
sábado, 19 de setembro de 2009
Loki - Arnaldo Baptista

sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Amostra Grátis - Márcio Abreu e participantes
Carta ao Inimigo, um exercício
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Oficina do Teatro da Vertigem em Curitiba
CAIXA CULTURAL CONVIDA:
OFICINA DO TEATRO DA VERTIGEM
Destinado a atores, estudantes de teatro, bailarinos e performers
25 e 26 de setembro de 2009
sexta e sábado das 10 às 14h
Local: Teatro da CAIXA – Rua Conselheiro Laurindo, 280 - centro
Serão destinadas 20 vagas para cada módulo (inscrições gratuitas)
O Teatro da Vertigem visa abordar as técnicas das pesquisas desenvolvidas pelos atores do grupo. A base dos treinamentos surgiu a partir das pesquisas realizadas para os espetáculos “O Paraíso Perdido”, “O Livro de Jó”, “Apocalipse 1,11”, “BR-3”, “História de Amor – Últimos Capítulos”- espetáculo que será apresentado no Teatro da CAIXA de 24 a 27 de setembro-, e “A Última Palavra”.
O treinamento corporal, o estudo dos movimentos, o desenvolvimento e a descoberta da palavra são o eixo de pesquisa para os trabalhos realizados pela companhia. A pesquisa na área de interpretação é calcada no depoimento pessoal, e na experimentação de material dramatúrgico através de improvisações, workshops e exploração do espaço da cena. As oficinas não terão foco principal na temática dos espetáculos e sim na dinâmica dos treinamentos que foram realizados para o desenvolvimento do trabalho dos atores.
Módulo I – A Palavra em Cena
6ª feira - das 10 às 14 horas
Objetivo: A palavra como geradora da ação
Coordenadores: Eliana Monteiro e Roberto Áudio
O módulo I desenvolverá as dinâmicas do processo do ator na pesquisa da palavra, estudos de partituras vocais e corporais, exercícios de dramaturgia, trechos de obras literárias e dramatúrgicas serão utilizados para a abertura de repertório e expansão do universo criativo. A criação de cenas a partir de textos criados em sala ou
sugeridos pelos coordenadores, as vivências, improvisações, programas e partituras individuais e coletivas em seus diferentes níveis, assim como os jogos de integração e exercícios de encenação a partir do reconhecimento do espaço, servirão como estímulos para o desenvolvimento do pesquisador/ator e para a criação das cenas, textos e desenho das personagens.
Módulo II – O Corpo em Cena
Sábado das 10h às 14h
Objetivo: A ação como geradora da palavra
Coordenadores: Luciana Schwinden e Sérgio Siviero.
O módulo II desenvolverá o processo do ator nos treinamentos corporais. Estudos de movimentos serão utilizados para a conscientização e expansão do repertório corporal. A relação com o espaço da cena, partitura de movimentos, meditações dinâmicas, noções básicas de anatomia e biomecânica, limpeza e precisão do movimento expressivo, desenvolvimento da memória corporal, propriocepção e equilíbrio, improvisações individuais e coletivas para descoberta de células de movimento corporal e exercícios para irradiação do fluxo energético. Análise e desenvolvimento da cena a partir do impulso, do gesto e de seqüências de movimento. Princípios básicos da ação física também serão pesquisados com o propósito da criação da cena e experimentos performáticos.
Inscrições: vertigem@teatrodavertigem.com.br
Visite o site: http://teatrodavertigem.com.br/site/index2.php
Avaliação de novos textos



Cartas, fragmentos, idéias
Ernesto Sabato, algumas possibilidades de cartas
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Com as próprias mãos
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Dramaturgia do futuro
Sentados em cadeiras escolares, ouvem atentos um carioca incansável chamado Roberto Alvim (na foto, em primeiro plano) que, com seus comentários, é capaz de reduzir a pó qualquer projeto de peça genial. Esse grupo faz parte de uma oficina de criação dramatúrgica que integra um projeto maior, intitulado Núcleo de Dramaturgia SESI Paraná. Os encontros da oficina, iniciados em abril, acontecem a cada 15 dias, com duas turmas de 20 pessoas. A ideia é que, até dezembro, cada dramaturgo tenha escrito uma peça nova.
BASE TEÓRICA
A esta altura do ano, as reuniões da oficina estão em uma fase bem prática, mas vale frisar que tudo começou com muita teoria, ministrada pelo dramaturgo, diretor e professor de teatro, Roberto Alvim. “Vocês leram as peças do Pinter que eu passei, né?”, perguntou o carioca já no início de um encontro presenciado pela reportagem.
Harold Pinter (1930-2008), este vencedor do prêmio Nobel e um dos expoentes do teatro do absurdo, é um dos autores contemporâneos mais citados por Alvim, que fala sobre o dramaturgo inglês com a autoridade de um estudioso e de quem encenou no ano passado a peça O Quarto (The Room, 1957).
“As possibilidades da dramaturgia contemporânea se ampliaram muito depois que Pinter aboliu as relações causais em suas peças”, explica Alvim. Ele observa também a seus pupilos como Pinter dosa bastante as informações que fornece sobre seus personagens, diferente de muitos autores que já entregam tudo de bandeja, o que tira o interesse dos espectadores. “E de que maneira a tensão se estabelece nas peças de Pinter?”, interroga, diante da turma silenciosa. “Pinter trabalha com as incertezas. A gente nunca sabe realmente o que está acontecendo nas peças dele.”
Alvim então se empolga e traça esquemas na lousa, expondo as artimanhas utilizadas tanto por obscuros dramaturgos siberianos, feito os Irmãos Presniakov, como pelo roteirista de Sexta-feira 13.
Mas com tanto conteúdo transmitido, faz questão de frisar que ninguém precisa saber de todas as técnicas para escrever uma boa peça. “Se você dominar alguns fundamentos e conseguir dar significados novos a eles, é o suficiente.”
HORA DO CONFRONTO
Iniciantes ou veteranos, todos os dramaturgos concordam. Não é fácil expor um texto em processo e lidar com as críticas e sugestões inusitadas que surgem na oficina.
“Fico um pouco nervosa antes de ouvir os comentários dos colegas”, conta a dramaturga Pagu Leal, 34 anos, autora de, entre outras peças, Instruções para lavar roupa suja(2007) e Difícil amor (2004). “Ainda mais que não tenho o hábito de conversar muito sobre a minha criação. Sou daquelas que já leva o texto pronto aos atores. Esse diálogo com a turma então tem sido interessante. Um pouco traumático, às vezes, mas interessante.”
Para a dramaturga Giulia Crocetti, 20 anos, a situação é parecida. Mas ela acrescenta que, com o tempo, todos os integrantes da oficina vão ficando mais confortáveis com a ideia de se criticarem mutuamente. “Quando questionaram coisas da peça que estou escrevendo [Rebotalho, a primeira obra que ela pretende concluir], eu adorei. Levei numa boa. Perguntaram, por exemplo, qual era a finalidade de um trem que aparece na minha história [a locomotiva atormenta três personagens chamados A, B e C, que vivem em um futuro apocalíptico, explica a autora]. Percebi então que havia faltado clareza, o que me levou a repensar o que eu tinha feito.”
Também iniciante na dramaturgia, Otavio Linhares, 31 anos, é outro que lida bem com as críticas. “Afinal você não faz arte pra si mesmo, senão você fica em casa”, diz. “Sinto que as pessoas, quando comentam os trabalhos dos outros aqui, fazem com a intenção de ajudar, e não para jogar uma pá de areia.”
Mas quando julgamentos mais duros surgem, e eles sempre surgem, o próprio Alvim deixa claro aos dramaturgos. “Filtrem o que eu disser. Se algo faz sentido pra você, aproveite o conselho. Do contrário, esqueça. Às vezes falo coisas terríveis sobre algum texto, mas o autor insiste na sua ideia e depois me mostra algo surpreendente.”
Foto: Franco Fuchs

Roberto Alvim: estratégias de escrita vão para a lousa.
Inspirado em um projeto que acontece em São Paulo, oNúcleo de Dramaturgia SESI Paraná foi implantado no início do ano em Curitiba, para promover diversas atividades em prol da dramaturgia local.
Desde então, autores como Luís Alberto de Abreu, Marici Salomão e as inglesas Roxana Silbert e Tessa Walker(trazidas por conta da parceria entre o núcleo e o British Council) já deram palestras e workshops na cidade. Até dezembro, a previsão é que o projeto receba outros artistas importantes.
O carro-chefe do núcleo é a oficina de dramaturgia, ministrada pelo dramaturgo e diretor carioca Roberto Alvim. As melhores peças escritas na oficina serão publicadas no site do projeto, e existem planos de se fazer uma mostra desses trabalhos no próximo Festival de Curitiba.
“Nosso objetivo é renovar a dramaturgia local. Se o núcleo tiver continuidade, com certeza, daqui a uns cinco anos, já teremos uma cena teatral bem mais fortalecida em Curitiba”, diz o coordenador do núcleo, Marcos Damaceno.
Para Roberto Alvim, o projeto do SESI é válido principalmente para unir uma comunidade de artistas. “Shakespeare, Ben Johnson e outros dramaturgos do período elisabetano saíam juntos para beber. Essas interações são importantes.” Ele lembra também como quase todas as grandes cidades possuem núcleos de criação de teatro. “Isso acontece em Nova York, Berlim ou São Paulo. Não é por acaso que esses lugares são polos de dramaturgia. As coisas não surgem do nada.”
Segundo Damaceno, a procura do público pelo núcleo superou as expectativas e, para o ano que vem, existe até uma lista de pessoas que já deixaram seus nomes para participar da próxima oficina de dramaturgia.
Serviço
Oficina de dramaturgia. Voltada para dramaturgos iniciantes e profissionais. É anual, com encontros a cada 15 dias, ao custo de R$ 12 por trimestre. As inscrições este ano estão encerradas. Interessados em participar no ano que vem podem entrar em contato com o coordenador Marcos Damaceno, pelo e-mail:
contato@marcosdamacenocia.com.br
Palestras e mesas-redondas gratuitas, abertas ao público. Acompanhe a programação no site
www.sesipr.org.br/nucleodedramaturgia
*Reportagem publicada na Revista Ideias nº 93