quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Site Dramaturgia Contemporânea publica a peça ENTREVISTA COM O DEVORADOR DE RATOS

Entrevista com o devorador de ratos, peça teatral de Rogério Viana

O site Dramaturgia Contemporâneade São Paulo, publicou hoje minha peça ENTREVISTA COM O DEVORADOR DE RATOS. Essa peça teve leitura pública, no último dia 9 de outubro, na SP ESCOLA DE TEATRO, em São Paulo.

Foco em textos teatrais na atualidade

website Dramaturgia Contemporânea tem como foco a dramaturgia realizada por autores que escrevem textos teatrais na atualidade. O principal objetivo do website Dramaturgia Contemporânea não é selecionar os “melhores”, mas mostrar o trabalho de dramaturgos com trajetória significativa nesses últimos anos no nosso país.

Mostras, debates, prêmios, workshops com grupos de teatro nacionais e internacionais dão visibilidade à dramaturgia contemporânea, no entanto é necessário que essa dramaturgia chegue ao alcance dos artistas, estudiosos e críticos. Os grupos teatrais têm dificuldade de acesso aos textos desses autores e os autores, por vezes, dificuldade de acesso aos grupos e ao público de teatro. 

website Dramaturgia Contemporânea quer aproximar os artistas do teatro dos novos autores e divulgar essa novíssima safra de textos que traduzem as ansiedades e transformações do século 21. Com essa ação, internautas - autores, produtores, grupos de teatro, estudiosos e público em geral - terão acesso a vigorosa produção da dramaturgia contemporânea. 


Autores com peças publicadas


São estes os autores com peças publicadas pelo site Dramaturgia Contemporânea. Para ler ou baixar peças dos autores, basta clicar nos nomes.

Cacá Araujo
Ricardo Soares
Cássio Pires
Marcos Barbosa
Mário Bortolotto
Paula Chagas Autran
Marcos Gomes
Fabio Torres
Lina Agifu
Marília de Toledo
Marçal Aquino
Luis Eduardo
Silvia Faro
Drika Nery
Cláudia Pucci
Paulo Vieira
Ralph Maizza
Marco Albuquerque
Julio Carrara
Jarbas Capusso Filho
Claudia Vasconcellos
Allan da Rosa
Hugo Possolo
Mário Viana
Rui Xavier
Gil Vicente Tavares
Alcides Nogueira Pinto
Luiz Roberto Zanotti
Felipe Vieira de Galisteo
Juliana Rosenthal Knopfelmacher
Adelice Souza
Daniela Smith
Bosco Brasil
Ruy Jobim Neto 
Priscila Gontijo
Afonso Jr.
Dante Gatto
Dionísio Neto
Sebastião Antônio da Silveira
Paulo Mohylovski 
Camila Appel
Walmir Pavam
Luís Mestre
Roberto Alvim
Claudia Lucas Chéu
Paulo Jorge Dumaresq 
Joaquim Paulo Nogueira
Geraldo Lima
Jorge Palinhos
Mickaël de Oliveira 
Luís Indriunas
Aimar Labaki
Rogério Viana

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Leitura de "Entrevista com o devorador de ratos" na SP Escola de Teatro em São Paulo

Jucca Rodrigues apresenta a leitura na SP Escola de Teatro

Uma conversa entre uma jovem jornalista, Dionélia Mutarelli, e um autor consagrado, Lourenço Machado. Eis o mote da peça “Entrevista com o Devorador de Ratos”, do dramaturgo Rogério Viana, lida ontem (9), no projeto SP Dramaturgias, na Sede Roosevelt da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco.

Sob direção de Bernadeth Alves, artista residente do curso de Direção, a leitura dramática foi feita pela aprendiz de Atuação Nádia Verdun e pelo coordenador pedagógico da SP Escola de Teatro,
Joaquim Gama. “Gostei muito da experiência. O público, a diretora e os atores enxergaram nuances no texto que eu mesmo não havia notado”, disse Rogério Viana, jornalista, autor e diretor de produção teatral, residente em Curitiba (PR), que enviou seu texto para participar do projeto. “Confesso que a minha expectativa era grande. Tinha até um pouco de medo de expor meu trabalho para a classe teatral. Mas foi gratificante”, diz o dramaturgo.

Aos interessados em enviar suas obras inéditas para análise e possível participação no SP Dramaturgias, basta encaminhar quantos textos quiser para o e-mail: spdramaturgias@spescoladeteatro.org.br.

O projeto

Lançado no último semestre, o SP Dramaturgias é um projeto quinzenal, voltado para a leitura de textos dramáticos inéditos, de qualquer autor, não apenas dos aprendizes da Escola. As leituras, sim, serão realizadas por aprendizes e formadores da Instituição. A seleção dos textos a serem lidos se pauta em critérios artísticos (textos inéditos, que dialogam com questões da contemporaneidade, quer na forma, quer no conteúdo) e pedagógicos (a partir de demandas e questões oriundas do trabalho desenvolvido entre formadores e aprendizes na Escola). Interessados em enviar suas obras inéditas podem encaminhar material e tirar dúvidas no e-mail: spdramaturgias@spescoladeteatro.org.br.

SP Dramaturgias
Leituras e análises de textos teatrais inéditos
Supervisão geral: Marici Salomão e Ivam Cabral
Coordenação: Jucca Rodrigues
Comissão de Seleção de Textos: Jucca Rodrigues e Marici Salomão
Coordenação Executiva: Gustavo Minghetti.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Amanhã a leitura de "Entrevista Com o Devorador de Ratos" na SP Escola de Teatro, em São Paulo

Entrevista com o devorador de ratos, de Rogério Viana



Nadia Verdun, aprendiz de atuação na SP Escola de Teatro
Joaquim Gama que fará a leitura do personagem Lourenço Machado
A SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, promove, amanhã, terça-feira (9), às 19h30, a leitura do texto “Entrevista com o Devorador de Ratos”, do dramaturgo Rogério Viana, com direção de Bernadeth Alves, artista residente do curso de Direção. A leitura dramática será feita pela aprendiz de Atuação Nádia Verdun e pelo coordenador pedagógico da SP Escola de Teatro, Joaquim Gama. “A participação do Joaquim reforça o caráter horizontal do projeto, ou seja, colocar num mesmo patamar aprendizes, formadores e coordenadores”, observa Jucca Rodrigues, coordenador do programa.

 A leitura faz parte do programa SP Dramaturgias, uma série de leituras dramáticas de obras inéditas de autores contemporâneos, feita por formadores e aprendizes da Instituição. O evento é aberto ao público e tem entrada gratuita.

Detalhe: Rogério Viana não é aprendiz da escola. Ele é jornalista, autor e diretor de produção teatral, residente em Curitiba (PR). Como outros autores, ele resolveu enviar alguns textos para participar do projeto. Desses, “Entrevista com o Devorador de Ratos” foi selecionado. “Eu achei a iniciativa muito legal e decidi participar”, ele lembra. Aos interessados em enviar suas obras inéditas para análise e possível participação no SP Dramaturgias, basta encaminhar quantos textos quiser para o e-mail: spdramaturgias@spescoladeteatro.org.br.

“Entrevista com o Devorador de Ratos” retrata, como o próprio título indica, a entrevista de uma jovem jornalista e pesquisadora com um homem mais velho, autor consagrado. Com o desenrolar do diálogo, o que deveria ser um simples bate-papo revela-se uma disputa de territórios, que irá além das provocações e das palavras, dos jogos e dos desafios. Afinal, que mistérios os personagens Lourenço Machado e Dionélia Mutarelli escondem? Quem são eles?

Os atores

O texto terá a leitura por Joaquim Gama (Lourenço Machado). Joaquim Cesar Moreira Gama, mais conhecido apenas como Joaquim Gama, é Doutor em Teatro, na área da Pedagogia do Teatro pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), em 2010, com o trabalho "A Abordagem Estética e Pedagógica do Teatro de Figuras Alegóricas: Chamas na Penugem", com orientação da professora Ingrid Dormien Koudela. Faz mestrado em Artes pala mesmo instituição, em 2000, com a tese "Velha-Nova História: Produto Teatral - Um Experimento com Alunos do Ensino Médio", com orientação da Profa. Dra. Maria Lúcia Puppo. Especialista em Teatro Dança pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), em 1992. Graduado pela Faculdade Belas Artes de São Paulo, licenciado em Artes Cênicas (1984). Professor convidado da ECA/USP nos cursos de graduação. Coordenador Pedagógicoda SP Escola de Teatro - Centro de Formação das Artes do Palco. Desenvolve pesquisas na área da Educação e Arte, abrangendo os seguintes temas: metodologia de pesquisa, criatividade, pedagogia do teatro, jogo teatral, leitura da obra de arte.

O papel da personagem Dionélia Mutarelli será lido pela aprendiz de atuação Nádia Verdun.

Sobre a diretora

Bernadeth Alves começou a fazer teatro aos 16 anos, quando passou em um teste de elenco do diretor Antunes Filho para a peça Xica da Silva. Desde então, interessava-se mais por dirigir do que por atuar. "No primeiro dia, eu cheguei pro Antunes - eu não sabia nem quem ele era direito - e disse: 'eu não quero ser atriz, quero ser diretora e trabalhar com você'. Ele obviamente disse que não podia". Seis meses mais tarde, em função de conflitos com o diretor, Bernadeth deixou o núcleo e cursou artes cênicas na USP. Formada, retomou seus estudos em direção e decidiu especializar-se nos Estados Unidos. Em 2003, uma das montagens que dirigiu lhe rendeu uma bolsa de pesquisa na Alemanha, concedida pela UNESCO. Atualmente, é professora do núcleo de direção do Teatro Vocacional, dirige a peça Minha Família e mantém, em paralelo, uma pesquisa ligada às novas linguagens do teatro contemporâneo, contemplada pela lei do fomento ao teatro. Também atua em trabalhos sociais, que, segundo ela, são uma maneira de disseminar as possibilidades que o teatro oferece e compartilhar seus conhecimentos. Além disso, suas peças abordam sempre a temática das injustiças sociais, o que ela acredita ser parte da herança artística que traz por ser negra.

SP Dramaturgias
Leituras e análises de textos teatrais inéditos
Supervisão geral: Marici Salomão e Ivam Cabral
Coordenação: Jucca Rodrigues
Comissão de Seleção de Textos: Jucca Rodrigues e Marici Salomão
Coordenação Executiva: Gustavo Minghetti

SERVIÇO
SP Dramaturgias
Texto: “Entrevista com o Devorador de Ratos”
Quando: Terça-feira (9), às 19h30
Onde: SP Escola de Teatro – Sede Roosevelt
Praça Roosevelt, 210 – Consolação
Tel.: (11) 3775-8600
Entrada gratuita

Mais sobre o SP DRAMATURGIAS, clique aqui.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Leitura do texto "Entrevista com o devorador de ratos", de Rogério Viana, na SP ESCOLA DE TEATRO


E como já virou tradição na SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, nesta terça-feira (9), às 19h30, é dia do projeto SP Dramaturgias, uma série de leituras dramáticas de obras inéditas de autores contemporâneos, feita por formadores e aprendizes da Instituição. O evento é aberto ao público e tem entrada gratuita.

Nesta terça-feira será lido o texto “Entrevista com o Devorador de Ratos”, do dramaturgo Rogério Viana, com direção de Bernadeth Alves, artista residente do curso de Direção. A leitura dramática será feita pela aprendiz de Atuação Nádia Verdun e pelo coordenador pedagógico da SP Escola de Teatro, Joaquim Gama. “A participação do Joaquim reforça o caráter horizontal do projeto, ou seja, colocar num mesmo patamar aprendizes, formadores e coordenadores”, observa Jucca Rodrigues, coordenador do programa.

Detalhe: Rogério Viana não é aprendiz da escola. Ele é jornalista, autor e diretor de produção teatral, residente em Curitiba (PR). Como outros autores, ele resolveu enviar alguns textos para participar do projeto. Desses, “Entrevista com o Devorador de Ratos” foi selecionado. “Eu achei a iniciativa muito legal e decidi participar”, ele lembra. Aos interessados em enviar suas obras inéditas para análise e possível participação no SP Dramaturgias, basta encaminhar quantos textos quiser para o e-mail: spdramaturgias@spescoladeteatro.org.br.

“Entrevista com o Devorador de Ratos” retrata, como o próprio título indica, a entrevista de uma jovem jornalista e pesquisadora com um homem mais velho, autor consagrado. Com o desenrolar do diálogo, o que deveria ser um simples bate-papo revela-se uma disputa de territórios, que irá além das provocações e das palavras, dos jogos e dos desafios. Afinal, que mistérios os personagens Lourenço Machado e Dionélia Mutarelli escondem? Quem são eles?

SP Dramaturgias
Leituras e análises de textos teatrais inéditos
Supervisão geral: Marici Salomão e Ivam Cabral
Coordenação: Jucca Rodrigues
Comissão de Seleção de Textos: Jucca Rodrigues e Marici Salomão
Coordenação Executiva: Gustavo Minghetti

SERVIÇO
SP Dramaturgias
Texto: “Entrevista com o Devorador de Ratos”
Quando: Terça-feira (9), às 19h30
Onde: SP Escola de Teatro – Sede Roosevelt
Praça Roosevelt, 210 – Consolação
Tel.: (11) 3775-8600
Entrada gratuita



Texto: Majô Levenstein

SP Escola de Teatro - Centro de Formação das Artes do Palco
09/10/2012

segunda-feira, 30 de julho de 2012

SUNSET CULTURAL inicia cadastro de projetos culturais aprovados pela Lei Rouanet

A SUNSET CULTURAL iniciou o cadastramento de projetos culturais já aprovados pela LEI ROUANET (dentro do Artigo 18o.) para integrar portfólio de projetos da empresa em Curitiba.

A SUNSET atua em todo o território nacional com CAPTAÇÃO junto a potenciais e grandes patrocinadores culturais brasileiros.

Poderão ser cadastrados projetos de todas as áreas: teatro, música instrumental, dança, cinema, literatura, circo, artes plásticas etc.

Os projetos terão - necessariamente - estarem em vigor para este ano e que possam ser prorrogados para o ano fiscal de 2013.

Informações e cadastro diretamente no site da SUNSET CULTURAL.

Galpão Cine Horto de BH abre Núcleo de Pesquisa em Dramaturgia

A partir do desejo de promover encontros com dramaturgos contemporâneos em destaque na cena teatral brasileira, o Galpão Cine Horto abre inscrições para o Núcleo de Pesquisa em Dramaturgia, que, este ano, assume novo formato. Sob coordenação de Camila Morena e orientação do dramaturgo mineiro Julio Vianna, o Núcleo se organiza em cinco módulos, onde os alunos-pesquisadores terão contato com diferentes processos de criação e metodologias de trabalho. Em cada módulo, um dramaturgo convidado compartilhará seus processos e pesquisas com os participantes, entre eles: Grace Passô (MG), Márcio Abreu (PR), Roberto Alvim (SP), Newton Moreno (SP) e Jô Bilac (RJ).

* O Núcleo de Pesquisa em Dramaturgia do Galpão Cine Horto é oferecido gratuitamente, sendo cobrada apenas uma taxa de matrícula (R$ 100) no ato da inscrição.

* Os interessados deverão encaminhar carta de intenção e currículo para o email cursos@galpaocinehorto.com.br , até o dia 07 de agosto de 2012.

PROGRAMAÇÃO
Encontros aos sábados e domingos | 10h às 13h e 14h às 17h
Módulo 01 | 18 e 19 AGO | Grace Passô (MG)
Módulo 02 | 22 e 23 SET | Márcio Abreu (PR)
Módulo 03 | 27 e 28 OUT | Roberto Alvim (SP)
Módulo 04 | 10 e 11 NOV | Newton Moreno (SP)
Módulo 05 | 24 e 25 NOV | Jô Bilac (RJ)

* Público alvo: atores, diretores, dramaturgos, estudantes de Artes Cênicas e Letras, escritores, poetas e interessados na escrita teatral
* Vagas: 30
* Carga horária: 60h/aula
* Envio de currículos e carta de intenção: 02 de julho a 07 de agosto para o email cursos@galpaocinehorto.com.br
* Divulgação dos selecionados: 09 de agosto
* Matrículas: 10 a 14 de agosto (currículos aprovados) e 15 a 17 de agosto (excedentes)

Oportunidade imperdível!

quinta-feira, 26 de julho de 2012

O olhar de Nelson Rodrigues pelo "Buraco da Fechadura"



Buraco da Fechadura
De Nelson Rodrigues

Montagem dirigida por Rafael Camargo resgata a obra do dramaturgo para falar do humano e suas contradições


“Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico (desde menino).”
Nelson Rodrigues


Para comemorar os 100 anos de Nelson Rodrigues, um dos mais importantes ícones da dramaturgia brasileira e universal, surge Buraco da fechadura. A peça, com direção de Rafael Camargo, estreia no dia 1º de agosto e faz parte de uma série de eventos que estão sendo programados para a abertura do Portão Cultural, antigo Centro Cultural do Portão. O projeto é resultado da parceria entre as companhias Rumo e Coletivo Portátil do Theatro de Alumínio.

Da força natural, bruta e viva da obra do mais influente dramaturgo do Brasil, a montagem emerge a partir da compilação de alguns contos de “A vida como ele é”: O MonstroA dama do Lotação, Caça Dotes, Missa de Sangue,Veneno e Unidos na Vida e na Morte. Unindo fragmentados diálogos e as mais inusitadas situações, o diretor paranaense desenha através de um olhar particular o universo rodriguiano.

Limite, doença, paixão, força vital, sexo, culpa e medo. Na montagem, o humano e suas contradições convivem simultaneamente num caleidoscópio de experiências que traduzem o que somos capazes de ser, revelando o que não é permitido revelar. Tomados por sentimentos potencialmente incontroláveis, em estado febril, os personagens assumem o papel de pessoas próximas. Somos nós mesmos em situações limite, socialmente repreensíveis.

Como moldura, o buraco da fechadura. O silêncio e o respirar anônimo e ofegante do lado de cá inquieta tanto quanto o que acontece lá dentro. Em vários depoimentos, Nelson Rodrigues fala sobre este olhar: algo como espreitar, ver sem ser visto. O que não era para ser visto, o que era pra ficar entre quatro paredes, ou no máximo em família. Afinal, é sempre bom lembrar: às vezes estamos aqui, outras estamos lá.

FICHA TÉCNICA:
Da obra de Nelson Rodrigues - Adaptação, Dramaturgia e Direção| Rafael Camargo  Elenco| Adriano Petermann, Diego Marchioro, Marcel Gritten, Martina Gallarza, Rosana Stavis e Pagu Leal. Cenografia| Maria Baptista e Gabriel Gallarza  Cenotécnico| Alfredo Gomes Figurino| Paulo Vinícius Direção Musical| Leonardo Pimentel Arranjos| Leonardo Pimentel, Guilherme Miúdo e Lucas Melo lluminação| Beto Bruel  Realização| Rumo e Coletivo Portátil do Theatro de Alumínio.

SERVIÇO: 
Teatro Antonio Carlos Kraide - Portão Cultural
Avenida República Argentina, 3430, Água Verde - Telefone: 41. 3229 4458 e 41. 9876 3596
De 1º a 26 de agosto
Quarta-feira às 17h e 20h
Quinta a sábado às 20h e domingo às 18h
Ingressos: Quartas – 1 kg de alimento não perecível
Quinta a domingo – R$ 10 e R$ 5

terça-feira, 24 de julho de 2012

Imprecações: três textos inéditos de Michel Deutsch


Diego Duda, Mazé Portugal, Thadeu Peronne e Ludmila Nascarella, do elenco de Imprecações
(foto de Cayo Vieira)


             A Lei Municipal de Incentivo à Cultura, a Caixa Econômica Federal e o Grupo Positivo apresentam a estreia da peça Imprecações, da companhia Serial Cômicos dia 2 de agosto (5ª feira), às 20h, no Teatro José Maria Santos.
A montagem reúne três textos do francês Michel Deutsch entitulados As Despedidas (Les Adieux), Os Beijos (Les Baises) e Audição (L’Audition) com direção de Márcio Mattana e foi idealizada quando Thadeu Peronne participou da Oficina de Teatro Francês Contemporâneo (2002) com o autor. Peronne atua na peça e faz parte da linha de frente da Serial Cômicos junto com Mazé Portugal.
Organizado em torno do processo de colagem, o espetáculo mistura materiais contrastantes para produzir uma comédia crítica e repleta de cinismo, na qual o retrato da vida cotidiana convive com a farsa e a paródia.
A encenação de Márcio Mattana aposta no contraste entre uma elocução verbal rigorosamente realista e composições claramente artificiais, buscando sempre uma sensação de estranheza por detrás do humor. Nas palavras do diretor, “os materiais de Michel Deutsch, embora divertidos, têm um sentido político. Não se trata de simples matéria de diversão: trata-se de revelar a estranheza da vida ordinária para, por meio da paródia, criticá-la”.

O diretor
Professor de teatro na FAP – Faculdade de Artes do Paraná há quase uma década e mestrando em Literatura pela UFPR, Márcio Mattana foi o responsável pela primeira encenação brasileira de dramaturgos como Mark Harvey Levine (EUA) e Martin Crimp (Inglaterra).

O autor
O dramaturgo francês Michel Deutsch é, juntamente com Jean-Paul Wenzel, um dos criadores do Teatro do Cotidiano, movimento que promoveu importante renovação na dramaturgia francesa das últimas décadas. Sua obra extensa e heterogênea reúne desde grandes dramas de fundo histórico, como A Década Vermelha (La Decenie Rouge) até coletâneas de comédias curtas como John Lear e Imprecação 36 (Imprécation 36). Sobre o trabalho de Deutsch, o professor de estudos teatrais da Universidade de Paris, Jean-Pierre Ryngaert diz que “o humor cria um efeito de surpresa e propõe, de saída, um vínculo particular, "ativo", com o leitor, que se sente como convidado a participar de um trabalho de decifração do que está sendo escrito”. (Ler o Teatro Contemporâneo, Martins Fontes, 1998).

Serial Cômicos
A companhia é formada por atores-comediantes-criadores e vem desenvolvendo trabalhos de experimentação e busca de linguagens e técnicas teatrais diversas. Possui núcleos de trabalho em Curitiba e São Paulo e busca não apenas entreter, mas também provocar reflexões acerca do mundo em que vivemos. Segundo Mazé Portugal, atriz, produtora e também diretora da Serial Cômicos “o convite de diretores renomados faz parte da estratégia de pesquisa da companhia que está sempre buscando aprimoramento do seu trabalho.”
Dentre as principais obras, destacam-se: Cold Meat Party (Brad Fraser), Um Lugar Perfeito (Phillip Ridley), A Farsa do Boi (Adriano Barroso) e Os Bobos de Shakespeare.

FICHA TÉCNICA

Autor: Michel Deutsch
Tradução: Cynthia Becker e Marcelo Bourscheid
Direção geral: Márcio Mattana
Elenco: Diego Duda, Ludmila Nascarella, Mazé Portugal e Thadeu Peronne
Criação de Luz: Beto Bruel
Figurinos/Adereços: Paulo Vinícius
Trilha Sonora: Vadeco
Direção de Produção: Mazé Portugal e Thadeu Peronne
Design Gráfico: Aurélio Dominoni
Fotografia: David D’Visant

Serviço:

Imprecações
Comédia (duração: 60 min.)
Data: 2 a 19 de agosto
Horário: 20h (5ª feira a sábado) e 19h (domingo)
Telefone: (41) 3322-7150
Local: Teatro José Maria Santos I Rua 13 de maio, 655 I Curitiba-PR
(Possui estacionamento e acessibilidade)
Ingresso: R$10 e R$5 (estudantes, idosos, Grupo Positivo, clientes Caixa Econômica Federal)

Informações:  http://serialcomicos.blogspot.com

Márcio Mattana (ao fundo) com Thadeu Peronne,
Ludmila Nascarella, Diego Duda e Mazé Portugal.
(foto divulgação)

domingo, 8 de julho de 2012

IUNA promove Ciclo de Leituras Públicas em Buenos Aires

Teatro pela identidade, no Ciclo de Leituras Públicas do IUNA
O Departamento de Artes Dramáticas e a Secretaria de Pesquisa e Pós-gradução em Dramaturgia do Departamento de Artes Dramáticas do IUNA – Instituto Universitário Nacional de Arte, de Buenos Aires, vai promover, este ano, o III Ciclo de Leituras Públicas, dentro da temática do “Teatro pela Identidade” e em consonância com a posição do IUNA em relação aos direitos humanos. O III Ciclo de Leituras Públicas acontecerá em diversos locais de Buenos Aires durante o mês de setembro.

O evento argentino vai acontecer em face da ótima repercussão que teve no ano passado e que contou com a organização da diretora e autora Patrícia Zangaro, que dirige a secretaria de pesquisa e pós-graduação em Dramaturgia do IUNA, que tem dedicado atenção especial à nova dramaturgia latinoamericana, com textos de autores de vários países. No ano passado os diretores e apresentadores Gisel Sparza, José Enrique Escobar Klose, André Felipe, Fernanda del Monte, Nadia Rosero e Lore Díaz juntamente com Jenny Cuervo permitiram que se conhecesse a dramaturgia de Luis Barrales Guzmán (Chile), Diego Aramburo (Bolivia), Rubens Rewald (Brasil), Édgar Chías (México), Peky Andino (Ecuador) e Carolina Vivas Ferreira (Colombia).

A promoção do IUNA se contrapõe, de algum modo, às expressões dramatúrgicas com um olhar eurocêntrico, que demonstra sua força e hegemonia e que desestimulam e até inviabilizam a produção dramatúrgica de textos de autores da dramaturgia contemporânea da América Latina.

Informações sobre o III Ciclo de Leituras Públicas do IUNA

Secretaria de Investigação e Pós-graduação
French 3614 – Ciudad Autónoma de Buenos Aires
(5411) 4804.9743
Atendimento de segunda a sexta-feira das 10 às 16h.

dramaticas.investigacion@iuna.edu.ar
Visite o site da Secretaria de Pesquisa e Pós-graduação do IUNA, aqui

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Um Eco tardio...

Umberto Eco na ilustração que fiz.
Descobri Umberto Eco muito tardiamente, embora tenha lido seu famoso romance "O nome da rosa", pouco sabia de seu trabalho como ensaísta, como semiólogo. Em 2010, descobri (de novo nas Livrarias Curitiba) seu livro "Sobre a Literatura", com ensaios. É um livro que tenho relido sempre. Quase em cada uma de suas páginas tem um monte de anotações que tenho feito, sempre descobrindo alguma coisa que liga a outra. Quando fui escrever a peça "O dia em que morreu Leminski", fiquei bastante atento a alguns comentários que Eco havia feito na questão das remissões, da intertextualidade, das conversas que os livros, segundo ele, tem entre si nas prateleiras das bibliotecas. O último - e pequeno texto - publicado por Umberto Eco no livro "Sobre a Literatura" (páginas 304 e 305) é o que reproduzo abaixo:

O ESCRITOR E O LEITOR

Porém, não gostaria que estas últimas afirmações encorajassem logo uma outra, comum aos maus escritores: que você escreve apenas para você mesmo. Desconfiem de quem diz isso, é um narcisista desonesto e mendaz.
Só existe uma coisa que se escreve apenas para si mesmo, e é a lista das compras. Serve para lembrar o que você tem que comprar, e quando as compras foram feitas pode ser destruídas, pois não serve para mais ninguém. Qualquer outra coisa que se escreve, se escreve para dizer alguma coisa a alguém.


Tenho me perguntado muitas vezes: escreveria ainda se me dissessem, hoje, que amanhã uma catástrofe cósmica destruirá o universo, de modo que ninguém poderá ler aquilo que hoje escrevo?


Em primeira instância a resposta é não. Por que escrever se ninguém vai poder ler? Em segunda instância, a resposta é sim, mas somente porque nutro a desesperada esperança de que, na catástrofe das galáxias, alguma estrela possa sobreviver e amanhã alguém possa decifrar os meus signos. Então escrever, mesmo na véspera do Apocalipse, ainda teria um sentido.


Só se escreve para um Leitor. Quem diz que escreve apenas para si mesmo não é que minta. É assustadoramente ateu. Até mesmo de um ponto de vista rigorosamente laico.


Infeliz e desesperado aquele que não sabe se dirigir a um Leitor futuro.

Umberto Eco

Pois é... Eu tenho escrito bastante. E não faço apenas para manter meus dedos - ainda - ágeis. Nem minha cabeça em movimento no balanço de boas ou de más palavras. Tenho escrito com a mesma esperança de Eco: um dia alguém vai ler e dar uma mínima atenção ao que tenho escrito e registrado um pouco aqui, um pouco ali... neste mundão virtual que existe nas nuvens... E sempre tenho em mente a frase final de Eco: Infeliz e desesperado aquele que não sabe se dirigir a um Leitor futuro.

E para mostrar meu agradecimento ao grande escritor italiano, desenhei-o e mostro aqui, como homenagem a ele.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Um encontro com Júlio Cortázar

Ilustração de Júlio Cortázar que fiz.

Em fevereiro de 2010 traduzi o monólogo "Noite de verão bem longe dos Andes... ou diálogo com meu dentista", da autora argentina Susana Lastreto que mora em Paris. No texto ela relata um encontro que teve com o escritor Júlio Cortázar num teatro periférico de Paris. A ilustração de Cortázar é minha.


(...)

Terra de asilo dos mais brilhantes e eficazes intelectuais e terroristas do planeta. Digno de Shakespeare. E como já era viciada em Shakespeare, decidi fazer teatro, como Shakespeare! E assim foi quando conheci o Júlio (breve pausa) Júlio... sim, esse Júlio, o que escreveu a “A auto estrada do Sul” e os engarrafamentos, o que brincava de “ jogo de amarelinha”... agora não me recordo do seu sobrenome, porém é muito conhecido, vivia bem pertinho daqui.

(pausa)

O palco de um pequeno teatro no Bairro Latino: fazia parte de um elenco teatral ao lado do Negrito Wladimir – um cantor cubano que pode escapar de seu pais com as cordas vocais intactas -, Beba, que passou tanto tempo escondida que já não sabe falar porém é uma mímica genial -, Jean-François, - um francês desertor do Conservatório porque quer fazer teatro corporal e com os versos de Racine não consegue – e João, brasileiro especialista em capoeira e da venda de droga para financiar os espetáculos.

Havíamos montado um espetáculo musical-revolucionário- bilingue. Cantávamos : “Romper as cercas... romper as cercas” e... de repente, numanoite, entra Júlio e se senta na primeira fila, imenso, os olhos como imensas janelas negras, as mãos de gigante, um monumento de livros, de poemas, de cronópios, de jogos de armar, ali sentado na penumbra... Romper as cercas, romper as cercas... Porém, sim é ele... Sim, sim... não, Negro não... não pode ser, sim, sim... que qui? C´este qui, c´est qui, c´est qui, um producteur? Pergunta Jean-François, que sonha em ser um astro de cinema. Que ignorante! Canta, canta, concentre-se ou vai desafinar... Romper as cercas, romper as cercas... É apoteótico! Apó... o quê? Pergunta João. Que analfabeto, parece mentira! O momento, digo o momento é apoteótico, é um monumento da literatura mundial, não se dá conta, aí sentadinho neste teatrinho. E terá pago a entrada? Pergunta Negrito Wladimir, eterno morto de fome. A romper as cercas, romper as cercas.

Espero que não saia em seguida, espero encontrá-lo na saída, concentre-se que poderá desafinar, espero que me veja... porém o que lhe direi, Deus o que lhe direi? Sabe, eu queria ser escritora, me daria um conselho? Parece-me que uso adjetivos em demasia... O que opinará sobre apoteótico? Não estaria um pouco enfático? Romper as cercas, romper as cercas, agradeça imbecil não vê que estão aplaudindo, há quatro gatos pingados, porém aplaudem e teu monumento também aplaude...

Saio correndo do palco, camarim, calça boca de sino, bata indiana, o hall minúsculo do teatro.
Aí está, imenso, a cabeça roçando as nuvens. Não foi embora, está conversando com dois espectadores... de repente... olha para mim. Olha para mim! E sorri. Nas minhas costas surge todo o elenco – João, o Negrito Wladimir, Jean-François, Beba. Se aproximam, o rodeiam, perguntam que tal lhe pareceu a obra musical-revolucionario-bilingue, lhe pedem autógrafos!
Que desavergonhados, que atrevidos! Que desgraça é a timidez, sinto-me uma anã frente a esse corpo maciço que cresce e cresce, ocupa todo o espaço e transborda de outros céus. Eu me perguntei muitas vezes durante o espetáculo se você é de lá e fala perfeita francês ou se é daqui e fala perfeitamente o castelhano, senhorita? Eh? (para ela mesma) Fala comigo? Sorri: me interessa saber... tenho curiosidade... De onde é, de lá ou daqui? (emocionada, não lhe sai a voz e balbucia algo com os lábios, muda) Eu a parabenizo, você é perfeitamente bilingue... (ela agradece, muda) Agradeceu, sorriu, seguiu rua abaixo pela Mouffetard.
Viu só, disse Negrito Wladimir, foi uma boa ideia fazer um espetáculo musical-revolucionário-bilingue. Até temos autógrafos para vender, se a droga está sendo difícil colocá-la para a venda, disse João, prático. E eu contemplo Júlio seguir rua abaixo e fico aquí, paralisada, sem nada dizer, sem ter podido perguntar-lhe se o apoteótico era demasiado enfático, nem como se diz nostalgia em francês, nem em que idioma é menos doloroso viver.

(solo de bandoneon)

domingo, 22 de abril de 2012

Um monólogo inspirado em Shakespeare

Escrevi em dezembro de 2010 a peça A ARTE DO MONÓLOGO - são vários monólogos na peça - e um deles inspirei-me numa das cenas de Romeu e Julieta.

Saiu assim:

Inspirado na Cena 2 - Jardim dos Capuleto – de Romeu e Julieta – William Shakespeare

(entra Romeu e deita na mesa. Uma luz azulada forte ilumina a mesa onde está o homem. Ela faz as duas vozes – de Romeu e Julieta)

Romeu - Só ri dos meus piercings quem nunca foi ferido por eles...ou com eles...
Silêncio, porra! Que merda de farol é este na janela? É a luz de uma sala de cirurgia, mais forte que a luz do sol? Cadê meus óculos escuros? Onde colocaram o meu colírio? Apaguem esta luz forte, seus merdas! Tá me dando uma zonzeira. Parece que estou vendo meu amor. O piercing dela em minha boca. O meu em sua boca. É minha dama, é o meu amor. Se ela ao menos soubesse que estou aqui, zoado com esta puta luz forte na minha cara! Estou sonhando com minha amada ou é uma puta de um trip animal? Alguém me diz umas coisas! Respondo ou não? Sou muito ousado... tenho pra lá de trinta piercings, não é a mim que ela fala. O brilho vem de seus olhos, minha amada? Como ela apóia seu rosto na mão! Como eu queria ser uma luva em sua mão, para poder tocar aquela face! Mas que porra! Essa mulher com uma luz tão forte atrás está de luva. Eu é que queria ser uma luva em sua mão. Mas ela está de luva... parece que usa uma máscara!
(Julieta usa uma meia máscara fixada numa haste)
Julieta – Ai de mim!
Romeu – Ela está falando! Fale de novo, anjo brilhante, anjo glorioso no alto dessa noite, com essa puta luz forte, mas bonita em sua cabeça. Estou vendo a luz e será que pobres mortais arregalam os olhos e enxergam luz tão bonita? Ou devo torcer o pescoço dos que também enxergam esta puta de uma luz bonita pra caralho? Você está envolta numa luz bonita, agora parece cavalgar em nuvens, que vão preguiçosas no céu. Você cavalga ou veleja nas nuvens, minha amada?
(Julieta usa uma meia máscara fixada numa haste)
Julieta – Romeu! Romeu! Porque você é Romeu? Será que você ainda não adormeceu de vez? Eu sou sua médica, tentando aplicar-lhe uma anestesia geral, mas você não para de falar! Não negue receber a anestesia, Romeu. Nem renuncie aos nossos procedimentos cirúrgicos. Se a cirurgia não for bem sucedida eu poderei deixar de ser médica e terei meu registro cassado no CRM...
Romeu (à parte, meio sonolento) – Devo ouvir mais ou devo responder?
(Julieta usa uma meia máscara fixada numa haste)
Julieta – Não você, mas apenas seu nome poderá ser meu inimigo num processo judicial, caso esta cirurgia não dê certo! Você continuaria sendo meu paciente, mas, agora, me parece que você não é mais, está deixando de ser. Não é na mão, nem no pé, nem no braço ou no rosto que você tem esses piercings. Você tem em toda parte do corpo. Tem até aqui, na parte inferior de sua glande – que é grande, Romeu! Assim, Romeu, se você não tivesse tantos piercings até que poderia ser um homem interessante. Poderia ter conservado sua beleza, sem essas centenas de pedaços de aço e de prata, espetando todo o seu corpo. Romeu jogue fora os seus medos, digo, os seus piercings que não são parte de você mesmo e fique comigo, aqui, inteiro!
Romeu – Peguei você pela palavra! Deu-me o nome de coisa simples, uma simples pequena cirurgia, sem complicações. Será que serei eu mesmo depois que você terminar essa porra dessa cirurgia? Ou nunca mais serei Romeu? O Romeu, o príncipe dos piercings?
(Julieta usa uma meia máscara fixada numa haste)
Julieta – Quem é você que foi escondido na noite lá no meu consultório e que, agora, aqui, não adormece para eu concluir o procedimento cirúrgico? Quem é você que quis que eu resolvesse seu problema com este maldito piercing e que me disse, quase chorando, quando você tirar esta porra do meu pau, eu quero penetra-la inteirinho?

Romeu – Estou zuado e nem sei mais quem sou eu e muito menos quem é você, mulher da luz forte! Meu nome, minha cara santa, digo doutora da Santa Casa, por que está me tratando como seu inimigo? Será que terei que rasgar a autorização que lhe dei por escrito?
(Julieta usa uma meia máscara fixada numa haste)
Julieta – Ainda não ouvi sequer cem palavras de sua boca, mas ainda sei que você não está completamente anestesiado e continua semi consciente. Você ainda sabe que é Romeu, o príncipe dos piercings? Ou você é outro Romeu, quando está chapado?
Romeu – Nem um nem outro, se lhe desagradam.
(Julieta usa uma meia máscara fixada numa haste)
Julieta – Como chegou aqui, diga-me, por onde veio? Os muros da Santa Casa não são fáceis de escalar, e o lugar é mortal para você. Vai que você caísse lá de cima. Ainda mais, subiu pelo lado de fora do prédio e teve a coragem de pichar uma frase de amor lá no alto. Se o diretor do hospital souber que a frase é para mim, estou ferrada. Digo, serei admoestada por ele!
Romeu – Eu subi lá com as asas do amor, voei sobre eles; não há muros de pedra para o meu amor, nem seus parentes ou o diretor da Santa Casa poderia me encontrar lá em cima.
(Julieta usa uma meia máscara fixada numa haste)
Julieta – Se eles o tivessem pegado lá em cima, eles o matariam, digo, o processariam, se o vissem.
Romeu – Ai de mim! Há mais risco eu ficar com este soro enfiado no braço e esta máscara de oxigênio na cara que enfrentar o tal diretor. Este soro é muito doce? Pois nem mais sinto aquela larica crônica que sentia antes de aqui chegar.
(Julieta usa uma meia máscara fixada numa haste)
Julieta – Por nada deste mundo quero que o vejam aqui, nesta sala de cirurgia que arrumei às pressas para atendê-lo.
Romeu – Tenho o manto da noite para ocultar-me em minhas andanças quando estou com minhas latas de tinta spray. Não me importo quando me enxergam. Prefiro a morte rápida pelo ódio que todos sentem por mim quando dou uma pichada bem feita em qualquer prédio. Mas estou falando cada merda, agora! Que zoeira estou sentindo, porra!
(Julieta usa uma meia máscara fixada numa haste)
Julieta – Quem foi que lhe ensinou este caminho?
Romeu – Foi o amor, digo, foi essa puta dor que estou sentindo que me obrigou e me encorajou. Deu-me conselhos, eu sei, mas fiquei com olhos e ouvidos tapados. Não acreditei que pudesse ficar com um puta de um problema, aqui no meu bilau! Mas eu a encontraria mesmo na mais longínqua praia, digo, cidade, melhor dizendo, hospital, clínica ou pet shop. O que estou falando mesmo? Será que corro risco de perder o pau, o meu bilau, o meu cacete, só por causa desse maldito piercing que enroscou na sua boca, no seu dente, no seu aparelho de ortodontia?
(apaga a luz)
(pausa)

Tem início amanhã o "Abril de Shakespeare VI"



O evento “ABRIL DE SHAKESPEARE VI”, tem início amanhã, dia 23 e será realizado até 27 de abril de 2012, objetivando, principalmente, divulgar e popularizar a obra de Shakespeare e introduzir o público participante no universo multifacetado do autor sob uma ótica contemporânea. 


Após o sucesso das cinco edições do "ABRIL DE SHAKESPEARE" (2006, 2007, 2008, 2009 e 2010), tradicionalmente realizadas na semana do dia 23 de abril, data do aniversário de nascimento e morte de William Shakespeare, o evento, que passou a ser bienal a partir de 2010, já se tornou um marco no calendário cultural de nossa cidade que vem sendo apontada como uma das principais cidades de nosso país que cultivam a arte e a cultura. 

A coordenação do evento está a cargo das professoras Dra. Liana de Camargo Leão (UFPR), Dra. Célia Arns de Miranda (UFPR) e Dra. Anna Stegh Camati (UNIANDRADE) que organizam e coordenam esse evento inter-institucional desde a sua criação em 2006.


Com entrada franca, é dirigido não apenas ao meio acadêmico, professores, alunos de graduação e pós-graduação, mas à comunidade curitibana como um todo e, neste ano de 2012, contará com o apoio e a colaboração das seguintes universidades, instituições culturais e outras: Universidade Federal do Paraná (UFPR), Centro Universitário Campos de Andrade (UNIANDRADE), Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Cultura Inglesa, Solar do Rosário, Casillo Advogados e Country Clube. 


A programação, que incluirá um mini-curso e palestras seguidas de debates, será desenvolvida por renomados especialistas shakespearianos, respeitados no Brasil e no exterior, oriundos de vários estados brasileiros.


Informações pelo fone 3015-5005 - ramal 1335

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Levar Flores sem lhe ver

Uma tragicomédia de humor patético é a peça "Levar Flores sem lhe ver".
Estreia amanhã, às 21h00, no Mini auditório do Teatro Guaira a peça "Levar flores sem lhe ver", escrita, dirigida e coreografada por Cleide Piasecki. O espetáculo será apresentado de 5a. feira a sábado, às 21 horas e domingos, às 19h00 e ficará em cartaz até o dia 22 de abril, na semana que vem. 


É uma tragicomédia apresentando três personagens e suas histórias de um humor patético, que através de uma infeliz coincidência acabam saindo do anonimato. O título também se refere a uma imagem recorrente na mídia, as pessoas levando flores as embaixadas e monumentos em homenagem aos "mortos do dia".

Três mulheres encontram-se ao acaso viajando clandestinamente no compartimento de bagagem de um avião. Três Marias: Maria Ana, uma bibliotecária que sonha em ser compositora; Maria da Graça, maquiadora de funerária que sonha em ser atriz e Maria Suzete, uma taxidermista que sonha em ser cantora.

Seus objetivos, tentar a vida em outro país. O avião, um Boeing da United States Airlines com sessenta e cinco passageiros e, segundo nossa história, três clandestinas que acabarão realizando seus sonhos de uma forma inusitada.

FICHA TÉCNICA

Maria Ana: Cleide Piasecki
Maria Suzete: Fernando Bachstein
Maria da Graça: Marcia Gomes
: Melissa Giowanella

Produção: Melissa Giowanella e Joseph Fragerri
Iluminação: Victor Sabbag
Sonoplastia: Cleide Piasecki
Coreografia: Cleide PIasecki
Operador de sonoplastia: Geff Gonzalez
Operador de iluminação: Guerreiro
Foto e vídeo: Lincoln Barela


De 12 a 22 de abril no Mini Auditório do Teatro Guaíra. 
De 5ª a sábado às 21h e domingos às 19h.

Ingressos: R$20,00 inteira - R$10,00 meia


Mini Auditório do Teatro Guaira

R. Amintas de Barros, s/n, Centro - Curitiba - PR
Fone 3304-7982

www.teatroguaira.pr.gov.br

Cleide Piasecki é a autora, diretora e coreógrafa da montagem

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Ana, amanhã no teatro Londrina: as faces de uma rainha, amante, mulher


A história ficcional dos “momentos de morte” de Ana Bolena, rainha da Inglaterra executada, em 1536, por ordem de seu marido, Henrique VIII, será contada no monólogo “Ana”, adaptada, produzida, dirigida e interpretada por Márcia Mendonça que será apresentado na Sala Londrina, amanhã, dia 6,  sábado e domingo (dias 7 e 8 de abril), na programação do Fringe, no Festival de Curitiba. 

Acusada de adultério, incesto e bruxaria, Ana empreende uma viagem por sua pequena vida mergulhando nas profundezas de sua alma, imersa no medo do desconhecido que a espera. O último suspiro. A última palavra. O último pensamento. Não há tempo para frente. Não há mudanças para trás. Ser o “SER” que se constata a cada instante, que se desvenda que se quer, ou não, “SER”. Na eminência, no medo da morte, a resistência à inércia, a luta pelo pensar contra o instinto de desistir. A Bruxa? A Santa? Quem você poderá encontrar? 

“Ana” foi adaptada por Márcia Mendonça a partir do original “Ann”, de David Turner. A atriz e produtora dirigiu, entre 1997 e 2002, em São Paulo, a Cia. CincoINCena e retoma a cena, a pesquisa e, sobretudo, o estudo da integração entre as ciências humanas e todas as dimensões do Teatro. “Ana” é um relato humano sobre a morte, a vida e o feminino. 


Questões do “ser” e de ser mulher 


Ancestralidade, astros, arquétipos, complexos, educação, ambiente, cartadas da vida? Tudo isso junto? 

“Pode ser, porém, o fato é que muitas de nós temos facilmente nos deixado “coroar pelo animus”. Então nos figuramos das mais diversas formas para não enfrentar a difícil missão de não nos deixarmos dominar por ele. Vestimo-nos de mães, de amantes, de executivas, de militantes, de ecologistas, de naturalistas, de intelectuais, e tudo isso parece ser mais interessante e indiscutivelmente mais fácil de ser, do que ser Mulher. Estamos sempre insatisfeitas, pela metade, sempre está faltando uma parte de nós, ou em nós”, revela Márcia Mendonça. 

A produtora, que dirige e interpreta fala sobre o “ser” e ser mulher. Diz ela: “Talvez porque não haja ciência, nem tão pouca direção para isso. Somos multifacetadas, confusas, sentimentais, guerreiras, frágeis, resistentes, somos dialéticas, mesmo em momentos de aparente equilíbrio. Um vale a ser preenchido, um espaço oco que ressoa em nossa alma em forma de ilusão, mágoa e ansiedade, enquanto esperamos que nossa Mulher seja desvendada pelo outro”. 


Um presente na forma de descoberta 


A diretora conta que o desafio de produzir e interpretar Ana Bolena no monólogo “Ana” surgiu no ano passado quando ela completou 40 anos. E diz: 

“Este trabalho é um dos meus presentes de aniversário. Voltar a estudar é outro. Coisas que tem a ver com a metade da vida e a revisão que muitos de nós costumamos fazer neste momento. Afinal, para que jogar uma vida toda na mão de um só se somos muitos, e podemos vivê-los em ascensão, até minimamente nos aproximarmos de um rascunho de totalidade ou individuação?” 

Márcia Mendonça comenta que aceitou para si o desafio de buscar entender “esta misteriosa coisa que é a vida” e tentar descobrir no mistério “onde estaria a minha Mulher”? Para ela, de repente, o que antes era um orgulho, dizer que “eu era quase um homem passou-me causar angústia, vergonha e aprisionamento”. 

Foi assim que buscou o desafio de entender-se um pouco mais e viu na personagem histórica de Ana Bolena, a oportunidade de pesquisar a psique da rainha que foi decapitada, e transformar toda esta matéria prima em obra teatral. Isso, segundo comentou, a fez promover a descoberta de sua “própria Mulher, mais do que com o meu retorno ao Teatro, que é apenas um tentáculo de tudo isso”. 

Segundo Márcia Mendonça, “Ana Bolena, foi uma contraditória, pois bem, foi essencialmente Mulher. Viveu suas contradições plenamente. Uma mulher poderosa, num mundo de Homens. Ela teve sede como qualquer uma de nós e se perdeu. Mas, se há algo em comum entre todas nós, é que sede. E tomando a liberdade do plágio: - Você! Tem sede de que?” 

A história ficcional de Ana Bolena se dá, no palco, em três planos: Tomada de Consciência (Inconsciente), jornada ao self; Presente (véspera de sua morte na Torre de Londres) e o Passado (as lembranças). “Ana”, como conta a diretora e atriz, é o resultado de uma experiência de 18 anos de teatro, no palco, na direção, em pesquisas e estudos diversos. 

Ficha técnica 

Texto Original: David Turner
Tradução: Lhoyane Oliveira
Outras Traduções: Silvia M. Bellintani.
Adaptação Dramaturgia: Márcia Mendonça
Direção e Interpretação: Márcia Mendonça
Iluminação: Eduardo Albergaria
Designer Gráfico: David Galasse
Designer de som: Paulo Marquezini
Figurino: Márcia Mendonça e Maria Célia Matt
Cenografia: Márcia Mendonça
Apoio na produção local e assessoria de imprensa: Rogério Viana


Sala Londrina – Memorial de Curitiba

Dia 6 de abril, às 16h00; 7 de abril, às 19h00 e 8 de abril, às 16h00.

Disponho de alguns ingressos gratuitos. Os interessados poderão ligar para meu número 41 8803 7626 para reservar.