segunda-feira, 21 de março de 2011

Um pouco sobre Gracia Morales e a peça "Quinze Degraus"

Gracia Morales, a autora de "Quinze Degraus" 

A atriz, autora e professora espanhola Gracia Morales foi duplamente premiada, em 2000, com o Prêmio Marqués de Bradomin e com o Primer Accésit IV - Premio Romero Esteo, na Espanha, pelo seu texto "Quinze Degraus" (Quince Peldaños). No ano seguinte, no Teatro Alhambra, em Granada, onde nasceu e é professora, Gracia Morales viu seu texto ser encenado pelo Centro Andaluz de Teatro (dia 3 de outubro de 2001). 
O prêmio Marqués de Bradomin é um dos principais prêmios dados na Espanha a autores de teatro e, em 1985, premiou o autor e diretor catalão Sergi Belbel, com a peça "Caleidoscópio". Belbel é autor do polêmico texto "Carícias", que virou filme na Espanha e aqui, em Curitiba, em 2009, foi matéria de estudo na oficina de dramaturgia do SESI Paraná, por Roberto Alvim e está sendo ensaiado para ser encenado por um grupo teatral vinculado a uma universidade paranaense ainda este ano.

Quinze Degraus

Em fevereiro divulguei neste blog um curso a distância de dramaturgia que Gracia Morales está orientando a partir de Granada, na Espanha, junto ao CELCIT de Buenos Ayres. Foi através de um primeiro contato com ela que fui conhecer todos os seus trabalhos, sugeri divulgá-los aqui em Curitiba e, se fosse possível, queria traduzi-los. Gracia Morales prontamente enviou-me três dos seus premiados textos e há 10 dias concluí a tradução de "Quinze Degraus".

São estes os personagens de "Quinze Degraus":

ANDRÉS – número 38 A
Quarenta e três anos, casado, administrador de imóveis
Pontuação obtida: 8,75
Destino: Tárheos
Viaja com sua mulher

JÚLIA – número 38 B
Vinte e oito anos, casada, sem profissão
Pontuação obtida: 5,5
Destino: Tárheos
Viaja com seu marido

ELIAS – número 15
Dezenove anos, solteiro, estudante
Pontuação obtida: 7
Destino: Kadmán
Viaja desacompanhado


O cenário

Encontramo-nos em um espaço indeterminado, sem sinais precisos de identidade: nem pretende resultar amável, nem tampouco ameaçador. Há algumas cadeiras metálicas dispostas ao acaso. O mais indubitável é o relógio que desce do teto, assinalando eficazmente cada um dos segundos transcorridos.
Neste lugar se encontram ANDRÉS e JÚLIA. ANDRÉS (quarenta e tantos anos, elegante sem pretender, bem apessoado, roupa confortável com um ligeiro toque de distinção) está sentado em uma das cadeiras, de frente a uma pequena mesa sobre a qual há um tabuleiro de xadrez. JÙLIA (vinte e nove ou trinta anos, com uma leve maquiagem, óculos de sol, sandálias, talvez um vestido leve, com certa sofisticação), está sentada na parte mais alta de uma escada de quinze degraus com a naturalidade própria de quem está há muito tempo ali e sente que esse objeto é uma prolongação de seu próprio corpo. Sustenta um binóculo, o qual pende em seu colo por uma correia; sobre suas pernas vemos um bloco de notas e uma caneta esferográfica. Permanecem quietos, até que o relógio assinale dez horas, em ponto. Então tudo começa. 

(Abaixo alguns diálogos de "Quinze Degraus")

(...)



JÚLIA - (voz em off) – Algumas noites chegam até doze ou treze embarcações. Trazem pessoas descalças, escuras como formigas, arrastando mantas e pequenas trouxas de roupa suja. Os dias de temporal a polícia tem que fazer sua ronda muito cedo, para levar os corpos que o mar trouxe até a beira da praia, antes que os meninos comecem a brincar na areia.

(Júlia abaixa o binóculo)

JÚLIA – Gostaria que fosse escorregadiça.

ANDRÉS – O quê?

JÚLIA – A cidade...

ANDRÉS – Ah... Porém nunca se sabe...

JÚLIA – Talvez tenha muitas torres. (Fecha os olhos) Há pouca luz aqui, não é?

ANDRÉS – Por causa do binóculo.

JÚLIA – Como?

ANDRÉS – Parece que não ficam bem ...

JÚLIA – Não, não... São perfeitos... Daqui tudo é pequeno e distante.

ANDRÉS – Pequeno e distante?

JÚLIA – Sim...

ANDRÉS – (Com indiferença) – Inclusive eu...

JÚLIA – (olha para ele pela primeira vez. Ele, no entanto, não olha para ela) – Não, Você é diferente.

ANDRÉS – Trouxemos os livros de arqueologia, não é? Em Tárheos talvez valha a pena consultá-los.

JÚLIA – Sempre tem sido diferente... (com certa ansiedade) E eu? Como me vê aí de baixo?

ANDRÉS – Permanece igual.

JÚLIA – Igual desde quando?

ANDRÉS – Como antes.

JÚLIA – Não... Estou mais velha. Você olhou bem para minhas mãos? (olha para elas). Estão ficando enrugadas. E estão repletas de teias de aranha. (pausa) Temos água?

(...)

Quem se interessar pelo texto de "Quinze Degraus" pode solicitá-lo que enviarei no formato PDF através do meu e-mail: rogeriobviana@yahoo.com.br


Serial Cômicos leva ao palco "Amores (re) partidos", de Douglas Daronco

Thadeu Peronne e Mazé Portugal
A companhia de teatro Serial Cômicos apresenta dois textos de Douglas Daronco que foram reunidos na peça "Amores (re) partidos" e que serão apresentados de 6 a 10 de abril no mini auditório do Teatro Guaira, dentro da programação do Festival de Curitiba.

Hoje a "Gazeta do Povo" publicou matéria sobre a peça "Amores (re) partidos" - formada pelos textos "Lapso" (monólogo) e "Teia" - que tem a direção de Thadeu Peronne e as participações dele como ator, Mazé Portugal e Ana Paula Taques.

Vejam a íntegra da matéria no link aqui.

Douglas Daronco

domingo, 20 de março de 2011

Além da palavra e do coração

Comentários abertos sobre “Um erro que vive”, texto teatral de Gustavo Lemos, jornalista e autor de Maringá (PR)

O jogo se faz jogando. Entrar num jogo sem saber quais são suas regras, muitas vezes, pode ser mais que um desafio. Pode ser uma possibilidade de descoberta. Também pode ser um grande engano. Pode ser bom, pode ser um erro. Pode ser tudo. Tudo depende de como aceitamos entrar no jogo e viver o que dele nos será oferecido. E do que deles vamos tirar de proveitoso, de experiência, enfim, de vida. Jogar é viver. E viver é não ter medo de nenhum tipo de jogo. Com ou sem regras conhecidas ou reconhecidas.

No jogo do teatro, o embate inicial quando se pega um texto dramatúrgico para ler pela primeira vez é – na maioria das vezes – de desconforto. Estamos sentados na mesma cadeira confortável e diante da mesma tela do computador onde escrevemos e lemos de tudo um pouco. O objeto que aparece ali, na nossa frente, no entanto, não é algo que nos proporcione facilidades, nem traga, logo de cara, clareza. E o desconforto se acentua quando temos que nos defrontar com o desconhecido. Temos que defrontar esse desconhecimento com o pretenso conhecimento nosso de cada dia. E é aí que o desconforto se amplia e que se configura, queiramos ou não, desafiador. O desafio de um novo jogo que nos apresentam sem regras conhecidas, sem oponentes identificáveis, sem metas estabelecidas, sem truques ou saídas anunciadas previamente. Enfim, entramos num jogo que se jogará dentro de uma sala escura, com muitas foices sendo movimentadas por todos os lados, por cima, por baixo, de lado, no meio. E onde devemos ficar? Neste jogo de “foice no escuro”, aceitar a leitura de um novo texto dramatúrgico tem que ser considerado um ato de coragem. Também de desprendimento. Coisas muito raras, hoje em dia.

Foi assim, surpreso e agradecido, temeroso e confiante ao mesmo tempo em que aceitei não só fazer a leitura do que acho ser o primeiro texto na proposta de Gustavo Lemos para sua participação na Oficina Regular do Núcleo de Dramaturgia SESI Paraná, regional Maringá, como também, e principalmente de ir além da leitura panorâmica de seu texto teatral. O que tem o título de “Um erro que vive”.

Por coincidência, esta semana, por força de um trabalho que estou iniciando, voltei a reler alguns livros de memórias e de biografias. Livros sempre interessantes para leituras os que trazem a voz do personagem sendo narrada pelo próprio personagem, como no livro do publicitário Alex Periscinoto, um dos ícones da publicidade brasileira e mundial, que, em meados dos anos 1990 escreveu com Izabel Telles seu livro de memórias que tem o título “Mais vale o que se aprende que o que te ensinam”.

Aqui vale relembrar que a frase que dá título ao livro de Periscinoto é mesmo uma verdade. O que nos ensinam pode viciar, podem induzir a caminhos errados. Ou não. Não tem valor, segundo ele, o que nos ensinaram, mas o que aprendemos. E muitas vezes o aprendizado mais forte se dá pela escolha de um caminho errado. O caminho que se escolhe pelo lado fácil, pelo convencional, pode dar certo, mas dando certo pode ter sido por força do acaso, da sorte, do erro que viveu seu momento de acerto.

Quando erramos ao fazer alguma coisa, erramos por tentarmos acertar. Quando acertamos, acertamos sem perceber que um erro não foi revelado naquele episódio e que o que esconde poderá ser catastrófico para nós no futuro. Mas só vamos saber se o acerto foi mesmo um erro, muito tempo depois. Quando erramos feio, o erro nos ensina uma lição imediata. Fica evidente. Está posto diante de nossa perplexidade, surpresa. De nosso espanto: Nossa! É assim?

E sempre a resposta é: Sim, é assim! Mas pode ser pior!

Então, abatidos, recuamos. Tomamos um pouco mais de ar fresco, respiramos fundo. Antes, claro, poderemos chorar. Ficar indignados. Podemos lamentar: Como fui burro! Como fui burro! E, diante de reações mais ou menos comuns ao que coloquei enxergarmos exatamente a lição que será nosso grande aprendizado. Está lá em nossa cara. Limpa, legítima, real e verdadeiramente exposta para nós. Era assim que eu devia ter feito? Era. Mas era mesmo assim? Era. Mas...

Mas, e sempre há um “mas” em quase tudo, nós poderíamos optar por outros caminhos além daquele que se nos apresenta óbvio. Os caminhos sempre são mais amplos. As saídas sempre são variadas. Apenas temos que aprender a não focar apenas numa alternativa. E, mais que isso, a não olhar apenas para a primeira porta que se abre diante de nós. Alguém já viu como alternativa válida sair pela janela. Sabemos que sempre há muitas portas e janelas nos lugares. Podemos sair, no entanto, pela porta dos fundos. Quando nos impediram de sair pela porta da frente. Sabemos que, impedidos de sair até pela porta dos fundos, nossa alternativa foi aceitar ser defenestrado. E defenestrado é ser jogado janela afora... (já que fenestra é janela em italiano e tem palavra similar em francês).

Mas a questão toda do nosso aprendizado é que, dentro ou fora, cada etapa de nossa experiência, é válida. Com erros, com acertos, é válida. E é muito mais válido se enxergarmos que no nosso acerto podemos refazer o caminho de volta às origens e, daí, sim, avaliarmos passo a passo onde foi que acertamos ao errar e onde foi que errar, acertamos. É um exercício super válido e que recomendo. Tem pessoas que recomendam não olhar para trás. Eu recomendo. Não ficar olhando só para trás, mas, sim recuar um pouco nosso olhar e ver por que raios aquilo que deu certo ontem, hoje deu errado. E porque motivo evidente e que eu não havia percebido antes, meu erro me mostrou um possível caminho para acertos mais freqüentes em ações futuras.

Bem eu falava sobre o Periscinoto e ele, no livro, cita um grande publicitário norte americano que dizia que o “melhor texto que eu faço é aquele de onde eu posso tirar vários títulos para o meu trabalho”.

Gustavo Lemos fez um trabalho de dramaturgia e dele tirou seu título. Está lá, na cena 5, “A” diz:  “Do alto de uma fome explode a flor de dez espinhos com um sorriso de diamante que não lhe sobra nenhum medo. E dessa flor de dez sementes surge um brilho em passarinho com medo de céu, de mar, de poeira. Um medo que o templo não suporta, não suprime e não venera. É desse medo que surge a impossível chance: um erro. Um erro que vive. Vive e sorri por detrás da covardia. O medo da flor é o sorriso do erro covarde.”

Os títulos de uma peça de teatro também poderiam ser tiradas de algumas frases das peças que são escritas. Da peça do Gustavo Lemos, só no parágrafo citado, há outros títulos possíveis. Um que me agrada se tivesse sido escolhido seria o “Sorriso do erro covarde”. Outro, “Flor de dez sementes”.

No seu livro “Ler o teatro contemporâneo”, o autor e teórico francês Jean-Pierre Ryngaert, ensina que devemos ler uma peça de teatro além da lente grande angular. Diz que devemos ler, muitas vezes, trocando de lente. Temos que usar uma lente que aproxime mais da palavra, não só do sentido, do que, rasteiramente, queremos entender logo de cara quando perguntamos: De que se trata essa história?

Ryngaert sugere, então, que mudemos de instrumento óptico. Ao invés da grande angular da máquina fotográfica que nos revelará uma paisagem, um panorama amplo, devemos optar por um instrumento mais preciso e enxergar através de um microscópio. Sim, aquele instrumento que nos permitiria enxergar não a forma de uma palavra, mas, talvez, sua alma.

Em “Um erro que vive”, Gustavo Lemos provoca sensações diferentes no seu texto. Uma, na questão da forma. Os personagens não são definíveis por certas características que antecedem suas falas. São apenas um “A” e um “B”. Na primeira cena, “A” provoca com frases curtas e que, em sua forma, se repetem. “B” é sentencioso, teórico, evangélico. “A” provoca, chama para o jogo. “B” não aceita, foge. E usa de palavras que não são suas para, talvez, justificar sua fuga, seu medo, sua surpresa com o enfrentamento do jogo proposto por “A”. Mais que isso, se surpreende com o que “A” faz, ao pegar um alicate e arrancar os dentes, um a um, juntando-os em forma de um sorriso e o entregando a “B”.

Lembrei-me do texto de Edgard Allan Poe, “Berenice”, onde, depois de morta, seus dentes são arrancados por seu primo, apaixonado pela beleza do seu sorriso. Foi “Berenice” quem assustou e encantou Roberto Alvim, premiado autor e diretor de teatro, que coordena em Curitiba a oficina de Dramaturgia patrocinada pelo SESI Paraná, desde 2009, e que o levou, desde menino a fazer um teatro que não aprecia muito as luzes e prefere utilizar e ser mostrado numa estética da penumbra, do quase apagado, sem luz, só vozes em boa parte de sua premiada produção teatral.

Gustavo Lemos, propõe, na cena 2, uma inversão de papéis entre o que discursa “A” e “B”. Nas primeiras falas, um diálogo rápido, também confrontando entendimentos e sentimentos contraditórios. Na cena 1, ‘B” é sentencioso, evangélico. Na Cena 2, “A” assume esse papel. É ele quem narra mais, enunciando um discurso insano, não evangélico, mas com tendência a ser o discurso de algum pastor louco, ensandecido pelo poder da palavra. Da palavra que pretende ser divina, definitiva, final.

Diz “A”: Falo como fala quem não se ouve. Ando como anda quem não é visto. Mordo com o sorriso prometido e transo com o silêncio de um papelão que mofa, de uma solidão que estanca... Eu construí o templo e posso tocar o tempo. Nas paredes desse templo o monstro desenha com carinho de mãe. “B” parece querer exorcizar algo em “A” quando diz: “Reze quatro vezes ao dia...”

Vem, nas palavras que podem ser cruzadas, alinhadas, anuladas, entrecortadas, sobrepostas, o discurso de “A”. “B” pontua o jogo enunciado por “A” nas palavras que foram ditas por ele mesmo na cena anterior. Como se as palavras fossem repetidas aleatoriamente, não na ordem direta do discurso, mas no discurso indireto do que pode ser ouvido e não entendido por quem possa ser incompetente, ou não, quem sabe?

Estamos na cena 3. “B” quer descobrir, ou quer livrar-se do que não possa ser mais bem entendido por ele, esquivando-se e desculpando-se pelo que é narrado por “A”.

Vem a cena 4. “A” continua a propor um jogo. “B” resiste, foge. Quer manter-se distante, mas, responde querendo trazer certo grau de realidade para o que acontece. E volta a narrar, como se fosse ele um tipo de censor ou alguém que deve impor limites, dirigir, orientar, até cortar o barato do que o outro deseja vivenciar por força do que diz, talvez até, do que faz. Ou provoca.

“A” permanece na ofensiva verbal. Quanto mais fala, menos o seu corpo expressa essa força. Aqui, a fala é o contraponto da atrofia. O que parece claro, fica plano na expressão do corpo. O que reverbera, não move nenhum músculo, a não ser a fala que teima em continuar saindo de um corpo inerte, quase morto.

E o que faz “B” na cena 5? Tenta se justificar. Enfatiza em sua tentativa de se justificar. Ou de ficar de fora, de não se comprometer. Mas, ao mesmo tempo, mostra-se ser responsável por um esforço que não obtém retorno, nem paga, nem salário, só custo mesmo. E custo sem volta.

Diz “A”: Estamos todos presos do lado de fora de um abraço.

É o lado onde “B” quer permanecer. Do lado de fora. Sentindo-se preso no abraço inevitável, mas fazendo todo o esforço possível de suas parcas palavras para não abraçar, para não se comprometer, para livrar sua cara e, para, ao final, livrar-se dos pecados, por ações passadas, do presente e do futuro incerto. Daí ter necessidade de utilizar-se de um discurso sacro, messiânico não no pouco que diz, mas na intenção que não consegue “roubar” ou “tirar” do que diz “A”:

“Por que dos ventos se ouve a mais fina poesia: aquela não escutada e nunca vista. Aquela feita por mortos para os cegos de olhos e os surdos de ouvidos: a profecia do sorriso”.

Na cena final, a 6, do curto texto, “A” prossegue e persegue sua maldição. Quanto mais afronta, provoca, vocifera, grita, diz o que pretende manter o jogo em alta, mais se transforma o dito, não em voz, mas em um pensamento pretensamente querendo ser ação, palavra viva. De ser vivo, de ser recém parido, mas ainda com nuances de ser mal formado ou mal informado de suas imperfeições e de sonhos que talvez não possam vir, sobreviver, sorrir. Contagiar além da palavra, mas pela beleza de ter medo do sorriso que sequer chegou a nascer.

“B” tem “A” nas mãos. E na mão que “A” é balançado, acolhido, aceito, é a mesma mão que não aceita vê-lo chorar. Vê-lo arriscar-se no jogo desconhecido das futuras palavras que, se virem antes, serão alguma coisa. Se virem agora, serão outras. Se não virem, serão o quê?

Quem se dispor a ler e a entender “Um erro que vive” terá a chance de entender o que não foi escrito, mas poderá não ler o que está muito claro. Como diz Ryngaert no título do primeiro capítulo do livro dele que acima citei: “As obscuras clarezas e as incompreensíveis luzes”. O que, afinal, buscamos no teatro? Luz, entendimento? Escuro e incompreensão? Ou luzes na incompreensão e entendimento na escuridão? Cada um que faça sua leitura. E preencha os espaços vazios dessa leitura com as ferramentas que cada um dispõe para entrar no jogo de regras nada claras da disputa que vai muito além da palavra e do coração.

Rogério Viana, 20 de março de 2011, em Curitiba (PR)






terça-feira, 15 de março de 2011

O caminho do Clown, a escuta


O clown ALAIN VIGNEAU volta a Curitiba para mais um WORKSHOP para "ATORES E NÃO ATORES". O trabalho é dirigido a pessoas interessadas no desenvolvimento pessoal ou na formação profissional do seu clown.

A oficina "O caminho do Clown, a escuta" será realizada na Escola do Ator Cômico nos dias e horários:

06/maio/2011: das 19:00 às 22:00hs
07/maio/2011: das 09:00 às 19:00hs
08/maio/2011: das 09:00 às 15:00hs

Informações: 
Escola do Ator Cômico
Rua Lamenha Lins, 1429 
Curitiba - Paraná
(41) 3332-4361 ou 9991-4042

segunda-feira, 14 de março de 2011

"Quinze Degraus", texto da autora espanhola Gracia Morales

Quinze Degraus, texto da autora espanhola Gracia Morales


Em meados de fevereiro mantive contato com a atriz, professora e autora teatral espanhola Gracia Morales, que é da cidade de Granada. Demonstrei interesse em traduzir seus trabalhos e ela, então, me enviou três de seus textos. O primeiro que traduzi foi “Quinze Degraus”, um texto que foi premiado por um importante concurso de literatura dramatúrgica na Espanha em 2000, no ano seguinte foi encenado pela primeira vez no Teatro Alhambra, em Granada.

Sobre o texto “Quinze Degraus”

 Um espaço indeterminado, sem sinais de identidade precisas, poucos objetos com referências simbólicas ao conflito que se desenvolverá entre Andrés, Júlia e Elias, três números que esperam a chamada para empreender uma viagem. Uma viagem – mais uma – para Andrés e Júlia, casados. Uma viagem – a primeira – para Elias, jovem estudante. Os objetos visíveis no cenário impreciso são uma escada, um relógio pendurado no teto e que assinala, eficazmente, cada um dos segundos transcorridos, um tabuleiro de xadrez, um caderno de notas, um mapa, malas e cadeiras metálicas.

Mais sobre o texto “Quinze Degraus”, visitar as referências aqui.

Envio do texto aos interessados

As pessoas interessadas em conhecer o texto de “Quinze Degraus”, que traduzi do original “Quince Peldaños” em espanhol, podem enviar solicitação para o e-mail rogeriobviana@yahoo.com.br que enviarei cópia no formato PDF.

sexta-feira, 11 de março de 2011

0hayou gozaimasu

Horas antes da tsunami no Japão, um bom dia na praia de Santos
Ontem, dia 10 de março de 2011, às 11h49, na praia do Embaré, próximo do canal 4, em Santos, eu caminhava ao lado de minha mulher quando vi inscrito na areia uma frase que me chamou a atenção. Estava escrito em japonês, depois, na forma de como se pronuncia e vertido para o português a expressão "ohayou gozaimasu", nossa saudação de bom dia. Na areia escura da praia, próximo do porto onde há pouco mais de cem anos o Brasil recebia os primeiros imigrantes japoneses que para cá vieram, a inscrição parecia prenunciar alguma coisa, embora fosse uma singela frase, uma saudação para um novo dia de algum descendente de japoneses que naquela praia tinha acabado de passar.

Horas depois, do mesmo dia 10 de março no Brasil, mas na manhã do dia 11 de março de 2011, lá no Japão, um forte terremoto, seguido de um devastador tsunami provocavam uma grande tragédia e não anunciavam um bom dia para os japoneses. Nem para seus descendentes aqui no Brasil.

Fica, na imagem acima, o registro do "bom dia" na praia brasileira que prenunciou uma tragédia nas praias do Japão.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A preparação psicossomática de atores e construção corporal de personagens



Tonio Luna e a preparação de atores

A preparação psicossomática de atores e construção corporal de personagens, trabalho desenvolvido pelo psicólogo Tonio Luna, em Curitiba, parte da leitura técnica da relação entre corpo e mente apresentada por Wilhelm Reich, Alexander Lowen, David Boadella, Federico Navarro, Stanley Kelleman e outros. 
A personalidade em cena tem um corpo específico e este impressiona a platéia. O ator carrega em seu corpo sua história (segundo a teoria das couraças de Reich) e esta afeta o corpo de seu personagem. Quanto mais o corpo do ator se aproxima do corpo do personagem mais próximo da arte a apresentação se torna.  Assim cabe ao ator conhecer seu corpo e modificá-lo para entrar em cena.  Conhecer seu corpo significa se conhecer profundamente, tornar-se inteiro.  Este inteiro produz arte que transforma.  
O trabalho parte de conhecimentos de neurofisiologia, vegetoterapia, psicologia e arte.  Dirige-se a todos que querem entrar em cena, tais como atores, contadores de história e bailarinos.  E a quem quiser se desafiar a atingir o desconhecido, a arte.
Sobre o trabalho de Tonio Luna, o ator Richard Rebelo disse: "Sou ator e sei que o teatro é um momento único na vida de quem assiste e de quem o faz. O teatro é aquilo que acontece naquele momento. Preparar o ator para que ele faça sua arte acontecer é um trabalho muito nobre. O Tonio é um desses profissionais raros na minha profissão. Ele não está no palco, mas seu trabalho pode ser visto nos movimentos dos atores por ele preparados. Se você sair de um casulo preparado por Tonio Luna, com certeza vai borboletear mais alto, mais longe e com um bater de asas tão forte que será capaz de ser ouvido em outros lugares, situações, mundos e personagens diferentes".

Tonio Luna por ele mesmo

Nasci no Rio de Janeiro em setembro de 1961. Filho de ator conhecido na época, e de uma mãe que perguntava: "cadê o meu marido?". Atores são como borboletas, mãe! Ela não me ouviu e três meses depois que eu nasci veio para Curitiba. Borboleta pai veio atrás e borboleteou no teatro, rádio e televisão aqui também. Eu, como criança adorava os borboleteios!!
Quando adolescente me tornei marinheiro, para deixar meus olhos livres e imaginar. Já tinha aprendido a ouvir as pessoas e, sei lá de onde veio isto (minha avó alemã, talvez), observava o corpo delas. Nos navios eu conversava e ouvia histórias. Nas férias fiz curso de massagem e a bordo desentortava os corpos. Depois não quis mais ficar no mar por tanto tempo e mudei de profissão. Aprendi mais massagem, acupuntura, fiz terapia, psicologia corporal e me formei psicólogo. Tive atores pacientes que me convidaram para levar a psicologia do corpo para o teatro. Fiz bioenergética, gritos, berros e tudo mais. Depois coordenei uma comissão de arteterapia no Conselho Regional de Psicologia e conheci mais do que é a arte. Estudei neurofisiologia, neuroanatomia, mais Reich, vegetoterapia e formei um conceito do corpo em cena. 
Deu certo! Quem fez trabalho comigo ganhou prêmio, a peça também, e eu achei divertido fazer isso. Tão divertido que virou trabalho e hoje converso com muita liberdade com os atores sobre o trapézio , o gastrocnêmico e outros músculos. Quero chegar a um corpo em cena que faz arte e provoca nas pessoas da platéia algo transcendental, que as modifica e cura. Escrevi teatro, fiz monólogo, dirijo a peça "A LUTA" e preparo atores. Nasci no teatro e trouxe a psicologia para ele. 

Tonio Luna no Teatro e em publicações sobre Psicologia

Autor e ator da peça “Psicólogo da Silva”
Preparação Corporal da peça  “ Lisístrata – Distraídas Venceremos”
Preparação Corporal da peça  “Morgue Story” – Troféu Gralha Azul 2004
Preparação Corporal da peça “Garotas Vampiras Nunca Bebem Vinho”
Direção do espetáculo “Mr Richard in Comedy”
Direção do espetáculo “O Catarina”
Preparação de elenco da peça “Diga Aonde Dói”
Direção do espetáculo “O Causo é o Seguinte”, de contação de causo e moda de viola
Direção e preparação corporal do espetáculo “A LUTA”
Coaching de atores desde 1994

Escritor do editorial “Psicólogo da Silva” – Revista Contato – CRP 08
Ex-membro do Conselho Editorial da revista “ Diálogos” do CFP – Brasília