgam e, muito menos o assassino do presidente como elas afirmam. O relacionamento dele com estas personagens e o conflito de identidade são explorados na trama que realça ainda as tentativas de domínio do poder naquele sanatório. Com um final surpreendente João assume o poder e consegue (ou não) livrar-se da pecha de assassino, quando assume o assassinato do Presidente. (Enéas Lour)
O abraço de quem assistiu, organizou e participou 
Mais sobre o evento, veja aqui.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Texto de Enéas Lour será lido no sarau "Tardes de Dionísio", dia 18

Texto de Enéas Lour será lido no dia 18 de outubro na Casa Hoffmann
O autor, ator e diretor Enéas Lour, que também é cenógrafo, vai mostrar seu mais recente trabalho como dramaturgo no sexto encontro dos Saraus "Tardes de Dionísio", no próximo dia 18 de outubro (segunda feira), às 18 horas, na Casa Hoffmann, com a leitura do seu texto "Como Matei o Presidente" e as participações de grandes nomes do teatro paranaense.


Segundo Enéas Lour, "Como Matei O Presidente", é uma peça burlesca onde a linguagem do humor se mescla ao teatro do absurdo. Um homem – João – sem saber o por quê, acorda num sanatório onde pacientes e enfermeiros o tratam por um que não é o seu (João) e o mantém ali por anos. Todos sabem sobre detalhes de sua vida que correspondem à realidade, porém, ele não é quem as demais personagens (internos e enfermeiros) julgam e, muito menos o assassino do presidente como elas afirmam. O relacionamento dele com estas personagens e o conflito de identidade são explorados na trama que realça ainda as tentativas de domínio do poder naquele sanatório. Com um final surpreendente João assume o poder e consegue (ou não) livrar-se da pecha de assassino, quando assume o assassinato do Presidente. 

Participarão da leitura o próprio Enéas Lour, que responde também pela direção, Zeca Cenovicz, Daniel Siwek, Thadeu Peronne, Luiz Brambilla, Gilda Elisa e Eliane Karas. A leitura terá uma iluminação assinada pelo premiado Beto Bruel. A coreografia com "hip-hop" será de Andrius Voight.