
O Arruda é o primeiro boi de piranha da corrupta política brasileira. E o resto da boiada? Vai passar sem nenhum arranhão? Será que o boi mais gordo vai passar a vau?
Evilásio levantava às 4h00 e, antes da 7h00 já estava na porta da fábrica, na fila para bater o cartão ponto. Isso, há 15 anos. Sem perder um dia só de trabalho. Sem tirar férias – vendia para comprar tijolos, cimento, cal. A casa, aos poucos ia ficando maior e a família também. Já tinha três filhos. Dois deles, assim como seus cunhados, dois irmãos, o sogro, seu pai, três tios e vários sobrinhos, eram todos operários. Metalúrgicos, sim senhor. O menorzinho, aquele que vivia no mundo da lua, queria ser artista. Gostava de ouvir rádio. Já ouvira falar em teatro, mas nunca havia assistido a uma peça. No velho televisor que vivia cheio de fantasmas, ele assistia às primeiras novelas da TV brasileira. O rádio, sempre presente, inundava a cabeça dele com imagens e belas vozes.
Eduardo levantava cedo. A mãe nem precisava acordá-lo. O pai, quase sempre, já estava a caminho da roça para o trabalho com a plantação. Algumas vezes pegava carona na carroça do pai que o deixava próximo da rua da escola. Outras vezes, ia a pé mesmo. Com chuva, o sol da manhã, ou aquela neblina gelada que o deixava com o rosto vermelho e molhado. A professora via que ele era um menino diferente. Ah, logo aos 10 anos teve que usar óculos. Vivia copiando errado as lições no caderno. Um primo distante, certa vez lhe deu uma coleção de livros. O título “A História Sincera da República”. Leu tudo, devorou tudo. A miopia aumentava a cada ano, na mesma proporção que aumentavam suas notas e os livros lidos.
Trinta anos depois, Eduardo, com uma brilhante carreira de advogado, depois promotor obstinado, tinha sido nomeado procurador da república. Não admitia nada que não fosse o justo, o correto, o legítimo e verdadeiro. O bem público acima de tudo.
Ernesto, no mesmo tempo, tinha transformado sua luta e seus sonhos numa heroica aventura. Dos grotões do seu Nordeste, aos mais altos cargos do seu sindicato, depois do partido que ajudou a nascer. Agora, ele era o maior mandatário do país. Milhões de votos o levaram a Brasília.
Na porta do teatro, pela primeira vez, Evilásio segurava o convite para participar da entrega de prêmio para as melhores produções do teatro de São Paulo. A família toda o intimara para ir prestigiar o Júnior, indicado para o prêmio de melhor diretor de teatro da capital.
Eduardo chamou seu assistente na Procuradoria Geral da República. O que escrevera era inédito. Pedia a prisão do Presidente da República. Tantos crimes, tantos crimes. Pedia justiça. Pela lei.
Atônito, Evilásio nem percebera que seu menino havia ganho o prêmio de melhor diretor de teatro de São Paulo. Recebeu um forte abraço do Júnior. Ali, seu sonho virava realidade. Júnior vencera.
A notícia era esperada na ampla sala daquele simbólico palácio. Era prisão mesmo. Não havia escapatória, subterfúgios, mentiras. Assinou a carta de renúncia. Ernesto saiu pela porta dos fundos.
Chegando em casa, Evilásio viu na TV a notícia que seu amigo de fábrica havia renunciado. Nunca ouvira falar naquele procurador corajoso que resolvera pedir a prisão do Presidente da República. Que homem corajoso, esse doutor Eduardo! E falou para dois netos, adolescentes que o acompanhavam diante da televisão: Eu sabia, eu sabia que esse baixinho não ia sair bem de tudo o que aprontou ao longo dos últimos 30 anos. Ainda bem que eu votei nele só uma vez! Se arrependimento matasse...
Rogério Viana
(diante do noticiário da prisão do Governador Arruda, do Distrito Federal)
1. Como se eu fosse o mundo, de Paulo Zwolinski
2. Antes do Fim, de Marcelo Bourscheid
3. Inverno, de Pretto Galiotto e A noite se foi
ou O celibato do Superman, de Angélica Rodrigues
4. (em) branco e Tempestade de Areia, de Patricia Kamis
5. (Você), de Alexandre França
6. Só (a) Você, de Humberto Gomes e Pequeno Inventário
de Impropriedades, de Max Reinert
7. Fatia de Guerra, de Andrew Knoll e
Longe de Casa, de Eliane Karas
8. A Casa da Praia, de Pagu Leal e Teia, de Douglas Daronco
9. Para Consumo Imediato, de Nana Rodrigues e
Paraíso 46, de Claudia Brito
10. Quantos, de Sabrina Lopes e Animus, de Luciana Narciso
Relação dos textos que ganharão Leitura Dramática.
- Antes do Fim, de Marcelo Bourscheid
- (Você), de Alexandre França
- (em) branco:, de Patricia Kamis
- Inverno, de Pretto Galiotto
- Teia, de Douglas Daronco
Texto a ser encenado:
- Como se eu fosse o mundo, de Paulo Zwolinski
As primeiras atividades programadas e com obrigatoriedade de presença dos novos integrantes são:
· Mesa-redonda com Roberto Alvim, Mario Bortolotto, entre outros a confirmar.
Dia 20/03, sábado, às 15h30
Entrada gratuita
· Workshop “Introdução à Dramaturgia” , com Marici Salomão
De 23 a 26/03, das 10 às 14h
Matrícula: R$20,00
· Oficina Regular de Dramaturgia, com Roberto Alvim
Encontros quinzenais, sempre às terças-feiras, de abril a dezembro
Encontros do 1º trimestre: 13 e 27/04, 11 e 25/05 e 08 e 22/06 (demais datas a definir)
Horário: das 14 às 18h
Matrícula: R$20,00 por trimestre
Todas as atividades acontecem no Teatro José Maria Santos.
Informações adicionais
Workshop “Introdução à Dramaturgia”, com carga horária de 16 horas, este workshop visa introduzir novos autores nas principais técnicas e teorias da dramaturgia ocidental. Constitui-se de uma parte teórica e uma prática, na qual serão desenvolvidas cenas com posterior análise da orientadora.
PARTE TEÓRICA (Baseada nas linhas argumentativas dos principais teóricos contemporâneos)
1. A TEORIA DO DRAMA
2. A CRISE DO DRAMA
3. O TEATRO ÉPICO
4. O TEATRO PÓS-DRAMÁTICO
PARTE PRÁTICA (Baseada nos principais elementos ARISTOTÉLICOS)
1. ENREDO
2. PERSONAGEM
3. PENSAMENTO
4. DIÁLOGOS
Currículo dos ministrantes
Marici Salomão é dramaturga, jornalista e crítica na área teatral. Foi colaboradora do Caderno 2 (O Estado de S. Paulo) e revista Bravo!. Coordenou o Círculo de Dramaturgia do CPT (Centro de Pesquisa Teatral), sob supervisão de Antunes Filho, entre 1999 e 2004. Participou do primeiro Workshop do Royal Court Theatre no Brasil (2001). Atualmente é Coordenadora e Consultora Literária do Núcleo de Dramaturgia do SESI-British Council, voltado à formação de novos autores. Em outubro, a convite do British Council, visitou alguns dos principais centros de fomento à dramaturgia no Reino Unido. É jurada do prêmio Shell de Teatro e integra o Núcleo Dramáticas em Cena, de pesquisa e produção dramatúrgica, contemplado pela Lei de Fomento ao Teatro (2008). É autora da peça Retiro dos Sonhos, premiada no I Concurso Nacional de Textos Inéditos do Sesi, em 1995. Teve encenados os textos Segredos (Gabriel Villela, no DramaMix), Impostura (direção de Fernanda D’Umbra, com Mario Bortolotto), Atos de Violência (direção de Helio Cícero), Maria Quitéria (direção de Fernando Peixoto), O Pelicano (direção de Maurício Paroni de Castro) e Bilhete (direção de Celso Frateschi). Participa freqüentemente como jurada, crítica e avaliadora dos principais festivais de teatro nacionais. Foi consultora do projeto Dramaturgias, do Centro Cultural Banco do Brasil (1o. semestre de 2005), co-curadora do Festival de Teatro da Cultura Inglesa (edições 2005 e 2006) e avaliadora do II Festival do Recife de Teatro. Ministra palestras e oficinas de dramaturgia em várias frentes, como Oficinas Culturais Oswald de Andrade e Projeto Ademar Guerra, ambos da Secretaria de Cultura do Estado.
Oficina Regular
A Oficina Regular é um espaço para novos autores, dedicado à análise das obras de grandes dramaturgos da contemporaneidade, assim como à escritura de novas peças de teatro. O objetivo é que cada um dos participantes desenvolva um texto original, que será constantemente submetido a críticas, sugestões, perguntas e orientações por parte do professor. O processo visa proporcionar amadurecimento e solidez às obras, permitindo ao aluno a descoberta e o desenvolvimento de sua voz como autor.
Roberto Alvim é autor e diretor de 16 peças, encenadas no Rio de Janeiro, São Paulo, França (Paris), Suíça (Laussanne) e Argentina (Córdoba). Foi diretor artístico do Teatro Carlos Gomes – Sala Paraíso (RJ) de 2001 a 2004. Foi diretor artístico do Teatro Ziembinski – Centro de Referência da Dramaturgia Contemporânea (RJ) de 2005 a 2007. Foi Professor de História do Teatro e Literatura Dramática na CAL (RJ) de 2000 a 2004. Lecionou Dramaturgia na Universidade de Córdoba (Argentina) em 2005. Foi Professor de Dramaturgia na ELT – Escola Livre de Teatro (SP) em 2008. Como diretor da companhia CLUB NOIR, encenou até o momento 3 espetáculos: ANÁTEMA (2006); HOMEM SEM RUMO (2007), indicado aos Prêmios SHELL de Melhor Direção e Melhor Iluminação, e ao Prêmio BRAVO! de Melhor Espetáculo Teatral do ano; e O QUARTO (2008 / 2009), de Harold Pinter, ganhador do Prêmio Bravo! e indicado ao Prêmio COOPERATIVA PAULISTA DE TEATRO de Melhor Espetáculo do ano.
Outras informações, visitem o site do Núcleo de Dramaturgia:
http://webp.fiepr.org.br:8080/webp/tools/pagingInterceptor.jsp?componentPid=9546&pageNumber=1