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Alunos da UTFPR (curso de Letras) comigo e com a professora Maurini Souza |
Na tarde de terça feira, dia 1 de novembro de 2011, fui convidado pela professora Maurini Souza para participar de um encontro com alunos do 4o. período do curso de Letras da UTFPR - Universidade Tecnológica do Paraná, em Curitiba. No encontro abordei alguns aspectos da construção de diálogos no teatro contemporâneo. Em seguida, os 11 alunos presentes fizeram a leitura de páginas iniciais de alguns dos meus textos de teatro. Para finalizar o encontro, foi proposta a seguinte atividade a eles. Todos deveriam preencher fichas contendo uma Ação, um Objeto, um Personagem, uma Situação e um Tema. Os alunos, em duplas, escolheriam, então, cinco fichas e, sobre o que estas indicassem deveriam escrever um texto livre, no formato de texto teatral ou não.
Os textos apresentam temas, personagens, ações, situações e objetos absurdos, mas essa era mesmo a ideia, afinal cada dupla trabalhou com uma mistura de sugestões que deveriam seguir à risca.
A primeira dupla que me enviou o texto finalizado e que foi lido no final do encontro na UTFPR foi a composta por Felipe Souto Maior (aluno) e Maurini Souza (professora).
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Felipe Souto Maior e a professora Maurini Souza |
Texto I
(voz anunciando nos
alto-falantes do aeroporto)
- O Aeroporto Internacional de Munique informa aos passageiros do vôo
3557 com destino a Veneza que prossigam ao portão LH para embarque imediato.
(mulher está na fila do
check-in e se aproxima do homem que está na sua frente, interpelando-o)
- Desculpe senhor, mas você está chamando atenção na fila! Por um
acaso aconteceu algo sério para o senhor se encontrar nesse estado precário? O
senhor está com um cheiro peculiar!
- Ah!, liga não, é só vômito! Ruim mesmo é o que a megera me fez! Que
coragem me trair na nossa cama!
- Mas o senhor vai mesmo viajar assim desse jeito?
- O quêeee! Dez anos juntos, inseparáveis como a pimenta e o acarajé!
Que ousadia descarada!
- Mas é importante esse vôo?
- Mas claro! É um almoço de domingo em família! Tomara que a gente se
sente junto pra eu te contar tudo!
- Licença senhor, vou ali comprar um sorvete e já volto!
(ela segura a ânsia de
vômito e dirige-se à sorveteria)
- A senhora não me parece bem, vou acompanhá-la! Eu to vendo a senhora
sozinha, por acaso é solteira, ou desiludida como eu?
- Solteira, empresária dedicada ao trabalho e felizmente jovem! Estou
quase nos 40!
- Sério, mas nem parece! Qual a idade da moça?
- Só vou dizer por que o senhor me parece simpático e está passando
por uma crise!
(ela sussura no ouvido dele)
-35!
(ela dirige-se ao atendente
da sorveteria)
- Moço, me vê uma bola de morango com calda de caramelo por favor!
(ela paga e começa a lamber
o sorvete)
(toca o celular dele)
- Desculpa, esse Motorola é de 2002 e me enche o saco com tantos
problemas, ainda mais que deve ser a bendita, mas tenho que atender! O pior é
que a amo mesmo assim!
(ele põe seus óculos
escuros e atende a ligação com uma expressão nervosa no rosto)
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Robinson Kremer e Maria Moraes |
Texto 2
Maria Moraes e Robinson Kremer (alunos)
(Mulher de 40 anos, jovial, morena, usando jeans e camiseta e com uma bolsa grande, sai do seu lugar dentro do ônibus biarticulado e começa a apalpar o motorista. Os dois começam uma discussão.)
- Ô dona, o que é isso?
- Eu tô procurando alguma coisa que eu acho que você de ter...
(O motorista olha para ela. Está confuso.)
(A mulher continua apalpando.)
- Tira a mão daí, dona! Tô dirigindo.
- Eu tô muito necessitada. Me dá agora!
- Você não pode esperar?
- Mas é urgente! (enquanto fala, coloca as mãos sobre os peitos)
(O motorista para o ônibus, completamente irritado. Fica em pé e vira-se para ela)
- Chega! Do que você precisa?
- Já achei o que eu preciso.
(Cara de felicidade. Ela leva uma das mãos como se fosse pegar entre as pernas do motorista, mas enfia a mão no bolso dele e tira de lá uma caneta Bic.)
- Ah, era isso?! (Ele levanta os braços, um pouco ressentido pois achava que ela procurava por outra coisa. Ele deixa à mostra o relógio)
(A mulher olha fixamente para o pulso do motorista, faz cara de surpresa e pega no pulso dele.)
- Esté é muito melhor, será o fecho perfeito.
(Enquanto o motorista observa, completamente estupefato, ela retira o relógio de seu pulso e volta a sentar-se.)
- Estou indo me encontrar com um rapaz e meu sutiã arrebenta! Muito azar.
(De repente as luzes se apagam. A voz do diretor a traz de volta à realidade)
- Vamos ensaiar pessoal!
(Ela sai correndo da coxia e toma o seu lugar no palco.)
Os textos dos demais alunos (em duplas) serão publicados na sequência, aqui.
yey. Muito legal este texto. E muito legal a atividade de criá-lo. Eu ri muito (com a criação do meu texto peculiar rsrs)
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