quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Leituras dramáticas de autores paranaenses

Inscreva seu texto para as leituras dramáticas 
Quinzenalmente, às segundas e terças feiras, a partir de 12 de setembro e até 8 de novembro de 2011, serão realizadas leituras dramáticas de textos inéditos (que não tenham sido nem montados ou lidos em público) de autores paranaenses no Teatro Rodrigo D´Oliveira, em Curitiba (PR), das 20h30 às 21h30.
Os autores interessados em inscreverem seus textos deverão encaminhar:
1 - Texto dramatúrgico inédito (enviar em PDF ou Word)
2 - Nome de quem dirigirá a leitura
3 - Nomes dos atores que farão a leitura dos personagens

As leituras serão realizadas nos dias:

Setembro - 12 e 13, 19 e 20

Outubro - 3 e 4, 17 e 18 

Novembro - 7 e 8

Serão lidos 10 textos.

Os textos inscritos serão avaliados pelos curadores Well Guitti, Rodrigo d´Oliveira e Rogério Viana.

e-mails para: leiturasdramaticas@yahoo.c​om.br

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Crítico chama Roberto Alvim de "Príncipe das Sombras"

O blog de LUCAS MAYOR publicou uma crítica à montagem "45 minutos" dirigida por Roberto Alvim, com Caco Ciocler e texto de Marcelo Pedreira.

Mayor não deixou por menos. Nem por mais. Foi direto ao ponto e, lá, apontou para o estilo de Roberto Alvim, a quem ele chama de "príncipe das sombras".

Leiam aqui a crítica e, logo abaixo, a resposta indignada e feroz de Alvim. Mayor, ao contrário do que acontece aqui em Curitiba, não faz parte daqueles que concordam com tudo o que Alvim diz. E talvez por este motivo, tenha enfurecido Alvim de um jeito que ainda não havíamos visto antes.

Então, para mostrar como se dá a crítica e a resposta à crítica, seguem os "posts" (crítica e comentários que se seguiram).

45 minutos
Finalmente um ator sobrevive a Roberto Alvim (e à Juliana Galdino, certamente). É difícil. Muitos já tentaram, mas todos foram abafados pelo estilo do homem. Não sei se por receio, admiração, respeito, sincronia estética, falta de preparo ou visão reduzida, todos dizem sim, amém, príncipe das sombras.
Resultado: vemos sempre o Roberto Alvim, e nunca os atores das peças do Roberto Alvim. Não estou dizendo que isso seja um demérito, nada disso. É só uma constatação ligeira. O mesmo ocorre com os “dramaturgos” formados pelo Roberto. O estilo do homem é tão marcante que todos os aspirantes parecem habitar o mesmo corpo. Pouco a pouco eles vão se desintoxicando, claro, mas o processo é lento e as seqüelas são irreversíveis. Mas divago.
Caco Ciocler faz 45 minutos (3.5/5), monólogo dirigido por Roberto Alvim. A forma minimal (de uma precisão cênica invejável) de Roberto está toda lá, mas com um acréscimo. Caco Ciocler toma pra si as palavras de Marcelo Pedreira, e a sua enunciação denota que aqui prevalece o estilo do ator e não o do encenador.
Imagino que não tenha sido fácil para o encenador abrir mão do seu “trabalho sueco-enunciativo”, mas sem dúvida todos saíram ganhando. Há um ator aqui. Há um encenador acolá. Há uma dramaturgia que não quer ser agradável ou atraente, e mesmo concessiva, embora seja. Há uma recusa que não é recusa, na verdade, mas artimanha. Uma artimanha narrativa bem articulada e legatária de uma dicção beckettiana e de uma situação kafkiana.
O texto tão logo surgiu já me remeteu ao Bartleby, do Melville, e Um artista da fome, do Kafka. Isso pra ficarmos no mundo das referências mais diretas. Nota-se claramente uma crítica à arte como entretenimento corriqueiro, aliviador do tédio cotidiano e tal, mas isso é o de menos. O que fica do texto é o personagem. Ele é maior do que a coisa toda. É dele que nos lembramos quando ouvimos apenas o barulho dos seus passos ao longe, e depois a porta sendo violentamente fechada.
Marcelo Pedreira escreveu um personagem que você não consegue apagar com borracha escolar. É preciso rasgar a folha. Caco Ciocler deu ao personagem uma dimensão humana nunca antes vista nas montagens do Alvim. O público continua batendo palmas para o palco nu de Roberto Alvim, só que dessa vez ele teve de dividir as palmas com um ator.
Bem, preparem-se para ler a resposta indignada de Alvim. Indignada e desaforada, claro.


vc não faz a menor idéia do que seja direção, seu babaca. vc não faz a menor idéia de que os passos ao longe, a porta que fecha, a maneira como o ator age, a própria idéia de personagem que te agradou, tudo isso é direção… mas lendo teu blog vejo que teus gostos estéticos são o contrário do que eu acredito em arte. então, enfia o teu sarcasmo no rabo e vai estudar, antes de expôr a tua ignorância abissal (acerca de tudo o que constitui o teatro) em público.

E a tréplica de Mayor veio com estilo. Assim:
Lucas Mayor disse:
Peraí que eu tô tirando a coisa do rabo. A coisa, vi agora que tirei do rabo, não é sarcasmo, é só o jeito que eu rio. Você não leu direito. Leia novamente. Em momento algum eu disse que isso (“passos ao longe, a porta que fecha, a maneira como o ator age, a própria idéia de personagem que te agradou”) não fazia parte da direção. Eu afirmei que diferentemente das suas outras montagens, nessa o ator existe para além da enunciação.
Caco Ciocler contribui efetivamente no processo, e isso é visível em sua atuação. Você vai me dizer (não perca tempo) que os atores, todos eles, contribuem decisivamente no processo das suas montagens, e o babaca aqui não vai acreditar em você porque o babaca aqui viu suas peças e viu seus atores, e viu como a coisa se dá. A coisa se dá assim: você compõe seu mundo estético (olha o babaca de ignorância abissal falando de estética em público) e os atores existem como signos. E só. Eu respeito sua pesquisa estética (embora eu seja de uma ignorância abissal). Eu respeito seus atores e o trabalho deles (embora eu seja babaca e fale em público acerca de estética). Eu até acho que pra todos eles o seu processo funcione e seja decisivo pra suas carreiras, no sentido formativo da coisa (mas o quanto antes é bom que eles partam).
Eu só não engulo e nem enfio no rabo o fato de que a sua pesquisa formal elide o aspecto autoral dos atores. Você é o centro, sempre. Em 45 minutos eu te vi como acessório, como parte da coisa e não como a coisa em si. Em suma, você estava mais invisível na cena. Deu pra notar, finalmente, que houve interlocução entre as partes, e que nenhuma era mais determinante do que a outra. Minto: Caco foi determinante. Você foi acessório.
Assim, ó: papai do céu fez pessoas diferentes. E é essa diferença que nos torna seres singulares. Realmente meu mundo estético (será que babacas de ignorância abissal possuem isso?) é muito diferente do seu. No meu mundo estético as pessoas não estão fazendo ARTE. Elas só estão se expressando mesmo. Eu não vou mandar você enfiar nada no rabo porque dói pra burro, ainda há pouco tirei a coisa que você mandou eu enfiar, e acho que você ainda vai precisar muito desse seu rabo aí.

Mais sobre o "bafo", visitem o blog de LUCAS MAYOR, clicando aqui.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Ensaio para a leitura de "O dia em que morreu Leminski"

Felipe Custódio, Val Salles e Naiara Bastos

Felipe Custódio, Naiara Bastos, Val Salles e Léo Moita
Ontem à tarde, na Riopública, onde mora o diretor Léo Moita, os atores Felipe Custódio, Naiara Bastos e Val Salles participaram de um ensaio para a leitura do texto "O dia em que morreu Leminski", de Rogério Viana e que terá leitura dramática no dia 24 de agosto de 2001, no auditório Paul Garfunkel, às 17h45, na Biblioteca Pública do Paraná, em Curitiba.

Mais sobre a leitura dramática, clique aqui.

No Teatro Barracão EnCena

Désgracéra mésmo


“DÉSGRACÉRA MÉSMO”
Descendentes de poloneses, Izidorio e sua irmã Flortcha Duppa, contam suas histórias e conversam sobre o dia-a-dia com a ingenuidade e a ignorância de dois camponeses.
Evidenciando uma cultura própria de quem vive no campo, esses polacos arrancam risos fartos e conquistam o público com simplicidade e simpatia.
O espetáculo contém standup dos personagens e uma interpretação teatral competente, além de músicas de humor que retratam a visão que os caipiras polacos têm do mundo e das pessoas com as quais se relacionam.

Ficha Técnica
Texto: Glaucio Karas
Diretor: Juscelino Zílio
Direção de Produção: Mevelyn Gonçalves
Elenco: Gláucio Karas e Cida Rolim

Serviço
Temporada: 05 a 21 de agosto – sexta e sábado, às 20h e domingo, às 19h
Ingressos: R$ 30,00 (inteiro) / R$ 20,00 (com bônus) / R$ 15,00 (meio ingresso)
Gênero: Comédia
Classificação: 12 anos
Duração: 60 min

Semo polaco non semo fraco

“SEMO POLACO NON SEMO FRACO”
Comédia hilariante inspirada na cultura polaca, da qual descende o autor, é contada por Isidório Duppa, um agricultor solteiro e quarentão que se envolve com Keith Lua, uma garota de programa. Perseguido por Trambolhão, o leão-de-chacara, Isidório sai pelo mundo contando sua história. Ao mesmo tempo, Flortcha Duppa, sua irmã, tenta a vida na cidade. Recheada de situações cômicas e inusitadas a peça arranca gargalhadas com a simplicidade do povo da roça.

Ficha Técnica
Texto: Gláucio Karas
Direção: Juscelino Zilio
Direção de Produção: Mevelyn Gonçalves
Elenco: Gláucio Karas, Cida Rolim, Rick de Souza, Edy Nascimento, e Ademar Volpi.

Serviço
Temporada: 05 a 21 de agosto – sexta e sábado, às 21:30h e domingo – 20:30 horas
Ingressos: R$ 30,00 (inteiro) / R$ 20,00 (com bônus) / R$ 15,00 (meio ingresso)
Gênero: Comédia
Classificação: 12 anos
Duração: 60 minutos


Teatro Barracão EnCena
 

Rua Treze de Maio, 160 / Curitiba – PR

Informações: 41 3223-5517 / teatrobarracaoencena@hotmail.com / www.teatrobarracaoencena.com.br

Música, arte, literatura: amanhã na Bisbilhoteca

terça-feira, 26 de julho de 2011

Orinoco estreia no Novelas Curitibanas




ORINOCO

Considerado o pai da dramaturgia contemporânea mexicana, Emílio Carbalido tem seu texto “Orinoco” encenado pela A Armadilha - cia. de teatro.

A peça conta a história de duas vedetes de variedades chamadas Mina e Fifi. As duas viajam a bordo do barco cargueiro Stella Maris para cumprir um contrato num campo petroleiro às margens do Rio Orinoco, na Venezuela. Entre ensaios dos números musicais e algumas discussões, elas se dão conta de que a tripulação sumiu.

Fifi é a representação máxima do sonho e do otimismo, enquanto Mina - mais madura e experimentada - é amarga em relação à vida e as perspectivas de futuro e sempre puxará Fifi para um sentido de realidade, uma vez que seus sonhos foram aniquilados.

Orinoco é, por várias razões, a metáfora da dialética de qualquer ser humano. Todos travamos uma dura batalha entre a esperança imaginativa que nos diz que tudo é possível e o sentido de realidade que nos assenta os pés no chão.

A peça possui em sua estrutura, um drama individual (das duas vedetes à deriva) e um drama coletivo (que pode se abrir para os artistas desempregados, para uma classe social ou até mesmo para os países latino-americanos). É neste ponto que se baseia a adaptação. Dentro deste texto, por vezes cômico, por vezes poético, se encontra um forte viés político - longe de tratar de geopolítica especificamente, mas de uma noção contemporânea de política. A dialética das duas personagens entre utopia e realidade se apresenta na própria proposição do espetáculo - duas artistas sendo transportadas como carga. A arte e o ser humano tratados como mercadoria. Ao longo da peça, Fifi e Mina discutem sobre que tipo de show elas irão realizar e a que tipo de performance elas estão dispostas a fazer. Carballido expõe as barbaridades do mundo pós-moderno na medida em que discute a dignidade, a esperança, o direito à esperança, o papel da arte, o respeito ao artista e o poder acachapante do mercado.


Texto: Emilio Carballido
Direção: Diego Fortes
Elenco: Maureen Miranda e Raquel Rizzo
Direção Musical: Gilson Fukushima
Trilha Original: Josemar Artigas
Músicos: Carlos Miranda, Josemar Artigas e Val Ofilio
Direção de Movimento: Eliane Campelli
Iluminação: Erica Mityko
Figurinos: Maureen Miranda
Cenário: Sérgio Richter
Produção: Erica Mityko
Realização: A Armadilha


Teatro Novelas Curitibanas
28 de julho a 28 de agosto
de quinta a domingo: 20h
entrada franca

Maureen Miranda e Raquel Rizzo, em Orinoco

Leitura dramática do texto "O dia em que morreu Leminski"

Na Biblioteca Pública do Paraná um autor que vai virar livro prepara sua mudança.

No dia 24 de agosto de 2011, às 17h45, no auditório Paul Garfunkel, na Biblioteca Pública do Paraná, na rua Cândido de Abreu, 133, em Curitiba, será realizada a leitura dramática do texto de Rogério Viana - "O dia em que morreu Leminski", pelos atores Val Salles (personagem Marcelo Antero), Naiara Bastos (Lílian Pedrozo) e Felipe Custódio (Demétrio Trindade), com direção de Léo Moita.


Após a leitura haverá sorteio de camisetas em homenagem ao escritor e poeta paranaense Paulo Leminski, que no dia da leitura estaria completando 67 anos. Leminski morreu, aos 44 anos, no dia 7 de junho de 1989.

Sinopse

Um escritor, numa tarde, acorda assustado em seu apartamento no meio de livros que estão sendo encaixotados para uma mudança. Ele quer transportar seus livros e levá-los para um lugar “seguro e seco”. Ao acordar, recebe a visita de um de seus personagens, ou um dos seus heterônimos, que veio ajudá-lo a embalar os livros para essa mudança. Depois que o personagem sai, entra uma personagem, outro heterônimo de alma feminina, que o provoca com lembranças de épocas em que o escritor se embebedava e assistia a freqüentes assembléias de livros em suas estantes. Os três personagens, um personagem e dois heterônimos, relembram fatos da vida do escritor que sabe que esta será sua última mudança e que, em breve, ele deixará de ser poeta para virar poesia, que deixará de ser autor para ser personagem, que vai deixar de ser escritor para transformar-se num livro.

Personagens

Demétrio Trindade - o escritor que está de mudança. Será interpretado pelo ator Felipe Custódio.

Marcelo Antero - heterônimo do escritor, outro personagem, um amigo. Val Salles fará o personagem.

Lílian Pedrozo - uma alma feminina, outro heterônimo, uma amiga e presença constante na vida do escritor. Naiara Bastos fará a personagem.


Uma fala do personagem Demétrio Trindade


(...)
Um livro de poucas páginas quando fica ao lado ou sobre um livro de muitas páginas parece que fica enciumado e começa a inchar, a inchar... Fica inflado de vontades. Quer ser um livro da pesada. Percebe? Quer ser um livro da pesada! E, quando pego ele com outros, seu peso é insuportável. Esse livrinho é insuportavelmente pesado. Parece que ganhou peso na companhia de outros com melhor conteúdo. Livros mais graves. Esses livros, que arrasto feito corrente de fantasmas ingleses, ainda vão me matar. Sei. Ainda vão me matar. Não que sejam venenos. Ou que sejam explosivos. Ou uma mortífera arma. Ou que estejam como uma imensa torre ou uma ponte prestes a desabarem. Prontos a soterrar alguém, não. Esses livros ainda vão me matar, pois são misteriosos demais para meu entendimento. Estão ainda fora do meu alcance. São desafiadores demais. Impenetráveis demais. Demais misteriosos. Ali, na prateleira – agora esparramados pelo chão – ficam me espreitando e esperando que eu os descubra, que os leia, ou releia... Que retome a leitura parada em esquecidas páginas... Esses livros ainda vão me matar, tenho certeza. Vão me matar de sede. Vão me matar de fome. Talvez me matem de tristeza. Não tenho certeza, nem tento entender se será eles mesmo eles a causa de minha morte. Esses livros vão me matar. Que isso fique bem claro. Pois com eles estabeleci um tipo de dependência, sabe... Eles são indispensáveis para mim e eu sou um possível leitor para eles. Mesmo não sendo leitor, sou um fiel depositário de tantos escritos.
(...)


Participe da "vaquinha" para a confecção de camisetas. Clique e veja aqui.


Conheça nossos apoiadores. Clique aqui.