sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
SESI PR lança edital para integrantes do seu Núcleo de Dramaturgia
EDITAL 2012 para seleção de novos alunos do
NÚCLEO DE DRAMATURGIA SESI PR – TEATRO GUAÍRA
O Serviço Social da Indústria – SESI/PR e o Teatro Guaíra, com o apoio do British Council, abrem
inscrições para o processo de seleção de novos dramaturgos e/ou pessoas com interesse em
desenvolver/aprimorar esta competência nas Oficinas de Dramaturgia, como também, abrem
vagas para diretores e atores formados ou em formação para a Oficina de Encenação. Para tanto,
informa aos interessados os procedimentos e as condições necessárias para a referida inscrição.
1. Introdução
Inspirado no Núcleo de Dramaturgia SESI SP – British Council, o Núcleo de Dramaturgia SESI
Paraná, com o apoio do British Council e Teatro Guaíra iniciou em 2009 com o intuito de promover
a descoberta e o desenvolvimento de novos dramaturgos e o aperfeiçoamento e reciclagem de
dramaturgos não iniciantes. Tendo contribuído com a formação de mais de 100 dramaturgos no
município de Curitiba e mais de 200 dramaturgos no Estado do Paraná, o Núcleo de Dramaturgia
começa o seu 4º ano com um novo realizador, o Teatro Guaíra, tornando-se Núcleo de Dramaturgia
SESI Paraná – Teatro Guaíra. Com um ambiente adaptado para a realização dos encontros do
projeto no Teatro Guaíra, a partir deste ano o Núcleo de Dramaturgia também disponibilizará a
Oficina de Encenação, preparando novos diretores e atores para encenar as obras produzidas pelos
dramaturgos que participam ou participaram do núcleo.
2. Objetivos
- Criar um núcleo de desenvolvimento e aperfeiçoamento de dramaturgos e de diretores
/encenadores, que se torne referência na área teatral brasileira;
- Oferecer um processo de excelência de longo prazo focado no aprimoramento de talentos em
dramaturgia e outros textos criativos para artes cênicas;
- Incentivar a criação de dramaturgias que expressem novas visões de mundo, linguagens e
experimentações estéticas;
- Estabelecer um intercâmbio dos autores locais com dramaturgos de destaque no cenário
nacional e internacional.
- Valorizar a criação artística contemporânea, capaz de suscitar no receptor novas percepções,
provocações e questionamentos.
3. Condições para a inscrição:
- Ter idade mínima de 18 anos;
- Preencher todos os campos da ficha de inscrição corretamente;
- Concordar com todos os itens desse edital;
- Ter disponibilidade para frequentar as aulas e oficinas nos horários pré-estabelecidos de
acordo com a modalidade escolhida.4. Informações sobre a inscrição:
- O candidato deverá escolher a oficina de sua preferência e enviar os documentos necessários
de acordo com a modalidade escolhida para o e-mail: nucleodedramaturgia@sesipr.org.br.
- Período de Inscrições: 10 de fevereiro a 10 de março de 2012.
- A confirmação de recebimento da ficha de inscrição será por e-mail.
- A ficha de inscrição e pode ser obtida no site www.sesipr.org.br/nucleodedramaturgia
- A lista dos selecionados será divulgada no dia 19 de março de 2012, no site
www.sesipr.org.br/nucleodedramaturgia. (clique aqui para mais informações)
- Dúvidas ou reclamações, favor entrar em contato no e-mail:
nucleodedramaturgia@sesipr.org.br.
4. Modalidades de inscrição:
4.1. Oficina de Dramaturgia – Turma Iniciante
Orientação: Antônio Rogério Toscano
Vagas ofertadas: 20 vagas destinadas ao público em geral
Descrição da Oficina: A oficina consiste em um espaço para discussão e análise das obras de
grandes dramaturgos ao longo da história do teatro até a contemporaneidade, buscando
inspirar os novos dramaturgos ao desenvolvimento de suas obras. O objetivo é que cada um
dos participantes desenvolva um texto original, que será submetido a críticas, sugestões,
perguntas dos demais colegas e orientado pelo ministrante responsável. Esse processo auxilia
no amadurecimento das obras e do aluno, permitindo a descoberta e o desenvolvimento do
estilo dramatúrgico única de cada autor.
Datas das aulas: As oficinas de Dramaturgia ocorrem às segundas-feiras das 14h as 18h
26 de março
09, 23 e 30 de abril
14 e 28 de maio
11 e 25 de junho
23 de julho
06, 13 e 27 de agosto
10 e 24 de setembro
08 e 22 de outubro
05 e 12 de novembro
Inscrição: Preenchimento da Ficha de Inscrição, currículo resumido e envio de um texto
dramático de 5 a 10 laudas, conforme item 5 deste edital, para seleção da curadoria. Enviar
para o e-mail nucleodedramaturgia@sesipr.org.br com o título “Inscrição para Turma Iniciante -
Núcleo de Dramaturgia”. (1)
(1)
Datas sujeitas a alteração.Investimento: como o curso será gratuito, a contrapartida dos alunos participantes será a entrega de um pequeno texto dramático de cunho educativo com foco nos trabalhadores da
indústria (de 2 a 3 laudas) em um prazo de 6 meses a partir da data de início do curso.
Sobre o pequeno texto dramático: Essa produção será destinada a uma indústria paranaense a
ser definida pela Gerência de Cultura SESI PR. Os temas para a produção de pequenos textos de
teatro educativo serão relacionados à qualidade de vida e segurança no trabalho do
trabalhador da indústria, demandados pela indústria selecionada e serão usados internamente
unicamente para educação e treinamento de seus colaboradores. Os direitos autorais serão
exclusivamente do SESI e por prazo indeterminado, podendo ser usado somente para fins
educacionais.
4.2 Oficina de Dramaturgia – Turma Avançada
Orientação: Roberto Alvim
Vagas ofertadas: 40 vagas destinadas aos alunos que já participaram das Oficinas de
Dramaturgia – Turma Iniciante nos anos de 2009, 2010 ou 2011.
Descrição da Oficina: A oficina avançada permite a continuidade da discussão e análise das
obras dos membros da turma, como também de grandes dramaturgos ao longo da história do
teatro até a contemporaneidade, estabelecendo um grupo de discussões presencial (ou virtual,
por meio do ambiente virtual do Núcleo de Dramaturgia, a ser criado este ano), inspirando
também a continuidade do desenvolvimento das obras dramatúrgicas.
Datas das aulas: As oficinas de Dramaturgia ocorrem às terças-feiras das 19h as 23h - (2)
10 e 24 de abril
8 e 22 de maio
12 e 26 de junho
10 e 24 de julho
14 e 28 de agosto
11 e 25 de setembro
09, 23 e 30 de outubro
13, 20 e 27 de novembro
Inscrição: Preenchimento da Ficha de Inscrição e currículo resumido. Enviar para o e-mail
nucleodedramaturgia@sesipr.org.br com o título “Inscrição para Turma Avançada - Núcleo de
Dramaturgia”.
Investimento: como o curso será gratuito, a contrapartida dos alunos participantes será a
entrega de um pequeno texto dramático de cunho educativo com foco nos trabalhadores da
indústria (de 2 a 3 laudas) em um prazo de 6 meses a partir da data de início do curso.
Sobre o pequeno texto dramático: Essa produção será destinada a uma indústria paranaense a
ser definida pela Gerência de Cultura SESI PR. Os temas para a produção de pequenos textos de
teatro educativo serão relacionados à qualidade de vida e segurança no trabalho do
(2)
Datas sujeitas a alteraçãotrabalhador da indústria, demandados pela indústria selecionada e serão usados internamente
unicamente para educação e treinamento de seus colaboradores. Os direitos autorais serão
exclusivamente do SESI e por prazo indeterminado, podendo ser usado somente para fins
educacionais.
4.3 Oficina de Encenação
Orientação: Roberto Alvim
Vagas ofertadas: 15 vagas para diretores (formados ou em formação) e 20 vagas para atores (formados ou em formação)
Descrição da Oficina: Esta oficina prevê a realização de uma série de leituras encenadas,
montagens e apresentações de cenas e de peças inteiras dirigidas pelos diretores-participantes,
e interpretadas pelos atores-participantes. Em virtude das poéticas fundantes criadas pelos
novos autores, a oficina conduzirá processos de criação e conceituação de abordagens e
técnicas originais no que concerne à atuação/encenação destas obras. Por mais inovadora que
seja, a dramaturgia não alcança sua potência plena fora de sua expressão cênica. Por isso
tornou-se imprescindível a configuração desta oficina para novos diretores, que se pautará pela
invenção de formas que traduzam cenicamente as dramaturgias originais dos autores
contemporâneos. Ao longo da oficina, cada diretor irá selecionar um texto de um dos autores
que participam ou participaram do núcleo de dramaturgia, para montar a peça com os atores
selecionados neste edital. Por fim, uma das peças será selecionada para montagem e
apresentação no Teatro Guaíra, e as outras serão apresentadas em formato de leitura
encenada.
Datas das aulas: As oficinas de Encenação ocorrem às terças-feiras das 14h as 18h - (3)
10 e 24 de abril
8 e 22 de maio
12 e 26 de junho
10 e 24 de julho
14 e 28 de agosto
11 e 25 de setembro
09, 23 e 30 de outubro
13, 20 e 27 de novembro
Inscrição:
Diretores: Preenchimento da Ficha de Inscrição, currículo resumido e Carta de Intenção. Enviar
para o e-mail nucleodedramaturgia@sesipr.org.br com o título “Inscrição para Turma Núcleo de
Encenação - Diretores”.
Atores: Preenchimento da Ficha de Inscrição, currículo resumido e Carta de Intenção. Enviar
para o e-mail nucleodedramaturgia@sesipr.org.br com o título “Inscrição para Turma Núcleo de
Encenação - Atores”.
(3)
Datas sujeitas a alteraçãoInvestimento: como o curso será gratuito, a contrapartida dos alunos participantes será a elaboração e aplicação de uma oficina de 4h sobre direção, atuação ou teatro a estudantes de
um Colégio SESI ou de uma escola da rede pública, selecionados pela Gerência de Cultura SESI
PR. Essa ação será realizada em grupos, a serem definidos pelo orientador da Oficina.
5. Critérios de Análise e Seleção:
- Capacidade de INVENÇÃO de novos sistemas dramatúrgicos, que ampliem a experiência
estética proporcionada pelo teatro em direções desconhecidas até o momento.
- Obras nas quais seja perceptível a FORÇA PULSIVA do artista, abrindo brechas insuspeitadas
nos discursos hegemônicos do senso comum.
- Criação de ARQUITETURAS LINGUÍSTICAS que expandam a língua portuguesa para além da
norma culta, instaurando outras habitações da linguagem e, portanto, outras possibilidades de
experienciarmos o tempo, o espaço e a vida.
- Capacidade reconhecível, através da vitalidade poética da obra, de estabelecimento de fluxos
criativos que proponham certo DESLOCAMENTODO ARTISTA em relação a imagens fixas e
padronizadas, construídas por proposições estéticas estabelecidas pelo habitus cultural ou por
cânones estéticos historicamente dominantes.
- VISÃO DE MUNDO SINGULAR e RADICALISMO CONCEITUAL.
"A beleza tem apenas uma origem: a ferida, singular, diferente para cada um, oculta ou visível,
que o indivíduo preserva e para onde se retira quando quer deixar o mundo para uma solidão
temporária, porém profunda." (Jean Genet, O Ateliê de Giacometti)
“Uma arte só sobrevive na medida em que se reinventa (na medida da reinvenção permanente
de sua linguagem); sempre foi assim na história do teatro, desde Ésquilo, Sófocles, Eurípedes,
Shakespeare, Ibsen, Tchekov, Nelson Rodrigues... São estes grandes dramaturgos do passado
que nos servem de exemplo (e não de modelos): autores que deram contribuições que
ressignificaram completamente a dramaturgia (e a humanidade) em seus períodos de atuação.
Não se trata aqui de descobrir o passado, mas sim de inventar o futuro – ecoando, portanto, o
impulso criador de todos os mestres de outrora.” (Roberto Alvim)
“Devemos fazer teatro (ou qualquer outra arte) não para sermos amados e/ou perdoados e/ou
aceitos, mas sim atraídos pela aventura pessoal da invenção de uma poética, que em diálogo
com a história da arte (e com a história da humanidade), amplie a experiência humana em
direções até então insuspeitadas (e imprevisíveis até para nós mesmos).” (Roberto Alvim)
“A importância de um artista pode ser medida pela quantidade de novos signos e
procedimentos introduzidos por ele em sua arte.” (Roberto Alvim)
6. Certificação e Regulamento:
- As inscrições para Oficina de Dramaturgia – Turma Iniciante serão submetidas à avaliação da
curadoria constituída pelo orientador Antônio Rogério Toscano.
- As inscrições para Oficina de Dramaturgia – Turma Avançada e Oficina de Encenação serão
selecionadas pela curadoria constituída pelo orientador Roberto Alvim.
- Aos selecionados será exigido disponibilidade em frequentar, no mínimo, 75% dos encontros
para receber a certificação.
- Poderão perder o direito a matrícula, os alunos que plagiarem textos de outros autores no
envio do texto para seleção, sendo passíveis de processo por plágio.
- Os candidatos que forem selecionados pela curadoria, deverão assinar um Contrato com o SESI
PR e Teatro Guaíra, no qual concorda com todos os itens do regulamento deste edital, incluindo
a cessão de direitos autorais das obras produzidas durante as Oficinas de Dramaturgia, bem
como a Cessão de Direitos de Uso de Imagem, no caso da divulgação de registro gráfico das
ações relacionadas ao projeto. A Cessão de Direitos Autorais permitirá ao SESI PR e ao Teatro
Guaíra divulgar os textos produzidos pelos alunos a partir das oficinas em sites ou em forma de
publicação de livros. Este último caso só irá ocorrer se a obra também for aprovada na seleção
para publicação de livros ao final das oficinas, no caso de alunos das Oficinas de Dramaturgia
iniciante e avançada.
7. Equipe Técnica
Gerência de Cultura SESI Paraná
Gerente de Cultura SESI Paraná: Anna Zetola
Gestão do Projeto: Janaína Coelho Adão
Representante Curitiba e São José dos Pinhais: Thaisa Bonato
Representante Ponta Grossa, União da Vitória e Guarapuava: Juliano Axt
Representante Pato Branco e Foz do Iguaçu: Samantha Baldissera
Representante Londrina: Jonas Alves de Almeida Neto
Representante Maringá: Rosana Rodrigues de Mello Muriana
Coordenação de Conteúdo: Roberto Alvim
Produção Técnica: Diego Marchioro
Assistente de Produção: Luiz Lopes
Orientação Oficina de Dramaturgia Turma Iniciante: Antônio Rogério Toscano
Orientação Oficina de Dramaturgia Turma Avançada: Roberto Alvim
Orientação Oficina de Encenação: Roberto Alvim
Realização SESI PR - Teatro Guaira - British Council
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Núcleo de Dramaturgia Paraná vai anunciar programação 2012
Nos próximos dias o Núcleo de Dramaturgia SESI Paraná vai anunciar sua programação para 2012. Junto a ela mudanças na coordenação de sua Oficina de Dramaturgia e na chegada de um novo orientador para a turma de iniciantes deste ano.
O que já se sabe, mas ainda não foi oficialmente anunciado, é que Marcos Damaceno deixou mesmo a coordenação do Núcleo e da Oficina de Dramaturgia. Roberto Alvim vai permanecer com a turma avançada e as atividades acontecerão no miniauditório do teatro Guaira e suas salas de apoio.
O que já se sabe, mas ainda não foi oficialmente anunciado, é que Marcos Damaceno deixou mesmo a coordenação do Núcleo e da Oficina de Dramaturgia. Roberto Alvim vai permanecer com a turma avançada e as atividades acontecerão no miniauditório do teatro Guaira e suas salas de apoio.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Faleceu o diretor argentino Juan Carlos Gené
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| Juan Carlos Gené, diretor argentino |
Sua trajetória no teatro, na TV e no cinema foi marcada por atuação como ator, diretor, dramaturgo e professor, tendo alcançado dimensão continental por sua vinculação criativa com diversos países da América Latina.
Foi professor na Universidade de Buenos Aires, Unviersidade de La Plata, Universidade Central da Venezuela e promoveu cursos e oficinas internacionais sobre teatro e dramaturgia. Foi presidente e secretário geral da Associação Argentina de Atores, diretor geral do Canal 7 e diretor geral do Teatro San Martin, na Argentina.
Foi autor de várias peças de teatro e dentre elas se destacam: O ferreiro e o diabo (1955), Acabou a diversão (1967), Coisa julgada (1971), O Inglês (1974), Batidas em minha porta (1985), Ulf (1989), Memorial do cordeiro assassinado (1990), O sonho e a vigília (1992), Tudo verde e uma árvore lilás (2007).
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
A história e seus cadáveres insepultos
Os petistas adoram história. Claro, as que eles inventam e patrocinam como se fossem verdade. Alguém do PT teria coragem de escrever um livro sobre os 10 anos da morte do ex-prefeito Celso Daniel? E dar, para o bem do partido, uma versão “oficial” sobre que tipo de envolvimento alguns dos citados tiveram com o caso? Não, ninguém do PT, ou pago por ele, assumiria uma tarefa tão espinhosa, difícil de amarrar um bom e convincente enredo.
O que os petistas, então, andam fazendo? Defendendo - e comprando como cachaça - o livro do Amaury Martins (Ribeiro) Junior. Aquele que dá uma versão “oficial petista” sobre as privatizações dos governos tucanos. Isso é que é gostar de história, não é? Como ninguém do PT, hoje, quer comemorar ou lembrar ou se envolver na história do assassinato de Celso Daniel, é muito melhor, mesmo, divulgar e defender e fazer fila para comprar o livro “Privataria Tucana”.
Esse livro é um tipo de “cortina de fumaça” da história para ofuscar, ocultar, desviar a atenção sobre um fato muito mais grave da história política brasileira. Ontem, no Facebook, eu fiz um comentário sobre o livro encomendado e pago por quem deseja apagar a história do histórico personagem petista Celso Daniel. E alguns mais chegados a mim, mesmo com estrelinha presa ou tatuada no peito, vieram de pau, sutilmente, claro. Mas não deixaram de mostrar o que é mais importante para eles. A Verdade, que escondem e não aceitam, eles fogem como o Diabo foge da cruz, mas uma verdade com cara de ser inventada, a que preferem e divulgam, essa eles vibram de insano prazer.
Sugeri para eles, como tema futuro, talvez até como título de um livro a ser escrito, o seguinte: A QUEDA DO IMPÉRIO PETISTA - Césares e messalinas do PT. Quanto tempo vai demorar para que a verdadeira história do PT seja escrita? Ou teremos ainda mais mortes pela frente até que isso possa acontecer?
Não desejo que meus netos - todos bem novinhos ainda - venham a escrever sobre o PT, daqui alguns anos. Nem os netos de ninguém. Meu desejo é que nossos filhos - filhos de homens de bem e conscientes que estejam na minha faixa etária - escrevam logo algo mais compatível com a verdade e com a História do PT. Nunca uma versão encomendada e capenga sobre ela. Ou escrita para atacar seus adversários.
Uma antiga divisa petista apregoou: A esperança venceu o medo. Eu tenho repetido que o que vence o medo é a coragem. E temos que “enterrar” a esperança, mesmo que temporariamente, para focarmos apenas na coragem de enfrentar a Verdade e fazê-la vencedora.
Não é o que o PT, hoje, com certeza, irá fazer ao lembrar, que há 10 anos, um dos seus próceres morria covardemente e era despojado de toda a sua dignidade, jogado à margem de uma estradinha marginal. Reforço uma estradinha marginal da margem. Emblemático isso, não é?
O Brasil precisar acordar, enterrar a esperança e vencer o medo de expor a Verdade, com coragem. Apenas com coragem.
Não deixar cadáveres insepultos jogados na margem de uma estradinha marginal da nossa História.
(Há 10 anos era encontrado o corpo do ex-prefeito Celso Daniel)
O que os petistas, então, andam fazendo? Defendendo - e comprando como cachaça - o livro do Amaury Martins (Ribeiro) Junior. Aquele que dá uma versão “oficial petista” sobre as privatizações dos governos tucanos. Isso é que é gostar de história, não é? Como ninguém do PT, hoje, quer comemorar ou lembrar ou se envolver na história do assassinato de Celso Daniel, é muito melhor, mesmo, divulgar e defender e fazer fila para comprar o livro “Privataria Tucana”.
Esse livro é um tipo de “cortina de fumaça” da história para ofuscar, ocultar, desviar a atenção sobre um fato muito mais grave da história política brasileira. Ontem, no Facebook, eu fiz um comentário sobre o livro encomendado e pago por quem deseja apagar a história do histórico personagem petista Celso Daniel. E alguns mais chegados a mim, mesmo com estrelinha presa ou tatuada no peito, vieram de pau, sutilmente, claro. Mas não deixaram de mostrar o que é mais importante para eles. A Verdade, que escondem e não aceitam, eles fogem como o Diabo foge da cruz, mas uma verdade com cara de ser inventada, a que preferem e divulgam, essa eles vibram de insano prazer.
Sugeri para eles, como tema futuro, talvez até como título de um livro a ser escrito, o seguinte: A QUEDA DO IMPÉRIO PETISTA - Césares e messalinas do PT. Quanto tempo vai demorar para que a verdadeira história do PT seja escrita? Ou teremos ainda mais mortes pela frente até que isso possa acontecer?
Não desejo que meus netos - todos bem novinhos ainda - venham a escrever sobre o PT, daqui alguns anos. Nem os netos de ninguém. Meu desejo é que nossos filhos - filhos de homens de bem e conscientes que estejam na minha faixa etária - escrevam logo algo mais compatível com a verdade e com a História do PT. Nunca uma versão encomendada e capenga sobre ela. Ou escrita para atacar seus adversários.
Uma antiga divisa petista apregoou: A esperança venceu o medo. Eu tenho repetido que o que vence o medo é a coragem. E temos que “enterrar” a esperança, mesmo que temporariamente, para focarmos apenas na coragem de enfrentar a Verdade e fazê-la vencedora.
Não é o que o PT, hoje, com certeza, irá fazer ao lembrar, que há 10 anos, um dos seus próceres morria covardemente e era despojado de toda a sua dignidade, jogado à margem de uma estradinha marginal. Reforço uma estradinha marginal da margem. Emblemático isso, não é?
O Brasil precisar acordar, enterrar a esperança e vencer o medo de expor a Verdade, com coragem. Apenas com coragem.
Não deixar cadáveres insepultos jogados na margem de uma estradinha marginal da nossa História.
(Há 10 anos era encontrado o corpo do ex-prefeito Celso Daniel)
sábado, 14 de janeiro de 2012
Plataforma para a recuperação do pensamento crítico
| São Miguel Archanjo, na Catedral de Buenos Aires. Um símbolo contra os malfeitores, contra a corrupção. |
![]() |
| Monumento a San Martin, heroi argentino, na Praça de Maio, em Buenos Aires. |
Não,
não é mesmo uma iniciativa nossa. Não nasceu de uma necessidade nossa. Não tem
a ver com uma postura crítica diante dos desmandos do nosso governo. Não trata
de ficarmos mais atentos e mais seletivos com nossos políticos, nossos
corruptos da vez. Nossos, no sentido, de brasileiro. Bem que poderia, mas não
é, já que apenas nos reunimos diante da TV que passa o Big Brother. Ou
acorremos para assistir o carnaval do marketing baiano. Mas, na maior parte do
tempo, nos omitimos, não emitimos nenhum comentário, fechamos olhos, ouvidos e
bocas, como os famosos três macaquinhos. E diante de nossa conivência covarde,
damos espaços para que, dia após dia, denúncias sejam apresentadas sem que
saibamos o que acontecerá depois dessas denúncias serem investigadas
(se forem, claro), os responsáveis serem indiciados e a Justiça – tão contestada
por aqui, ultimamente – decidir com firmeza e mandar os malfeitores para a
cadeia ou recuperar, com eles, o que desviaram dos cofres públicos.
Nós
brasileiros – todos nós, mesmo – temos que também retomar um pensamento crítico
que perdemos ao longo dos últimos anos. Temos que questionar muitas coisas,
sempre criticamente, mas também não ficarmos apenas no discurso vazio da
denúncia que, no entanto, nos imobiliza enquanto sociedade organizada. Estamos
perdendo o senso crítico, porque perdemos a capacidade de fazer de nossa
indignação um ato de fé e de coragem. Um ato de revolta.
O
que abaixo é proposto na forma de um manifesto veio do sul do Rio da Prata.
Nasceu por iniciativa de corajosos intelectuais – que fazem parte do povo – da Argentina.
E vai assinada por importantes personalidades argentinas. Os intelectuais que
assinam o manifesto, se posicionam contrários a outro assinado também por
intelectuais que apóiam de modo irrestrito a política empreendida na Argentina
pela presidente Cristina Kirchner.
Segue, na tradução que fiz, o manifesto do grupo que ganhou o nome de PLATAFORMA 2012:
Plataforma para a
recuperação do pensamento crítico
Escapar
ao efeito impositivo de um discurso hegemônico não é uma tarefa fácil. Mas é
necessário e possível gerar uma voz coletiva que enuncie este problema e o
transforme em ato de demanda. Se algo nos define como intelectuais é pensar
sobre o mundo e a sociedade na qual vivemos, por em discussão os problemas que
nos afligem, promover o debate de ideias, tentar ler além da letra manifesta e
visualizar o oculto, tratar de sair da mera aparência dos efeitos para
aprofundar nas causas que os determinam. Em síntese, sustentar nossa capacidade
e consciência crítica e manifestá-la, romper o silêncio, como passo
imprescindível até uma ação coletiva e transformadora.
Não
encontramos este ânimo em alguns trabalhadores do campo da cultura, a quem
temos respeitado e queremos seguir respeitando, mas que ao colocarem-se como
portavozes do governo estão produzindo uma metamorfose em relação com sua
história e sua postura crítica.
Nos
encontramos diante de verdadeiros escândalos de diferente natureza e qualidade,
que tem como denominador comum a impunidade em relação com as responsabilidade
de quem nos governam. E de modo paralelo, assistimos a construção de um relato
oficial, que por via da negação, ocultamento ou manipulação dos fatos, pretende
revestir de façanha épica o atual estado de coisas.
Javier Chocobar, Diego Bonefoi, Nicolás Carrasco,
Sergio Cárdenas, Mariano Ferreyra, Roberto López, Mario López, Mártires López,
Bernardo Salgueiro, Rosemary Chura Puña, Emilio Canavari, Ariel Farfán, Felix
Reyes, Juan Velázquez, Alejandro Farfán, Cristian Ferreira. Vemos
crescer a lista dos assassinados. Mortes que em sua repetição não deixam de
assombrar-nos. Mortes que vão cobrindo toda nossa geografia. Mortes que, longe
de serem inocentes, marcam um encarniçamento repressivo que não pode ser negado
nem atribuído a decisões anteriores para tirar a responsabilidade do governo
central. Agora descobrimos que desde 1994 somos um país federal, e que portanto
as mortes dependem das polícias das províncias (estados), ou dos caciques
locais. Curiosa apelação ao federalismo, quando é o governo nacional o que
exerce o centralismo unitário e decide de fato os pressupostos provinciais
(estaduais), o que decide candidaturas, impõe ministros e se abraça com os
governadores quase ao mesmo tempo de ocorridos os fatos.
Muitas das últimas mortes estão vinculadas à
questão da falta de terras, e por trás de cada nome há uma história de vida que
se remonta à histórica luta dos povos primitivos contra a espoliação a que
foram submetidos. O processo de concentração da propriedade da terra e a
soja-dependência dos últimos oito anos são uma correlação com o presente
daquela espoliação, que o discurso oficial oculta. O “relato” hegemônico
pretende impor-se sobre a materialidade e o valor simbólico destas mortes.
Efetivamente, em torno destes e muitos outros acontecimentos, se elabora um
discurso oficial que constrói consensos, porque aparenta dar conta de uma série
de necessidades sociais e reivindicações nacionais enquanto se confirma a
persistência do mesmo que aparenta questionar. Este relato disciplinador e
enganoso utiliza a potência dos recursos de comunicação de que dispõe de modo
crescente o governo para exercer controle social mediante a indução de
mecanismos de alienação sobre as formas coletivas da subjetividade.
Querem aparecer como atores de uma façanha contra
as “corporações”, enquanto grandes corporações como a Barrick Gold, Cerro
Vanguardia, General Motors, os produtores de grãos, os bancos ou as empresas
petroleiras e o próprio grupo Clarín, hoje apontado como “a grande corporação
inimiga” tem recebido enormes privilégios deste governo. Querem também aparecer
como protagonistas de uma histórica transformação social, enquanto a rachadura
da desigualdade se aprofunda. E quando a realidade se impõe sobre o “relato”,
os portavozes oficiais e oficiosos do governo sustentam que se trata do “que falta”.
Segundo os intelectuais reunidos em CARTA ABERTA (grupo de artistas e
escritores que apóiam e defendem a política da presidente Cristina Kirchner), o
“que falta” seria mais aquém de “assinaturas pendentes” que estariam dispostos
a admitir uma questão de “imaginação política”. E o que é evidência e sintoma
do que não só não se transforma senão que se aprofunda seria como no fenômeno
das placas tectônicas – algo assim como sobras traumáticas do passado no
interior de um processo transformador, que reaparecem uma ou outra vez. O conteúdo
da produção ideológica oficial se inscreve numa metodologia. A discussão de
ideias é substituída pela desqualificação do interlocutor e toda dissidência é
estigmatizada. O debate torna-se trivial, bravata “intelectual”, sacralização
de seus referentes com independência das ações que produzem, são só algumas das
modalidade nas que se expressa a vontade de impor um discurso único. A partir
dos veículos públicos se utiliza a difamação de toda voz crítica por meio de
recortes de frases, repetições, enganos e denúncias como procedimento intimidatório
e se invalida essas mesmas vozes quando se expressam em outros veículos, se
produz um isolamento que por uma ou outra via somente promove o silêncio. Hoje a homogeneidade discursiva começa a ficar
atravessada por algumas filtrações que a corroem: o relato épico iniciou um
processo de certo desmascaramento. A associação entre direito de greve e
extorsão ou chantagem, ou a justificação da sanção da lei antiterror, seriam
expressões paradigmáticas deste fenômeno. Apesar da força disciplinadora do
discurso hegemônico, é nossa responsabilidade como intelectuais e trabalhadores
da cultura romper o silencio que pretende amordaçar o pensamento crítico e
promover um debate transformador dos grandes problemas impostos no presente. É
necessário. E é possível.
Entre as assinaturas que se destacam no manifesto
conhecido por “Plataforma 2012”, estão as de escritores, cineastas, artistas
plásticos e atores como Javier Chocobar, Diego Bonefoi, Nicolás Carrasco,
Sergio Cárdenas, Mariano Ferreyra, Roberto López, Mario López, Mártires López,
Bernardo Salgueiro, Rosemary Chura Puña, Emilio Canavari, Ariel Farfán, Felix
Reyes, Juan Velázquez, Alejandro Farfán, Cristian Ferreira, Pablo Albarello,
Mirta Antonelli, Bibiana Apolonia de Brutto, Norma Barros, Héctor Bidonde, José
Emilio Burucúa, Jorge Brega, Manuel Callau, Ana Candiotti, Andrés Carrasco,
Nora Correas, Diana Dowek, Lucila Edelman, Sandra Franzen, Roberto Gargarella,
Adriana Genta, Norma Giarracca, Liliana Helman, Eduardo Iglesias Brickles,
Diana Kordon, Darío Lagos, Alba Lancillotto, Adriana Lestido, Matilde Marin,
Lucrecia Martel, Gabriela Massuh, Francisco Menéndez, Luis Felipe Noe, José
Miguel Onaindia, Jorge Pellegrini, Derly Prada, Mabel Ruggiero, Carlos Ruíz,
Alfredo Saavedra, Guillermo Saccomano, Luis Sáez, Horacio Safons, Beatriz Sarlo, Alberto Sava, Herman Schiller, Aurora
Juana Schreiber, Maristella Svampa, Nicolás Tauber Sanz, Miguel Teubal, Osvaldo
Tcherkaski, Yaco Tieffenberg, Enrique Viale, Dennis Weisbrot, Patricia Zangaro,
Daniel Zelaya.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Um texto que faz dançar
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| O texto é uma possibilidade, sendo ao mesmo tempo um jogo, uma dança, um desafio. O texto dança sob o comando dos personagens. |
O texto abaixo e outra citação de minha peça foi enviada para um ator e diretor amigo. Ele foi o primeiro a ler o texto e a comentá-lo. Na troca de comentários e informações entre nós, numa espécie de avaliação crítica do texto, eu lhe remeti o seguinte:
Outra questão a ser anotada sobre o texto FALSOS COGNATOS.
O jogo da cena é uma dança. Um tango, sugerido como tema, como fundo musical. Um ensaio de teatro, mas onde é a dança de um texto nas mãos de quatro personagens que se evidencia. O texto é uma intenção. Não um simples fato. O texto é uma possibilidade, sendo ao mesmo tempo um jogo, uma dança, um desafio. O texto dança sob o comando dos personagens. Mas, eles dançam ou dança o texto?
E como dançam os personagens?
Na mudança de papeis. Na construção de passos que fazem, depois repetem ou fazem de outro jeito. A dança das palavras, sempre presente. Na tradução de uma dança que um pode não entender para onde o outro quer levar. Até que limites um parceiro tem o direito de levar o outro. Até que limites? Nesse jogo, de palavras, de gestos, vai-se descobrindo não mais afinidades, mas e principalmente, diferenças, raivas, mágoas. Pedro admirava Juan, de quem traduzia algo. Mas eles, por fim, deixam explodir algo que os incomodava. Mas, como o texto revela, por ser autor, um é pai do outro (enquanto personagem). E a gente sempre sabe que para um homem conquistar sua condição de homem tem que matar o seu pai. Ou, para um autor, tem que matar, tem que aniquilar quem foi seu mestre. É meio assim, o jogo entre os personagens, mas, no caso, com a presença da voz e da alma feminina, já que tudo está misturado.
(...)
Pedro – Creio que a
arrogância dessa afirmação tem um componente de insanidade, sim. Tem mesmo.
Logo comparar pessoas tão diferentes.
Juan – A cada vez que eu
lia, que relia, eu encontrava erros e os corrigia. Mas não eram erros. Eram
visões diferentes que se sobrepunham à ideia original. Daí eu ter feito, ao
longo dos últimos quatro minutos, mais de cinco versões diferentes para as
últimas cinco páginas escritas. Viu só o volume de texto que tive que escrever?
Reescrever, ler, reler? Interpretar, avaliar e, com isso, desvendar outros
caminhos e deslindar os espaços, não só do que era físico, mas do que aparecia
como possibilidade real para as duas mulheres. Uma prostituta não pode condenar
outra. Sempre serão iguais. Iguais em sua intenção de viver. De viver. Que
fique bem claro!
Pedro – Por este e outros
motivos é que você não tem o direito de exigir que eu faça e refaça cada parte
de sua trama com visões diferentes, mas pelo seu prisma. Pelo que lhe é
permitido por ser primitivo. Original apenas do seu ponto de vista. Já disse,
vezes antes, que iria romper com este olhar condescendente. Que teria quer
buscar uma arrogância que a mim não aparece tão natural, para impregnar-me nela
e enfrentar os desafios de ter que lhe dizer não. Não vou fazer assim, segundo
os seus ditames. Não farei nada para afrontar meus posicionamentos éticos. Dá
para você respeitar isso?
Débora – De novo vem a
questão de se seguir o caminho reto do que não aparenta retidão de caráter, nem
segue o que o autor indicou nas rubricas... Ele quer que as duas se comportem
como prostitutas. Eu não sei como se comporta uma prostituta. Você sabe?
Letícia – Já fiz algumas. Já
fui várias. Mas todas elas me fizeram entender que desejar o amor e vender o
seu corpo não são um bom casamento de intenções. Posso amar de graça. Mas posso
cobrar para viver um amor real e verdadeiro. Não, não... não me diga que
condena esse pensamento! Não venha com sua ética moralizante e fora de época. E
de contexto. Posso dar e não cobrar. E posso cobrar e não dar nunca! Muitas
casadas agem assim com certos homens...
Pedro – Viu só como elas
não podem se entender? Cada uma dança seu tango diferente. Dissonante. Não com
o apuro técnico necessário. Cada uma dessas prostitutas não são dançarinas, são
dançarinas que se prostituem. É o que me parece. Ou estou sendo preconceituoso
com essa visão?
Débora – Como é irritante
ter que ler isso, de novo. De novo, de novo e de novo! Eu amo o tango. Mas não
faria dele uma oportunidade para ganhar mais do que olhares, admiração,
aplausos... Eu vivo é disso. Não de outras coisas que possam surgir além da
minha roupa, do meu aspecto, do que está mais distante do meu corpo e que me
leva além do cabaré de paredes cor de malva, de fumaça de tabaco, de cheiros
ancestrais e tristeza. E daquele vinho que dançava melhor na mão do bêbado que na
do exímio bailarino.
Juan – Acho que você,
desta vez, captou um pouco melhor o entendimento da alma daquela primeira
mulher.
Pedro – Por que razão você
não chama a Débora de Débora?
Juan – Pois ela nunca foi
Débora. Ela se chama, na verdade, Patrícia. Mas sempre escreveu como se
chamasse Elsa, sendo, em sua certidão de batismo, Letícia. Patrícia é Letícia,
no batismo.
Letícia – Não sou
prostituta, por favor não confunda o que está muito mal escrito. Não sou
prostituta. Sou uma mulher livre que deseja apenas que reconheçam seu desejo de
ser feliz. Mesmo por instantes inexpressivos. Instantes sempre são fugazes, eu
sei, mas ser fugaz não se relaciona com nenhuma forma de inexpressividade. Está
claro?
Débora – Tem certas noites,
quando deito em minha cama desacompanhada que o último tango fica bailando
comigo até o galo cantar. Até eu ouvir o canto daquela ancestral cotovia. Até
eu ouvir a primeira buzina de uma motocicleta que teima em atravessar o
cruzamento na contra mão, como se buzinando ela tivesse o direito de fazer tudo
errado. Então, o som do tango dita o ritmo da motocicleta que se transforma em
minha escolha. Querer ir na contramão, gozando do direito de estar errada, mas
me sentindo livre, viva, amparada pelo respirar que deixa meu coração um pouco
mais esperançoso.
Pedro – É mesmo um desafio
entender o que dizem e o que querem essas duas mulheres...
Juan – Não, nem tanto.
Pedro – Mas elas me deixam
confuso.
Juan – Não foi o
sentimento que tive quando as encontrei perdidas em anotações de um velho
caderno, com letras ilegíveis apontadas por um lápis de grafite macio em traços
grossos, na anotação dos destinos de quem ainda estava por vir, mas que já
existiam em meus sonhos e nas páginas e mais páginas de livros que tive que ler
para tentar encontrar o significado do que seja ser uma dançarina de tango. Ou
uma prostituta. Enfim, ser mulher naquelas circunstâncias, naqueles tempos
perdidos e que ficaram retidos na retina de um homem que, não muito tempo
depois, nada mais conseguia enxergar.
(...)
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Palavras que não fazem mais sentido
Em "Falsos Cognatos", meu recente texto teatral, na terceira cena, que segue abaixo, um jogo com a palavra, com o sentido de traduzir. Se alguém consegue traduzir uma palavra, não consegue traduzir o sentimento que ela carrega. Sentimentos, muitas vezes, que foram levados para o futuro, e que, no presente não podem ser captados. Tudo é um jogo, de linguagem, sobretudo.
3 –
Palavras que não fazem mais sentido
(a luz muda)
Juan - O autor, que também tenta traduzir-se a si mesmo, aos poucos
vai se revelando, quando descobre similaridades entre o que alguém já havia
escrito e o que ele já havia traduzido num tempo ainda não acontecido. Traduzir
o futuro? Seria como inventá-lo. Inventar o passado, seria como trair o
presente. E isso, bem isso é assunto para os próximos capítulos que estão por
vir. E por outros que vieram, mas com certo atraso.
Pedro – Não gostei
muito de como ficou esse trecho... Traduzir o futuro ou inventá-lo? Inventar o
passado, traindo o presente?
Juan – Você não
devia se preocupar demais com isso. Deixe as coisas irem assim, naturalmente.
Prefiro que a tradução seja feita de forma romântica, voltada para a
literalidade. A clássica, a tradução clássica, tenho que confessar, deixa-me
com medo. Você consegue traduzir a obra. Já o artista, bem esse não se traduz
apenas com palavras já que as palavras nem sempre são o que aparentam ser. O
artista não é uma palavra solta. Obséquio não é obséquio sempre. Borges não é sempre
Borges, pois nem sempre Ovídio foi Ovídio. Amado, não mais lembrado, deixou de
ser Amado quando não traduziram o sentido romântico do que havia escrito? Havia
nele um bobo romantismo político. Atenha-se à literalidade. O leitor, bem, o
diretor da peça de teatro, qualquer um vai ler e interpretar do seu modo. Não
se perca mais no que pode não ter mais sentido. Esse se constrói e você vai
ver...
Letícia - Encontrei isso,
meio que por acaso, mas não há autor. Vou pesquisar um pouco mais para ver se
consigo descobrir de quem é. Vai aparecer logo mais...
Juan - O texto estava num
velho caderno meu. De anotações. Um simples e velho caderno de anotações.
Escrito a lápis, uma letra quase ilegível, escrita com pressa. Sim, talvez com
pressa. Mas a letra talvez fosse ilegível pois estava escrita não com pressa,
mas em código. Algo que nem o próprio autor, um dia, ia conseguir decifrar.
Vivo escrevendo assim. Coisas indecifráveis escritas somente de forma clara
aqui neste computador de tela novinha... Refiro-me à forma clara como aparecem
as letras. Não os sentidos, está bem?
Débora – Ainda assim eu
teimo em dizer que as notas de rodapé, assim como as rubricas, devem ser lidas
com mais atenção. Nas rubricas, atenção maior, pois ali, quase sempre, há
intenções que podem incendiar a palavra que vem logo abaixo. Eu insisto com
você. Pode prestar um pouco mais de atenção ao que diz a rubrica? Pode, por
favor, prestar mais...
Letícia
–
Você implica e não explica...
Juan – Não tenho que dar
explicações a tudo o que tenho pensado. O que você quer? Desvendar-me além das
poucas palavras que tenho conseguido escrever?
Pedro – Foi a partir desse
trecho que precisei encontrar outros sentidos para o real significado da
palavra desvendar... Do verbo desvendar. Sim, este verbo no infinitivo. O
sentido em inglês pode ser bem diferente do sentido em francês, mas o sentido
em italiano seria determinante para que eu o adotasse e deixasse de lado o que
foi mesmo escrito em espanhol?
Juan – Gosto da palavra
deslindar... É, sim, é o verbo deslindar. Aclarar, detalhar os limites de um
assunto para não dar lugar a confusões. Também serve para assinalar os limites
de um terreno. Viu como fica fácil substituir palavras que, em traduções
literais ficariam pobres?
Pedro – Mas desvendar não
é deslindar! Criar confusões é a arte do drama. Criar situações dramáticas, em
síntese é dar lugar a confusões.
Juan – Quem sabe, mas
aqui... por favor! Retire a venda e enxergue outros limites dos passos daquelas
duas mulheres. Por onde elas caminharam? Foram até onde? Deixaram-se
influenciar pelo que aparecia em notas de rodapé? Ou estavam mais preocupadas
em seguirem à risca o indicado nas didascálias? Ir para a margem, atingir os
limites de um terreno ou não limitar-se e não correr o risco de meterem-se em
confusão? O que me diz?
Pedro – Tenho pensando
muito se o que você escreveu tem algo a ver comigo. Mas você é você. Elas são
elas. Eu apenas percorro, linha a linha, o que você escreveu, muitas vezes, com
uma certa displicência. Muitas vezes, o que parecia ser displicente era de uma
arrogância insana!
(...)
(...)
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